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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Sem Fantasia

E então? Como é ser um personagem? Como é viver no imaginário de uma pessoa, ser exposto, analisado e revirado em público? Será que te dói? Será que te jubilas?

Como é fazer parte de um espetáculo do qual desconhece? Como é ser ator numa peça imaginada por duas mentes destemperadas pelo amor? Como é ser santo de dois altares?

Como é ser reapresentado a ti mesmo? Ou a outras versões de ti? Como é viver no mundo de Melpômene? Te fascina ou te desorganiza? Tens mesmo noção do que vives aqui e acolá?

Não me responde. Faça como das outras vezes em que foste posto em xeque - simplesmente cala-te. Deixa transbordar pelos poros os sonhos que ocultas, deixa que no silêncio dos dedos entrelaçados transitem ondas de reconhecimento recíproco. É como conhecer alguém pelo toque das mãos. É quase o que seria se não fosse o que é.

Confuso? Tanto quanto me deixas. Por isso não calo minha resposta à vida, mesmo que tua inspiração seja o alicerce dos meus talentos, contra todas as vontades. Mesmo que não seja prá ser. Mesmo que não sejas tu o dono dos meus dias. Sê apenas o personagem.

Sê apenas o personagem e vem.

Shalom!



domingo, 3 de novembro de 2013

It's understood

E parecia que ela amava de novo. Andar de mãos dadas na pracinha era coisa tão remota que quase esquecida. Ela finalmente recebia o carinho que dava, sentia o gostinho de namorar no ponto de ônibus antes de partir. Andava mais satisfeita consigo mesma, mas não mais afoita para que as coisas acontecessem. Ela andava simplesmente em paz e estava aberta às alternativas que o destino lhe daria.

O celular vibra e ela ansiosamente checa pra saber se a mensagem vinha daquele com quem dividira a tarde. Para sua surpresa, leu outro nome na tela do celular: era seu ex-amor. Ele enviara um acróstico com seu nome e palavras desconexas. "Ele não deve estar em sã consciência", pensou ela. Pela mensagem, pela hora enviada, e pelas palavras. O que ela não entendia era que tudo parecia tão bem para ele - por que fora se lembrar dela agora?

Encontraram-se no dia seguinte, conforme seus compromissos. Ela não resistiu e deu um demorado abraço nele: afinal ele ainda era seu melhor amigo. A saudade recíproca já tinha sido declarada. Ela então aproveitou pra comentar que não tinha entendido as palavras que ele enviara no dia anterior.

"Todas as palavras ali têm significado", explicou ele. "Usei o nome do matemático grego porque você é muito inteligente e criativa. A outra palavra não é pejorativa como você pensa - ela quer dizer que você é esperta, tem sempre uma tirada rápida..."

Ela que andava com a autoestima tremendamente prejudicada, tentava disfarçar a satisfação que sentia ao ouvir cada justificativa, sorvendo cada elogio que tornava aquele acróstico confuso numa linda declaração de amor.

Ao entrar no ônibus de volta pra casa, tudo o que ouvira a inquietava, mesmo que cada palavra elogiosa fosse um bálsamo à sua alma. O tal acróstico a deixou feliz por tantos motivos - talvez apenas por ser lembrada - e ela precisava dizer. Mas usou menos palavras do que desejava para se expressar.

"Eu não entendo o que você enxerga em mim, mas meu amor-próprio agradece."

Ele não respondeu. Nem precisava. Palavras são pouco para conseguir explicar aquela ligação que eles tinham. Palavras, aliás, só dificultavam mais a situação, como já dificultara. É no silêncio que sentimentos são trocados; é no silêncio que se descobre que é o afeto o que mais importa. E é no silêncio que eles sabem que o coração dela está guardado nele, assim como o dele está guardado nela. E bastava isso. Nada mais.

"A vida enfim está sendo boa", ela pensou. Tudo parecia estar encontrando seu lugar...

Olhou para a lua nova. Nova era a fase em sua vida. Ela sabia.

Shalom!




"And when I go away

I know my heart can stay with my love
It's understood
It's in the hands of my love
And my love does it good..."

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O que há de vir

E quando eu passar pelas ruas, saberá o mundo o que passei?

Saberão as flores que quis morrer? Saberão as nuvens que quis sufocar? Saberão os pássaros o que planejei? 

Saberão as plantas as cartas de despedida que escrevi? Saberá o mar o rio de lágrimas que chorei?

Sim, quis por fim a tudo, por simples falta de propósito. A vida pra mim pareceu sem sentido e a minha estada aqui pareceu sem porquê. Mas não foi assim que aprendi a viver. Se dar fim é errado. Está contra as leis de D'us. E eu não queria ser assim mais uma pecadora... Já me bastam os pecados de todos os dias.

Elevei então meu pensamento enquanto me pus de joelho. Clamei a todos por mim: anjos, santos, entidades. Eu não queria mais desejar a morte. Eu não queria mais não ter sentido. Eu não queria mais viver sem porquê.

Adormeci. E creio que nesse sono os bons espíritos devem ter agido em mim. Parte da angústia cedeu lugar a uma certa paz. A outra parte da angústia trago aqui comigo, numa luta que parece eterna.

Trago em mim as lágrimas de quem já se viu vencido. Mas trago em mim a vontade de dar a volta por cima.

Nesse momento, me vejo no centro de uma caótica batalha pelo meu bem ou pelo meu fim.

Quem irá vencer? Não faço ideia. Mas ainda luto, entre lágrimas abundantes, nessa corda bamba em que caminha meu coração.

Shalom!


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"Where's the love?"

"Seja legal com o mundo e o mundo será legal com você", é o que nos ensinam. Mas será que na prática é mesmo assim?

Não sei, olho prá minha vida e vejo o tanto que já me entreguei e hoje olho em volta e vejo minha vida desmoronando. Ando com vontade de tirar minha vida da tomada e ligar de novo prá ver se reinicia no mínimo normal. Daí dizem "seja legal com você mesma", mas eu nem ao menos me conheço o suficiente prá saber o que será legal prá mim. Eu queria hibernar agora e só acordar quando tivesse as respostas... Mas não é possível, a vida tem que seguir em frente. Enquanto isso a gente faz força, segue como se nada estivesse incomodando quando por dentro parece estar ocorrendo avalanches.

Eu queria escrever bonito agora, tentar transformar esse meu momento trágico numa coisa bonita, mas nem isso estou conseguindo. Me sinto só, fraca e acuada pela vida. Também me sinto na obrigação de seguir em frente. Então levanto a cabeça, seco as lágrimas, sufoco o soluço com um café. Não sei o que será daqui pra frente, mas busco forças na fé para não desistir. Não me deixar entregar. Mas não é fácil.

Eu só queria dormir agora e acordar num dia em que tudo estivesse dando certo. Mas não é possível. Tenho que fazer dar certo agora, não sem deixar de me perguntar quando tudo vai começar a acontecer assim.

Shalom!


domingo, 6 de outubro de 2013

É duro ser romântica...

Será que ainda há amor no mundo? Daqueles de verdade?
Sei lá... Enquanto isso eu vou quebrando a cara.

"Românticos são poucos
Românticos são loucos, desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso...

Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo...

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão...

Romântico é uma espécie em extinção!
Romântico é uma espécie em extinção!"


Shalom!

domingo, 22 de setembro de 2013

Mais do mesmo

À beira mar tudo parece ficar mais mágico. Havia tempo que ela sonhava com mar e com Iemanjá, como se tivesse algo a lhe dar. Ela então foi à praia com os outros, desejando estar mais perto do mar e talvez entender seus próprios sonhos.

Já estava mais que resolvida sobre aquela situação. Pensou em fugir, mas iria fugir até quando? Resolveu encarar seu maior medo e foi surpreendida. Confissões tão estranhas que se pareciam e que surgiam do nada quase a assustavam. Todo mundo tem assim uma espécie de abismo temporal em sua própria adolescência? Quantas outras pessoas podiam dizer o mesmo, não rir dos seus traumas porque também viveram algo parecido? Era tudo tão estranhamente divino que ela quase deixou escapar "Você é um anjo!", como se ele fosse mesmo um enviado dos céus. Ele sabia que não era nada disso, mas simplesmente se sentia confortável ao contar aquelas coisas que não contava prá ninguém.

Mas ela ainda tinha medo. Cada passo que ele dava à frente, ela dava um passo atrás, como uma dança ensaiada entre o Lobo e a Chapeuzinho. Queria evitar qualquer situação que pudesse levar à sua própria perdição... E achou que estava conseguindo até o momento em que ambos admiravam a Lua, e ele simulou pegar o astro entre os dedos e colocar em sua mão. Ela fingiu que não entendeu. Mas ele repetiu pra confirmar: era a Lua que ele lhe entregava nas mãos. Ela olhou prá areia a seus pés prá não deixar que o olhar brilhasse. Essas pequenas coisas ainda a tocavam da forma que não devia, da forma que ela evitava.

Ele segurou-lhe as mãos e não soube explicar o porquê. Certamente não estavam em sã consciência, talvez um pouco de cerveja demais. E isso a ajudava a não chorar diante das emoções tão violentamente reprimidas. Não queria mais sentir aquilo, simplesmente queria deixar que o mar levasse tudo embora... Mas já era tarde, ela já estava mais próxima de casa. Só lhe restava tentar dormir prá deixar aquela sensação ir embora, aquela presença que ele sempre deixava nela como marca de fogo; aquela sensação de completude, e a sensação da falta de algo quando ele a deixava.

Então ela chorou. Água salgada sempre limpa - seja a do mar, seja a das lágrimas. Pediu a Iemanjá que limpasse seu coração. Era preciso um ponto final.

Shalom!


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Sutilmente" - Skank

Pois é, não estou muito bem. Mas me deixe aqui no meu cantinho - talvez eu melhore amanhã.

É estranho passar tanto tempo fingindo que eu sou normal. "Só tomo uns remedinhos de vez em quando", penso eu, nada de extraordinário. Mesmo que esses remédios deem tremores como efeito colateral, a ponto de causar curiosidade nas pessoas mais corajosas, e de provocar os mais diversos pensamentos em quem não tem nem a coragem de perguntar. Mesmo que esses medicamentos às vezes me deixem sonolenta a ponto de dormir 14 horas seguidas e acordar querendo dormir mais. Mas o pior é que às vezes o Transtorno Bipolar encontra uma brecha - como um predador à espreita - porque ele quer aparecer mais do que eu.

Já briguei com ele, já me reconciliei, mas ele sempre me apunhala quando eu menos espero. Me dá um sentimento enorme e injustificado de inadequação, assim, do nada; o sangue parece subir todo pro rosto e os olhos insistem em lacrimejar. Respiro fundo e mordo os lábios prá ninguém notá-los contritos. Tento acompanhar a conversa divertida, e me sinto ainda mais inadequada quando eu simplesmente não consigo. A alegria alheia nesse momento parece me incomodar, como se gritasse na minha cara que não, eu não sou normal. Que enquanto as galhofas fluem pelo ar, eu quero simplesmente chorar. E chorar muito. Não, eu não tenho motivos prá isso - bem, se eu parar prá pensar, até tenho motivos, mas não é por isso que sinto esse nó na garganta. Meu choro não tem motivo, não tem razão de ser. Ou melhor, tem: é o maldito Transtorno Bipolar, essa maldita sombra que vai me amaldiçoar e amaldiçoar todas as minhas relações pro resto da minha vida. E não adianta tomar os remedinhos todos direitinho: de vez em quando eles vão falhar. E eu vou me sentir, novamente, um ET.

Portanto, me deixe aqui, no meu cantinho, com meus pensamentos ao longe. Com as lágrimas que insistem em driblar minhas defesas. Vou chegar em casa, tomar meu café com leite, engolir mais meia dúzia de comprimidos e amanhã, talvez, tudo será diferente. Talvez não seja como hoje, dia em que eu acordei tão otimista prá depois descer violentamente nessa montanha-russa emocional. Talvez amanhã eu ainda acorde melancólica, querendo dormir um pouco mais, e talvez - quem sabe - meu humor melhore consideravelmente pela noitinha. Minha vida é um eterno talvez, por isso não me pergunte nada porque nem eu sei de mim. Talvez um dia eu me conheça o suficiente para encontrar subterfúgios para esses momentos de tristeza repentina. Talvez. Mas no momento, simplesmente não me pergunte nada. Deixe prá amanhã.

Que o amanhã seja doce. Ou que eu esteja doce. Ou simplesmente não tão amarga.

Shalom!



domingo, 25 de agosto de 2013

Amigo meu

Não sei... Acho que tudo começou tumultuado demais... Ficou confuso... Vamos começar de novo?

- Prazer. Eu sou a Dannie. E você, quem é?

Será mesmo necessário começar do zero? Acho que nos conhecemos melhor do que qualquer outra pessoa que eu tenha cruzado. A sensação que tive no início de que já nos conhecíamos é uma constante até hoje. Lembro que só me senti confortável quando eu te vi, como quem revê alguém que sempre esteve lá. E a sensação de conforto é muito natural - são poucas pessoas que conseguem extrair o melhor e o pior de mim com tamanha facilidade.

E eu que pensava que era tudo unilateral, ainda me surpreendo quando você relata as mesmas impressões. Eu ainda fico embasbacada com nossa facilidade de nos prevermos mutualmente, e talvez seja isso que nos torne mais seguros e confiantes. Talvez seja isso que nos ligue tão fortemente, isso que nos una. A liberdade de sermos quem quisermos diante do outro. Não sei, seria muita pretensão minha conseguir expressar nossa ligação - nós já conversamos sobre isso e nenhum de nós entende muito bem. Não posso descobrir todos os mistérios do Universo.

Talvez tenha sido isso que me confundiu. Agora que consigo observar as coisas de forma mais clara, só posso dizer que você é o melhor amigo que jamais tive. Me sinto acolhida nas lembranças da infância que não compartilhamos, e compartilhamos mesmo assim. Temos química, isso é fato, mas talvez a nossa missão seja transformar isso em algo ainda maior. Agora que consigo enxergar mais claramente, vi que eu estava reduzindo demais essa aliança. Talvez tenhamos feito promessas no Céu antes de nascer, talvez tenhamos nos prometido algo antes de morrer em outra vida - mesmo que você não acredite nessas coisas. Não sei. Só sei que você me faz bem e que sem sua amizade e paciência eu estaria entendendo muito menos sobre mim mesma hoje.

Eu só queria isso: agradecer. Por ter estado aqui sempre, mesmo sem ter estado. Por sempre estar aqui quando eu mais preciso. Por confiar em mim suas maiores angústias e assim me fazer me sentir mais útil nesse mundo. Por me enxergar por debaixo de toda armadura que construí. Eu só queria dizer OBRIGADA. A vida tem sido boa para comigo e fico feliz de saber que para com você também. Me sinto grata a D'us e sinto a presença dEle quando estou na presença de pessoas especiais como você. É tão paradoxal que você, que em nada crê, me faça ter ainda mais fé. Mas é isso: somos tão parecidos que até mesmo nossas diferenças se completam...

Sê feliz, meu amigo! Sê feliz! Saiba que todo o ágape* que me revelaste é recíproco. Sejamos felizes, fiquemos high, falemos bobagens e coisas sérias... E que possamos sempre ser presença constante um para o outro.

Minha alma ama a sua.

Shalom!

*Ágape - Ágape, do grego agápe, significa “amor fraterno”. Entre os cristãos primitivos, terno designava as refeições fraternais, em que se reuniam ricos e pobres, daí o sentido de “caridade”, de “amar ao próximo como a si mesmo”. Esse tipo de amor não supõe reciprocidade, porque se ama sem esperar retribuição, assim como independe do valor moral do individuo que é objeto de nossa atenção. Em termos profanos — não mais religiosos  trata-se da benevolência universal, a fraternidade pelo qual zelamos pelos outros. (Fonte: Blog Filosofia, a arte do conhecimento!)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Unpredictable

E eu estava assim, sendo bombardeada pela vida, violentamente desgarrada do "mundo das Pollyanas", deixando de acreditar na humanidade.

Daí surgiste tu batendo na porta. Foi apenas um "toc, toc", meu mundo mudou de direção. Mudei meu caminho direto pros teus braços e não me arrependi. Encontrei meus caminhos não só nos teus braços, mas no roçar da tua barba, nos pelos do teu peito. Encontrei um novo eu no teu corpo - uma releitura das coisas que vi e vivi até então.

Como é que consegues fazer isso comigo? Tu me transcendes, quebras meus paradigmas, superas meus traumas do passado. Tantas coisas que eu já tinha dado por decididas na minha vida simplesmente são reavaliadas. A menininha cheia de não-me-toques se tornou das mulheres-que-só-dizem-sim, que se deleita com tuas ideias mais exuberantes. O antes inimaginável se tornou praticável. E o praticado se tornou intensidade.

Intenso é quando tu me olhas, parecendo me despir de todas as culpas. A cama se tornou um divã onde ponho em dia meus problemas mais arraigados. Alguns esquecidos ou jogados prá debaixo do tapete. E depois de tudo, ainda tenho teus olhos me sorrindo um "bom dia". Derreto-me.

Aqui está tão frio, meu bem... Tudo que penso é em deitar em teu peito, ouvir as estórias da tua vida, as coisas que dizes que me fazem rir... Beber da tua sabedoria e brindar à vida. Talvez conseguir te arrancar um riso ou outro entre tuas reclamações sobre a idade... Mal sabes tu que isso pouco me importa.

Do futuro, nada sei. Eu que sempre tentei prever o rumo das coisas, agora nem me preocupo. Tua maturidade acalma meu adolescentismo inquieto. Tua inteligência me leva de volta aos planos que iniciei e pensei em abandonar. Viver nunca me pareceu tão pleno, e é pleno agora, já não quero pensar no amanhã. Querer eu quero muita coisa, mas agora só o que posso realizar. Tua aproximação não parece ter sido coincidência, me transformando de dentro pra fora, como um sinal divino para que eu voltasse a acreditar na humanidade e em mim mesma. Seguirei então acreditando nos sinais divinos. Ou sinais vindos de ti, se quiseres me enviar alguns. Eu não vou reclamar.

Transcende-me, pois só tu conseguiste até hoje. Transcende-me e te devoro. Devore-me e nos reconstruimos.

Cuide-se! Eu estou aqui! E esqueça seus problemas - como era mesmo a música?...

Shalom!



quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Desilusão

Segundo o Wikcionário:
de.si.lu.são feminino
  1. perda da ilusão;
  1. a(c)to ou efeito de desiludir(-se).

Presume-se portanto que, para haver uma desilusão, uma ilusão foi construída anteriormente. Às vezes confesso que acredito demais na humanidade e em todo e qualquer discurso politicamente correto simplesmente porque sou assim. Nasci no mundo das Pollyanas - se houver um. Que seja: eu não sou desse mundo.

A questão é que eu não consigo olhar prás pessoas desconfiando. E as pessoas falam o que elas desejam. Mas o que mais me dói é me afeiçoar ao discurso de alguém que se mostra contraditório nas atitudes. Tem gente que diz que é normal, que o ser humano é invariavelmente hipócrita... Mas eu ainda acredito. E me desiludo quando as pessoas, na prática, não seguem o roteiro tão exaustivamente construído. O problema está em mim ou nos outros?

Admito sim minha parcela de culpa. Como eu disse, nasci no mundo das Pollyanas. Mas o que mais me pergunto quando essa desilusão acontece é se não há uma ou outra "Pollyana" escondida por aí querendo fazer amizade. Não que elas sejam mais coerentes, não é isso - é só pra conhecer gente que ainda acredita. As pessoas nesse mundo já andam desconfiadas umas das outras, justamente por causa de suas desilusões. As "Pollyanas" não. As "Pollyanas" nunca se desiludem porque tornam a se iludir automaticamente com justificativas para cada falha humana. As "Polyannas" são aquelas que pelas costas são chamadas de "otárias", mas elas nem ligam: estão distraídas demais se autoiludindo.

"Pollyana" pode ser "otária". Pode ser aquela que vira chacota entre os conhecidos. Pelo menos ela é mais feliz.

E eu fui feliz.

Mas por mim isso acaba por aqui. Tenho outras ilusões a me construir.

Até.

Shalom!