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sábado, 16 de maio de 2026

Nihayet seni buldum!*

 EU NÃO ACREDITO!! 

Meus deuses, como eu estive errada!! Negando a mim mesma as verdades que minh'alma gritava por medo ou frustração... 

Aquilo que veio antes foi "fase de teste" – uma forma de ampliar meu chakra cardíaco o suficiente para poder caber você.

Aquele que te precedia com um abraço-casa nunca foi meu lar. Me forjou através do amor que não soube – ou não pôde – me entregar.

Tive que aprender a curar minhas próprias feridas pra estar pronta, estar forte, já que o que viria em seguida seria tão grandioso que eu sequer poderia imaginar.

Reencontrar você e nossos "filhos" foi uma tarefa árdua, mas não foi em vão: enxergo hoje cada pedaço do que vivemos e mais lembranças chegam me desconstruindo certezas vãs.

O que será de nós daqui pra frente, não sei, pois só depende de nós. Mas voltar a experimentar esse amor finalmente me trouxe o sentido e o propósito que tanto busquei. 

Então seguirei em frente, sendo o melhor que eu posso ser. Não posso controlar o destino do mundo, mas hoje sei que posso controlar o meu. E é o seu amor – entregue junto com tâmaras pelas ruas de Istambul há mais de 100 anos, ou hoje, através do seu olhar zeloso – que me fará ir mais longe depois de uma vida inteira desacreditando de mim.

Eu só queria que você também pudesse sentir essa presença divina que sinto em mim. Tenho fé de que, longe ou perto, um dia sentirá (se ainda não se permitiu).

Se um dia "foi um vento que passou, que te trouxe e te levou" (como cantava Verônica Sabino), foi esse mesmo vento que nos trouxe a todos de volta à costa do Gragoatá.


E um vento, você bem sabe, "não dá pra segurar".


"No alto da montanha
Ou em um cavalo em verde vale
E tendo o poder de levitar
É como em um comercial de cigarros
Que a verdade se esquece como os tragos
Sonho difícil de acordar

Quando seus amigos te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar
Mas essa vida é passageira
Chorar eu sei que é besteira
Mas, meu amigo, não dá pra segurar
Não dá prá segurar
Não dá prá segurar
Não dá pra segurar,
Desculpe, meu amigo
Mas não dá pra segurar

Vou dar então um passeio
Pelas praias da Bahia
Onde a Lua se parece
Com a bandeira da Turquia

É o planeta inteiro que respira
Sinais de vida em cada esquina
Tanta gente que se anima

E quando seus amigos te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar
Mas essa vida é passageira
Chorar eu sei que é besteira
Mas, meu amigo, não dá pra segurar

Não dá pra segurar
Não dá pra segurar
Não dá pra segurar
Desculpe, meu amigo
Mas não dá pra segurar..."

(Ira!)

Yakında görüşürüz! Τα λέμε σύντομα...

*(Ler "Neredesin?" - novembro/2024)

sábado, 9 de maio de 2026

"Será que sou tão especial assim?..."

Dia desses, estava eu com uma amiga conversando sobre essas "coincidências que não são coincidências" (mas confirmações da espiritualidade) e ela (bem mais nova que eu) se fez essa pergunta que eu já me fiz muito também. 

A verdade, é que todos nós somos especiais. Podemos ser ilustríssimos desconhecidos do grande público, não termos muitas posses, mas somos indubitavelmente protagonistas da nossa vida, querendo ou não, e cada um de nós tem um secto de encarnados e desencarnados (muitas vezes, mais desencarnados) que nos ama muito – mesmo que não entendamos muito o porquê.

Eu tive uma trajetória de vida que, por muitos, é considerada muito difícil. Eu nunca achei confortável o lugar de vítima, então fiz dos limões um consistente mousse: bati as claras incansavelmente até construir a base desta minha sabedoria meio torta, mas que me mantém de pé e, às vezes, tbm ajuda outras pessoas. Porém, sempre consciente que, sozinha, eu certamente não iria muito longe (mesmo que a grande maioria não consiga enxergar o bando de companhias que tenho, já que estão em "outro plano").

Dito isso, neste momento, sinto apenas a necessidade de publicizar minha gratidão – pois neste momento, observo os lugares de onde vim, por onde passei, onde cheguei e os caminhos que têm sido abertos pra eu seguir essa viagem louca chamada VIDA, e é de admirar!

"O que tem de ser tem muita força", e sinto hoje que não mais dou murros em ponta de faca: as sementes que plantei estão brotando e está tudo se encaixando, simplesmente pq finalmente as plantei em solo fértil (onde meu coração mandou, NINGUÉM MAIS).

Daqui da onde estou, só posso deixar uma mensagem que eu gostaria muito que a Dannie de 15 anos pudesse ter recebido:

NUNCA DESISTA DE VOCÊ. NUNCA DESISTA DOS SEUS SONHOS – AQUELES QUE NÃO OUSARAM TENTARÃO TE SEDUZIR AO PRÓPRIO MURO DE LAMENTAÇÕES: NÃO PERMITA.

Levanta e anda, e sonha! Não deixem de sonhar nunca. Mas também não parem. 


GRATIDÃO!! ✨


Amen-Axé-Shalom!

terça-feira, 5 de maio de 2026

Diário de Campo I

Parece que hoje presenciamos, através deste texto, um marco. 

Aquela moça um tanto jocosa, assumidamente louca e excepcionalmente romântica deu lugar a uma mulher mas emocionalmente previsível, centrada e bem mais reflexiva (não que não fosse antes).

Dito isto, podemos prosseguir daqui...

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É, me parece que a vida de pesquisadora-dicente é mesmo bastante solitária. 

A Antropologia entrou em minha vida no momento exato em que deveria: já aos 44 anos, tendo arriscado diversas carreiras, diversos estilos de vida, e mais um sem número de relacionamentos que me tiraram do meu centro. Todos os altos e baixos me ensinaram que eu não quero viver em rodas gigantes não. Acho que nunca quis. Mas, de alguma forma, a Vida parece que me quis experimentando tudo pra poder, hoje, sintetizar tudo isso na carreira que essa própria Vida me deu.

Afinal, como estudar e produzir conhecimento sobre humanidades (antropo) sem realmente tê-las experimentado? 

Não estou fazendo terapia, mas às vezes sinto falta. Apesar de agora, já sem mais remédio nenhum, eu estar conseguindo dar conta de me entender - não era crise bipolar, era crise sensorial esse tempo todo. Isso explica porque meu "transtorno bipolar" não teve um "marco zero" e eu não conseguia encontrar gatilhos, nem mesmo com quase 20 anos de acompanhamento psico-psiquiátrico: sou assim desde que nasci. Isso sempre fez parte de mim. Mas o melhor de tudo, é que estou cada vez mais consciente dos meus "gatilhos": sons, luzes, cheiros, toques e até olhares podem afetar quase fatalmente quem tem hipersensibilidade. 

Mas, enfim, viemos falar da vida de pesquisadora-discente, não é?

Enfim, desde que iniciei a graduação em Antropologia na UFF (depois de ter decidido nunca mais pôr os pés na UNIRIO e nem fazer nada que me recordasse tudo que vivi no Serviço Social), minha vida parece dar uma guinada de 180 graus a cada esquina que eu viro: resgatei sonhos antigos, conheci outras pessoas que muito se parecem comigo em minhas neurodivergências, mudei de cidade e a cada novo lugar que visito em meu "reconhecimento de campo" me dá uma sensação muito intensa e ao mesmo tempo leve de quem já esteve ali, naquele lugar, em instantes oníricos. O carrossel de déjà vus não pára - o que às vezes dá até um pouco de vertigem, mas não tira o sentimento instigado de vislumbrar o pote de ouro no fim do arco-íris. 

Enfim: morando agora a poucos minutos a pé do campus (mais perto ainda do que a república anterior, na qual vivi por aproximadamente 6 meses) a sensação de viver dentro da própria universidade é inevitável: o curso é integral e, mesmo que eu tenha decidido optar apenas por disciplinas vespertinas quando montei minha grade desse semestre, a vida quis que eu fosse escolhida num processo seletivo para bolsistas de um projeto de monitoria (na verdade, um dos vários editais a que concorri desde o início do ano), e a disciplina à qual atualmente dou assistência é pela manhã. Ou seja: ao menos 2 vezes por semana chego lá, no "quintal de casa", nas primeiras horas do dia, e só saio por volta das 19:00h, se tiver sorte de pegar o bandejão não muito cheio pro jantar (o que ultimamente anda raro, graças ao funcionamento parcial por conta da greve dos funcionários). O movimento estudantil ainda quis me puxar de volta, mas engoli meu orgulho e botei a vaidade no bolso: deixa que os jovens entreguem agora todo sangue, suor e lágrimas que eu dei de mim uma década e meia atrás. 

Pois é, a carga horária pode ser um pouco puxada - principalmente se sua permanência na universidade depender de auxílios e bolsas, que exigem compromisso em contrapartida. Mas não reclamo: ao menos pago as contas com as horas trabalhadas em algo que tenho gostado cada vez mais e tenho uma vida simples, mas confortável. Os textos antropológicos e relacionados são densos e o volume também é bem grande - há professores que nos exigem a leitura de um ou 2 livros inteiros em apenas uma semana (isso sem contar os textos a serem lidos das outras disciplinas) - então não só de período presencial é feita a graduação em Antropologia, mas também das horas extras de dedicação em casa. Tenho até testado aplicativos no celular para me ajudar a organizar a rotina entre leituras, trabalhos e tarefas domésticas das quais não posso abrir mão. Ainda não bati o martelo sobre qual combinação usar de fato, mas acho que, aos poucos, está ajudando sim. Também tenho lançado mão de alguns "artifícios" pra não desregular (muito) e adquirido estratégias para escapar do excesso de estímulos sensoriais e situações que podem engatilhar essas crises - e dessa vez, pela primeira vez depois de tantos anos de psiquiatria, estou conseguindo mirar no problema certo e solucioná-lo de verdade, sem mais os placebos dos remédios controlados que só me transformavam em um robô sem memória, sem vontade de viver e com sua constituição física cada vez mais deteriorada (acabando, assim, com minha autoestima, que nunca foi lá muita).

De qualquer forma, agora estou num meio em que me sinto muito confortável (diferente de outrora) pois percebo que o que penso e faço (e como penso e faço) pode chamar muito mais atênção que minha aparência.

A monitoria também tem sido uma delícia, apesar dos desafios - porém, nenhum desafio maior do que minha experiência na minha outra universidade, onde tudo parecia ser feito meio de improviso, sem a mínima orientação sobre o que e como fazer. Talvez não tivesse sido tão traumático se eu também não tivesse sido deixada sozinha pela minha orientadora na hora de fazer e apresentar o trabalho resultante dessa experiência na Semana de Integração Acadêmica... Mas voltando à ideia inicial do parágrafo, a experiência tem sido muito gratificante, mesmo ainda no primeiro mês - retomei àquele sonho antigo de lecionar, coisa que até tinha desistido... O tempo tinha passado pra mim, lembram? Quem diria que aquela mulher de 7 anos atrás, que tinha perdido bens, afetos, perspectivas e até dignidade, que tinha achado que a vida tinha acabado ali, hoje estaria aqui pra contar outra história...

E pra "fechar o pacote", por último mas não menos importante, o curso de francês que inventei de fazer nas manhãs "livres" (como se eu não tivesse textos prá ler e escrever nem tivesse que auxíliar na assistência a outros colegas e à professora como monitora...). Pelo menos é EaD, posso fazer no "conforto do meu lar" (contanto que eu não atrapalhe minhas companheiras de quarto, que são bem legais, diga-se de passagem – bem mais que da república anterior). 


Enfim, tudo isso pra talvez tentar justificar minha tão longa ausência deste blog. Não foi falta do que escrever, pelo contrário: é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo!! Cansativo? Não vou mentir que não, porque é. Mas é ao mesmo tempo extremamente prazeroso - eu nunca me imaginaria tão feliz me desgastando assim em qualquer emprego CLT (igualmente digno, mas muito distante do que minh'alma sempre aspirou).

"E o coração?... Desocupado?...", é o que provavelmente a "velha-guarda" deste blog perguntaria se ainda estivesse por aqui (o que duvido muito pelo nível de "poeira virtual"). Eu te diria: não sei. Difícil dizer. Porque antes eu sempre punha o amor por alguém na frente de tudo: homens, filhos, pais... E acho que agora, pela primeira vez na minha vida, o maior amor que tenho sentido por algo que não seja eu mesma é a Antropologia e a vida acadêmica. Perdi aquele ranço que tinha ficado em mim depois de todos aqueles traumas passados... Estou reprendendo a amar. Mais e melhor - mesmo que pra isso eu ainda tenha que ir lá atrás, vez ou outra, revisitar esse mesmos traumas pra lhes dar uma nova cara, um novo significado.  E não é isso que uma antropóloga faz? Buscar significados? (Transformá-los já é outra coisa que sai da alçada da profissional...)


Enfim, enfim, enfim, pela enésima vez (pra não perder o costume da piada autocrítica), há sim muitas outras coisas que eu queria explorar aqui. Mas eu já falei/escrevi tanta coisa hoje, não?

Será que lerão tudo?... Será que alguém sequer vai ler?...


Tanto melhor se não lerem: será então nosso pequeno segredo.

Bom domingo, São Domingos!

Amen-Axé-Shalom!