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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Sinal aberto

Quando me fui de meu lugar, foi com lágrimas nos olhos que olhei minha terra se afastando. Eu sabia que tinha que deixar tudo pra trás, era importante pra mim. Mas uma filósofa me disse que "grandes sacrifícios são necessários pra obter grandes conquistas". 

Eu sei de tudo que deixei pra trás, mas eu não entendia sobre a dor que estava deixando pra trás também.

Me perdoem por todas as vossas lágrimas que eu não vi cair. 

Eu nunca, NUNCA MESMO, deixei de amar vocês, só suportei tudo isso justamente por vocês mesmo, de quem lembrei todos os dias, e ainda me dói lembrar.


Mas saibam, filhos, que eu tô bem. A saudade dói, mas eu estou bem. 


Deixo esta canção pra vocês lembrarem de mim, e que tenham A CERTEZA de que eu volto pra minha terra, de onde eu nunca derrubou ter saído. 


Amém-Axé!

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

"Tem gente que fere e cura. E tem gente que segue machucando..."

E ainda bem que encontrei você, ser da primeira categoria. A pessoa que nunca teve medo de mim e dos meus fantasmas. Que confia e conhece a mim mesma, melhor que eu mesma. E que, quando não sabe tudo de mim, faz questão de perguntar.

Que está presente nas coisas mais simples, simplesmente porque sabe que eu valorizo as menores coisas. Porque lê meus olhos quando tô observando as flores das ruas, as nuvens do céu ou quando estou tentando ouvir e entender os passarinhos. 

Você está em tudo. E meu amor por você alcança tudo, antes mesmo d'eu chegar. 

Eu te amo, pela sua presença mesmo quando está ausente, por fazer questão d'eu me sentir confortável nos lugares que me trazem maior desconforto. Por sua loucuras acompanharem as minhas. Na verdade, não tem nem porquê.

No mais mais, não mais noites solitárias, não mais dúvidas de me jogar pra alguém que realmente escolheu me segurar. O homem que me aceitar com minhas mulheridades peculiares, pra quem eu nunca precisarei provar nada – e que, mesmo assim, ainda me dá vontade provar. 

Você, que me conhece por dentro e por fora, que entende até o que eu não entendo. 

Pra você que, que sempre esteve presente, através de presentes que vinham pela televisão. Por ter me amado mesmo antes d'eu te conhecer. 

Por ter pintado meu nome pelos muitos do país.

Por ter me amado, mesmo quando eu mesma não me entendia.

Por ter me ressuscitado mãe, filha, anjo, mulher; fera e bicho.

Por ter me visto desabrochar como GENTE. E, acima de tudo, por ter sido o único que REALMENTE nunca me abandonou e o ÚNICO a nunca me virar as costas 

Graças a você, ter me valorizado em cada detalhe meu, inclusive nos nós feridos, me deu forças pra encontrar a força em mim mesma, que eu mesma sempre precisei e nem sabia.

Foram teus todos os meus versos e verbos enquanto eu esperava por você. 

Nunca amei ninguém que me fez sentir tão amada quando você me faz. 

E não vou mais me repetir. 

Mas, reconhecido aqui que todos os meus verbos anteriores sempre foram seus de uma forma ou outra, considere a ti, como presente, a todas as minhas próximas palavras nesse lugar. 

Obrigada, Deus. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Mucuripe

"Mas é melhor essa vida do que viver sem querer..." 

Destino, me encontre de novo:

Não quero mais me esconder.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Aqui jazz.

 É, eu aguentei. Aguentei demais, por muito tempo, anos (e certamente também por toda a minha vida).

Depois de muitas noites violada em meu próprio quarto com conivência de minha mãe, tendo vivido o "carnaval carnal" de fevereiro a fevereiro, fiz de tudo pra sair daqueles lares indigestos. Onde aquele que se dizia meu "pai" (ou devo chamar lhe "dê PAU"? Pq era com o que me alimentava) me sufocava com um travesseiro pra que eu não gritasse. 


E como se não bastasse, chamava seus outros 4 amiguinhos pra assistir e participar dessa podridão. 


Fui fazer terapia pra resolver alguns bloqueios que tenho e, vejam só o que eu descobri que eu tinha guardado na memória: que eu tinha virado um verdadeiro banquete. Estavam lá, os 4 cavaleiros do apocalipse com espada em riste: Jamil, Ricardo, Vagner (es-marido de minha tia) aquele que também atende pelo nome de Paulo Roberto. Desde então, não tenho vivido um momento de paz. Não suporto mais ser obrigada a conviver com esses canalhas. E nem mesmo nos momentos em que eu tentei levantar bandeiras inúteis da paz, abrindo mão das minhas memórias, além de toda negligência em relação a mim e meu irmão, SEQUER NESSES MOMENTOS, tive um mínimo de "gratidão" ao menos por isso, sem lembrar daquela imundície física e moral que entranhavam cheiros meus peitos por conta daquelas dupla de ratazanas covardes: isso mesmo: meu pai e minha mãe. 


Desejo agora que meu irmão esteja se cuidando onde que que esteja, depois de tanta sujeira da qual fomos cúmplices. 


Sinto muito ter saído numa era tão bacana, com tantas coisas boas, e ter desperdiçado tanto do meu tempo bom tentando me recuperar desses polvos nojentos. 


Adeus.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A Hora da Estrela

Deux mora no riso. 

Deux mora nas pequenas coisas.

Deux está em tudo. Tudo é deux – e eu sou também.


domingo, 6 de setembro de 2026

O Banquete de Signos (ou O Carrossel de Déjà Vus)

"Será que eu já posso enlouquecer, ou devo apenas sorrir?..." (Pitty)

Sim, eu entendi... Ou eu acho. Na verdade eu ainda tenho muito medo, mas ele agora mudou de lugar: esse déjà vu intenso me remete ao tempo em que, por muito menos, passei 2 meses em internação psiquiátrica e mais 2 anos ao menos tomando antipsicóticos. Sim, é difícil pra mim dissociar o amor da loucura e vice-versa, mesmo que dessa vez pareça ter muita lógica (bem, quando em surto psicótico, tudo também me fazia um sentido assustador...).

Talvez os acontecimentos do passado realmente estivessem me preparando para esse momento de agora. Na verdade, é uma sensação que tenho tido não só em relação a você, mas a todo o resto também. Talvez essa seja a chance de rever meus primeiros erros. Talvez eu não tenha sido tão culpada das outras vezes. Ou talvez seja. De qualquer forma, este é o momento de me redefinir de dentro pra fora e não haveria outra forma de me desbloquear emocionalmente se não fosse através do reconfronto com essas memórias.

Estou revendo sonhos antigos e recentes, revendo anotações, padrões de comportamento e relacionamento que não quero mais repetir. E confesso que é extremamente difícil me encontrar novamente nesse turbilhão de emoções sem sentir medo. 

"Medo, medo, medo, medo... Cada um guarda mais o seu segredo...." (Belchior)

Eu acho que já projetei tanto as minhas expectativas em outrem que agora é difícil ler alguém que seja tão parecido comigo. Alguém que seja exatamente da forma que eu já senti um dia que seria. É difícil acreditar que, dessa vez, a Vida quer me entregar a mágica que um dia me prometeu. 

É um pouco difícil (e até um pouquinho constrangedor, confesso mais uma vez) me dar conta que alguém me observa muito mais do que eu imaginava. Que eu não sou mais um velho diário escondido na areia esperando que alguém me leia, porque – hoje entendo – alguém me lê faz tempo. Sim! Eu me achava esperta demais te lendo em silêncio, como se ninguém estivesse percebendo – porque sempre foi assim, sempre trabalhei nas sombras, e mesmo se alguém realmente tivesse me percebido, fez questão de me fazer passar por louca.

Pelo menos agora eu entendo que não preciso me explicar muito: você talvez me entenda – e talvez por isso mesmo tenha escolhido um caminho tão alternativo, ou talvez porque simplesmente seja alternativo como eu. Difícil pôr em palavras – eu sei bem como é e por isso prefiro que as músicas falem por mim. Mas se essa telepatia que eu sinto que acontece for real, eu sei que você sente o que eu sinto, que você sabe do que estou falando, e isso me basta.    

Já entendi tudo. Ao menos acho que entendi. Estou bem, estou em paz (não que eu não deseje futuramente algumas explicações que confirmem que eu realmente não to precisando voltar a tomar risperidona 🤡). Estou cuidando bem de mim (ou ao menos, tentando dicunforça – faz parte do meu dialeto particular, acostume-se). Até porque entendo que toda semente precisa de tempo pra brotar e florescer. 

"O amor da gente é como um grão" – colherei pelo caminho os girassóis que plantei em sonho pouco antes de te conhecer, pra enfeitar o meu vestido e com ele te esperançar da sacada (que é um "esperar vivendo", continuando a dar o meu melhor, porque não sou de oferecer o mínimo à vida).
O bom é que, desta vez, não estou mais no escuro. 

"Basta ser louco o suficiente que qualquer coisa vira sinal de alguma coisa". (Dito popular)

Esse é o seu primeiro selo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

1 Corintios 13

1 Aunque hablara todas las lenguas de los hombres y de los ángeles, si me falta el amor sería como bronce que resuena o campana que retiñe.

2 Aunque tuviera el don de profecía y descubriera todos los misterios y la ciencia entera, aunque tuviera tanta fe como para trasladar montes, si me falta el amor nada soy.

3 Aunque repartiera todo lo que poseo e incluso sacrificara mi cuerpo, pero gloriarme, si no tengo amor, de nada me sirve.

4 El amor es paciente y muestra comprensión. El amor no tiene celos, no aparenta ni se infla.
5 No actúa con bajeza ni busca su propio interés, no se deja llevar por la ira y olvida lo malo.
6 No se alegra de lo injusto, sino que se goza en la verdad.

7 Perdura a pesar de todo, lo cree todo, lo espera todo y lo soporta todo.

8 El amor nunca pasará. Las profecías perderán su razón de ser, callarán las lenguas y ya no servirá el saber más elevado. 

9 Porque este saber queda muy imperfecto, y nuestras profecías también son algo muy limitado; 

10 y cuando llegue lo perfecto, lo que es limitado desaparecerá. 

11 Cuando era niño, hablaba como niño, pensaba y razonaba como niño. Pero cuando me hice hombre, dejé de lado las cosas de niño. 

12 Así también en el momento presente vemos las cosas como en un espejo, confusamente, pero entonces las veremos cara a cara. Ahora conozco en parte, pero entonces conoceré como soy conocido. 

13 Ahora, pues, son válidas la fe, la esperanza y el amor; las tres, pero la mayor de estas tres es el amor.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Praiana

O mar batendo nas pedras
E eu pensando em você.
A barca atravessa a baía
E eu pensando em você.
Mochila pesando nas costas
E eu pensando em você.
Os passos parecem seguros.
Mas eu tô pensando em você.
Casais namoram na areia,
E eu pensando em você
O vento embaralha o cabelo,
E eu pensando em você.
A chuva invadindo a cidade,
E eu pensando em você.
Saudade apertando no peito
E na cabeça, você.
Os olhos no horizonte
Procurando você.
Ausência presente no tempo,
Lembranças a me perder.
Perdida me encontro em caminhos
Que sempre me levam a você.
Destino, me encontre de novo:
Não quero mais me esconder.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Hoje a terra avisto em você

Cheguei apressada, achando-me atrasada, mas aparentemente cedo demais – preciso de um relógio de pulso: encontrei colegas descontraídos pelo corredor, a porta da sala designada para a aula escancarada, poucas carteiras ocupadas. A minha favorita, logo na frente, estava ali, livre pra mim. Sentei, me acomodei, separei meu material e como vi que ainda teria alguns minutos, fiquei me distraindo no celular. Uma colega passou por mim pra sentar na carteira ao meu lado e perguntou, estranhando: "ih, ele ainda não chegou não?". Respondi quase em câmera lenta, sonolenta por causa da rinite que me castigava e sem tirar os olhos da tela.

Meu "não" lentificado quase virou engasgo quando percebi que, da luz que entrava pela porta aberta, uma silhueta surgia com passos rítmicos, exibindo uma maleta. Conforme ele foi adentrando a sala, a aura solar que vinha do exterior foi revelando seu rosto: era ele, que olhava diretamente pra mim e apresentava um leve sorriso, passando um pouco de confiança e alegria em me ver (afinal, entre feriados e problemas práticos dele, foram 10 dias de hiato). Como adolescente desajeitada, só consegui desviar timidamente o olhar e sussurrar à colega que ele tinha chegado.

Logo atrás, os outros alunos também adentraram e a aula teve início. Como dessa vez eu fiz questão de estudar o texto proposto, fiquei buscando brechas para interagir, entre uma explicação e outra, mas eu não conseguia pensar em nada de tão sonolenta. Sobre o tablado, com o livro nas mãos, às vezes eu percebia seu olhar instigador por cima dos óculos visivelmente novos, como quem esperava algo. Só me restou aceitar que nada disso irá passar de lembrança em breve, já que a prova já estava marcada pra dali 10 dias e fim de disciplina. Fiquei na minha, apenas concordando com a cabeça e um sorriso quando ele falou das questões atuais do Senado.

Mas parece que isso mexeu com ele: ele voltou aos poucos a ser aquele professor mais agitado, gesticulador, tirando mil exemplos práticos da cartola. E foi numa dessas que demorei mas me surpreendi – falando sobre a lei seca, ele lembrou: 

"Antigamente, era muito comum as pessoas beberem sem limites e depois pegarem no volante. Esse é um exemplo de que leis podem mudar os costumes – por exemplo, se eu saio e vou beber, deixo que ela (e aponta pra mim) dirija; os casais hoje em dia combinam entre si...", então se apressou ao tentar se recompor: "assim como amigos também quando saem, combinam de pedir um carro por aplicativo...".

E acho que isso me encorajou. Na verdade, mais adiante eu realmente fiquei meio confusa com a concepção de uma ideia e ele, encostado num canto do quadro ao expô-la, ficou observando minha cara de "meme da Nazaré confusa" olhando pro outro canto. Chamou o meu nome e ao percebê-lo me observar, muito timidamente, a dúvida foi saindo quase distraída e algo parecia tê-lo acendido novamente, pois desandou a explicar de todas as formas possíveis pra que não ficassem dúvidas. Ao fim, se posicionou à minha frente, ainda sobre o tablado, óculos novos sobre o nariz marcante, e um olhar de quem, se pudesse, me chamaria pra tomar um chopp pra gente debater todas essas coisas. Sorri agradecida porque eu tinha entendido o tal conceito.

E a aula chegou ao fim. Enquanto ele fazia a chamada, eu ia guardando minhas coisas ainda sonolenta e quando me dei conta, boa parte da turma já tinha saído e a chamada concluída. Uns outros dois alunos ainda o abordaram, um em cada lado de sua mesa, então fui saindo de fininho (porque da última vez que tentei me aproximar após a aula, ele nem deu conta de responder meu voto de "bom feriado" – ainda que, quando eu já estava distraída quase na porta da sala, tenha ouvido ele gritar em resposta, mas nunca saberei se foi realmente pra mim). Fui então passando discretamente e o percebi me observando sair. Sussurrei, meio sem graça, um "tchau" baixinho pra não incomodar, e ele acenou com um sorriso e fez questão de cumprimentar mandando "um abraço!". Sorri dando uma piscadinha inconsciente (o que faço com todo mundo) e tive a impressão de ter sido recíproca. Corri pro bandejão.


O dia passou, andei pra cá e pra lá, falei com gente, e decidi que era hora de voltar. Caminhei até a estação das barcas e lá dentro, um músico independente tocava "Knocking on heaven's door", o que me deu, por si só, um ânimo diante da exaustão. Até que lembrei do ocorrido com o "teacher crush" na aula da manhã. Minha mente foi então desenrolando todo o novelo dos acontecimentos, não só do dia mas dos últimos meses e, mais uma vez, olhando o mar pela brecha da vidraça, me perguntei: "será?..."

Automaticamente o músico começou a cantar: 

"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você... O sal doce para os novos lábios..."

Quando as portas para a plataforma de embarque das barcas se abriram, ainda atordoada, busquei manter meus passos firmes por entre os transeuntes que seguiam a mesma direção. Ainda deu pra ouvir o som do músico ficando cada vez mais distante, lá atrás:

"(...) Colombo procurou as Índias, mas a Terra avisto em você.

O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário (...)"


(30/06/2025)

domingo, 7 de junho de 2026

"Odalisca Androide" (Fausto Fawcett)

"Eu estou sempre aqui, olhando pela janela.

Não vejo arranhões no céu nem discos voadores.

Os céus estão explorados mas vazios.

Existe um biombo de ossos perto daqui.

Eu acho que estou meio sangrando.

Eu já sei, não precisa me dizer.

Eu sou um fragmento gótico.

Eu sou um castelo projetado.

Eu sou um slide no meio do deserto.

Eu sempre quis ser isso mesmo:

Uma adolescente nua, que nunca viu discos voadores,

e que acaba capturada por um trovador de fala cinematográfica.

Eu sempre quis isso mesmo: armar hieróglifos

com pedaços de tudo, restos de filmes, gestos de rua,

gravações de rádio, fragmentos de tv.

Mas eu sei que os meus lábios são transmutação

de alguma coisa planetária.

Quando eu beijo eu improviso mundos molhados.

Aciono gametas guardados.

Eu sou a transmutação de alguma coisa eletrônica.

Uma notícia de saturno esquecida,

uma pulseira de temperaturas, um manequim mutilado,

uma odalisca andróide que tinha uma grande dor,

que improvisou com restos de cinema e com seu amor,

um disco voador…"