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segunda-feira, 28 de abril de 2008

A chama que me chama

Está ela em todos os lugares, como se nunca tivesse estado presente na minha vida. Me persegue como quem quer dizer alguma coisa, mas não sabe bem como dizer. O que quer de mim, Música, se conheces minha alma como ninguém mais (nem mesmo eu)? Sabes que dou minha vida a ti, é só pedires - q missão tens para mim?...

Há algo tão entranhado em meu coração que não consigo trazer pra fora. Mas dessa vez não são mais minhas frustrações abafadas, mágoas, rancores retidos. São apenas... Música! Como mensagens que a gente recebe e tem que repassar ao seu destino com certa eficiência. Pensei em voltar a compor, mas não sei, tem muito tempo que não o faço; talvez nem eu lembre como fazê-lo, rsrsss... Gosto mesmo é de cantar o que vem na alma de alguém, ainda que esta alma não seja a minha. Essa paixão vem acima da minha capacidade de (re)compor minha vida - musicalmente falando.

Tenho visitado muita gente bacana, inclusive compartilhado uns pianos legais - pelo menos enquanto durmo. Teve o sonho com a Elis no dia do aniversário dela (esse dia foi inesquecível) e anteontem sonhei com varias mães (encarnadas e desencarnadas), lideradas por Cássia Eller e Elza Soares, cantando uma canção tão linda, mas tão linda, q eu não conseguia acompanhá-las de tanto chorar. Chorava aos cântaros, e as lágrimas pareciam não ter fim e nem destino, eu simplesmente sentia minha garganta assim, embargando, e a música assim seguia. Era uma canção de melodia impressionantemente linda que falava sobre a missão de ser mãe e fazia analogia entre a vida da mãe moderna com a vida de Maria à época de Jesus, tudo o q sofreu, etc. Acordei tão impressionada com a canção que corri pro computador buscar a letra dela com alguns trechos que eu me lembrava, ainda zonza de sono, como "ser mãe é se calçar de luz", entre outros versos que não me vêm agora. Aí sim, me dei conta de que Cássia Eller (nem ninguém) nunca compora neste mundo uma canção como aquela. Seria missão minha então trazê-la para o conhecimento dos terráqueos em si? Acho que não, porque não consigo mais lembrar da música, infelizmente (apesar de meus olhos se encherem d'água só de pensar nela). Mas pensei muito em tentar reescrevê-la. Qual seria a autoria? "Dannie Machado/Mundo Espiritual", o que acham?? hahahaha... Só sei que tenho tido cada vez mais encontros mais intensos, musicalmente falando, enquanto durmo. Com que objetivo? Ainda não sei...

Queria saber do que a música precisa de mim... Já que dela eu preciso prá ainda ser um ser-humano vivo...

Ia'Orana!

sábado, 19 de abril de 2008

O choro e o riso

O choro é inerente ao ser-humano. O choro de alegria, tristeza, de dor, de emoção... O choro pelas coisas indescritíveis e pelas coisas inexplicáveis. Pois bem, o q é o choro?

O q sou eu, o q é vc, o q é a realidade? É real o q vivemos? É real o q vc vê ou o q eu vejo? É real essa luta q travo comigo mesma (ou com os medicamentos), ou sou eu q prefiro assim?

Às vzs acho q estou tão bem (mas tão sonolenta) q talvez tenha sido tudo criação da minha cabeça, q não tenho transtorno nenhum, q não há nem nunca houve "monstros no armário", e q esses remédios são inúteis e só servem prá me tornar imprestável. Pq tive q tomá-los pela manhã, e simplesmente não consegui administrar (como costumo fazer com desenvoltura) uma turma de uns 20 alunos de 8, 9 anos por estar dopada demais. As coisas saíram do controle e eu odeio isso. Parti logo prá casa prá pegar minha mala e subir a serra, me juntar aos meus (e esperar por mais do meu prazer em observar meus fracassos).

Me despedi das outras evangelizadoras da equipe e fui me dirigindo à saída. De cara, uma aluna nova trouxe, discretamente, uma singela florzinha branca (q de certo apanhou no jardim do CE). Isso me fez sair sorrindo, e talvez por isso, outras crianças me acompanharam até o portão. Eram umas 4 ou 5 q pararam a brincadeira prá se despedir, me abraçar, e até ameaçar vir embora prá casa comigo, rs... Fiz piada, todos riram, e diante da minha ordem simpática, todos voltaram-se prá dentro novamente. Fechei o portão e olhei de novo prá florzinha branca na minha mão. Me fez pensar: o q é o choro? O q é o riso? Podia continuar rindo da alegria q as crianças deixaram em mim. Ou chorar de emoção. Eu podia tentar novamente colocar meu piercing novo e rir da dor de conseguir o visual q queria, ou chorar com o fracasso sem dor.

Eu poderia não estar escrevendo agora... Mas estou.
Como há tempos eu não fazia, enquanto medicada (erroneamente).

Emoções são emoções - o problema é qndo elas conseguem te machucar e machucar demais outras pessoas.

Acho q finalmente achei a diferença entre o "normal" e o "bipolar".
E, não: não vou parar de me medicar. Afinal, todo o sono e azia vão passar... E só o melhor de mim vai ficar... Tenho certeza.

Ia'Orana!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

E, hj eu tô deprê...

(em total contrapartida com o post de ontem - mas péra lá!! Eu sou bipolar, né? Me deixa...)

Hj foram todos serra acima prá prestigiar o casamento do meu cunhado. Não fui hj pq tenho meus compromissos no centro espírita (e amanhã é dia de reencontro com minha turminha da evangelização - por menor q seja o valor q o resto da população dessa casa dê). Na verdade, nem eu sabia se eu ia querer subir a serra mesmo. Não sei. Sabe aqueles dias em q vc prefere o cachorro a qualquer um da raça humana?? Pois é... E tbm pq, pela manhã, na hora de fazer as malas, eu tava em alfa por causa dos remédios. Mas lá foram todos, felizes. E eu tbm pensei q ficaria, afinal sempre quis um dia inteirinho assim, com a casa só prá mim (mas, sinceramente, eu a queria pelo menos arrumadinha). Mas, no entanto, apesar da privacidade (e talvez por causa das manchetes das quais tenho fugido nas TVs e rádios), um vazio tomou conta de mim. Não mais aquele vazio assustador, q parece mais um monstro do armário do q um vazio. Não, na verdade era aquele tipo de vazio q vai chegando devagarzinho e se instalando, fingindo ser seu amigo e tudo... E tudo q deixa é devastação. Saí do CE e fui então a um centro de consumismo - leia-se mercado - com a intenção de comprar pão (pq senão eu não sairia de casa nem prá isso). Mas fui advertida pelo telefone de q o G. tinha comprado e posto não-sei-onde. Então tá. Fui "olhar as modas", como diziam minhas avós, minha mãe... Acabou a paz. Nem sabia como eu ia estar amanhã prá subir a serra, mas já comprei um piercing novo prá substituir um, comprei outro prá fazer outro furo na orelha, entrei na farmácia e me deliciei na seção de cosméticos, com tantas e tantas coisas tentadoras (pelo menos deu prá esquecer um pouquinho do sono, da solidão de casa, das roupas q não cabem mais, da maquiagem q me dá alergia...). E entre tentações e juízos, comprei sim, uma penca de coisas q nem sei como vou esconder do G. (ah, nem corro mto perigo, ele não lê isso aqui mesmo...). Bem, talvez um dia ele ache, e ache até graça, mas certamente ver isso tudo aqui em casa agora não será nada engraçado. Assim como não foi prá mim ao constatar o valor na caixa registradora.

Mas afinal, já aqui em casa: será q eu REALMENTE precisava comprar isso tudo mesmo??...

Será q um dia vou conseguir responder essas perguntas prá mim?...

Ia'Orana!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Passando a limpo

Hj foi até um dia bem produtivo. A única coisa q não consegui foi passar meu celular pro meu nome com meu pai mas, sinceramente, já sabia q não conseguiria (pendências no Só PContrariar, sabe como é). Tirando isso, consegui ir à consulta com a psicóloga, ir ao posto médico pegar o valproato (q pro meu desespero só tinha pra hj, até o final do dia - e ainda ganhei ainda mais clonazepam "de brinde"), e ainda deu tempo de ir ao shopping só pra ter certeza de q não está à venda o livro da escola da caçula nos megastores (poxa, e eu q tenho cartão de desconto em um deles...). Pelo menos descobri tbm q o livro do Diogo Lara ("Bipolaridade e Temperamento Forte") não esta à venda nas redondezas, ou seja, uma tentação à menos pros gastos...

Mas a consulta com a psicóloga foi mto boa e produtiva - de forma q eu não imaginava q poderia ser. Acabei chegando a pontos da minha vida q eu já tinha varrido prá debaixo do tapete, apesar de razoavelmente recente. Mas foi bom processar essas coisas. Cheguei à conclusão de q não sou e nem fui vítima da vida, q eu posso ter buscado problemas prá poder "sentir mais emoção", em meio a um tédio q a princípio não consegui detectar. E o melhor de tudo: saí RECONSTRUÍDA. Tive q buscar o caos, me desconstruir prá reconstruir, tudo pq do jeito q eu estava era insuportavelmente estruturado, e tudo q eu queria era "bagunçar o coreto" prá arrumar o q fazer. E não precisou ninguém prá me dizer isso não, a dra. simplesmente foi me fazendo me questionar e as respostas foram surgindo, até mesmo de coisas q eu já tinha relatado minutos antes. Nusssssssssa, melhor q consulta de búzios, tarot, astrologia juntos!!! Saí de alma lavada... Parece q posicionei o primeiro tijolinho da minha "construção". A construção do "quem eu sou"...

Não sei, mesmo tendo tomado o valproato à tarde mesmo (mesmo com o medo de ficar "caindo pelas tabelas" de sono), me senti revigorada. Daí a despirocada de sair pelos shoppings afora buscar os livros q a S. necessitava e de q me interessavam. E apesar d'eu ainda estar ciclando bastante ao longo do dia, meus sentimentos estão menos bagunçados. Já não "odeio" tanto o G. Pelo contrário, finalmente acho q meus sentimentos estão se "aclarando". Mas tbm, não sei se tbm tem a ver com o sono hipnotizador q tenho sentido desde q a psiquiatra adicionou rivotril ao tratamento na 2a. feira... Mas vou suportando, afinal, é ela, a Esperança, a última q morre!

Ia'Orana!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Back home again...

Infelizmente, uma dengue me derrubou. É, a situação do Rio não tá nada fácil... Mas até q dos casos q vi por aí, meu casos não foi tão grave. Só atípico, com sintomas diferentes dos fartamente divulgados.

Acabou q com isso, tive q interromper o uso do ácido valpróico. Ah! Claro... Nesse meio-tempo, retornei à médica q me atendeu no dia 25 como orientado, e ela tinha aumentado os comprimidos da noite prá 2 (e se ainda estivesse mto angustiada, tomar 2 à tarde tbm). Não achei ruim pq, diferente do ocorrido com outros medicamentos, eu me adaptei rapidamente ao ácido valpróico. Com 1 semana de uso, o sono já tinha amenizado mto, e eu estava mto tranquila, meus relacionamentos pessoais estavam mais tranquilos, minhas idéias mais organizadas, a ponto de eu tomar atitudes mais ponderadas. Senti como reencaixada à minha própria vida, finalmente tomando um remédio q não me fazia me sentir pior (mas tendo q tomar pq era o tratamento padrão de transtornos mal-diagnosticados). Mas aí veio a dengue, com suas pintinhas coçantes e tudo mais, e pelo escrito na bula, decidi ser melhor suspender o ácido valpróico.

A princípio fiquei bem. O problema é q os problemas vão reaparecendo aos poucos. Com 3 dias sem o ácido valpróico, comecei a notar o retorno da ansiedade. A angústia vai aparecendo aos poucos, atrapalhando o sono, uma sensação avassaladora de vazio q surpreende em momentos sem nexo nenhum... A compulsão por arrancar os cabelos pelo menos ainda está quietinha, mas temo por outra crise, como a q me levou à emergência psiquiátrica - consulta na qual não mostrei a área devastada do couro cabeludo por medo de internação. Aliás, todo dia é um dia mto difícil prá esconder os estragos da tricotilomania. Como forma de tentar aumentar as esperanças, procuro fazer massagens nas áreas mais afetadas, prá tentar estimular os cabelos a crescerem mais rápido. Mas é difícil se olhar no espelho, principalmente qndo se gosta tanto de colorir e embelezar o cabelo.

Tenho lido mta coisa sobre bipolaridade, inclusive "Uma mente inquieta", escrito por uma doutora bipolar. Nossa, como me identifiquei!!! É incrível, parecia eu ali, com todas as situações estapafúrdias q tentei amenizar com o passar dos anos... Apesar dela parecer ter fases mais maníacas q eu (pelo menos ao longo da vida - eu tive mais fases depressivas até aqui, mas hj, talvez pelos antidepressivos tomados anteriormente, estou mais maníaca). Mas as sensações são bem parecidas... Nas comunidades Orkut afora tbm. Parece q eu me entendo agora, entendendo aos outros. Isso sim, tranquiliza mto...

Mas é isso. Agora estou apenas repousando, mas os efeitos da dengue já passaram (rápido, até, talvez por procurar ajuda médica logo no começo). A partir de amanhã é q viro estatística - vou fazer sorologia prá dengue no setor de epidemiologia do hospital q me atendeu. Tbm tenho encontro com o psiquiatra (na verdade, uma reunião de apresentação). Depois de recuperada, pretendo iniciar uma dieta urgente: ganhei 5 kgs de tanta água e comida q me empanturrei - aí, já não foi a dengue, mas a ansiedade.

Ia'Orana!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Ia'Orana e seu significado

Acordei às 7:30. A decisão tomou conta de mim. Tomei banho vagarosamente enquanto a casa dormia, e a caçula acordou. Por volta das 9, a ansiedade já tomava conta e eu, ainda relutante, acordei o G. - queria sair sem ter q dar explicações, eu ficaria ainda pior. Avisei q ia na emergência psiquiátrica e ele só disse "tá, mas chega antes de meio-dia q eu tenho q trabalhar...".

Ódio. Saí de casa entre lágrimas, mas aos poucos a raiva pela indiferença do G. foi amenizando. Já não havia mais medo, nem ansiedade como em consultas costumeiras. E ao chegar lá, fui logo atendida, já q não havia ninguém à espera.

Entrei no consultório. A dra. parecia séria, mas tentava ser simpática (apesar de, nesse momento, não me importar mto). Qndo liberada a falar, "desabei" - a própria dra tinha dificuldade de me acompanhar e toda hora pedia um instante, pra eu recapitular o q eu estava falando. Eu falava rápido, entre lagrimas abundantes. Me senti novamente em terceira pessoa e, sinceramente, ao sair do consultório, eu ja não fazia idéia do q exatamente eu havia falado. Só sei q havia falado mto.

Rapidamente, já quase no final da consulta, me lembrei daquele costume q eu tenho de observar as anotações dos médicos (por mais q alguns evitem), mas nem precisei me esforçar mto: além do termo "Transtorno de Humor" estar bem destacado na ficha, a própria dra. revelou. Receitou Ácido Valpróico e pediu prá voltar no sábado prá reavaliar. Disse q, apesar do medicamento demorar mais ou menos 1 mês prá fazer efeito, eu precisava desse intervalo curto prá reavaliação pq meu humor estava ciclando rápido demais. Tava tão na minha cara??

Ao menos, cheguei em casa aliviada. Desde o começo do mês eu já estava angustiada, entre o planejar dessa visita ao posto médico, e o achar q já estava melhor e não precisar ir. Fora as tentativas de me tratar no hospital perto da minha casa... Pelo menos não preciso mais esperar prá ser avaliada (não q eu tenha desistido do tratamento do hospital, absolutamente!). E botei prá fora tudo q tava me incomodando; minhas angústias, minhas dúvidas, minhas crises de raiva, de indiferença prá com o mundo... E mais uma vez, me lembrei das minhas filhas. Elas estavam lá, na minha cabecinha, enquanto eu me encaminhava pro posto. Elas não mereciam mais q eu as tratasse como eu estava tratando. E isso tbm me torturava. Finalmente, ao chegar em casa, consegui expressar afeto pelo meu marido. E chorei ainda mais. Eu realmente andava sendo uma "cadela sem sentimentos". Ele tbm não merecia.

O alívio em casa foi tão grande q quase deixei o remédio pra lá (ah, o poder do desabafo). Mas no começo da tarde começou a angústia de novo, o impulso de mexer novamente no cabelo, e gritei prá mim mesma "Chega!". Fui levar as crianças na escola, pagar umas contas, aproveitei q o remédio era baratinho e comprei logo. Tomei o primeiro comprimido na porta da farmácia já. É, o desespero tinha voltado, mas dessa vez, justificado: o desespero pela estabilidade.

Então é isso. O diagnóstico q eu desconfiava havia já certo tempo (e renegara por anos) era verdadeiro. Sou bipolar. Não muda mta coisa, além do próprio auto-conhecimento. A princípio, ter q tomar um remédio q me dá queimação 3 vzs ao dia (tive q programar o celular pra me lembrar; os outros eram só uma vez por dia), o Rivotril ainda está liberado prás noites de insônia ("Mas duvido q precise, pq o Depakene costuma dar mto sono", disse a dra.), e voltar no sábado. Pelo menos agora tenho um percurso pelo qual seguir. Antes estava totalmente perdida e angustiada. Agora a angústia já tem seu destino certo (e eu realmente desejo, do fundo do coração, q eu não tenha q trocar mto de medicação, pq realmente, pela minha experiência, é um saco!!).

Ia'Orana! (eu nunca contei, mas essa expressão quer dizer "Viva Bem" e é uma espécie de saudação generalizada no Taiti)

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Nada

Droga. Mais um dia instável. Pensamentos dos mais distintos dando voltas e voltas na minha cabeça, não consigo focalizar nenhum. Prá dizer a verdade, estou me sentindo uma droga. E estou tentando a melhor forma de resistir à sedução das drogas propriamente ditas, com suas promessas de manter minha cabeça legal, desfilando suas tarjinhas-pretas dentro da minha bolsa...

O pior são as contradições: olhar prá cara de um sujeito e querer martelá-la de ódio, ao mesmo tempo em q subo pelas paredes. Maldita ovulação inútil!! Pq diabos eu esqueci de comprar minhas pílulas????????...

Me sinto uma droga, um peso pra família, um nada. Pensei q estava fazendo meu melhor, me esforçando ao máximo, acordando de madrugada prá realizar os desejos alheios... Esse orgulho me enchia de alegria (ou será q era hipomania mesmo?...)! Daí, me jogam na cara sem nenhum pudor "vc não faz nada!"... Vou fazer o q então? NADA!! Na-di-ca. Greve total! Zero! Niente! Vou até deixar de existir, se possível (mas nada suicida - não cheguei nesse nível não)...

Espero então satisfazer a fantasia alheia de me ver fazendo nada...
Ia'Orana!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Sou o Pouco que Restou

(De Silvana Duboc)


Eu pensava que eu era de um jeito
correto e perfeito.
Eu achava que eu andava pela direita
mas descobri que ela é tão estreita
que meus passos não cabem dentro dela.
Eu me imaginava como uma aquarela
demasiadamente colorida,
eu achava que na minha vida
só existia o sol ardente
mas, eis que de repente,
descobri que sou tristeza e amor,
sou alegria e dor,
sou ferida mal curada,
sou adorada e desprezada,
sou doce, sou amarga.
Sou um pouco do que eu mais queria ser
e muito de tudo que não consigo esquecer.
Sou continuação e retrocesso,
sou pouco, sou excesso.
Sou várias numa só,
sou um laço, sou um nó.
Sou de muitos e de ninguém,
sou um "mas", sou um "porém".
Sou inteira e sou metade,
superior e igualdade,
sou prisão e liberdade,
sou letras espalhadas
e palavras entrelaçadas.
Sou uma história mal contada,
mas quem de nós não é?
Eu caio e fico de pé,
eu sou como a vida quer.
No claro eu perambulo
e caminho pelo escuro,
eu me rasgo e me despedaço,
eu me abraço e me afasto.
Eu me quero bem,
eu me sinto um ninguém.
Eu ouso sem pensar,
eu minguo sem parar.
Sou grande, sou pequena,
sou um estádio, uma arena,
sou mais veloz que um avião,
sou rebelde sem noção,
sou pura emoção.
Sou fogo e sou água,
sou cura e sou praga,
eu sou uma estrada
que nunca ninguém atravessou.
Sou o pouco que restou
de tudo que alguém me roubou.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Uma noite com Elis

Subi ao palco revendo na mente a canção q ia cantar. Era um concurso de talentos ou coisa assim, e eu pretendia cantar uma música fácil, acho q da Wanessa Camargo. Ate q uma jovem q ia cantar antes de mim estava sendo entrevistada (ou conversando no backstage) e falou q havia relação de aparência física com seus dons musicais, ou seja: seu talento seriam conforme seus traços parecerem com deste ou daquele cantor. Logo recordei da época em q fiz teatro amador, qndo me chamavam carinhosamente de "Elis" por parecer com ela. Pensei e disse: "ah, se é assim, então vou cantar outra música..."

Peguei o microfone com firmeza e auto-confiança. Logo abaixo, no backstage, estava ela, a própria Elis Regina, me incentivando e cantando comigo, daquele jeito característico dela. Cantamos uma canção juntas (q não me recordo) e levantamos um grupo q parecia um bloco de carnaval ou coisa parecida. Ao final, já sem Elis por perto, praguejei por não ter sido "no mínimo" perfeita. Mas fôra tudo um sucesso.

Acordei. Achei engraçado e bonito o sonho de estar cantando com Elis Regina. Não me lembro dela, pois qndo ela morreu eu devia ter uns 2 anos de idade, mas sempre achei sua imagem fascinante e magnética, digna de um mito como ela. Por isso o orgulho do final da adolescência, qndo o pessoal do grupo de teatro me chamava de "Elis": imagina se um dia eu cantasse como ela!!

Tomei coragem e levantei, prá atender à fome da caçula. Logo me olhei no espelho e tratei de buscar uma tesoura prá "bagunçar" minha franja - tava mto certinha, ou seja, horrível para os meus padrões. Liguei o rádio do banheiro prá ouvir as notícias enquanto picotes de cabelo roxo caíam sobre a pia branca.

Não pude resistir ao ouvir a informação, e logo lágrimas abundantes se misturaram aos cabelos picotados dentro da pia: hj, 17 de março, o aniversário de Elis Regina.

Elis, foi mto bom estar com vc! Esteja com Deus e em Paz sempre!!

Ia'Orana!

domingo, 16 de março de 2008

Tianastácia - "Sanatório"

"Acho que alguém aqui pirou
Eu ando desconfiado que esse cara sou eu
Às vezes acho que eu não produzo nada
Às vezes sei eu viajei errado
Às vezes acho que eu sou excluído
Do paraíso
Às vezes acho que o centro do universo
Está no meu umbigo
Acho que alguém aqui pirou
Eu ando desconfiado que este cara sou eu
Todo dia quando eu entro no banheiro
Está tudo lá
Da escova para cabelo ao fio dental
Tem dias que eu olho no espelho e falo
Tai um cara legal
Tem dias que eu tenho a convicção
De que eu não sou normal
Tem dias que eu to puto
Alguns dias maluco
Graças a Deus a maioria dos dias eu estou contente
Também tem os dias doentes
Mas esses, eu sei, fazem parte da vida
Esses fazem parte da vida
Acho que alguém aqui pirou
Eu ando desconfiado que esse cara sou eu
E se isso for só pretensão
Não, não é possível
Neste mundo só tem “maluco”
Ou serão só lúcidos
Eu espero um sinal de um homem lúcido
Amizade
Eu espero o sinal de uma mulher lúcida
Amor
Eu espero sinal de um povo lúcido
Paz
Eu espero como você espera
Um disco voador"