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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Onde o sapato aperta...

Por que choras, menina? O que há? Se ele tomou seu coração e também te ama, que mal pode haver?

Ah, claro, tem aqueles problemas... A distância, por exemplo. O toque realmente faz falta, mas não dá prá aplacar com as palavras de carinho?

Difícil é amar, saber-se amada e ter que fingir que nada está acontecendo, porque, simplesmente... Não sei. Porque eu devia estar sendo menos idiota? Porque eu deveria cobrar uma atitude? Ou porque a tal atitude deveria partir de mim?... Eu não sei! Só sei que eu to enovelada nessa estória, e quanto mais eu tento sair, mais dá nó. Então eu choro, choro... Prá ver se alguém vem em meu socorro. E, adivinha: ninguém vem!

Porque ele não pode me ligar toda vez que pensa em mim. Porque ele não pode dizer tudo o que sente por mim, e prá ele é muito mais fácil, porque há alguém que o distraia dessa angústia. Porque toda vez que o desejo desperta em nós, é fácil pra ele virar as costas e se concentrar no próprio lar, enquanto eu fico, coração na mão e grito na garganta.

Não chora, menina, não chora... Seu amor pode ser declarado escancaradamente, e seu alguém te faz o mesmo. Queria eu, ao menos virtualmente, ter essa alegria... Mas tenho que sufocar engasgada com tudo isso que corre na minha mente e no meu coração. Essa vida clandestina não é nada fácil... E eu sei que não a mereço. Mas to aqui, não é?

Pensando bem, chora, menina! Chora que as lágrimas são de água e sal, elas lavam as tristezas todas embora... Temos dores distintas, mas gostaríamos muito de ter a dor uma da outra. Você deseja o toque, o abraço... Eu desejo as palavras. Você deseja a presença que eu tenho, eu desejo sua liberdade de expressão. Mas temos algo em comum: a sensação de vazio. A sensação de querer esticar a mão e poder tocar, ali, nosso objeto de desejo. De querer dizer "vem" sabendo que em 10 minutinhos ele vai estar ali...  Essa sensação é a mesma, disso eu entendo. Por isso eu digo: chora. Porque chorar ajuda a esvaziar o "copo até aqui de mágoa"... É o que tem me ajudado.

Que os orixás nos auxiliem...
Shalom!


sexta-feira, 25 de maio de 2012

O presente dos presentes!! (por Sylvia Alves)

Levantou da cama, um pé após o outro, pensou que tudo ia ser melhor naquela manhã. Olhou no espelho do banheiro, sorriu, gostou do que viu. Os olhos estavam inchados, mas era por causa da noite bem dormida. Tomou banho, como se fosse a primeira vez na vida que fazia aquilo, não se enxugou, queria ter a sensação da água evaporando de sua pele. Abriu o armário, escolheu uma roupa que era a sua cara (dificilmente poria algo que não fosse). Calçou seu All Star, sem meias mesmo, sem preocupação. Sorria por dentro. Desceu as escadas, nem olhou direito se havia fechado a porta, abriu o portão, sentindo um vento vindo do lado esquerdo, que trazia junto dele o gosto da liberdade, uma delícia de dia, pensou. Colocou os fones de ouvido. Toda música era feita pra ela. Tudo remontava a algum vídeoclipe particular, um momento especial que havia deixado pra trás. Pegou o primeiro ônibus que lhe agradou, sentou e abriu a janela. O óculos escuros, tantas vezes usado para esconder as lágrimas, agora eram mera peça decorativa em seu rosto feliz. E assim foi indo, sem destino, guiada pelo instinto apenas... Quando deu por si, estava sentada na praia, na areia... meditando, perdida e ao mesmo tempo segura de onde queria chegar. Ficou ali por horas, alheia a tudo, radiante de felicidade por dentro, porque sabia, bem no fundo, que era apenas uma questão de tempo, apenas uma questão de tempo. Abriu a carteira, queria dinheiro para comprar um maço de cigarros. Olhou sua identidade. Sua foto. Quase não reconheceu seu nome verdadeiro, estava acostumada com seu apelido, sorriu e pensou: 

"É isso aí, Dannie, tudo que você consegue ver, até a linha do horizonte, é seu!"

sábado, 28 de abril de 2012

De uma amiga

"Tudo estava bem
mas a porta abriu,
Mas ele entrou,
Mas ele sorriu.

Ela até achava
que dava pra se segurar,
que dava pra não sorrir,
que dava pra disfarçar.

Será...
... que alguém notou?
....que alguém viu?
... que alguém escutou?

Não sei,
Não importa,
Porque tudo mudou,
o mundo parou
quando ele abriu a porta."

(Sylvia Alves)