Aos que preferem parecer a ser, minhas saudações.
Eu simplesmente sou — e não me preocupo com o que possa parecer.
Ter orgulho de quem se é é privilégio de pessoas raras. Demorei pra aprender a tomar o mundo feito Coca-Cola, mas hoje não troco o meu lifestyle por nada nem ninguém. Tenho compaixão por quem ainda não consegue ser assim.
Deve ser exaustivo viver na obrigação de mascarar a própria essência. Na verdade, eu sei que é; afinal, já fui assim na juventude. Não que a idade represente grande coisa nesse grande espetáculo chamado Vida, até porque a juventude continua morando em mim. Recusar-me a parar de crescer — aprendendo novas lições e me metamorfoseando — é minha eterna fonte de juventude, pouco importa o que a casca mostra ou o que enxergam. E adivinhem: não tenho o menor pudor de parecer isso ou aquilo pra quem me olha sem me conhecer de verdade.
Bonita ou feia, rica ou pobre, preta ou branca, homem ou mulher, velha ou criança... Tudo isso são meras suposições de quem só sabe boiar na superfície. Enquanto isso, sigo ocupada explorando as profundezas do oceano — pois é só lá que se ouve o verdadeiro canto das sereias, o meu canto. E hoje, vocês não me pegam, vocês nem chegam a me ver.
Desejo, do fundo do peito, que levem consigo o melhor de tudo o que ofereci generosamente durante nossa convivência. Afinal, as coisas que o dinheiro compra não duram; eu, sim. Não sinto qualquer obrigação de agradecer por aquilo que não veio do coração, mas tenho a paz de saber o valor de tudo o que fiz. Por ser coração demais pra esta Selva de Pedra, sigo em frente deixando o que é pequeno pra trás. Carrego pouca bagagem, reservada apenas ao que é valioso: os afetos sinceros, o aprendizado por trás das intenções e aqueles que verdadeiramente compartilharam sua essência comigo. Um coração de verdade pesa muito mais do que qualquer bem material.
Nem tanto ao Céu, nem tanto à Terra: só entra comigo no Paraíso quem atravessou o Vale da Sombra da Morte sem medo ou vergonha, e de lá saiu mais forte.
A vocês que ficam ancorados no cais, meu adeus: sou caravela à deriva buscando novas terras. E comigo só segue quem também sabe navegar.
Sem mágoas, sem rancor: só sinto muito, pois não sinto mais nada.
No mais, sem mais.
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