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domingo, 25 de fevereiro de 2018

"Todo fim é um recomeço"

Acordei sob o impacto dessa frase. Não lembro quase nada desse sonho na verdade... Parecia haver labirintos que as pessoas percorriam um após outro; mal saíam, entravam de novo. Eu já estava cansada e me perguntava se eu queria entrar mais uma vez, e porque as pessoas voltavam a entrar. Até que alguém me parava tranquilamente, olhava-me nos olhos e dizia: "todo fim é um recomeço". Foi então que acordei.

Todos os horóscopos - que leio por distração, mas que às vezes acertam - me indicaram um dia instável, incomum, talvez com algum evento forte. Mas que não fosse pra eu temer pois tudo ficaria melhor que antes da "crise". Espero ter saúde, apenas. Mas talvez eu deva reconhecer que meus adoecimentos tenham se dado pelo fato de não querer encarar as crises de frente. Tenho coragens absurdas pra muitas coisas, pessoas dizem me admirar por isso... Porém, tudo em relação ao amor me acovarda. Sou como aqueles vira-latas que saem correndo vorazes atrás das rodas dos carros, mas não sabem o que fazer quando os carros param. Por isso tendo a escolher os casos mais difíceis, querendo me convencer de que "amor é sacrifício", quando na verdade, bem lá no fundo, morro de vontade de que não dê certo. Porque, se der certo, o que vou fazer com isso? Como se ama alguém? Cadê o manual de instruções? Sem as coordenadas corretas eu entro em pânico, não saio do lugar - ou pior: saio correndo na direção contrária. Ou prefiro ainda me envolver com pessoas que não significam nada pra mim, porque assim não fico tremendo de medo de fazer alguma coisa errada e perder aquela pessoa. Porque eu to SEMPRE fazendo alguma coisa errada. Pelo menos é o que me parece. E de medo, acabo nem tentando nada. Aí se torna "tarde demais".

Talvez o fim desse ciclo tenha sido pra me mostrar o que eu preciso aprender antes de voltar a entrar num labirinto. Me mostrar porque estou tão exausta, ou mesmo se quero voltar aos labirintos, de fato. Toda noite, inclusive, pareço percorrer um quase sem fôlego - tenho acordado moída, demoro a conseguir levantar da cama, mas nunca lembro direito o que sonhei.

Estou querendo um recomeço mais tranquilo, numa estrada em linha reta, sabe? Sem distrações, mas também sem pressa. Vai que a gente dá com a cara na parede de novo!

Uma estrada novinha, em linha reta, direta e sem atalhos ou grandes acidentes, me faria um grande bem neste momento... Talvez me ajude a recuperar um pouco das asas quebradas e dos tornozelos torcidos procurando saídas.

Uma estrada tranquila e em linha reta - mas... Em que direção?

Que D'us me ajude!



terça-feira, 14 de novembro de 2017

Vento no Litoral

Na Lua Minguante, a maré baixa se revolve à beira da Praia Vermelha.
Parece que o Universo está em acordo para que tudo seja levado para o fundo do mar.

É tempo de renascimento.

Por isso deixo o vento lamber a canga na qual me protejo do frio. Deixo o vento levar pra longe toda a Morte que tem tentado roubar meus últimos dias e os mais preciosos dos meus afetos.

Não foi um sábado fácil para ninguém. E nem pra mim, que fiquei só administrando as notícias de longe, diferente das outras vezes.

Dessa vez as bombas não estavam em minhas mãos, mas não foi fácil me manter longe dos estilhaços. Pelo menos eles não me machucam tanto mais - e isso é estranho. Talvez eu já possa ter alcançado uma espécie de lucidez que parece cegar a visão do que esperam de mim. Talvez seja isso que a Vida queira de mim - justamente o que não se espera.

Olho pro céu buscando confirmação à minha reflexão, e um avião atravessa o céu da praia. Se esconde atrás da pedra e me deixa só, novamente, com as luzes de Niterói ao fundo e o silêncio do marulho. Suspiro.

Nesse mesmo cenário que me acolheu em sonho antes mesmo de o conhecê-lo de fato, e que me acolheu em outras tantas vezes que precisei, o mar me surpreende agora tentando me alcançar na faixa de areia, como se Iemanjá já me avisasse que era hora de partir.

"Será esse o sinal que eu estava esperando?"

Olhei pela última vez ao centro do céu da Praia Vermelha e busquei visualizar aquele D'us que vi outrora, naquele mesmo local, mas em outra dimensão:

- Senhor, eu não sou digna que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salva...

Levantei-me e parti. Não demorou muito para chegar em casa e o Destino, através do Cristo/Krishna me responder assim da forma mais óbvia que poderia:

- Bhagavad Gita!

A partir daí, outra história em estado germinal se vislumbrou à minha frente, abençoada por Arjuna (espero eu).

(Continua.)



domingo, 22 de julho de 2012

"Quando lhe achei, me perdi"

Longe de casa, todos sentem uma carência, uma necessidade de se unir ainda mais como uma família. Apesar dos novos conhecidos, era nos velhos amigos que encontrávamos paz. Não foi diferente conosco, que já encontrávamos entre nós, a paz como um oásis em meio às loucuras do nosso dia a dia...

Eu conversava com esses novos amigos em meio à arquitetura peculiar do lugar. Era entardecer, estávamos todos cansados, mas você, que passava, me alertou de um novo acontecimento, que deveríamos estar presentes. "Vamos?", você me puxou pela mão.

No caminho, nos abraçamos amigavelmente e passamos por uma espécie de bar, você mencionou que ia comprar uma cerveja. Eu falei prá não fazer isso. Você fez aquele seu bico, e com cara de menino arrependido, repensou:"É, né?... Afinal eu ia comprar de olho grande mesmo...". Encostei a cabeça no seu ombro, concordando.

Seguimos caminhando e seus amigos nos pararam para perguntar algo. Eu, distraída, me surpreendi quando você segurou minha mão e entrelaçou seus dedos aos meus. Os olhares se tocaram e nos abraçamos intensamente, sorvendo o cheiro um do outro. Tentei lembrá-lo do nosso acordo e não deixar que nada acontecesse, mas em dado momento, nenhum de nós tinha as rédeas da situação. Agora que o pátio estava deserto, senti sua língua molhar meu pescoço com a força de quem quer alcançar a alma. Tentei dizer não, mas já estava entregue: eu delirava enquanto sentia seus beijos da boca até o colo. Uma de suas mãos invadiu mistérios da minha anatomia, o que fez meu corpo começar a tremer, descontrolado. Ao notar minha vertigem, me puxou para um lugar mais reservado. O sol já estava se pondo, e só conseguíamos enxergar a silhueta um do outro, mas não acendemos a luz - o tato era suficiente. Voltamos a nos beijar, e o frenesi tomou conta novamente. Rapidamente despimos um ao outro e tudo o que você fazia era de um jeito tão inédito que assim que o senti dentro de mim, abafei um grito; logo chegávamos ao êxtase.

Nos abraçamos exaustos com a intensidade do ocorrido, desejando que ninguém interrompesse aquele momento. Você me sentiu apreensiva, mexeu no meu cabelo como só você sabe. Entre carinhos, perguntou o que eu tinha.

- Isso não devia ter acontecido... - suspirei.

Você segurou meu queixo, com o olhar de quem queria começar tudo de novo, me calou com um beijo terno. De um dos meus olhos, uma lágrima escapou. Nem eu entendi o que estava acontecendo, mas você parecia compreender... Num gesto carinhoso, secou-me o rosto úmido e me beijou novamente, mas ouvimos outras pessoas se aproximando. Fingimos então que dormíamos, abraçados.

Afinal, pressa prá quê se teríamos ainda mais uns dias só prá nós... Só pra nos permitirmos...
Esse era o novo acordo.



‎"Já tinham vivido o cio das feras. Mas as mãos insistiam em não se desfazer das formas e dos limites alcançados e nunca repetidos. Sabia que não deveria, mas chamavam-se como quem soletra a primeira sílaba." (Cesar Insensato)

sábado, 30 de junho de 2012

O acaso não existe

As pessoas já se despediam, quando ela foi fazer o mesmo, abraçando-o. Ele não queria soltá-la, na verdade queria que ela o seguisse. Havia uma casa abandonada escondida por ali, um grupo iria até lá. A aventura a seduzia, mas antes quis se certificar:

- Você QUER que eu vá?

Ele evitou os olhos dela. Disse "não sei" de forma reticente. Ela pensou que se não era prá ela ir, ele não a teria chamado. Por que não? Que mal haveria?

Ela ficou impressionada como parecia que já conhecia o lugar. Já o teria visitado num de seus sonhos adolescentes. Era possível? Sabia que coincidências não existiam e confiava que estava onde realmente deveria estar.

No meio da escuridão, quase tropeçou. Ele lhe deu a mão e seguraram forte, num misto de satisfação e medo.

A cada passo, o reconhecimento ficava ainda mais forte e era difícil conter a excitação diante das constatações. No topo da escada, simplesmente parou. Ficou ali, embasbacada porque "já havia estado ali", ele dois degraus abaixo, ainda segurando a sua mão. Talvez ele tivesse medo que ela flutuasse, tamanha a fascinação que ela estampava em seu rosto. Ele não podia entender como um casebre abandonado no meio do mato poderia causar tal reação, talvez porque já conhecesse bem aquele lugar.

À luz de velas, o grupo sentou no chão do cômodo principal e começou a conversar sobre temas diversos. Ela só olhava em volta, reconhecendo cada centímetro das paredes, das janelas, e até da posição em que cada um sentava em volta. Se bem se recordava, era naquele momento em que ela já tinha se visto levitando, voando alto, até passar por sobre as telhas da casa. Ele - que ela não conhecia à época que sonhou - voava junto com ela. Mas daí em diante ela não lembrava mais, talvez tivesse acordado nesse momento (e é difícil lembrar de sonhos que se teve muitos anos antes).

Ela estava agora confusa. Precisava de um pouco de ar fresco então foi até a porta. Ele não demorou a abordá-la no mesmo lugar.

- Você já tinha vindo aqui?

Ela não conseguia pronunciar nenhuma palavra. Acenou que não com a cabeça, então ele a convidou a conhecer o resto do espaço.

Não havia muito o que olhar. Tinha mato e estava escuro. Ela se concentrava no som dos próprios pés pisando nas folhas secas quando notou que ele parou. Olhou prá trás e ele se espreguiçava. Se muito bem o conhecia, era um sinal de quem quer dizer algo mas não sabe como.

Deu meia volta e foi até ele. A princípio não disse nada, só ficou frente a ele, esperando pelo que poderia vir de sua boca. Ele só olhou nos olhos dela, a boca entreaberta, mas só conseguiu balbuciar: "você tem certeza de que nunca esteve aqui?"

Ela sorriu. Talvez ele soubesse do que ela experimentava. Talvez ele também sentira o mesmo na primeira vez em que estivera ali. Na verdade ele também estranhava a sensação de déjà vu que tinha naquela noite, desde o momento em que pegou na sua mão. Já estivera ali tantas vezes, mas aquele momento estava sendo único, e ele já o tinha vivido em algum momento no Universo, só não sabia dizer quando.

Ela pegou suas mãos e ficou observando-as. Ele tinha vergonha porque não era do tipo de cara que se cuida. Prá tirar o foco, passou a mão esquerda por entre seus cabelos e trouxe sua cabeça contra o seu peito. Abraçaram-se e a mágica era forte. Podiam sentir-se brilhar no meio daquela escuridão. Ainda com a cabeça no seu peito, ela buscou os olhos dele. A mágica agora era irresistível. Lábios se tocaram e ambos quase podiam levitar. Era isso o que o sonho queria dizer?

Ali, no meio do nada, podiam consumar o sentimento que tentavam esconder mas todos já sabiam de cór. A tentação era enorme, mas ela se levantou, se recompondo.

- Assim eu não quero.
- Prefere lá dentro?

Não! Ele não entendia! Devia estar acostumado com o monte de menininhas que fariam de tudo para estar ali com ele naquele momento...

Mas, afinal, o que ela estava fazendo??? Tudo não conspirava a favor?? Por que tinha que colocar a razão no meio?

Já era tarde: ele se recompunha ficando de pé ao lado dela. Ele a compreendia e ela era especial demais para ser tratada daquela forma. Em comum acordo decidiram ir embora.

Logo depois se despediram como se nada tivesse acontecido. Afinal, se estava tudo mesmo predestinado como aparentava, uma hora aquele nó ia se desfazer, aquelas complicações iam se descomplicar... Era só uma questão de tempo.

Até porque, "quando D'us Quer, não há quem não queira".

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Da Páscoa ao Natal... Tudo volta ao normal

No entanto, a imagem "de azuis e lilases" sonhada em "Sonhos Traiçoeiros", chegou até mim...


... mas não veio de seus Olhos Mediterrâneos.

O que isso quer dizer?? Não sei... Ao contrário do q vc pensava, não sei de tudo, infelizmente.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sonhos Traiçoeiros

Eu entrava na tal rede social e me surpreendia com um belo desenho q não sei identificar ao certo, de azuis e lilases. Tinha pouco tempo em q havíamos voltado a nos encontrar e vc compartilhava na minha página aquela figura q trazia uma mensagem sobre a força do olhar e do seu afeto. Nem deu tempo de responder nada. Acordei do sonho achando-o bobo. Afinal, nem eu mais queria aquilo a essa altura do campeonato.

Com meu costumeiro café com leite, sentei mais uma vez no computador. A pressão de termos tantos amigos em comum já estava me incomodando e eu precisava virar a página. Mas antes abri o editor de textos e desandei a por prá fora todas as minhas reflexões sobre o começo, meio e fim, qualquer coisa q justificasse essa estória na qual me joguei, minhas atitudes e consequências. Não menti mais prá mim, nem falei de vc. No regrets, my darling. Só buscava entendimento. Entender prá deixar ir. Minha vida funciona assim. Meu coração funciona assim...

As dores nos membros do lado esquerdo do corpo voltaram a incomodar, e isso me deixa ainda mais irritada e deprimida. Os pensamentos e palavras começam a embaralhar e eu já perdia a linha de raciocínio. "Psicossomático", penso eu. Tem bem jeito mesmo. Cansada e incomodada, minimizo o editor de textos e encaro minha página na famosa rede social. Vc marcou uma amiga em comum numa foto q vc tinha acabado de tirar e lá estava eu, dando de cara com a foto. Q SACO! Até qndo?... Daí observei como vc estava abatido, olhos fundos, parecia ter envelhecido 20 anos. Fiquei meio minuto encarando tal foto. Não conseguia pensar em nada - já tinha gasto todo pensamento e sentimento nos textos anteriormente. Baixei a foto pro computador, nem sei bem pq. Já tinha me convencido a não me importar...

Empenhada em estudar, me gripando, dores neuropáticas: eu realmente tinha mto a me preocupar nesses dias seguintes, contanto q não entrasse na rede social. Não aguentava mais me censurar prá vc não ter q me ver. Não podia me privar de viver! Fiz o q devia ter feito desde o dia em q prometi - vc não mais ouviria falar de mim. Um peso sumiu das minhas costas, enfim livre!! Sem me preocupar se vc ia ler qualquer lamento, sem me deprimir com as coisas estúpidas q vc tem desenvolvido. Livre enfim!!! Tão leve q me dei um tempo para tirar um cochilo. Afinal a gripe estava pegando pesado - tava na hora de cuidar de mim!! Reencontrei o "Livro dos Espíritos" - tenho tido necessidade de reconectar com as idéias q sempre acreditei - e fui relaxar.

Não demorou mto prá eu cair no sono. Um monte de cenas desconexas se desenrolavam à minha frente, o q era natural diante da minha fraqueza física. Em sonho eu buscava um lugar prá passar a noite, mas como suas coisas estavam na minha mochila, vc me chamou prá te seguir até onde passaríamos a noite seguros, enquanto vc tocaria meu violão e eu escreveria. "Enfim, alguém q entende minha necessidade de escrever...", pensei comigo. Saltos temporais aconteceram, pouco mais me lembro, mas uma cena ficou: sobre uma cama simples de madeira marfim, vc deitado vendo TV, eu abraçada com a cabeça no seu peito. Sonhei outras coisas, um tanto confusas, um tanto reais - tudo com os arranjos de "Time" de Pink Floyd ao fundo. Versos do meu último poema tbm se repetiam enquanto eu me afastava, ao mesmo tempo em q ouvia seu pensamento: "pq não fiz tudo diferente desde o princípio?...". Enquanto eu atravessava a rua, já distante de vc, respondia tbm em pensamento: "tinha q ser assim...". Outras coisas aconteceram mas antes de acordar, a cena do abraço sobre a cama, mais uma vez. Não havia nada demais, somente aquele abraço, minha cabeça sobre seu peito, vc vendo TV... Mas era MUITO real.

Acordei na posição sonhada com o travesseiro, me perguntando pq aquele sonho tão bizarro vinha me assombrar logo naquele dia, em q eu estava tão livre de vc. Num letárgico piscar de olhos, revivi novamente a cena. Vc ESTAVA ali.

Abri com pressa os olhos prá acordar de vez. Já era meio-dia e meia. Pink Floyd ainda ressoava na minha mente enquanto a plenitude virava ausência e eu não conseguia segurar duas lágrimas. Raiva. Pq me fez relembrar qndo quis esquecer. Pq tudo tinha sido tão real. Ou talvez pq aquele abraço seria o último q eu te daria pro resto da vida.

De volta ao computador, buscava por outra coisa qndo encontrei a tal foto sua q baixei dias antes. Por puro tédio editei-a, pra melhorar a qualidade.

Q era aquilo q eu via em seu olhar na foto?... Lágrimas?

Suspiro.

"Tem certeza que deseja mover este arquivo para a lixeira?"


sábado, 1 de outubro de 2011

Interior do Minho, Portugal, 1856.

Era uma vez uma moça simples e alegre, q vivia para trabalhar com a família nas suas terras, e tbm trabalhava voluntariamente na igreja do povoado. Sua família era mto amiga da de Eustáquio, q se ordenara padre e fora para Braga, estudar para se tornar bispo. Ambos, Eustáquio e Dália, tbm eram mto amigos, tinham longas conversas, Eustáquio sempre lhe dava valiosos conselhos baseados na tradição católica e em sua experiência, já q era um pouco mais velho q ela. Todos sabiam q qndo padre Eustáquio estava cuidando da pqna igreja dali Dália era seu braço direito, chamando outras moças para ajudar e liderando-as nos serviços. Talvez pela identificação, Eustáquio tinha um grande prazer na compania de Dália, e mtas vzs era difícil se despedir dela.

A verdade era q Dália não assumia, mas tbm amava padre Eustáquio. Estava sempre preocupada a estar bonita na presença dele, mas não gostava de pensar nisso pq precisava respeitar a posição dele. Dália não o via como importante como o resto do vilarejo. Ela respeitava a pessoa dele, mas o sentia como igual. E era isso q ela sempre tentava corrigir dentro dela. Pq padres deveriam ser inacessíveis, e ele não era.

Depois de um longo período em Braga, era anunciado q padre Eustáquio viria para uma das festividades locais. Dália, q já gostava de festas e de se enfeitar, adorou a oportunidade. Estava feliz por saber q padre Eustáquio estaria presente, mas não estava mais ansiosa. Se divertia e dançava alegre com suas amigas, todas com seus vestidos predominantemente vermelhos, q abriam-se em balão qndo giravam na dança. E foi uma de suas amigas q avisara q padre Eustáquio estava chegando. Dália virou-se e o viu ao longe, por trás de um muro de pedra, sendo festejado e cercado de familiares e vizinhos, felizes pela sua presença. Enquanto ele descia as escadas de pedra prá chegar até o pátio onde havia a festa, visualizou Dália ao longe. Ela acenou, e ele lhe acenou de volta, feliz. Dália sentia um misto de emoções q não sabia descrever ou entender, um bem estar no coração e uma chama consumindo-lhe o ventre ao mesmo tempo. Procurou ignorar e continuar se divertindo com as amigas. Ela e o padre mal se falaram durante a festa, pois as pessoas o cercavam em atenção, ora prá ter notícias da capital, ora prá se certificarem de q o ilustre convidado comia e bebia o suficiente.

Mta dança, mta bebida, e Dália se afastou do centro da festa, perto de um beco mais escuro para descansar. Fora surpreendia pelas costas, com um braço na cintura e uma mão tapando a boca, já prevendo q ela gritaria de susto. Eustáquio tratou logo de se identificar e ela respirou aliviada. Ele a soltou, explicando q queria mto lhe mostrar algo. Dália concordou feliz. Ambos seguiram aliviados por finalmente poder conversarem a sós como nos velhos tempos.

Eustáquio a levou a uma sala q parecia um escritório ou biblioteca, com parede de pedras, estantes de livros, iluminado pela luz de várias velas. Ela pôde observar alguns fios de cabelo branco em volta de seu  rosto em meio aos fios negros - a vida de estudos e oração em Braga realmente deveria estar sendo mais pesada do q parecia. Sentiu um misto de compaixão e admiração.

Enquanto ela olhava em volta, podia-se ouvir o som dos corações quase explodindo. Eustáquio aproximou-se de Dália e a abraçou de lado, carinhosamente. Talvez embalado pelo excesso de vinho, aproximou-se de seu ouvido e sussurrou algo como "vc está tão linda esta noite..." com seu forte sotaque português. A lógica parou de funcionar. Dália sentiu-se zonza, todos os sentimentos q ela quis ignorar durante a festa voltaram com força, seu corpo amolecera nos braços de Eustáquio, q naquele momento não era mais padre, apenas mais um homem comum.

Eustáquio trouxe o rosto de Dália diante do seu, e seus lábios tocaram-se produzindo efeito semelhante a uma droga poderosa. Talvez a mistura de vinho e sentimentos reprimidos por anos faziam-nos sentir girando com força. Rapidamente livraram-se do lenço q Dália trazia amarrado ao tronco, ele pode beijar seu colo. A carregou e deitou-a sobre o divã disposto ali perto, onde, com a ajuda dela, pode levantar sua saia e anáguas, tocando suas coxas tão brancas como se não acreditasse q as estava tocando.

Ele então ergueu a batina e se pôs por cima de Dália. As sensações eram tão extremamente intensas para ambos q nada poderia impedi-los de exercer os sentimentos reprimidos até aquele momento. Então, o êxtase não tardou a chegar. Aquilo tudo era novidade para Dália, e talvez fosse para Eustáquio tbm. Sentiam-se completos, unos. Ele descansou seu corpo sobre o dela, e o rosto em seu pescoço, ambos recuperando o fôlego.

Foi qndo num rompante, Eustáquio levantou-se e pôs-se a se recompor perto da porta. Se dera conta do q fizera e estava extremamente arrependido. D'us certamente não o perdoaria do pecado q acabara de cometer contra seu celibato e contra a integridade de uma moça q adorava tanto. Certamente, ele mesmo nunca se perdoaria. Enquanto prestava atenção se alguém passava do lado de fora daquela sala, mandava Dália se vestir rapidamente e ir prá casa, explicando rapidamente todo o prejuízo q causara. Ela não poderia se iludir: ele nunca ficaria com ela, pq sua vida era dedicada à igreja e a Cristo. Enquanto ele discursava, Dália caía em prantos pela decepção, por vergonha, e por não saber como explicar no futuro sua falta de virgindade à família.

Amavam-se, era fato. Mas haviam mtas coisas envolvidas. A fé de ambos, os costumes da época, as expectativas da família e vizinhos de Eustáquio. Ele tinha uma carreira promissora e não tardou a se tornar bispo, poucos anos depois do incidente. Os anos se seguiram, Dália continuou entregue à sua fé, trabalhando com sua família e ajudando na igreja do vilarejo. Às vzs, por terem famílias vizinhas e mto amigas, Dália e Eustáquio se encontravam durante reuniões e festividades. Sempre eram de Dália as honras de levar padre Eustáquio prá conhecer as novidades das cercanias. Porém, nunca mais foram capazes de olhar um nos olhos do outro. E qndo Dália se via involuntariamente sozinha com padre Eustáquio, sofria de calafrios da cabeça aos pés. Talvez vergonha, talvez culpa, talvez expectativa se talvez ele a tomaria novamente.

Eustáquio, por sua vez, desde o ocorrido passou a praticar autoflagelo sempre q se lembrava do erro, ou sempre q desejava Dália novamente. Certa vez, já como bispo, ao ver do alto do altar Dália com sua roupa de missa fôra tomado de um desejo por ela tão arrebatador q desandou a beliscar-se para esquecer e retomar o seu centro. Dália parecia estar casada e tinha um filho - só não se sabe se o filho era realmente de seu marido ou fruto do envolvimento com o padre.

Coisas q talvez nunca saberemos.

A não ser q Eustáquio tbm acorde e possa contar sua versão da estória...


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter."

Eu estava numa sala branca, alguns sofás dispostos harmonicamente com a estante de madeira de cor tabaco, cheia de livros dispostos. Era uma espécie de coquetel, mtas pessoas espalhadas pela mesma sala, geralmente com um copo na mão. Mas eu estava mesmo era fascinada pela estante. Queria chegar perto dela, varias pessoas me interrompiam, até q eu a alcancei. Mas alguém aparecia do meu lado e dizia q eu não podia tocar em nada.

Acordei. Não lembro bem se 1998 ou 1999. Eu estava mto envolvida com a vida - fazia teatro, estudava manutenção de computadores (na época, curso valiosíssimo) e programação na Unicarioca - mas principalmente envolvida com a tarefa de perseguir aquele q eu pensava ser minha alma gêmea. Me introduzindo à rede mundial, as coisas estavam mais fáceis, e lembro de, num desses dias em q matei aula no laboratório de informática, ao buscar sobre o ser amado, li a palavra q nunca mais sairia da minha cabeça.

Kabbalah.

Pouquíssimo dava prá saber sobre isso; pq os dados na internet eram ainda limitados, pq meu inglês ainda era meia-boca. Só sabia q tinha a ver com Judaísmo, cultura q eu já admirava desde criança. Não sei se por isso, se pelo sentimento àquele q regia meus sonhos na época, eu enfiei na cabeça q queria aprender mais. Mas não conseguia. Larguei a faculdade, e sem internet em casa, era praticamente impossível saber mais sobre esse enigmático tema. A vida seguiu. Mas daí Madonna apareceu com a mesma filosofia, outros astros tbm citaram...

Eu já estava casada e com minha primeira filha bb ainda, qndo consegui comprar um livreto q se autointitulava "Introdução à Kabbalah", mas era mto cheio de símbolos e teorias, na verdade não aprendi nada. Na época eu tinha entre 21 e 23 anos, estava com sérios questionamentos sobre fé, religião, etc. Usava uma estrela de Davi num cordão e reneguei o cristianismo. Simples assim. Até eu realmente precisar voltar atrás... Mas nunca mais ouvi falar de Kabbalah.

Anos depois, já em 2011, cansada do peso das responsabilidades e das dores físicas, me joguei no chão e me pus a implorar a D'us q ressuscitasse minha vida. Era Páscoa. Vcs devem lembrar. Em algumas horas minha vida já tinha virado prá outro angulo e eu achei q tudo ia enfim, andar prá frente.

O Amor me pegou sem q eu procurasse ou esperasse. Coincidências q só fortaleceram meu sentimento. Pensamentos e ideais de vida semelhantes. As crenças viraram tópico. A sensibilidade, os estudos esotéricos, o interesse pela cultura judaica compartilhados. A Kabbalah se fez presente nas conversas, e cada dia mais. Descobri váááários sites falando sobre essa filosofia em português e li com uma compreensão mto maior os q são em inglês. Descobri o Kabbalah Centre, de onde ganhei "O Poder da Kabbalah" q devorei em poucos dias, mesmo lendo outro livro em paralelo. Nesse livro, a Kabbalah é exposta de forma prática, simples - até pq a simplicidade é uma das lições inclusas. Era como se eu já soubesse de tudo q estava escrito ali, bem lá no coração, mas não sabia ainda pôr prá fora. Estou mudando. E nessa felicidade, fui presenciar um evento no Kabbalah Centre: a leitura do Torah da manhã do Shabat.

Plenitude, alegria, e sempre sensação de déjà vu. Sim, eu já estivera ali antes. As pessoas me receberam mto bem, mas eu já me sentia em casa antes de chegar. Qndo tudo acabou, desci e fui enfrentar a fila do banheiro na recepção de paredes brancas e sua estante cor de tabaco, cheia de livros. Curiosa, me aproximei da estante sem q ninguém me impedisse. Observei os livros, sempre com a sensação de q não podia tocá-los. Até q uma senhora tbm se aproximou e pegou um dos livros prá folhear. Sim, eu podia tocar! Dessa vez, eu podia!

Ainda fui caminhar na praia e as ondas nunca pareceram mais divertidas, o céu mais azul, o mar mais lindo, a água mais gostosa. Ainda sentei um pouco e meditei. Enfim, eu estava conectada com o Universo. Eu me sentia conectada com a Luz! EU ESTOU NO MEU CAMINHO. O sonho foi bem claro e a vida tbm: não era prá eu conhecer a Kabbalah antes. Com tudo q vivi até hj, consegui abertura suficiente para poder pôr em prática essa filosofia... E eu já sinto q as bençãos estão chegando... Eu sei q estão a caminho!

Voltei a caminhar pela orla de Ipanema nesse sentimento de plenitude até chegar onde Olhos Mediterrâneos trabalha. Ou trabalhava, não sei mais. Desse ponto se desenrola outra estória, q talvez eu conte um outro dia...

Resumindo: foi um dia para D'us me Mostrar na prática q nada nessa vida é por acaso...

Obgda, Pai!

Ia'Orana!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Contra o tempo"

E ali estávamos nós: um sobrado no bairro boêmio, exatamente como eu tinha sonhado. Eu, vc (e eu tinha sonhado com vc do jeitinho q vc é), um grupo de amigos, cerveja. Mas não tinha rock, não teve a confusão q resultaria no Grand Finalle. Não. Estávamos meio desambientados, o som estava alto demais. E eu já tinha bebido o suficiente para querer tomar cuidado com minhas atitudes. Me despedi fingindo-me descolada, mas torcendo prá vc vir comigo, me levar no ponto. Vc até se ofereceu, mas eu prometi a mim mesma nunca mais demonstrar meus sentimentos por vc. Fui embora sozinha. E ainda tentei bancar a engraçadinha via sms - vai q cola (q vergonha!) - mas continuamos conversando de outros assuntos. Como sempre. Vai entender!

Já pensei (e tentei, vc sabe) jogar tudo pro alto, já pensei em dar murro em ponta de faca, mas já entendi q aqui, com vc, vai ter q ser o caminho do meio. Não posso ser a kamikase habitual pq aí perderei mais q qualquer casinho one-night-stand. Vou perder a pessoa q mais torce, toma atitudes e cuida de mim, minha compania musical, intelectual, de planos de estudo e viagens, q aquece minhas noites frias me fazendo rir e me fazendo sentir a pessoa mais especial q posso ser prá mim mesma. Como posso ser tão burra???

Juro q to tentando trabalhar no meu coração esse amor-Ágape, mas não sei o q tem em mim q queima por dentro e me inclina a fazer besteiras e magoar pessoas. Como é difícil!! Como pode essa chama aprender a conviver no Ártico? Assim como Yin não pode viver sem o Yang, o Tom sem o Jerry, o queijo sem a goiabada - e mais zilhões de antagonistas históricos mto mais importantes, q não me recordo agora??? Minha cabeça sabe q descompasso e desperdício não estão necessariamente ligados, mas vai ensinar pro coração! Nem sei se é culpa do Renato Russo, mas tbm nem vem ao caso... Uma das mulheres mais inteligentes q vc conhece, com o coração mais estúpido do universo... Como pode???

Eu tbm sei pouco do meu coração, esse deserto cheios de loucas tempestades. Não consigo entender o pq d'eu sentir assim. Pq não sei o nome disso. Não é completude, nem igualdade, coisas q sempre relacionei ao amor. É olhar prá mesma direção e enxergar a mesma paisagem. É quase poder ouvir o bater de suas asas... Pq vc apareceu e sempre aparece nas horas mais incertas, com a palavras mais certas. Enfim, o q é isso?

Só sei q diante de tudo isso, diante dos caminhos sonhados e fotografados, do afeto sincero, dos afagos na alma, do conforto no peito doído, e de tudo mais q não sei explicar, posso dizer:

EU AMO VC!
(mesmo q seja o amor-Ágape, mas sei q amo)

I'Orana!

(para conhecer o significado de Ágape e os outros tipos de amor, clique clique aqui)

sábado, 14 de maio de 2011

Mais uma de Chronos

Festa de rock num sobrado qualquer. Havia tempos q eu tava querendo sair, me distrair. Eu estava entregue. À música, ao sabor da cerveja. Fechava os olhos e cantava "Daniel na cova dos leões" com paixão, a ponto de não notar a confusão q se formava atrás de mim. Vc, atento, me puxou pela mão até o lado de uma das caixas de som. Ainda embriagada pela música, me desequilíbrei na multidão e vc me segurou. Ficamos assim por poucos segundos, sobressaltados, a poucos centímetros de distância, sua mão na minha cintura. Sem pensar e sem pressa, dei prosseguimento ao movimento q parecia natural. Nossos lábios se tocaram num bjo intenso, a ponto de nos levar a girar descontroladamente no pouco espaço q compartilhávamos. Depois do beijo vc me abraçou tão forte, com a intensidade de quem tem medo. Suas mãos nas minhas costas demonstravam o afeto q vc sempre fez questão de esconder, por medo da própria vulnerabilidade. E ali estávamos nós, protegendo um ao outro de ser vulneráveis. Senti seu coração bater nervoso e quis entender o pq, mas não deu tempo - era hora de acordar...

Nos encontramos na vida real??

segunda-feira, 28 de abril de 2008

A chama que me chama

Está ela em todos os lugares, como se nunca tivesse estado presente na minha vida. Me persegue como quem quer dizer alguma coisa, mas não sabe bem como dizer. O que quer de mim, Música, se conheces minha alma como ninguém mais (nem mesmo eu)? Sabes que dou minha vida a ti, é só pedires - q missão tens para mim?...

Há algo tão entranhado em meu coração que não consigo trazer pra fora. Mas dessa vez não são mais minhas frustrações abafadas, mágoas, rancores retidos. São apenas... Música! Como mensagens que a gente recebe e tem que repassar ao seu destino com certa eficiência. Pensei em voltar a compor, mas não sei, tem muito tempo que não o faço; talvez nem eu lembre como fazê-lo, rsrsss... Gosto mesmo é de cantar o que vem na alma de alguém, ainda que esta alma não seja a minha. Essa paixão vem acima da minha capacidade de (re)compor minha vida - musicalmente falando.

Tenho visitado muita gente bacana, inclusive compartilhado uns pianos legais - pelo menos enquanto durmo. Teve o sonho com a Elis no dia do aniversário dela (esse dia foi inesquecível) e anteontem sonhei com varias mães (encarnadas e desencarnadas), lideradas por Cássia Eller e Elza Soares, cantando uma canção tão linda, mas tão linda, q eu não conseguia acompanhá-las de tanto chorar. Chorava aos cântaros, e as lágrimas pareciam não ter fim e nem destino, eu simplesmente sentia minha garganta assim, embargando, e a música assim seguia. Era uma canção de melodia impressionantemente linda que falava sobre a missão de ser mãe e fazia analogia entre a vida da mãe moderna com a vida de Maria à época de Jesus, tudo o q sofreu, etc. Acordei tão impressionada com a canção que corri pro computador buscar a letra dela com alguns trechos que eu me lembrava, ainda zonza de sono, como "ser mãe é se calçar de luz", entre outros versos que não me vêm agora. Aí sim, me dei conta de que Cássia Eller (nem ninguém) nunca compora neste mundo uma canção como aquela. Seria missão minha então trazê-la para o conhecimento dos terráqueos em si? Acho que não, porque não consigo mais lembrar da música, infelizmente (apesar de meus olhos se encherem d'água só de pensar nela). Mas pensei muito em tentar reescrevê-la. Qual seria a autoria? "Dannie Machado/Mundo Espiritual", o que acham?? hahahaha... Só sei que tenho tido cada vez mais encontros mais intensos, musicalmente falando, enquanto durmo. Com que objetivo? Ainda não sei...

Queria saber do que a música precisa de mim... Já que dela eu preciso prá ainda ser um ser-humano vivo...

Ia'Orana!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Uma noite com Elis

Subi ao palco revendo na mente a canção q ia cantar. Era um concurso de talentos ou coisa assim, e eu pretendia cantar uma música fácil, acho q da Wanessa Camargo. Ate q uma jovem q ia cantar antes de mim estava sendo entrevistada (ou conversando no backstage) e falou q havia relação de aparência física com seus dons musicais, ou seja: seu talento seriam conforme seus traços parecerem com deste ou daquele cantor. Logo recordei da época em q fiz teatro amador, qndo me chamavam carinhosamente de "Elis" por parecer com ela. Pensei e disse: "ah, se é assim, então vou cantar outra música..."

Peguei o microfone com firmeza e auto-confiança. Logo abaixo, no backstage, estava ela, a própria Elis Regina, me incentivando e cantando comigo, daquele jeito característico dela. Cantamos uma canção juntas (q não me recordo) e levantamos um grupo q parecia um bloco de carnaval ou coisa parecida. Ao final, já sem Elis por perto, praguejei por não ter sido "no mínimo" perfeita. Mas fôra tudo um sucesso.

Acordei. Achei engraçado e bonito o sonho de estar cantando com Elis Regina. Não me lembro dela, pois qndo ela morreu eu devia ter uns 2 anos de idade, mas sempre achei sua imagem fascinante e magnética, digna de um mito como ela. Por isso o orgulho do final da adolescência, qndo o pessoal do grupo de teatro me chamava de "Elis": imagina se um dia eu cantasse como ela!!

Tomei coragem e levantei, prá atender à fome da caçula. Logo me olhei no espelho e tratei de buscar uma tesoura prá "bagunçar" minha franja - tava mto certinha, ou seja, horrível para os meus padrões. Liguei o rádio do banheiro prá ouvir as notícias enquanto picotes de cabelo roxo caíam sobre a pia branca.

Não pude resistir ao ouvir a informação, e logo lágrimas abundantes se misturaram aos cabelos picotados dentro da pia: hj, 17 de março, o aniversário de Elis Regina.

Elis, foi mto bom estar com vc! Esteja com Deus e em Paz sempre!!

Ia'Orana!