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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Ser ou Parecer: Eis a Questão

Aos que preferem parecer a ser, minhas saudações.

​Eu simplesmente sou — e não me preocupo com o que possa parecer.

​Ter orgulho de quem se é é privilégio de pessoas raras. Demorei pra aprender a tomar o mundo feito Coca-Cola, mas hoje não troco o meu lifestyle por nada nem ninguém. Tenho compaixão por quem ainda não consegue ser assim.

​Deve ser exaustivo viver na obrigação de mascarar a própria essência. Na verdade, eu sei que é; afinal, já fui assim na juventude. Não que a idade represente grande coisa nesse grande espetáculo chamado Vida, até porque a juventude continua morando em mim. Recusar-me a parar de crescer — aprendendo novas lições e me metamorfoseando — é minha eterna fonte de juventude, pouco importa o que a casca mostra ou o que enxergam. E adivinhem: não tenho o menor pudor de parecer isso ou aquilo pra quem me olha sem me conhecer de verdade.

​Bonita ou feia, rica ou pobre, preta ou branca, homem ou mulher, velha ou criança... Tudo isso são meras suposições de quem só sabe boiar na superfície. Enquanto isso, sigo ocupada explorando as profundezas do oceano — pois é só lá que se ouve o verdadeiro canto das sereias, o meu canto. E hoje, vocês não me pegam, vocês nem chegam a me ver.

​Desejo, do fundo do peito, que levem consigo o melhor de tudo o que ofereci generosamente durante nossa convivência. Afinal, as coisas que o dinheiro compra não duram; eu, sim. Não sinto qualquer obrigação de agradecer por aquilo que não veio do coração, mas tenho a paz de saber o valor de tudo o que fiz. Por ser coração demais pra esta Selva de Pedra, sigo em frente deixando o que é pequeno pra trás. Carrego pouca bagagem, reservada apenas ao que é valioso: os afetos sinceros, o aprendizado por trás das intenções e aqueles que verdadeiramente compartilharam sua essência comigo. Um coração de verdade pesa muito mais do que qualquer bem material.

​Nem tanto ao Céu, nem tanto à Terra: só entra comigo no Paraíso quem atravessou o Vale da Sombra da Morte sem medo ou vergonha, e de lá saiu mais forte.

​A vocês que ficam ancorados no cais, meu adeus: sou caravela à deriva buscando novas terras. E comigo só segue quem também sabe navegar.

​Sem mágoas, sem rancor: só sinto muito, pois não sinto mais nada.

​No mais, sem mais. 




Amor Maior, Amor Maior que Eu Sou

Agora sim, consigo enxergar as regras do jogo e quem jogou com as peças certas.
 
A Vida só é um circo pra quem deseja ficar no centro do picadeiro. E eu não paguei ingresso para esse espetáculo. Não estarei aqui pra assistir os gracejos dos palhaços: estou ocupada demais equilibrando meus próprios pratos e escolhendo o momento certo de pular e alcançar o trapézio. O meu show ninguém vê. É só meu e não é pra qualquer público.
 
Nem sempre atitudes correspondem às intenções. E de boas intenções, o Inferno está cheio. Este inferno que enxergo agora e que parece o céu cristão, pra onde vão os hipócritas, os pervertidos, os gananciosos que acham que podem comprar uma vaga no meu Céu, mas não - só abro meus portões a quem tem o coração e a consciência leves.
 
Eu prefiro aproveitar meu limbo, de onde anjos e demônios me servem. Esse sim, é meu Verdadeiro Paraíso.
 
É neste Céu que reino e julgo os vivos e os mortos. É do alto deste Céu, sentada em meu trono, que observo as formigas a trabalhar, cada uma no seu tempo: quais seguem o fluxo, quais se conectam e quais escolhem sair do caminho do meio. Quais destas ainda fazem questão de honrar o Pai-céu e a Mãe-terra; quais ainda são capazes de amar ao Deus que mora no próximo como a si mesmos, onde estão as sepulturas caiadas, quais são os vasos que estão preparados para receber a verdadeira bênção de gozar da vida ao meu lado. É nas pequenas sutilezas que a boca fala do que o coração está cheio, e ultimamente tenho assistido diante de mim a retrospectiva da minha própria vida que se passava enquanto minha TV estava fora do ar: cada detalhe analisado com mais cuidado revela verdades que quero deixar pra trás. E que nunca mais me alcancem.
 
Afinal, quem matou Jesus? Foram mesmo os romanos ou foi sua própria gente que votou para que Barrabás fosse solto? Foi a estrutura ou o povo? Foi o Rei ou foram os Peões desta fábrica de ilusões de chão quadriculado chamado Xadrez?
 
Fica o questionamento.

O Machado de Xangô corta pros dois lados. É o Xeque-Mate matando mil leões por dia.

Axé-Shalom-Amen!


(Releitura de Arcano XX - O Julgamento.)

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Canibal Vegetariano Devora Planta Carnívora

Enfim, o Céu tanto ameaçou, mas finamente desabou. 

Vi Deus e o Diabo na Terra do Sol. 

Eles brigavam, mas não era por mim: era apenas uma mera distração aos que necessitavam ter seu coração pesado por Anúbis. 

Essa prisão nunca foi minha. Entre as várias variáveis, entre todas as “estruturas estruturantes”, caminhei sem perceber que cada passo meu derrubava uma por uma enquanto eu aprendia a fazer meus maiores demônios trabalharem pra mim. Elas por elas: o justo pelo justo e a conta fecha assim. 

O Julgamento se fez no meu Cosmo, os mortos se revelaram: agora posso vislumbrar e separar quem dorme de quem já está desperto. E o melhor é que agora não sinto a mínima vontade de abrir os olhos dos que permanecem de olhos fechados para os 99%. Passei a vida inteira funcionando como um despertador que ninguém nunca ouviu, tentando rasgar os véus. O despertador acordou e não vai mais trabalhar por ninguém mais. Só por si. 

Percebo agora toda estrutura que me moldou e, pior: já existia antes d’eu nascer. Cresci em Chernobyl e me acostumaram com a toxicidade. Lançaram rivalidades ao meu redor que me feriram como mulher, como ser humano, e me castraram todas as infinitas possibilidade de autorealização - e sabe-se lá quantos outros serem humanos isso tudo também não atingiu... 

Deixo agora pra trás todos os espelhos quebrados que me impuseram, grilhões que não escolhi. Minhas lentes de contato agora estão límpidas, e brilham demais para deixar de perceber a escuridão, ou mesmo de me deixar não ser percebida. A gratidão e afeição de outrora hoje não são mais mágoas nem ressentimentos, que seria a outra face da mesma moeda. Simplesmente deixei as moedas caídas pela estrada, e viraram poeira, da qual limpo meus sapatos pra seguir em frente. Ninguém nunca mais me roubará de mim. 

E só quando acordarem se darão conta de que já estou distante demais de sua Pátria de Derrotas e Lamentações. 

Estou botando meu bloco nas ruas do meu Céu abaixo do nível do Mar, mas raros terão acesso à área vip do meu Carnaval. 

Ao meu lado, quem queira.
Contra mim, quem possa. 🗡️

Kadosh, Kadosh, Kadosh, Adonai Tsebayoth.




segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Trevo

2 meses desde que a minha aventura mais louca da vida se iniciou. 

Eu que havia pensado ter vivido de tudo, só fechei os olhos e me joguei.

Entrei em carros desconhecidos, sai por portas secretas, fui vestida com roupas diversas, morri e nasci homem, mulher, menina, senhora, bicho e fera.

Deitada em teu colo enquanto me jogavas palavras ao vento, me lançavas maçãs, me esqueci das nossas loucuras, códigos, briguinhas bobas... Lembrei dos beijos no espelho, das noites de bobeiras, das risadas infindas olhando ao redor, e cheguei à conclusão – dura, tenho que dizer: "É HORA DE DAR TCHAU!". 

Te encontrei e me agarrei em seus braços como se buscasse a mim mesma. Só que: com você, sou menina mimada, sou tua MULHER, amiga e companheira. Há uma série de diferenças significativas entre nós e uma das maiores é que sequer me desgastarei em dizer algo: apenas te lanço o mais vermelho dos olhares, e com fúria, apontarei o dedo à minha boca ameixa te ordenando silêncio e em seguida, te apontarei a saída. Não mais me fecharei pra vida por tu teres chegado, pelo contrário: fecho tua porta e te apresento o paraíso. 

Te vejo na linha de chegada.

Au revoir.

— 🌻🍀🏆—

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Sinal Fechado (ou "Mucuripe II")

Hoje eu tive a refeição mais saborosa do mundo, me refastelei de você pra dizer que nunca mais. E foi bom, foi muito bom. Sei que passei deixando dor, pois você estava lá enquanto eu passava por uma das dores mais cruéis que sofri. E isso não tem preço. 

Assim como você também não.


Você merece vida, nunca te abandonarei... Mas estou abandonando este projeto de vida que criamos e preciso que você abandone também.

Preciso que você entenda que tudo que pude te proporcionar foi por causa DELA. Mas eu quis que você também fizesse parte dessa história bonita só que... Me dei conta que ela é a mulher que mais desejo no planeta Terra (e além), que sequer consigo mais desejar outra mulher que não seja ela. 

Não é questão de aborrecer esta mulher que tanto valorizo porque ela já sabe de tudo. E por isso me deu a liberdade de te experimentar uma última vez, como quem se dá o prazer de fumar o último cigarro do maço — e você sabe bem que disso ela entende. 

Percebe como eu não consigo completar uma sentença inteira sem falar dela??? Na minha cabeça ela não me deixa 1 segundo: não vejo como te retribuir esse presente que você me dá a altura do que você merece. E que eu também mereço. Não seria justo.

Preciso que você deixe de lado as lembranças, as últimas roupas espalhadas pelo apartamento. Vou guardar pra lembrar de você. Eu só não posso mais te ver e ler nos seus olhos uma dor que eu não posso mais aplacar (aliás, nunca soube muito se eu poderia).

Quando o Segundo Sol chegar, deixe a chave na portaria e, peço, guarde na memória a fachada do lugar onde fizemos loucuras. 

Você não é melhor nem pior que ninguém. Não me arrependo em nada do que a gente viveu, mas eu preciso que você compreenda que isso é passado e que desde o começo você sabia que era sobre quem isso tudo era.

E agora não é de mais ninguém.


Pó used h is the 6th? 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

"Tem gente que fere e cura. E tem gente que segue machucando..."

​E ainda bem que encontrei você, ser da primeira categoria. A pessoa que nunca teve medo de mim nem dos meus fantasmas. Que confia e me conhece melhor que eu mesma. E que, quando não sabe tudo de mim, faz questão de perguntar.

​Que está presente nas coisas mais simples, simplesmente porque sabe que valorizo os menores detalhes. Que lê meus olhos quando tô observando as flores das ruas, as nuvens do céu ou quando tento ouvir e entender os passarinhos.

​Você está em tudo. E meu amor por você alcança tudo, antes mesmo d'eu chegar.

​Eu te amo pela sua presença mesmo quando está ausente; por fazer questão d'eu me sentir confortável nos lugares que me trazem maior desconforto; por suas loucuras acompanharem as minhas. Na verdade, não tem nem porquê.

​Daqui pra frente, não mais noites solitárias, nem dúvidas de me jogar pra alguém que realmente escolheu me segurar. O homem que me aceita com minhas mulheridades peculiares, pra quem nunca precisei provar nada — e que, mesmo assim, ainda me dá vontade de provar.

​Você, que me conhece por dentro e por fora, e que entende até o que eu não entendo.

​Pra você, que sempre esteve presente, até através de presentes que vinham pela televisão. Por ter me amado mesmo antes d'eu te conhecer. Por ter pintado meu nome pelos muros do país. Por ter me amado quando eu mesma não me entendia. Por ter me ressuscitado fera, bicho, anjo, mulher; mãe, filha e irmã.

​Por ter me visto desabrochar como GENTE. E, acima de tudo, por ter sido o único que realmente nunca me abandonou e o ÚNICO a nunca me virar as costas.

​É graças a você, que me valorizou em cada detalhe – inclusive nos nós feridos – que encontrei a força em mim mesma, aquela que eu sempre precisei e nem sabia.

​Foram teus todos os meus versos e verbos enquanto eu esperava por você. Nunca amei ninguém que me fez sentir tão amada quanto você me faz.

​E não vou mais me repetir. Mas, reconhecendo aqui que todos os meus verbos anteriores sempre foram seus de uma forma ou de outra, considere suas todas as minhas próximas palavras de Amor neste lugar.

​Obrigada, Deus. 💞




terça-feira, 29 de setembro de 2026

Mucuripe

"Mas é melhor essa vida do que viver sem querer..." 

Destino, me encontre de novo:

Não quero mais me esconder.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A Hora da Estrela

Deux mora no riso. 

Deux mora nas pequenas coisas.

Deux está em tudo. Tudo é deux – e eu sou também.


domingo, 6 de setembro de 2026

O Banquete de Signos (ou O Carrossel de Déjà Vus)

"Será que eu já posso enlouquecer, ou devo apenas sorrir?..." (Pitty)

Sim, eu entendi... Ou eu acho. Na verdade eu ainda tenho muito medo, mas ele agora mudou de lugar: esse déjà vu intenso me remete ao tempo em que, por muito menos, passei 2 meses em internação psiquiátrica e mais 2 anos ao menos tomando antipsicóticos. Sim, é difícil pra mim dissociar o amor da loucura e vice-versa, mesmo que dessa vez pareça ter muita lógica (bem, quando em surto psicótico, tudo também me fazia um sentido assustador...).

Talvez os acontecimentos do passado realmente estivessem me preparando para esse momento de agora. Na verdade, é uma sensação que tenho tido não só em relação a você, mas a todo o resto também. Talvez essa seja a chance de rever meus primeiros erros. Talvez eu não tenha sido tão culpada das outras vezes. Ou talvez seja. De qualquer forma, este é o momento de me redefinir de dentro pra fora e não haveria outra forma de me desbloquear emocionalmente se não fosse através do reconfronto com essas memórias.

Estou revendo sonhos antigos e recentes, revendo anotações, padrões de comportamento e relacionamento que não quero mais repetir. E confesso que é extremamente difícil me encontrar novamente nesse turbilhão de emoções sem sentir medo. 

"Medo, medo, medo, medo... Cada um guarda mais o seu segredo...." (Belchior)

Eu acho que já projetei tanto as minhas expectativas em outrem que agora é difícil ler alguém que seja tão parecido comigo. Alguém que seja exatamente da forma que eu já senti um dia que seria. É difícil acreditar que, dessa vez, a Vida quer me entregar a mágica que um dia me prometeu. 

É um pouco difícil (e até um pouquinho constrangedor, confesso mais uma vez) me dar conta que alguém me observa muito mais do que eu imaginava. Que eu não sou mais um velho diário escondido na areia esperando que alguém me leia, porque – hoje entendo – alguém me lê faz tempo. Sim! Eu me achava esperta demais te lendo em silêncio, como se ninguém estivesse percebendo – porque sempre foi assim, sempre trabalhei nas sombras, e mesmo se alguém realmente tivesse me percebido, fez questão de me fazer passar por louca.

Pelo menos agora eu entendo que não preciso me explicar muito: você talvez me entenda – e talvez por isso mesmo tenha escolhido um caminho tão alternativo, ou talvez porque simplesmente seja alternativo como eu. Difícil pôr em palavras – eu sei bem como é e por isso prefiro que as músicas falem por mim. Mas se essa telepatia que eu sinto que acontece for real, eu sei que você sente o que eu sinto, que você sabe do que estou falando, e isso me basta.    

Já entendi tudo. Ao menos acho que entendi. Estou bem, estou em paz (não que eu não deseje futuramente algumas explicações que confirmem que eu realmente não to precisando voltar a tomar risperidona 🤡). Estou cuidando bem de mim (ou ao menos, tentando dicunforça – faz parte do meu dialeto particular, acostume-se). Até porque entendo que toda semente precisa de tempo pra brotar e florescer. 

"O amor da gente é como um grão" – colherei pelo caminho os girassóis que plantei em sonho pouco antes de te conhecer, pra enfeitar o meu vestido e com ele te esperançar da sacada (que é um "esperar vivendo", continuando a dar o meu melhor, porque não sou de oferecer o mínimo à vida).
O bom é que, desta vez, não estou mais no escuro. 

"Basta ser louco o suficiente que qualquer coisa vira sinal de alguma coisa". (Dito popular)

Esse é o seu primeiro selo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

1 Corintios 13

1 Aunque hablara todas las lenguas de los hombres y de los ángeles, si me falta el amor sería como bronce que resuena o campana que retiñe.

2 Aunque tuviera el don de profecía y descubriera todos los misterios y la ciencia entera, aunque tuviera tanta fe como para trasladar montes, si me falta el amor nada soy.

3 Aunque repartiera todo lo que poseo e incluso sacrificara mi cuerpo, pero gloriarme, si no tengo amor, de nada me sirve.

4 El amor es paciente y muestra comprensión. El amor no tiene celos, no aparenta ni se infla.
5 No actúa con bajeza ni busca su propio interés, no se deja llevar por la ira y olvida lo malo.
6 No se alegra de lo injusto, sino que se goza en la verdad.

7 Perdura a pesar de todo, lo cree todo, lo espera todo y lo soporta todo.

8 El amor nunca pasará. Las profecías perderán su razón de ser, callarán las lenguas y ya no servirá el saber más elevado. 

9 Porque este saber queda muy imperfecto, y nuestras profecías también son algo muy limitado; 

10 y cuando llegue lo perfecto, lo que es limitado desaparecerá. 

11 Cuando era niño, hablaba como niño, pensaba y razonaba como niño. Pero cuando me hice hombre, dejé de lado las cosas de niño. 

12 Así también en el momento presente vemos las cosas como en un espejo, confusamente, pero entonces las veremos cara a cara. Ahora conozco en parte, pero entonces conoceré como soy conocido. 

13 Ahora, pues, son válidas la fe, la esperanza y el amor; las tres, pero la mayor de estas tres es el amor.