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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O Bêbado e o Equilibrista

"Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos
A lua tal qual a dona do bordel

Pedia a cada estrela fria um brilho de a...lu...guel
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas, que sufoco louco
O bêbado com chapéu coco fazia irreverências mil
Prá noite do Bra...sil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete

Chora a nossa pátria mãe gentil
Choram marias e clarisses no solo do Brasil
Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente
A espe...rança dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se ma...chu...car
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
tem que continuar"

domingo, 2 de novembro de 2008

Florbela Espanca

Gosto mto de Florbela Espanca. Ela tem uma intensidade nos seus versos com os quais me identifico mto.

Nas últimas semanas andei me sentindo meio deprimida - e a última consulta com a terapeuta tinha sido tão boa... Senti uma espécie de hopelessness, uma falta de "luz no fim do túnel", como se eu não tivesse amanhã. Me senti velha demais, cansada demais, gorda demais, feia demais prá fazer ou pensar em qualquer coisa. Foi como incorporar outra pessoa, como estar fora da Terra. Passei dias macerando isso sozinha, pq no dia da consulta dessa semana a terapeuta faltou por estar doente. Ainda não estou no meu bem-estar mais pleno, mas estou mto melhor, de uma forma q nem eu sei explicar. Só sei q olhei prá mim mesma e tirei as máscaras nas quais eu mesma me escondi. Afinal, eu ficava pensando "caramba, estou com 27" qndo devia pensar "caramba, ainda estou com 27!", talvez tentando usar como desculpa esfarrapada para meu medo de falhar. Mas tenho mto a fazer ainda nessa vida, e tenho luz, uma luz q é só minha, mesmo q seja bizarra. Uma luz cheia de cores dos meus talentos únicos q hj enxergo! Derrepente minha alma se arrumou, passou um batom vermelho e saiu prá ver o sol... E como era belo! A vida passou a me mostrar outras perspectivas e hj me sinto novamente forte, mesmo por ter me assumido fraca um dia. Claro, ainda tenho medo desse fantasma depressivo q toma minha vida derrepente sem pedir licença, mas quero viver o meu melhor enquanto ainda dá prá estar na parte de cima da roda-gigante (roda-gigante não pq eu morro de medo, prefiro a "velha amiga" montanha-russa).

Não postei antes pois é difícil postar deprimida. Ou com tremor nas mãos. Temo ser da medicação. Amanhã procuro um médico prá saber o q é e dar um jeito nisso q tá me incomodando tanto...

Ia'Orana!

Fanatismo

"Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

(Florbela Espanca)

domingo, 19 de outubro de 2008

Quase peço perdão quando alcanço meu alvo,
quando tenho sucesso nalguma empreitada,
por sair são e salvo de certos combates,
completando jornadas que aceito assumir...
Por favor me desculpem por ser persistente,
acabar conseguindo por muito buscar,
unir unhas e dentes na lida diária;
até mesmo ofuscar certos olhos obesos...
Muitas vezes prometo em silêncio infinito,
que serei simplesmente uma chama na palha
ou apenas um grito perdido na noite...
Mas acabo durando, vencendo percalços,
numa "falha" contínua que a tantos atinge;
tantos falsos adidos; parceiros; irmãos...

- Demétrio Pereira Sena

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Bad Hair Day

Ontem a terapia foi assustadoramente produtiva. Acho q em meses eu não tinha uma sessão tão interessante. Talvez tenha sido causado pelo bem-estar causado pelos medicamentos novamente tomados direitinho... Finalmente me dei conta de q não passo q uma menina mimada q não tem objetivos na vida simplesmente pq nunca precisou! Sempre tinha alguém ali por trás me dando total apoio, eu nunca precisei me jogar em nada a não ser q eu quisesse. E mtas vzs eu quis fazer coisas simplesmente pq eu achei q eu podia, mas me dei conta de q eu não TENHO necessariamente q fazê-las (isso talvez explique meu total fracasso e indecisão profissional). Pode não parecer, mas é um avanço. Quem diria q um dia eu me reconheceria como uma "megerinha" (ou uma "megera com simpatia", como eu criei dentro do consultório).

Ah, sei lá. Só sei q ando tbm meio triste. Pior do q ser magra ou gorda é estar no meio do caminho como eu ando ultimamente. Serão os medicamentos? Sei lá, tem gente q diz q o ácido valpróico engorda... Mas eu ainda sinto mta ansiedade... E meu novo corte de cabelo não anda favorecendo em nada (até pq ando com mta preguiça de ficar fazendo escova com o calor q se faz nessa cidade)... Acho q vou raspar a cabeça (Mr.G incentivou a rasparmos juntos), mas acho q vou ficar mais esquisita ainda. Mas afinal, o q é uma cabeça raspada prá quem pinta o cabelo de cores como roxo e pink???

Não se assustem se dia desses vcs se depararem com alguma notícia esquisita por aqui...

Ia'Orana!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"No one know what's like..."

Pq hj me sinto assim... (E tbm pq amo "House")


Por trás de Olhos Azuis
(The Who)

Ninguém sabe como é, ser o cara mal
ser o cara triste, por trás de olhos tristes
E ninguém sabe como é, ser odiado
ser destinado, a apenas mentir...

Mas meus sonhos não são tão vazios
quanto minha consciencia parece ser
passo horas, sozinho
meu amor é uma vingança
isso nunca é de graça

Ninguém sabe como é, sentir estes sentimentos
como eu sinto, e a culpa é sua!
Ninguem ferroa tão ferozmente, em sua ira
Nenhuma das minhas aflições ou dores.. podem transparecer

Mas meus sonhos não são tão vazios
quanto minha consciencia parece ser
passo horas, sozinho
meu amor é uma vingança
isso nunca é de graça

Quando meus punhos cerrarem, abra-os até quebrar...
Antes que eu os use e perca a calma.
Quando eu sorrir, me dê algumas notícias ruins...
Antes que eu sorria e aja como um tolo.

E se eu beber de algo maligno;
enfie seu dedo na minha garganta.
e se eu tremer me dê seu cobertor;
me mantenha aquecido, deixe-me usar seu casaco.

Ninguém sabe como é, ser o cara mal
ser o cara triste, por trás de olhos tristes.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

"Mea Culpa"

Culpa é da culpa provocada pelo porre. É a única coisa q justifica.

Ontem fui num outro aniversário e bebi prá caramba tbm. Só não bebi cerveja, mas me enchi de Martinis, caipivodkas de morango, cuba libres, e até margheritas, dancei à beça, e no máximo senti uma "leve leveza" qndo rodei num passo de dança. Resolvi variar e pedir um chopp. Quem disse q desceu?? Voltei pro Martini prá saideira, já esperando um porre igual àquele q tive no niver do Mr.G. Adivinha! Nadica de nada às 10 da manhã.

O q será q vem primeiro? O porre ou a culpa? A culpa ou o porre?

Pensei q os destilados iam acabar comigo, mas NADA! - desceu como suco! Eu desconfio ligeiramente de q cerveja me cause algo parecido com reação alérgica (o q explicaria a diarréia q eu costumo ter qndo passo pelo famoso "choppinho com amigos"), e até pensei em extender essa desconfiança para os fermentados em geral, mas não costumo ter a mesma reação com vinho.

Será o "lúpulo de Hallertau"?

Vai saber...

Obs: Sem notícias da terapia pq andei faltando mais q a média. Até a dra. me ligou prá saber como eu tava e eu disse q sinceramente eu tava deprimida demais e sem estímulo prá ir prá qualquer lugar na quarta-feira. Qnto mais prá terapia, já q eu não tinha motivo nenhum aparente prá toda aquela vontade de morrer (ainda bem q já passou)...

Ia'Orana!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

"Fugindo de mim"



Sábado foi aniversário do Mr.G. Tudo mto legal, mtos amigos presentes, mta farra, e mta bebida tbm. "Caguei" pros medicamentos q eu estava voltando a tomar (justamente pela agonia de ter ficado sem tomar, talvez). E bebi fugindo de algo, certamente de algo dentro mim, ou de mim mesma; nesta coisa em q me transformo qndo estou na fase up (ou maníaca). E como uma coisa sempre puxa outra, fumei consideravelmente tbm (levando em consideração q 3 cigarros é mto prá quem estava há 1 ano sem fumar). Me diverti mto sim, mas tbm poderia ter me divertido da mesma forma sem todos esses excessos. Até pq no dia seguinte tive meu primeiro (e espero q único) porre de toda minha vida. UM HORROR! Nada parava à minha volta, uma dor de cabeça absurda, enquanto eu não sabia se sentava ou se vomitava no vaso. Sorte q minhas filhas estavam dormindo e não tiveram q assistir à essa cena patética...

Me senti tão ridícula... Eu pensei q já tinha me livrado dessas coisas... Q já não tinha mais idade e nem tempo prá isso... Q tudo isso era desnecessário, q me era fácil deixar prá trás: o cigarro, a cervejinha (ou o vinhozinho) com os amigos, as carnes... Eu estava mais acima disso tudo e hj me sinto ridicularizada por essas coisas. Q saco!! Me senti vencida e ainda faço esforços enormes prá não me sentir mais assim: vencida pelo q já tinha vencido. É assim q me sinto agora...

Não adianta, a grande verdade é essa: o nosso maior inimigo está dentro de nós mesmos...

Pelo menos acho q os remédios voltaram a fazer efeito: não me sinto mais agoniada e ansiosa como estava me sentindo antes. E o sono tbm voltou ao normal... (espero q o fígado tbm volte em breve)
Ia'Orana!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A nice day

Medicação acabando, e eu achando q eu tava tão bem q mal não ia ficar. O problema era ter q esperar pelo exame de sangue estar pronto prá poder levar o resultado à psiquiatra. E assim aconteceu. Só q a "assistente" dela simplesmente pegou meu exame, anexou ao meu prontuário, e eu crente q ia entrar logo no consultório, me volta a "assistente" com a receita prá pegar os remédios na farmácia, da mesma dosagem de antes. AH, ASSIM NÃO DÁ! E só posso remarcar no final de novembro. ATÉ LÁ EU ENDOIDEÇO DE VEZ??????????????????????

O problema nem foi esse. Até levei numa boa o fato de não conseguir dormir, de estar perdendo a firmeza nas mãos... Até q as dores nas pernas q mais pareciam por esforço q eu poderia ter feito em qualquer lugar foram aumentando absurdamente, me fazendo passar o domingo de cama. Pra aliviar a angústia, encontrei uma receita antiga de clonazepam e o comprei, mas era só sublingual (ou seja, só prá quebrar o galho mesmo), e num lampejo de sabedoria, resolvi reler a bula. Sintomas de abstnência: mialgias (cãimbras nos músculos). Já entendi tudo. Tomar remédio é uma droga, mas sem essa droga meu organismo já não vive. Saco! Pelo menos peguei logo os remédios, tomei uma dose assim q cheguei em casa, e as dores estão indo quase q por completo, mesmo sem ter tomado nada prá dor.

Mas o dia não foi de todo ruim: fui parada umas 2 vzs na rua prá receber elogios pelo meu cabelo (já tinha tempo q não faziam isso, hahaha, a própria "celebridade"!), quase dei autógrafos! hahahaha... E aconteceram umas coisas q me intrigaram q foram totalmente "flattering to me", mas q eu prefiro q não se confirmem pois senão estou lascada (comigo mesma e com meus compromissos humanos e morais).

Pq a vida tem q ser difícil assim, hein?
Boa semana!
Ia'Orana!

domingo, 7 de setembro de 2008

Enfim, a eutimia...

Angústias das mais doloridas,
Ausências e euforias,
tudo fora e dentro de mim,
sem controle.
Derrepente se foram, assim,
Sem serem notadas...

Será enfim a normalidade?
Sinto-me estranhamente equilibrada. Nem alegrias, nem agonias... Bem, pensando bem, tive sim, meus sentimentos de alegria: e não eram exagerados, condiziam com a veracidade dos fatos. Só tenho sentido falta das lágrimas - das tristes e das alegres - q antes eram abundantes (ou melhor, descontroladas). Eu devia estar feliz por estar distante desses arroubos emocionais q me faziam quase pirar, mas, não sei... Algo me incomoda. É como caminhar pelas ruas e esperar por algo à espreita em alguma esquina... Não quero ficar pensando bobagens prá não me deixar influenciar por essas coisas, pelo contrário, quero aproveitar esse momento mais temperado de mim e me dedicar mais às coisas e pessoas q eu deveria - e q eu não conseguia. Mas não deixo de me incomodar com essa sensação de "silêncio q precede o esporro"...

Não devia ter faltado à terapia na semana passada, mas com aquele tempo seco, minha sinusite não se segurou... Mas pensando bem, acho q foi bom ter faltado. Tínhamos discutido, da última vez, o qnto eu me identificava com uma música do Pato Fu na qual o "narrador" diz estar sempre viajando, procurando um lugar em q se identifique, mas qndo começa a se identificar, parte prá outro lugar. Assim sou eu. E a dra. tinha achado isso positivo, pois faz parte da busca pela individualidade. E eu não entendia como isso podia ser tão positivo se me fazia sofrer tanto!! Provavelmente eu iria voltar a discordar dela na semana passada, mas durante a semana vi q é possível realmente q tudo isso seja positivo. E é cada vez melhor encontrar-me no meu verdadeiro eu, sem medos ou influências, no entanto, o q me tira o sossego é: pq ainda é tão doloroso???...

Até quarta-feira dá prá pensar...
Boa Semana!
Ia'Orana!