Acordei já era fim de tarde.
Pela janela aberta que dá pro quintal, entrava o resto do Sol que se punha e uma música que vinha de longe, como se viesse através do vento.
Era Engenheiros do Hawaii. Reconheci a melodia e senti conforto como quem encontra um bilhete esperado numa garrafa em alto-mar, ou como quando um cheiro muito conhecido invade os pulmões, mas não lembrava e nem entendia a letra cantada. A música parecia vir de muito longe, mas quis buscar a letra na internet – ela cessou antes que eu pudesse me conectar, justamente como surgiu: do nada.
Ainda lembrei de tentar buscá-la uma ou duas vezes até o fim do dia, inclusive no banho. Mas a melodia já tinha se perdido. Deixei pra lá. Não devia mesmo ser um sinal pra mim como eu pensava.
O resto da noite se passou e eu já me distraía antes de pegar no sono rolando pela rede social quando passei por alguém que fez um trocadilho com o nome dessa mesma banda. Era mesmo um sinal? Resolvi arriscar e joguei "letras Engenheiros do Hawaii" no Google. Logo apareceu uma lista e minha intuição pediu pra clicar na primeira que me apareceu (porque eu sou péssima com títulos de música). Foi em cheio:
3 X 4
"Diga a verdade
Ao menos uma vez na vida
Você se apaixonou
Pelos meus erros
Não fique pela metade
Vá em frente, minha amiga
Destrua a razão
Deste beco sem saída
Diga a verdade
Ponha o dedo na ferida
Você se apaixonou
Pelos meus erros
E eu perdi as chaves
Mas que cabeça a minha
Agora vai ter que ser
Para toda a vida
Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher
Se eu tivesse a força
Que você pensa que eu tenho
Eu gravaria no metal da minha pele
O teu desenho
Feitos um pro outro
Feitos pra durar
Uma luz que não produz
Sombra
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher
Somos o que há de melhor
Somos o que dá pra fazer
O que não dá pra evitar
E não se pode escolher"
Te vejo amanhã? Não sei. Deixei que o Destino faça a sua parte, do jeito que tem que ser.
Boa noite!
Axé-Amen-Shalom!
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