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domingo, 11 de agosto de 2013

Ao meu pai

Dizem que tenho traços indígenas. Mas os poucos traços europeus que tenho vieram do meu pai.

Meu pai nunca foi muito afetuoso. Acabei de ligar prá ele tentando uma aproximação carinhosa e ele mudou para assuntos do dia-a-dia. Sempre foi assim. Mas ele nunca deixou de brincar de pinque-esconde comigo e com meu irmão. Nunca deixou de ensinar algo novo. Vem dele meu amor pelos animais. Ele sempre nos inspirou a sermos nós mesmos, independente dos outros.

Meu pai e eu brigamos muito. Bem, na verdade, isso é só de um tempo prá cá. Na adolescência ele foi bem flexível com minha rebeldia. Talvez por isso acabei ficando tão parecida com ele. Brigamos muito porque somos teimosos. Brigamos por opiniões diferentes sobre a sociedade, sobre uma nota ou acorde numa música. Mas sempre nos entendemos. Aliás, foi meu pai que me ensinou a amar música. Me dava instrumentos de brinquedo, me deu meu primeiro violão. Me ensinou os primeiros acordes. Era nos teclados dele que eu estudava as lições piano.

Meu pai e eu amamos música. Respiramos música. Talvez ele mais até do que eu, porque ele ainda faz questão de trabalhar - e muito bem - com ela. Talvez foi com meu pai que eu tenha aprendido a amar a boemia. Mas com certeza foi com meu pai que aprendi a tomar a frente das coisas burocráticas e técnicas da casa. Eu era fascinada pelo estojo de ferramentas dele, projetado por ele mesmo, feito de brim azul. Com meu pai aprendi a trocar chuveiro elétrico, lâmpada fluorescente, concertar bica pingando. Foi meu pai que me incentivou a aprender a consertar computadores. Com meu pai aprendi a ir à rua e ir à luta.

Cresci ouvindo ser a cara da minha mãe, mas eu me vejo muito no meu pai. Hoje até somos bem mais parecidos fisicamente, mas acho que muito mais que isso, vejo em mim traços de personalidade dele. Meu pai sempre foi meu super-herói, do qual herdei até o maldito vício do cigarro, mas ídolo é ídolo, e eu sempre quis ser igual ao meu pai. Agora, adulta, vejo as imperfeições dele mais claramente, mas com certeza ele ainda é uma inspiração prá minha vida. Aquele homem que se dividia entre o sustento da família e a paixão pela música, que era uma presença quase ausente na minha infância por isso, de alguma forma plantou em mim uma semente que tem crescido cada vez mais.

Pai, sei que você não é dado a essas coisas, mas quis te homenagear, por tudo o que você representa prá mim. Você me cortou no telefone e eu também não conseguiria dizer porque não fui ensinada a trocar certas palavras com você, mas eu só queria dizer: EU TE AMO. OBRIGADA POR TUDO.

Talvez, de alguma forma subtextual, nós nos comunicamos dessa forma. Por trás das preocupações do dia-a-dia, eu sinto que você me ama também. Mais uma coisa em comum: nós somos complexos. Mas nos entendemos, mesmo quando nossas cabeças duras parecem não se entender.

Obrigada por ser meu exemplo!

FELIZ DIA DOS PAIS!!

Em estúdio, falando sobre o quê??? Música!!

Um comentário:

Ederzinho disse...

Daniele, amadinha! Parabéns pelo lindo e emocionante texto. Deus te deu este dom, entre tantos outros, de transcrever tão vividamente os mais profundos sentimentos.Bjs.


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