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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Let it be

- Você me dá equilíbrio! Você me equilibra...

Seus olhos, perdidos ao longe, buscando onde pousar. Finalmente encontraram a mesa à sua frente, sua cabeça baixou e pude notar tremor nos seus lábios.

Se você chorasse, era capaz d'eu chorar também. Ainda bem que você foi forte.

Como toda aquela discussão chegou àquele assunto, nem lembro. Assim como acontece com nossas intermináveis conversas que a vida interrompe e sempre parecem ficar prá serem terminadas depois. Ou como acontecia.

Um peso me foi tirado das costas. Muitas das coisas que acumulei ao longo desses últimos 12 meses e que planejava dizer, mas não dizia. Porque a vida interrompia. Ou porque eu notava não estar forte ainda prá dizer. Mas nessa memorável quinta-feira de outono, onde vivi tantas emoções pela vizinhança, eu fui forte. Mesmo quando te vi desmoronar.

A "mulher de verdade" foi verdadeira, como sempre foi. Em tudo. Só menti quando afirmei que era aquilo que ia me fazer feliz. Mas foi necessário. Era o certo. Prá mim, prá você, e prá quem mais acompanha essa estória. Talvez você não conhecesse a real dimensão das coisas, mas não seria eu que revelaria a versão ocultada por terceiros... A maturidade ajuda na investigação do que é de nossa responsabilidade e o que não é. Eu só quero, nesse momento, saber de mim, portanto, isso era o que menos importava agora.

Tento imaginar como será daqui prá frente, e tudo o que me vem à mente é a sua cena baixando a cabeça. A melancolia daquele instante. O jeito que você precisava de mim. Seu jeito perdido à noite, quase sonâmbulo. Agora, em meu canto, desmorono em lembrar - mas que seja somente assim, no meu canto. Não sei como vou fazer se você chegar precisando de mim. Mas não posso mais carregar esse fardo comigo. Não é mais meu.

- É isso que vai te fazer feliz? Então assim será.

Então que seja simples. É só o que desejo...

Shalom!

"Te amo, Rihanna."

terça-feira, 19 de março de 2013

O Velho Karma e o Charmoso Gentleman

"Eu te amo", ele sussurrou com a boca em seus cabelos.
Era ele, seu Velho Karma. Tinha chegado afobado, saiu do carro ainda elétrico mas com sorriso de vitória de quem conseguiu encontrar um lugar que nunca tinha ido antes.
Conversaram rapidamente trocando palavras atropeladas, então ele a abraçou. Ela acomodou o rosto em seu pescoço; ele beijou seus cabelos, falou um monte de coisas, mas ela só lembrava do "eu te amo" -  por afetuosidade ou raiva.
Na mesma pressa, ele entrou no carro e saiu buzinando impacientemente. Ela achou engraçado o jeito dele dirigir, mas não podia se concentrar naquilo agora. Tinha um evento para cobrir.

Estava tão cansada e atarefada que ao chegar ao seu próprio evento mal pôde dar atenção aos convidados. Era tanta coisa prá resolver... Mas havia aquela figura que havia tempos chamava sua atenção. Tantos tempos que ela já nem acreditava que poderia acontecer algo...

Foi botando as coisas em ordem, aos poucos relaxando. Conversando com um ou outro, dançando, bebendo até. Não conseguiu encher a cara como queria, mas bebeu o suficiente para relaxar. Ou para provocar várias idas ao banheiro.

Numa delas, sentiu-se seguida. Ela subia as escadas de volta para o salão e o Charmoso Gentleman estava lá, de pé, parado no topo. Pediu-lhe a mão com seu charme peculiar. Mesmo que ela não sentisse nada, era improvável recusar. Continuou subindo os degraus e o abraçou. Trocaram palavras simpáticas e cada um seguiu seu trajeto em direções divergentes.

Mas tinha a despedida. Ahhh, as despedidas... São sempre situações limítrofes que testam nossa capacidade de decidir se "vai ou racha". Abraçaram-se afetuosamente, ela ainda com um dos docinhos da festa na boca. Indiretas, duplos sentidos, até o momento em que se encararam. Dali foi irresistível, e todos os outros em volta pareciam ter sumido. Um beijo que começou timidamente com um selinho. Mas ela queria mais. E buscou. Envolveram-se então em um beijo intenso, as línguas compartilhavam o sabor e a textura do doce que ela nem tinha conseguido engolir. Mas ele tinha que ir. Ela tinha que ficar. Ficar e processar o que tinha acabado de ocorrer. O que parecia improvável por anos, aconteceu. E tão inesperadamente... Ela agora tinha muitos motivos para não ficar pensando no "eu te amo" do Velho Karma. Ele apenas disse - quem disse que faria algo sobre isso? Talvez fosse a hora de virar a página e escrever uma nova estória, com um novo protagonista...

Depois da noite que ela passou no apartamento do Charmoso Gentleman que conquistou seu beijo na festa, ela caminhava pela noite chuvosa refletindo.
Por que não? Não é?

Shalom!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

"Miragem" - Dani Black

Tarde mágica, cheia de pequenos milagres. Coisas tão bobas que eu mesma não tinha dado atenção. Até que tivemos de nos despedir.

Estiquei o braço por cima do seu ombro, me aproximei mirando o centro da sua face. Distraída, nem vi que no meio do caminho você desviou agilmente, marcando com o fogo de um beijo molhado o canto direito na minha boca.

Vertigem.




"Amar sem ver se vai doer
Nada que eu diga nessa canção
Mostra ou explica meu coração

Sem mais saber como dizer
Frases perdidas me levam ao chão
Você me leva sem direção

Vou pro seu mundo e vivo essa viagem
Por um segundo eu fico, é só de passagem...
Miragem

Faz conhecer o prazer, o melhor sabor de amar
É descobrir, poder ver o que existe além-mar
E nessa viagem sinto o meu mundo mais colorido
E agora eu já nem sei mais onde vai parar

Eu digo, se um dia eu não souber amar
Não puder cantar pelo seu melhor
Nesse dia eu não serei mais eu
Só serei um ser triste ao meu redor"

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A garota de coração partido

Mal se despediram, ela então virou as costas e partiu - deixou o vento carregar suas lágrimas como num mangá, prometendo a si mesma que nunca mais; que se ele mudava seu comportamento assim então não merecia sua amizade, tão pouco seu amor. De repente, quando já distante, seu telefone toca e do outro lado uma voz abafada diz carinhosa e cuidadosamente:

- Dorme bem, tá bom?...

Então todas as resoluções e todos os "nunca-mais" caíram por terra.



"Você é tudo que eu pensei que nunca seria
E nada do que eu pensei que poderia ser
Mas você ainda vive dentro de mim
Diga-me como

Você é o único que eu queria esquecer
O único que eu adoraria não ter que perdoar
E apesar de você partir meu coração
Você é o único

E apesar de haver momentos em que eu te odeie
Porque eu não posso apagar as vezes que você me magoou
E pôs lágrimas no meu rosto 
E mesmo agora quando te odeio, me dói dizer
Que eu sei que estarei aí ao fim do dia

Eu não quero ficar sem você, querido
Eu não quero um coração partido
Não quero dar um suspiro sem você, querido
Eu não quero representar esse papel
Eu sei que eu te amo, mas me deixe dizer
Que eu não quero amá-lo de jeito nenhum
Não, não
Eu não quero um coração partido
Eu não quero ser a garota de coração partido
Não, não, a garota de coração partido

Às vezes eu sinto que preciso dizer
Que até agora tenho sentido medo
Que você nunca viesse
E ainda quero pôr isso prá fora

Você diz que tem o maior respeito por mim
Mas às vezes eu sinto que você não me merece
E você ainda está no meu coração
Mas você é o único

E sim, há momentos em que te odeio mas eu não reclamo
Porque tenho medo de que você se vá
Oh, mas agora eu não o odeio, estou feliz por dizer
Que eu estarei aí ao final do dia

Eu não quero ficar sem você, querido
Eu não quero um coração partido
Não quero dar um suspiro sem você, querido
Eu não quero representar esse papel
Eu sei que eu te amo, mas me deixe dizer
Que eu não quero amá-lo de jeito nenhum
Não, não
Eu não quero um coração partido
Eu não quero ser a garota de coração partido
Não, não, a garota de coração partido

Agora estou no lugar que pensei que nunca estaria
Vivendo num mundo em que é só você e eu
Não terei medo, meu coração partido está livre
Para abrir minhas asas e voar por aí, por aí com você"

sábado, 23 de junho de 2012

As mãos

Olhos que se olham...
Mãos nos cabelos...
A vontade de contar o que é explícito,
de gritar aos 4 ventos a verdade que todos conhecem,
de reafirmar o óbvio...

E quando penso que já tive de tudo, tua mão segura a minha. Eu vou soltando, soltando, devagar como quem não quer. Você segura-me até a ponta do último dedo.

Não, não posso olhar. Se não desisto de ir... 
Mãos nos bolsos, olhos pro chão - assim me vou. E é o que faço de melhor.


Shalom!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

"Ainda somos os mesmos..."

"Não quero lhe falar, meu grande amor, 
Das coisas que aprendi nos discos... 
Quero lhe contar como eu vivi 
E tudo o que aconteceu comigo 
Viver é melhor que sonhar 
Eu sei que o amor é uma coisa boa..."

Tanta gente... Tanta energia... Tanta vontade de mudar... Que uma hora explode. E em meio a sprays de pimenta e tensão, nossos olhares se encontram. Já havia dias que não nos víamos e estávamos completamente descaracterizados, mas o reconhecimento foi imediato - será que você também me procurava? Meu coração dá pulos, meu estômago parece num elevador. Um abraço rápido só pra matar a saudade, porque o momento não é oportuno. Nos separamos novamente. Você volta prá saber se eu comi, pede prá segui-lo. Some de novo. E assim, vez ou outra, nos aproximamos e afastamos, rimos, cantamos, nos olhamos de longe. Palavras de ordem, atenção ao palanque. Mas chega a hora de se despedir e eu nunca sei direito como fazê-lo...

Tarde da noite, nos encontramos, frescos e renovados depois de uma chuveirada. Você me sorri, eu te sorrio, nos abraçamos. Você brinca de cheirar meu pescoço, eu não aguento de cócegas. Você se preocupa: "é por causa da barba?". Você sabe que não, você sabe o que me arrepia de verdade... E talvez por isso mesmo, faz de novo. Me chama prá detrás da lanchonete, dividimos confissões. Há algo seu comigo - será que eu perdi? Voltamos prá frente da lanchonete, conversamos com amigos. Você se afasta. Fica ali, parado, quase em frente a mim. Tento me distrair com o que os outros falam, mas só consigo contemplar seu vulto pela visão periférica. Talvez você tenha ficado ali, me olhando de longe, por uns 5 minutos. E eu pensando se eu me aproximava prá me despedir, ou se eu teria outra chance.

Nossos olhares se encontraram novamente. Eu não sabia o que fazer e baixei os olhos. Quando voltei o olhar, vi você virando devagar, andando pro seu ônibus, como quem espera que eu corra para abraçá-lo. Assim como eu espero, quando entro no ônibus, que você venha atrás prá falar comigo. E como você, eu não fiz nada. Fiquei lá, parada, te olhando se afastar, sem saber o que fazer, tentando falar por telepatia "volta!...". Esse foi nosso último momento: um contato visual cheio de medo, uma despedida sem palavras. Não tivemos outra chance.

Sabe lá quando teremos novamente?
(A propósito, seu negócio ficou comigo...)

"O que tem de ser tem muita força." (Guimarães Rosa)


sábado, 5 de maio de 2012

Eu que não sei nada da vida

E eu que já estava tão mulher - tão sábia e convicta das minhas experiências - sabia identificar as chances de um possível relacionamento, avaliando até onde valeria a pena investir. O amor prá mim, havia virado isso: uma bolsa de valores onde o interesse é fugir das perdas o máximo possível; análise fria de conjunturas porque, afinal, eu já era grandinha. E chorar por alguém era algo que tinha ficado lá prá adolescência - ou eu simplesmente tinha cansado disso. Agora o coração só mergulhava se a cabeça concordasse. E fim de papo.

Daí, conheço você, um frio percorre a espinha, não sei nem seu nome mas sinto uma força magnética. HELLOOO!!! Acalma teu coração, menina crescida... Vc sabe que se apaixonar não é assim! Não queremos quebrar a cara novamente, não é? É, pois é. Afinal, era apenas o primeiro dia, ainda nos esbarraríamos por aí e daí eu veria que, de repente, você não era nada daquilo que eu poderia estar esperando.

E nos esbarramos assim, uma vez ou outra. Eu me sentindo a mais tola das mulheres, sem saber o que dizer, e negando a mim mesma a sensação de que você queria chamar minha atenção. Expectativas malditas! Não as quero mais no meu mundo! Me esforcei e não foi difícil acabar com qualquer encantamento que pudesse estar nascendo. Até porque, não era sempre que nos víamos. Só que parece que, em dado momento, o Destino resolveu mexer com tudo... Bastou um simples abraço de despedida no ponto de ônibus e toda minha precaução ruiu. No dia seguinte, mais um cumprimento caloroso, uma noite cheia de carinhos, abraços, arrepios. Nada mais. E foram tantos encontros e reencontros que eu acreditei que dessa vez seria diferente. Mas nem tudo pode ser como a gente deseja, né?

Se eu ainda fosse o tipo de pessoa que simplesmente se envolve por uma noite e depois parte prá outra, quem sabe tudo me seria mais fácil? Mas, você sabe, eu não sou. Eu tentei, e você deve ter visto que tentei manter o ar blasé, mas hoje entrego o jogo. Decidi me poupar dos seus abraços carinhosos e qualquer outro tipo de expressão de afeto. Somos colegas, mas não dá prá sermos amigos enquanto tenho tempo contado prá te tirar de vez da cabeça - mesmo que você insista que não é isso que você quer e que vai continuar me abraçando como se nada tivesse acontecido.

A verdade é que perdi minhas rédeas, não consigo mais fazer minhas análises frias como boa menina crescida... O coração fica aos pulos e os suspiros vão pelo ar... A vida de ambos vai acabar virando um inferno... Será que você entende? Porque eu, na verdade, tento e tento analisar e não consigo. Só há uma certeza: você precisa sair da minha vida - e eu nem sei direito como fazê-lo. A mulher tão madura que você conheceu regrediu - tomou a poção da Alice e ficou tão pequenininha... Se perdeu dentro de si. Não tente me encontrar: preciso seguir esse caminho sozinha. E creio que você também tenha os seus próprios caminhos prá seguir...

Obrigada pelos dias tão felizes. Guardarei no meu coração - mas agora não. Entenda.
Ia'Orana!
Shalom!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Mas te quero livre também..."

Naquele dia tinha violão na hora do intervalo. Até que enfim alguém sabia tocar alguma coisa da Marisa Monte... A pedidos, cantei "A Sua". Cantei sentido - parecia que eu já sabia a conversa que teríamos no dia seguinte...

Não resisti quando você sentou bem atrás de mim ao fim do debate e começou a sussurrar randomicidades. Discretamente, levei a mão ao seu joelho carinhosamente, nem ligando muito prás poucas pessoas que conseguiriam ver daquele ângulo. Eu sentia necessidade de te tocar, e sempre q eu podia fazê-lo, eu fazia. E você também parecia gostar, parava perto, às vezes bem à minha frente.

Ao fim, fomos de braços dados até o ônibus da faculdade. Chegando perto você parou pra me dar mais um abraço daqueles que eu adoro e disse que precisávamos conversar seriamente. Gelei. Será que eu tinha exagerado? Devia eu ter mais compostura? Agora havia também um jogo político, explicitei minha preocupação e você disse que não era isso, que ninguém tinha a ver com a nossa vida.

Pois bem: se não era isso, o que havia de tão grave na sua voz?

O discurso se iniciou com lisonjas e senti desconforto em você: você dizia que eu era uma "mulher de verdade" em meio à tantas meninas que você via por aí, o que o tentava muito. Era para eu ficar feliz ao ouvir coisas assim, mas a tensão era grande. Caminhamos até o jardim e ao chegarmos lá, sem que você olhasse nos meus olhos, a verdade saltou da sua boca: havia uma outra pessoa, bem longe. Mas que poderia voltar a qualquer momento. E estaríamos magoando-a. Quase perdi o chão primeiramente porque eu realmente não fazia ideia - e me esquivo de toda forma de caras comprometidos. Segundo foi por pena. Pena que aquela coisa tão gostosa que estávamos vivendo fosse em vão. Aparentemente nos identificávamos ideal e fisicamente, havia muita química mas também muito afeto. Havia total possibilidade de que nos apaixonássemos; você também sabia e tinha medo como eu. Concordamos então que aquilo não deveria continuar. "Amigos, certo?". Certo. Que jeito, né?

Terminado o assunto, você decidiu me levar de volta ao ônibus, mas eu não conseguiria seguir sem ao menos pedir um último beijo. Eu precisava sentir tua boca e teu corpo pela última vez, precisava daquilo prá sonhar... E você sorriu largamente, num misto de satisfação e medo. "Último mesmo? Tem certeza? Depois você não vai ficar querendo outro, e mais outro, e mais outro...?"

- Vou querer sim, mas vou resistir...

Você me pegou pela cintura, nossos rostos dançavam frente a frente sem se tocar. Eu delirava sentindo a sua respiração antes que nossas bocas finalmente se tocassem, e então foi como se um raio tivesse caído sobre nós. Esquecemos o resto do mundo, ficamos loucos, quase perdi os sentidos ao mesmo tempo em que eu sentia de tudo! Foi o beijo mais intenso de toda a minha vida. E o abraço que se seguiu - ah, o abraço...

"Eu só quero que você caiba
No meu colo porque eu te adoro cada vez mais..."

Porque despedidas são assim, tristes e intensas? Enfim, já era hora do ônibus sair, precisávamos voltar. Você ainda me chamou pra ir com você num bar, mas fui clara quando eu disse não. Eu precisava me afastar um pouco, você precisava entender até mesmo em nome dos nossos projetos em comum. Era assim ou a amizade também iria pelo ralo. Acho que você compreendeu...

"Eu só quero que você siga 
Para onde quiser 
Que eu não vou ficar muito atrás..."

No ônibus, meu estômago revirava e eu achava que dava prá ler na minha testa. Essa mesma testa que você beijou enquanto se misturava aos outros. Eu não queria muito olhar prá ninguém. Nossos amigos em comum, ao nos verem entrar no ônibus juntos, sorriam demonstrando cumplicidade. Mal sabiam o que realmente tinha acontecido.

O bolo na garganta me seguiu até em casa, onde lembrei da música cantada nos corredores da faculdade no dia anterior:

"Eu só quero que você saiba que estou pensando em você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem..."

As lágrimas, finalmente, correram pelo rosto.

"E que eu te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem..."


Uma pena. Uma pena mesmo...

Shalom!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sonhos Traiçoeiros

Eu entrava na tal rede social e me surpreendia com um belo desenho q não sei identificar ao certo, de azuis e lilases. Tinha pouco tempo em q havíamos voltado a nos encontrar e vc compartilhava na minha página aquela figura q trazia uma mensagem sobre a força do olhar e do seu afeto. Nem deu tempo de responder nada. Acordei do sonho achando-o bobo. Afinal, nem eu mais queria aquilo a essa altura do campeonato.

Com meu costumeiro café com leite, sentei mais uma vez no computador. A pressão de termos tantos amigos em comum já estava me incomodando e eu precisava virar a página. Mas antes abri o editor de textos e desandei a por prá fora todas as minhas reflexões sobre o começo, meio e fim, qualquer coisa q justificasse essa estória na qual me joguei, minhas atitudes e consequências. Não menti mais prá mim, nem falei de vc. No regrets, my darling. Só buscava entendimento. Entender prá deixar ir. Minha vida funciona assim. Meu coração funciona assim...

As dores nos membros do lado esquerdo do corpo voltaram a incomodar, e isso me deixa ainda mais irritada e deprimida. Os pensamentos e palavras começam a embaralhar e eu já perdia a linha de raciocínio. "Psicossomático", penso eu. Tem bem jeito mesmo. Cansada e incomodada, minimizo o editor de textos e encaro minha página na famosa rede social. Vc marcou uma amiga em comum numa foto q vc tinha acabado de tirar e lá estava eu, dando de cara com a foto. Q SACO! Até qndo?... Daí observei como vc estava abatido, olhos fundos, parecia ter envelhecido 20 anos. Fiquei meio minuto encarando tal foto. Não conseguia pensar em nada - já tinha gasto todo pensamento e sentimento nos textos anteriormente. Baixei a foto pro computador, nem sei bem pq. Já tinha me convencido a não me importar...

Empenhada em estudar, me gripando, dores neuropáticas: eu realmente tinha mto a me preocupar nesses dias seguintes, contanto q não entrasse na rede social. Não aguentava mais me censurar prá vc não ter q me ver. Não podia me privar de viver! Fiz o q devia ter feito desde o dia em q prometi - vc não mais ouviria falar de mim. Um peso sumiu das minhas costas, enfim livre!! Sem me preocupar se vc ia ler qualquer lamento, sem me deprimir com as coisas estúpidas q vc tem desenvolvido. Livre enfim!!! Tão leve q me dei um tempo para tirar um cochilo. Afinal a gripe estava pegando pesado - tava na hora de cuidar de mim!! Reencontrei o "Livro dos Espíritos" - tenho tido necessidade de reconectar com as idéias q sempre acreditei - e fui relaxar.

Não demorou mto prá eu cair no sono. Um monte de cenas desconexas se desenrolavam à minha frente, o q era natural diante da minha fraqueza física. Em sonho eu buscava um lugar prá passar a noite, mas como suas coisas estavam na minha mochila, vc me chamou prá te seguir até onde passaríamos a noite seguros, enquanto vc tocaria meu violão e eu escreveria. "Enfim, alguém q entende minha necessidade de escrever...", pensei comigo. Saltos temporais aconteceram, pouco mais me lembro, mas uma cena ficou: sobre uma cama simples de madeira marfim, vc deitado vendo TV, eu abraçada com a cabeça no seu peito. Sonhei outras coisas, um tanto confusas, um tanto reais - tudo com os arranjos de "Time" de Pink Floyd ao fundo. Versos do meu último poema tbm se repetiam enquanto eu me afastava, ao mesmo tempo em q ouvia seu pensamento: "pq não fiz tudo diferente desde o princípio?...". Enquanto eu atravessava a rua, já distante de vc, respondia tbm em pensamento: "tinha q ser assim...". Outras coisas aconteceram mas antes de acordar, a cena do abraço sobre a cama, mais uma vez. Não havia nada demais, somente aquele abraço, minha cabeça sobre seu peito, vc vendo TV... Mas era MUITO real.

Acordei na posição sonhada com o travesseiro, me perguntando pq aquele sonho tão bizarro vinha me assombrar logo naquele dia, em q eu estava tão livre de vc. Num letárgico piscar de olhos, revivi novamente a cena. Vc ESTAVA ali.

Abri com pressa os olhos prá acordar de vez. Já era meio-dia e meia. Pink Floyd ainda ressoava na minha mente enquanto a plenitude virava ausência e eu não conseguia segurar duas lágrimas. Raiva. Pq me fez relembrar qndo quis esquecer. Pq tudo tinha sido tão real. Ou talvez pq aquele abraço seria o último q eu te daria pro resto da vida.

De volta ao computador, buscava por outra coisa qndo encontrei a tal foto sua q baixei dias antes. Por puro tédio editei-a, pra melhorar a qualidade.

Q era aquilo q eu via em seu olhar na foto?... Lágrimas?

Suspiro.

"Tem certeza que deseja mover este arquivo para a lixeira?"


terça-feira, 4 de outubro de 2011

"The Blower's Daughter" (Damien Rice)




"E então é isso 
como você disse que seria 
A vida corre fácil pra mim 
na maioria das vezes 
E então é isso 
A história mais curta 
Sem amor, sem glória, 
Sem herói no céu dela 


Não consigo tirar meus olhos de você... 
Não consigo tirar meus olhos... 


E então é isso 
Como você falou que deveria ser 
Nós dois esqueceremos a brisa 
na maioria das vezes 
E então é isso 
A água mais fria 
A filha do vento 
O pupilo em negação 


Não consigo tirar meus olhos de você... 
Não consigo tirar meus olhos... 


Eu disse que te detesto? 
Eu disse que quero deixar 
Tudo para trás? 


Não consigo parar de pensar em você... 
Não consigo parar de pensar em você... 
Meus pensamentos...Meus pensamentos... 
Até conhecer uma nova pessoa."

domingo, 25 de setembro de 2011

"Triste é não chorar..." (ou "Obrigada, adeus!")

Às vzs mantemos as coisas mornas, empurrando com a barriga, com medo do q as pessoas vão pensar da gente se tomarmos uma atitude. Ego, este perigoso inimigo, simplesmente pq se veste de nós mesmos e diz como somos bonzinhos assistindo tudo calados. BALELA!

Precisei de tantos anos prá aprender o pq de ser "boazinha" nunca dar certo. Pq não era eu, era o Ego. E no fim, sempre quem se machucava era eu.

Eu estive nos últimos tempos entre dois amigos, mto queridos. Havia mágoa em nós três, e eu, como ainda era ligação entre os dois, absorvia tudo como uma esponja, lutando desesperada contra a ruína daquele Universo q criamos outrora. Ontem precisei dar meu grito de liberdade, por amor a eles, por amor a mim mesma, prá vencer o Ego e a mania de parecer boazinha.

CHEGAAAAAA!!!!!!

Não só os tirei da minha vida, como mandei uma carta de despedida, tentando explicar tudo e agradecendo pelos bons momentos. Desejando q a vida seja boa prá eles. Pq a minha vida precisa seguir... SEM ELES.

Como eles receberão os fatos, não sei. Juro q eu já tinha pensado sobre isso havia dias, me martirizando ao pensar de q poderiam não compreender, receber mal, etc. Mas na verdade só posso me responsabilizar pelo q digo, não pela reação q o outro vai ter.

Apesar de toda a meditação, isso não me impede de ficar mto triste. Eu realmente amo essas pessoas, mas elas não podem fazer parte da minha vida agora, simplesmente pq elas não me aceitam com toda a intensidade q tenho. E se o próprio amor tbm é arte de deixar ir, só me restou abençoá-los.

Sinto q a vida guarda ainda mtas alegrias e realizações, e queria q eles estivessem do meu lado nesses momentos. Acho q por isso estou triste. Mas a D'us é mto mais sábio q eu, Sabe tudo q tem q ser, e eu sei q a vida pode mudar na próxima esquina...

Não por acaso, recebi esse texto: "A coragem de sermos fiéis ao nosso coração". Recomendo!
Então é isso. Vou ali afogar minhas mágoas numa caneca de café, pq amanhã é outro dia...

Ia'Orana!
Shalom!


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

The Final Countdown

"Tem dia que vc vai dormir se sentindo uma pedrinha no sapato...
...Daí vc acorda mulher demais para o mundo."

Nunca acreditei q deveria rever a imagem q eu tinha de vc. De certo q as pessoas mudam todos os dias, mas nunca pensei q fosse tanto. Sua última decepção talvez o tenha levado a isso, mas não importa. Não quero nada q justifique. Só irá piorar...

Nem dói mais. Tão pouco me traz alegria. Acho q é só costume, e estou me acostumando a não ter vc, e isso no fundo está me deixando mais leve... Ou será minha leveza q te faz tão distante?

Pois bem, já disse tudo o q penso - talvez ainda não o q sinto. Certamente pq nem eu sei. Mas meu coração agora é um balão q quer voar alto, do tipo q, qndo se der conta, será tarde demais para alcançá-lo...

"Não segure o balão se não souber o q fazer com ele."

O amor é real? Fato. Sempre te desejarei o melhor pq simplesmente não deixo de me ver em ti. Te quero um bem como a mais ninguém. Mas o palpitar, aquela "chama louca q vive em mim" se extinguiu. Q bom assim, né? Te poupa do fardo de ser amado. Me poupa das "loucuras q me levam até vc"...

"A entrega alimenta a alma", e eu ainda concordo com isso. Realmente não posso reclamar de ter me consumido em entrega nos últimos meses. Mas a fonte seca qndo o receptáculo não se permite receber.

"Eu amei o retrato que pintaste de si mesmo, mas antes disso, a alma que eu enxergava além.
O retrato na parede desbotou, e sinceramente não amo a sombra q ficou em seu lugar...
Apesar, ainda amo a alma q enxergo além. Pq as almas são imortais.
Mas as 'molduras' não."

Nos vemos por aí... É chegada a hora do seu próprio vôo, Gafanhoto!

Ou devo dizer "Olhos Mediterrâneos"?...

Ia'Orana!
Shalom!