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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A Esperança

A Vida é boa. A Vida pode ser surpreendentemente boa.

Depois de tantas quedas, tantas perdas, tantas coisas que eu percebi que foram ficando pelo caminho ainda que eu as quisesse agarrar, eu já estava um tanto sem esperanças. Tantos sonhos, tanto investimento de tempo e energia aparentemente em vão, tantas frustrações em forçar os mesmos caminhos... Eis aí o problema: FORÇAR os MESMOS caminhos. A mesma forma velha de fazer as coisas, de perceber o mundo, de fazer a própria Vida acontecer. Se a Velha Estrutura estava ruindo bem diante dos meus olhos, porque é que eu ainda insistia em reconstruir a mesma Torre?

Lembro da primeira vez que toquei num baralho de tarot na minha vida. Eu tinha 14 anos e fugia das aulas do que hoje chamam de Ensino Médio para me esconder, com minhas amigas, na própria biblioteca da escola. Sempre achei bibliotecas fascinantes - certamente pelo meu fascínio pelas letras já desde muito nova, o que obrigou minha mãe a me alfabetizar em casa, antes mesmo da pré-escola - e aquela biblioteca em particular, naquela construção histórica que ainda se mantém em meio às modernas construções de Vila Isabel, parecia abrigar algo ainda mais mágico. Não por acaso o bibliotecário que nos assistia em nossas tardes era assim, meio "mago": foi ele que começou a trazer assuntos místicos às nossas conversas naquele lugar que ninguém mais da escola explorava. Aproveitávamos então a liberdade da biblioteca vazia para conversar animadamente sobre os mais bizarros livros que encontrávamos no fundo das prateleiras.

Nosso interesse pelo místico sempre foi muito grande, mas não tínhamos base para nos aprofundarmos. André, o nosso amigo bibliotecário, então começou a nos contar coisas sobre "a terra, a água e o ar" de forma fascinante. Tanto que uma das minhas amigas se empolgou em trazer de casa seu baralho de Marselha, já que ele tinha prometido nos ensinar a jogar.

Ele nos fez, uma a uma, tirar uma carta do baralho, e com esta falar um pouco sobre nós e o nosso futuro. Foi quando toquei pela primeira vez num baralho como aquele, totalmente fascinada e tremendo por dentro, já que eu não fazia ideia do que ele iria "ler" sobre mim naquele momento - como se todo o meu destino dependesse daquilo.

E foi então que eu retirei A Estrela. Nem deu muito tempo d'eu admirar aquela belíssima ilustração na minha cor favorita na época (azul), ele desandou a falar sobre a carta e, mais do que tudo, sobre o futuro brilhante que eu teria quando fosse adulta. Isso por si só já marcaria qualquer adolescente sonhadora (assim como também indicava a carta), mas a mim marcou ainda mais, pois era um alento em meio a uma vida já tão cheia de depressão, transtornos mentais (os meus começaram a dar o "ar da graça" nessa época), conflitos verbais e físicos e certa negligência. Me confortava saber que um dia eu poderia viver algo diferente daquilo tudo que tanto me angustiava. Era, realmente, mais do que uma carta: A Estrela me trazia luz em meio a um tanto de escuridão.

Anos depois descobri que a soma da minha data de nascimento dá 17 - exatamente o número que identifica este arcano. "Maktub", talvez seria isso mesmo.

Anos se passaram, muita coisa aconteceu, e nada mudou assim, de forma mágica. Mesmo assim, a esperança e a , as palavras-chave desta carta, me acompanharam e me fortaleceram até aqui. Sou grata aos Céus por isso. De qualquer forma, hoje sou eu quem tenta levar um pouco dessa luz a outras pessoas angustiadas, que têm me dado muito mais do que peço, não só materialmente mas, principalmente, emocionalmente: o mais lindo e importante que tenho ganhado dessas pessoas, além do carinho e respeito, é a conexão de almas empáticas, que encontram algum alívio na habilidade que lapidei nos últimos 23 anos - e isso não tem preço.

Mesmo assim, custei muito a "ser taróloga" - ou me assumir profissionalmente como tal. E pra além da tarefa espiritual, busco assumir esse compromisso com seriedade e responsabilidade em cada palavra proferida, mesmo que o que eu veja no jogo não seja tão bom assim. É o respeito por outra alma que se preocupa, já que eu mesma busquei e busco tantas vezes o tarot quando eu mesma estou preocupada. E isso também parece não ter preço.

A paz que isso tudo me dá hoje, com certeza, não há valor nenhum que pague. E sou grata à Espiritualidade por me dar essa oportunidade de evoluir.

Paz é o que desejo, hoje e sempre. A mim mesma e a todos os que me buscam. Tanto nas mesas de tarot quanto aqui.

Ia'Orana!


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Vento no Litoral

Na Lua Minguante, a maré baixa se revolve à beira da Praia Vermelha.
Parece que o Universo está em acordo para que tudo seja levado para o fundo do mar.

É tempo de renascimento.

Por isso deixo o vento lamber a canga na qual me protejo do frio. Deixo o vento levar pra longe toda a Morte que tem tentado roubar meus últimos dias e os mais preciosos dos meus afetos.

Não foi um sábado fácil para ninguém. E nem pra mim, que fiquei só administrando as notícias de longe, diferente das outras vezes.

Dessa vez as bombas não estavam em minhas mãos, mas não foi fácil me manter longe dos estilhaços. Pelo menos eles não me machucam tanto mais - e isso é estranho. Talvez eu já possa ter alcançado uma espécie de lucidez que parece cegar a visão do que esperam de mim. Talvez seja isso que a Vida queira de mim - justamente o que não se espera.

Olho pro céu buscando confirmação à minha reflexão, e um avião atravessa o céu da praia. Se esconde atrás da pedra e me deixa só, novamente, com as luzes de Niterói ao fundo e o silêncio do marulho. Suspiro.

Nesse mesmo cenário que me acolheu em sonho antes mesmo de o conhecê-lo de fato, e que me acolheu em outras tantas vezes que precisei, o mar me surpreende agora tentando me alcançar na faixa de areia, como se Iemanjá já me avisasse que era hora de partir.

"Será esse o sinal que eu estava esperando?"

Olhei pela última vez ao centro do céu da Praia Vermelha e busquei visualizar aquele D'us que vi outrora, naquele mesmo local, mas em outra dimensão:

- Senhor, eu não sou digna que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salva...

Levantei-me e parti. Não demorou muito para chegar em casa e o Destino, através do Cristo/Krishna me responder assim da forma mais óbvia que poderia:

- Bhagavad Gita!

A partir daí, outra história em estado germinal se vislumbrou à minha frente, abençoada por Arjuna (espero eu).

(Continua.)



quarta-feira, 25 de julho de 2012

"O sal viria doce para os novos lábios..."

Silêncio. Paz. Eu não sei como eu tinha parado ali, mas eu estava à beira da praia, sentindo a brisa que remexia as ondas dançando também no meu cabelo, fazendo aquele som quase transcendental.

Olhei pro lado direito e vi grandes pedras. Parecia o final da praia. Eu me abraçava enquanto via tudo se tornar sépia. Três letras hebraicas surgiram flutuando na minha frente; de suas frestas, raios de luz dourada me alcançavam. 

Era tão sublime que eu quase podia flutuar.

Tão sublime assim, eu só tinha uma certeza: eu estava frente a D'us.

Sorri de leve, na certeza de ter encontrado a Força Criadora. Eu não tinha o que dizer, nem pedir, nem agradecer. Eu só queria vivenciar aquela oportunidade de estar tão perto de tamanha fonte de Amor Universal. Era coisa que eu nunca tinha sentido até então...


Num pulo no meu abdômen, meu gato me acordou. Ele nunca tinha feito aquilo antes, e então eu me dei conta de que era tudo um sonho e que eu estava de volta às angústias da Terra. De qualquer forma, mesmo com o coração aos pulos pelo susto, me senti grata por ter sido acordada: uma ventania muito forte acometia meu bairro e eu tive que levantar correndo para fechar janelas e recolocar as coisas no lugar... Depois disso, olhei no relógio e não eram nem sete da manhã. Na internet, poucos estavam acordados, e esses poucos só sabiam fazer piadas em relação à data. 6/9/11. Eu estava tão em outra sintonia que abandonei o computador e voltei prá cama, na esperança de voltar àquele sonho sublime. Nem dormir consegui.

Rolei na cama até ser hora de poder ir à Bienal do Livro. Fui sozinha mesmo, decidida a me divertir. E assim o fiz. Comprei vários livros sobre Kabbalah, que muito transformaram e transformam ainda minha vida. Toda vez que abro os livros, a data está lá: seis de setembro de 2011, 7 Elul 5771. Como se estivessem ali para me lembrar do "dia do Sonho Divino". Como se os números quisessem me dizer algo.

Mas o que adianta tantos nomes e números, se as coisas não dependem só de mim?



Shalom!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sintoma de saudade

- Oi! Já tá de volta?

Alegria e surpresa se vinculavam na sua voz, me contagiando.

- Sim, já estou de volta! Olha, eu tenho uma coisa prá te dizer...

Vozes se misturavam ao fundo da ligação. Do teu lado e do meu. Dentre risadas, quis ainda saber antes de tentar dar o recado:

- Tá tudo bem contigo?

Sem hesitar, você responde:

- Sim, tudo muito bem. Só estou com muita saudade de você.
- ...
- ...
- Olha, mas eu preciso te dizer...
- Desculpe, tenho que desligar agora. Depois você me liga?

Claro. Por que não?
Só não tive mais coragem de ligar...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

"A felicidade só é real quando compartilhada"

Pessoas solitárias encontram pessoas solitárias. É assim nos sites q pretendem unir casais. E no afã de encontrar alguém bacana, vc acaba se deparando com todo tipo de gente - principalmente os de mau caráter.

Casados, nossa, qntos eu já encontrei doidos prá manter relações íntimas comigo!! Eu já andava de saco cheio, sabe? Mas meu sentimento de solidão me fazia visitar os mesmos sites de sempre, a cada dia com mais critérios de escolha.

Eu não sei se sou mto fotogênica, mas minhas fotos atraem mta gente. Eu antes tentava ser simpática e dava conversa a todos, mesmo q não me parecessem atraentes, só por educação mesmo. Agora se já teclam com erros de português inexplicáveis, eu deleto a msg. Resolvi não mais gastar meu tempo com os errados. Preciso dar espaço na minha vida a quem vale a pena. Nesse processo se inclui a deleção de flertes no MSN q não me levavam a lugar nenhum (bendito livro q ganhei, "O que toda mulher inteligente deve saber" - recomendo!).

Num desses dias, em meio às várias msgs q recebo todos os dias, meio desiludida e pensando já em fechar a aba do browser, uma simples msg me chamou a atenção. Não sei pq - a abordagem era simples e a foto não me atraiu de cara. Ele mesmo se espantou d'eu ter respondido a msg, pq achou q eu não daria atenção a "caras feios como ele". Se na verdade o q eu procurava era um cara bacana, honesto, de bom papo e bom humor q me levasse a sério, pq eu daria atenção só aos fisicamente atraentes? Tá, ele realmente não faz meu tipo costumeiro, mas ao conversar tudo parecia fluir, mesmos gostos e mesmo jeito de ser, e ele logo pediu meu telefone. Me senti segura em dar e conversamos por uns 5 minutos, daquele jeito tímido de quem acaba de se conhecer - e olha q eu não sou uma pessoa tímida!!! Pensei "não vai dar em nada, afinal já conversei por telefone com outros caras, e ele não deixou claro q é solteiro. Eis minha sina...". À noite, a surpresa: um SMS dizendo q tinha gostado de conversar comigo. Retribuí o q considerei uma gentileza. Nos dias q se seguiram, sempre um bom dia ou um boa noite, e eu já não conseguia mais disfarçar meu sorriso ao ler na telinha do celular. Sim, ele foi amaciando as trancas do meu coração q estavam meio enferrujadas com essas pqnas doçuras e pela sinceridade - típico de sagitarianos como eu e ele tbm. Nos telefonemas dizia q queria me conhecer, e eu sempre com medo, querendo esperar mais um pouco... Mas sempre me deixando a par das coisas q acontecem na vida dele. Até q num dia super cheio, em q eu fui aos 4 cantos da cidade prá garantir os documentos para fazer a matrícula na faculdade (YES!!! Eu passei prá uma faculdade federal!! \o/), precisava tirar fotos 3X4 e decidi ir à Madureira. Liguei prá ele e nos conhecemos no shopping.

Decididamente ele não era do tipo q me atrairia de cara, mas tinha um lindo sorriso e era alto do jeitinho q eu gosto. Sua aparência não mostrava seus mais de 40 anos. Seu jeito jovial de conversar e de não se levar a sério (mesmo sendo sério) tbm não - e isso me atraiu. Ele mesmo admitiu q me achou desconfiada - e não era prá menos diante das experiências q tenho passado nos últimos meses! Mesmo assim ele me cativou, é solteiro e sim, o encontro rendeu, como se já fossemos velhos conhecidos. Eu me sentindo péssima por estar suada e descabelada por ter andado tanto, e ele nem aí com isso. Nos demos bem e o resto deixo prá imaginação de vcs! rsrsrssss...

É engraçado como qndo nos abrimos ao mundo sem perder os pés do chão, coisas boas podem acontecer. Eu não sei se desse encontro com esse Príncipe Negro vai render algo mais, mas foi mto bom conhecê-lo. Fez bem à minha auto-estima - e de vez em qndo é bom encontrar alguém com quem se tem química E papo, e não só um ou outro. Além do mais, na mesma semana eu passei prá uma faculdade federal, Olhos Mediterrâneos tbm, e soube q meu irmão está planejando sair dessa vidinha vazia q ele andava levando, certamente graças a uma moça ajuizada q apareceu na vida dele. Agora estou prá encontrar uma casa de Umbanda prá trabalhar minha mediunidade (até a festa de Ogum, como me revelou uma cabocla em certa gira) e enviando currículos prá empregos q me darão folga financeira prá manter os estudos. Enfim, to feliz pq tudo tá dando certo prá mim e tbm prás pessoas q amo!!!! Já tinha sonhado, mas não tinha conseguido imaginar q 2012 seria tão lindo, já desde o começo!! Tudo por uma mudança de atitude mental... Como disse-me Olhos Mediterrâneos: "talvez dessa vez nós estejamos caminhando pros 99%"... É, pois é... Será?

Só D'us Sabe!
Todah, Adonai Hakadosh!! (Obgda, Santo D'us!!)
Ia'Orana!
Shalom!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Giz

Agora, diante de tanta intimidade com a espiritualidade, tomei a liberdade de me abrir pras minhas curiosidade mundanas e egoístas. Sim, acabei perguntando de você. Pai-Velho repetiu por um longo tempo: "é mto amor... É mto amor... Mto amor...". Depois fui especificando as perguntas, ele foi explicando - "mas não é prá agora".

É, não é a primeira vez que recebo esse tipo de mensagem, mas é sempre bom ser lembrada do dom da paciência. Nem todos têm a minha sorte e prá falar a verdade, eu mesma já cometi todas essas bobagens que você comete agora. Mais verdade ainda, é disso que temo. Mas meu Pai-Velho foi claro ao me alertar que eu não posso te proteger de tudo, não sou sua mãe afinal! Você precisa saber a verdade e também, se eu parar prá pensar, eu acabei aprendendo com todos os meus erros e revelações... Você é igualmente capaz.

Na verdade não sei porque me deu essa curiosidade. Faz poucos dias que tivemos aquela discussão difícil mas que teve um final feliz, como eu já tinha visto em sonho várias vezes. Os pingos foram postos nos "is", eu não alimentava mais nenhuma expectativa, trocamos novidades, você está bem acompanhado e eu em busca do meu Mr. Right - acho até que estou bem próxima dele... Dai eu tenho que perguntar de você?!! Será q sou mesmo maluca? Você deve estar certo: eu machuco aos outros e me machuco. Parece que gosto disso.

Que seja! Só me resta aprender a seguir minha intuição em relação à minha vida afetiva, o resto será como terá de ser... "Lá vem, lá vem, lá vem de novo: acho que estou gostando de alguém".

Mas é de ti que não esquecerei.

Ia'Orana!
Shalom!



sábado, 19 de novembro de 2011

Reencontros da(s) vida(s)

Semana estranha... Depois de quase 9 meses sem fumar e sem nem sentir falta, comecei a sentir forte desejo por cigarros. E por vinho licoroso, q acho doce demais. Apesar disso, ao chegar perto de um fumante e do tal vinho, o desejo sumia. Algo estava acontecendo... Esse desejo por coisas q nem gosto não era meu. Não tive dúvidas de q era um chamado.

Fazia tempo q eu não pisava num templo umbandista. Falta de tempo, medo de me apegar a uma religião q talvez eu não conseguisse seguir, não sei. Conheço pouco dessa religião, e confesso q antes de pisar num terreiro em 2009, tinha até certo receio. É o tal do "pré-conceito" q a gente acha q não tem, mas tem... Daí comecei a frequentar um templo perto do trabalho, e então ler sobre o assunto - isso prova q o preconceito é resultado da ignorância. Só o conhecimento pode extirpar esse mal da sociedade.

Tive q desapegar da crença qndo fui dispensada do trabalho e fiquei impossibilitada de frequentá-la. Vida vai, vida vem, a gente vai esquecendo... Mas qndo os problemas surgem, a gente logo lembra de D'us e da espiritualidade, essa é a verdade. E como humana, fiz o mesmo. O velho e bom Centro Kardecista q eu frequentei tanto, não conseguia mais - sempre tem acontecido empecilhos nos horários das reuniões. Sempre sonhei trabalhar lá, e ainda sonho, mas vejo q o momento é outro...

Resolvi seguir minha intuição, e diante de uma sexta-feira atarefada (incluindo uma consulta com um reumatologista), consegui tempo de pisar mais uma vez no terreiro onde descobri minha mediunidade de incorporação. Ainda não estou estudando-a como deveria pelo temor de não dar conta o suficiente, mas ela  parece cada vez mais sintonizada.

Caminhando da casa da minha mãe até o ponto da kombi lembrei q precisava levar 1 kg de alimento não perecível. Passei no mercadinho suburbano e busquei o item mais barato possível. Contei moedas prá poder ter passagem prá ir e prá voltar. Só chegando lá lembrei q tinha q comprar uma vela, fiz as contas e vi q iam faltar 10 centavos: ou prá vela, ou prá passagem. Eu não queria deixar essa pro pobre do motorista da kombi, afinal, aquilo é o ganha-pão dele. Pensei em pedir um desconto na compra da vela, mas acho q eles usam o dinheiro prá caridade. Na fila, já aflita com a "história triste" q iria contar ao cambono q trabalhava de caixa, me distraí e quase tropecei de leve. Olhei pro chão e não havia nada prá q eu tropeçasse, a não ser uma reluzente moedinha de 10 centavos. Peguei-a ainda com os pensamentos dormentes - só depois de notar q não tinha dono, me dei conta de q era exatamente o valor prá pagar a vela & a passagem sem prejudicar ninguém. Era, com certeza, um sinal divino de q minha intuição estava certa; e eu estava exatamente onde deveria estar.

No início da "gira" (como costumam chamar as sessões espirituais) q era do povo de esquerda, os atabaques eram incansáveis e eu não mais sentia aqueles desejos infundados. Fui sentindo forte sudorese nas mãos e sonolência. Aos poucos esse sentimento me seduziu e ao fechar os olhos senti um princípio de transe - se é q isso existe. Mentalmente tentei controlar o q, pelo q senti, desejava mto se manifestar - fechei os olhos e "conversei" com meus guias, no silêncio do meu pensamento. Ao lado do banco em q eu estava sentada vi, ainda de olhos fechados, uma linda cigana com enorme vestido, todo vermelho, e uma rosa da mesma cor nos cabelos, rodando e dançando (no dia seguinte fiquei sabendo q na nossa infância, meu irmão já a tinha visto tomando conta de mim). Do outro lado, vi um homem de camisa de cetim preto, mto parecido com a q alguns médiuns estavam usando. Achei q era auto-sugestão, mas os sintomas deram trégua. Pensei q, se eu tivesse q trabalhar com eles, era naquela noite q eu receberia um sinal. Por isso não foi surpresa qndo fui atendida por uma senhora incorporada com uma pombagira q me confirmou q sou médium e me convidou a trabalhar na casa espontaneamente. Já cansei de saber q o q os outros chamam de "coincidência" simplesmente tem uma razão de ser pra espiritualidade. Não me surpreende mais. Mas mesmo assim, é fascinante, não?

Na hora do descarrego, qndo toda a assistência é chamada a entrar no terreiro, fazer orações e entoar cantos (os chamados pontos), já fui "conversando" com minhas entidades prá, qndo viessem, q viessem com calma. E assim foi, na vinda e na ida. Tudo aconteceu serenamente, enquanto entoavam cantos prá Oyá, Obaluaê, e exus q identifiquei q andam comigo. Senti forte identificação com o povo q trabalha no cemitério. Assusta?? rsrss... Qndo a gente entende q Vida e Morte nada mais são do q estágios do espírito, não assusta mais... Por isso o estudo do Evangelho Segundo Espiritismo e do Livro dos Espíritos é tão importante. E sou grata por tê-los estudado antes.

Resumidamente: a noite foi linda, tive contato com outros guias q não tivera antes, sensações diferentes mas q não me assustam mais. Consegui controlar extravagâncias. Simbiose perfeita entre meus guias - q vieram prá me "limpar" - e eu, a médium inexperiente. Era como reencontrar velhos amigos q eu não via há tempos e q queriam trabalhar comigo... Eu estava plena e me sentia no caminho q D'us Gostaria q eu estivesse. E isso era - e é - o mais importante: A VONTADE DE D'US. Me senti Sua serva - sentimento q quero eternizar. E acho q foi isso q me incentivou a escrever sobre essa noite. A bela sensação de me sentir conectada com o Pai. Saí do templo quase levitando...

Obgda, Senhor, pelas coisas belas q acontecem sob Tua Ordem!!

Ia'Orana!
Shalom!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Da Páscoa ao Natal... Tudo volta ao normal

No entanto, a imagem "de azuis e lilases" sonhada em "Sonhos Traiçoeiros", chegou até mim...


... mas não veio de seus Olhos Mediterrâneos.

O que isso quer dizer?? Não sei... Ao contrário do q vc pensava, não sei de tudo, infelizmente.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sonhos Traiçoeiros

Eu entrava na tal rede social e me surpreendia com um belo desenho q não sei identificar ao certo, de azuis e lilases. Tinha pouco tempo em q havíamos voltado a nos encontrar e vc compartilhava na minha página aquela figura q trazia uma mensagem sobre a força do olhar e do seu afeto. Nem deu tempo de responder nada. Acordei do sonho achando-o bobo. Afinal, nem eu mais queria aquilo a essa altura do campeonato.

Com meu costumeiro café com leite, sentei mais uma vez no computador. A pressão de termos tantos amigos em comum já estava me incomodando e eu precisava virar a página. Mas antes abri o editor de textos e desandei a por prá fora todas as minhas reflexões sobre o começo, meio e fim, qualquer coisa q justificasse essa estória na qual me joguei, minhas atitudes e consequências. Não menti mais prá mim, nem falei de vc. No regrets, my darling. Só buscava entendimento. Entender prá deixar ir. Minha vida funciona assim. Meu coração funciona assim...

As dores nos membros do lado esquerdo do corpo voltaram a incomodar, e isso me deixa ainda mais irritada e deprimida. Os pensamentos e palavras começam a embaralhar e eu já perdia a linha de raciocínio. "Psicossomático", penso eu. Tem bem jeito mesmo. Cansada e incomodada, minimizo o editor de textos e encaro minha página na famosa rede social. Vc marcou uma amiga em comum numa foto q vc tinha acabado de tirar e lá estava eu, dando de cara com a foto. Q SACO! Até qndo?... Daí observei como vc estava abatido, olhos fundos, parecia ter envelhecido 20 anos. Fiquei meio minuto encarando tal foto. Não conseguia pensar em nada - já tinha gasto todo pensamento e sentimento nos textos anteriormente. Baixei a foto pro computador, nem sei bem pq. Já tinha me convencido a não me importar...

Empenhada em estudar, me gripando, dores neuropáticas: eu realmente tinha mto a me preocupar nesses dias seguintes, contanto q não entrasse na rede social. Não aguentava mais me censurar prá vc não ter q me ver. Não podia me privar de viver! Fiz o q devia ter feito desde o dia em q prometi - vc não mais ouviria falar de mim. Um peso sumiu das minhas costas, enfim livre!! Sem me preocupar se vc ia ler qualquer lamento, sem me deprimir com as coisas estúpidas q vc tem desenvolvido. Livre enfim!!! Tão leve q me dei um tempo para tirar um cochilo. Afinal a gripe estava pegando pesado - tava na hora de cuidar de mim!! Reencontrei o "Livro dos Espíritos" - tenho tido necessidade de reconectar com as idéias q sempre acreditei - e fui relaxar.

Não demorou mto prá eu cair no sono. Um monte de cenas desconexas se desenrolavam à minha frente, o q era natural diante da minha fraqueza física. Em sonho eu buscava um lugar prá passar a noite, mas como suas coisas estavam na minha mochila, vc me chamou prá te seguir até onde passaríamos a noite seguros, enquanto vc tocaria meu violão e eu escreveria. "Enfim, alguém q entende minha necessidade de escrever...", pensei comigo. Saltos temporais aconteceram, pouco mais me lembro, mas uma cena ficou: sobre uma cama simples de madeira marfim, vc deitado vendo TV, eu abraçada com a cabeça no seu peito. Sonhei outras coisas, um tanto confusas, um tanto reais - tudo com os arranjos de "Time" de Pink Floyd ao fundo. Versos do meu último poema tbm se repetiam enquanto eu me afastava, ao mesmo tempo em q ouvia seu pensamento: "pq não fiz tudo diferente desde o princípio?...". Enquanto eu atravessava a rua, já distante de vc, respondia tbm em pensamento: "tinha q ser assim...". Outras coisas aconteceram mas antes de acordar, a cena do abraço sobre a cama, mais uma vez. Não havia nada demais, somente aquele abraço, minha cabeça sobre seu peito, vc vendo TV... Mas era MUITO real.

Acordei na posição sonhada com o travesseiro, me perguntando pq aquele sonho tão bizarro vinha me assombrar logo naquele dia, em q eu estava tão livre de vc. Num letárgico piscar de olhos, revivi novamente a cena. Vc ESTAVA ali.

Abri com pressa os olhos prá acordar de vez. Já era meio-dia e meia. Pink Floyd ainda ressoava na minha mente enquanto a plenitude virava ausência e eu não conseguia segurar duas lágrimas. Raiva. Pq me fez relembrar qndo quis esquecer. Pq tudo tinha sido tão real. Ou talvez pq aquele abraço seria o último q eu te daria pro resto da vida.

De volta ao computador, buscava por outra coisa qndo encontrei a tal foto sua q baixei dias antes. Por puro tédio editei-a, pra melhorar a qualidade.

Q era aquilo q eu via em seu olhar na foto?... Lágrimas?

Suspiro.

"Tem certeza que deseja mover este arquivo para a lixeira?"


sábado, 8 de outubro de 2011

Poemando...

"Sigo escrevendo doces versos em falsete,
O tom perfeito pra quem quase quer morrer.
É tão estranho teu silêncio no meu peito
que eu escrevo para não enlouquecer.


Ondas revoltas no seu lar de esquecimento,
Desperto mágoas por lembranças sem razão.
Busco em segredo teus porquês em meus lamentos,
sigo escrevendo pra livrar-me da emoção.


Que antes da morte haja arrependimento,
Dentro do orgulho ainda bata um coração,
Que padre-nosso, ave-Maria - teu refúgio -
revelem chave a nos livrar dessa prisão.


Que no abraço, laço que se fez presente
Remorso e culpa já não vejam mais porquê.
E assim, Destino, amigo que nos reagrupa
revele enfim motivo que nos fez nascer."

sábado, 1 de outubro de 2011

Interior do Minho, Portugal, 1856.

Era uma vez uma moça simples e alegre, q vivia para trabalhar com a família nas suas terras, e tbm trabalhava voluntariamente na igreja do povoado. Sua família era mto amiga da de Eustáquio, q se ordenara padre e fora para Braga, estudar para se tornar bispo. Ambos, Eustáquio e Dália, tbm eram mto amigos, tinham longas conversas, Eustáquio sempre lhe dava valiosos conselhos baseados na tradição católica e em sua experiência, já q era um pouco mais velho q ela. Todos sabiam q qndo padre Eustáquio estava cuidando da pqna igreja dali Dália era seu braço direito, chamando outras moças para ajudar e liderando-as nos serviços. Talvez pela identificação, Eustáquio tinha um grande prazer na compania de Dália, e mtas vzs era difícil se despedir dela.

A verdade era q Dália não assumia, mas tbm amava padre Eustáquio. Estava sempre preocupada a estar bonita na presença dele, mas não gostava de pensar nisso pq precisava respeitar a posição dele. Dália não o via como importante como o resto do vilarejo. Ela respeitava a pessoa dele, mas o sentia como igual. E era isso q ela sempre tentava corrigir dentro dela. Pq padres deveriam ser inacessíveis, e ele não era.

Depois de um longo período em Braga, era anunciado q padre Eustáquio viria para uma das festividades locais. Dália, q já gostava de festas e de se enfeitar, adorou a oportunidade. Estava feliz por saber q padre Eustáquio estaria presente, mas não estava mais ansiosa. Se divertia e dançava alegre com suas amigas, todas com seus vestidos predominantemente vermelhos, q abriam-se em balão qndo giravam na dança. E foi uma de suas amigas q avisara q padre Eustáquio estava chegando. Dália virou-se e o viu ao longe, por trás de um muro de pedra, sendo festejado e cercado de familiares e vizinhos, felizes pela sua presença. Enquanto ele descia as escadas de pedra prá chegar até o pátio onde havia a festa, visualizou Dália ao longe. Ela acenou, e ele lhe acenou de volta, feliz. Dália sentia um misto de emoções q não sabia descrever ou entender, um bem estar no coração e uma chama consumindo-lhe o ventre ao mesmo tempo. Procurou ignorar e continuar se divertindo com as amigas. Ela e o padre mal se falaram durante a festa, pois as pessoas o cercavam em atenção, ora prá ter notícias da capital, ora prá se certificarem de q o ilustre convidado comia e bebia o suficiente.

Mta dança, mta bebida, e Dália se afastou do centro da festa, perto de um beco mais escuro para descansar. Fora surpreendia pelas costas, com um braço na cintura e uma mão tapando a boca, já prevendo q ela gritaria de susto. Eustáquio tratou logo de se identificar e ela respirou aliviada. Ele a soltou, explicando q queria mto lhe mostrar algo. Dália concordou feliz. Ambos seguiram aliviados por finalmente poder conversarem a sós como nos velhos tempos.

Eustáquio a levou a uma sala q parecia um escritório ou biblioteca, com parede de pedras, estantes de livros, iluminado pela luz de várias velas. Ela pôde observar alguns fios de cabelo branco em volta de seu  rosto em meio aos fios negros - a vida de estudos e oração em Braga realmente deveria estar sendo mais pesada do q parecia. Sentiu um misto de compaixão e admiração.

Enquanto ela olhava em volta, podia-se ouvir o som dos corações quase explodindo. Eustáquio aproximou-se de Dália e a abraçou de lado, carinhosamente. Talvez embalado pelo excesso de vinho, aproximou-se de seu ouvido e sussurrou algo como "vc está tão linda esta noite..." com seu forte sotaque português. A lógica parou de funcionar. Dália sentiu-se zonza, todos os sentimentos q ela quis ignorar durante a festa voltaram com força, seu corpo amolecera nos braços de Eustáquio, q naquele momento não era mais padre, apenas mais um homem comum.

Eustáquio trouxe o rosto de Dália diante do seu, e seus lábios tocaram-se produzindo efeito semelhante a uma droga poderosa. Talvez a mistura de vinho e sentimentos reprimidos por anos faziam-nos sentir girando com força. Rapidamente livraram-se do lenço q Dália trazia amarrado ao tronco, ele pode beijar seu colo. A carregou e deitou-a sobre o divã disposto ali perto, onde, com a ajuda dela, pode levantar sua saia e anáguas, tocando suas coxas tão brancas como se não acreditasse q as estava tocando.

Ele então ergueu a batina e se pôs por cima de Dália. As sensações eram tão extremamente intensas para ambos q nada poderia impedi-los de exercer os sentimentos reprimidos até aquele momento. Então, o êxtase não tardou a chegar. Aquilo tudo era novidade para Dália, e talvez fosse para Eustáquio tbm. Sentiam-se completos, unos. Ele descansou seu corpo sobre o dela, e o rosto em seu pescoço, ambos recuperando o fôlego.

Foi qndo num rompante, Eustáquio levantou-se e pôs-se a se recompor perto da porta. Se dera conta do q fizera e estava extremamente arrependido. D'us certamente não o perdoaria do pecado q acabara de cometer contra seu celibato e contra a integridade de uma moça q adorava tanto. Certamente, ele mesmo nunca se perdoaria. Enquanto prestava atenção se alguém passava do lado de fora daquela sala, mandava Dália se vestir rapidamente e ir prá casa, explicando rapidamente todo o prejuízo q causara. Ela não poderia se iludir: ele nunca ficaria com ela, pq sua vida era dedicada à igreja e a Cristo. Enquanto ele discursava, Dália caía em prantos pela decepção, por vergonha, e por não saber como explicar no futuro sua falta de virgindade à família.

Amavam-se, era fato. Mas haviam mtas coisas envolvidas. A fé de ambos, os costumes da época, as expectativas da família e vizinhos de Eustáquio. Ele tinha uma carreira promissora e não tardou a se tornar bispo, poucos anos depois do incidente. Os anos se seguiram, Dália continuou entregue à sua fé, trabalhando com sua família e ajudando na igreja do vilarejo. Às vzs, por terem famílias vizinhas e mto amigas, Dália e Eustáquio se encontravam durante reuniões e festividades. Sempre eram de Dália as honras de levar padre Eustáquio prá conhecer as novidades das cercanias. Porém, nunca mais foram capazes de olhar um nos olhos do outro. E qndo Dália se via involuntariamente sozinha com padre Eustáquio, sofria de calafrios da cabeça aos pés. Talvez vergonha, talvez culpa, talvez expectativa se talvez ele a tomaria novamente.

Eustáquio, por sua vez, desde o ocorrido passou a praticar autoflagelo sempre q se lembrava do erro, ou sempre q desejava Dália novamente. Certa vez, já como bispo, ao ver do alto do altar Dália com sua roupa de missa fôra tomado de um desejo por ela tão arrebatador q desandou a beliscar-se para esquecer e retomar o seu centro. Dália parecia estar casada e tinha um filho - só não se sabe se o filho era realmente de seu marido ou fruto do envolvimento com o padre.

Coisas q talvez nunca saberemos.

A não ser q Eustáquio tbm acorde e possa contar sua versão da estória...


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

"Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter."

Eu estava numa sala branca, alguns sofás dispostos harmonicamente com a estante de madeira de cor tabaco, cheia de livros dispostos. Era uma espécie de coquetel, mtas pessoas espalhadas pela mesma sala, geralmente com um copo na mão. Mas eu estava mesmo era fascinada pela estante. Queria chegar perto dela, varias pessoas me interrompiam, até q eu a alcancei. Mas alguém aparecia do meu lado e dizia q eu não podia tocar em nada.

Acordei. Não lembro bem se 1998 ou 1999. Eu estava mto envolvida com a vida - fazia teatro, estudava manutenção de computadores (na época, curso valiosíssimo) e programação na Unicarioca - mas principalmente envolvida com a tarefa de perseguir aquele q eu pensava ser minha alma gêmea. Me introduzindo à rede mundial, as coisas estavam mais fáceis, e lembro de, num desses dias em q matei aula no laboratório de informática, ao buscar sobre o ser amado, li a palavra q nunca mais sairia da minha cabeça.

Kabbalah.

Pouquíssimo dava prá saber sobre isso; pq os dados na internet eram ainda limitados, pq meu inglês ainda era meia-boca. Só sabia q tinha a ver com Judaísmo, cultura q eu já admirava desde criança. Não sei se por isso, se pelo sentimento àquele q regia meus sonhos na época, eu enfiei na cabeça q queria aprender mais. Mas não conseguia. Larguei a faculdade, e sem internet em casa, era praticamente impossível saber mais sobre esse enigmático tema. A vida seguiu. Mas daí Madonna apareceu com a mesma filosofia, outros astros tbm citaram...

Eu já estava casada e com minha primeira filha bb ainda, qndo consegui comprar um livreto q se autointitulava "Introdução à Kabbalah", mas era mto cheio de símbolos e teorias, na verdade não aprendi nada. Na época eu tinha entre 21 e 23 anos, estava com sérios questionamentos sobre fé, religião, etc. Usava uma estrela de Davi num cordão e reneguei o cristianismo. Simples assim. Até eu realmente precisar voltar atrás... Mas nunca mais ouvi falar de Kabbalah.

Anos depois, já em 2011, cansada do peso das responsabilidades e das dores físicas, me joguei no chão e me pus a implorar a D'us q ressuscitasse minha vida. Era Páscoa. Vcs devem lembrar. Em algumas horas minha vida já tinha virado prá outro angulo e eu achei q tudo ia enfim, andar prá frente.

O Amor me pegou sem q eu procurasse ou esperasse. Coincidências q só fortaleceram meu sentimento. Pensamentos e ideais de vida semelhantes. As crenças viraram tópico. A sensibilidade, os estudos esotéricos, o interesse pela cultura judaica compartilhados. A Kabbalah se fez presente nas conversas, e cada dia mais. Descobri váááários sites falando sobre essa filosofia em português e li com uma compreensão mto maior os q são em inglês. Descobri o Kabbalah Centre, de onde ganhei "O Poder da Kabbalah" q devorei em poucos dias, mesmo lendo outro livro em paralelo. Nesse livro, a Kabbalah é exposta de forma prática, simples - até pq a simplicidade é uma das lições inclusas. Era como se eu já soubesse de tudo q estava escrito ali, bem lá no coração, mas não sabia ainda pôr prá fora. Estou mudando. E nessa felicidade, fui presenciar um evento no Kabbalah Centre: a leitura do Torah da manhã do Shabat.

Plenitude, alegria, e sempre sensação de déjà vu. Sim, eu já estivera ali antes. As pessoas me receberam mto bem, mas eu já me sentia em casa antes de chegar. Qndo tudo acabou, desci e fui enfrentar a fila do banheiro na recepção de paredes brancas e sua estante cor de tabaco, cheia de livros. Curiosa, me aproximei da estante sem q ninguém me impedisse. Observei os livros, sempre com a sensação de q não podia tocá-los. Até q uma senhora tbm se aproximou e pegou um dos livros prá folhear. Sim, eu podia tocar! Dessa vez, eu podia!

Ainda fui caminhar na praia e as ondas nunca pareceram mais divertidas, o céu mais azul, o mar mais lindo, a água mais gostosa. Ainda sentei um pouco e meditei. Enfim, eu estava conectada com o Universo. Eu me sentia conectada com a Luz! EU ESTOU NO MEU CAMINHO. O sonho foi bem claro e a vida tbm: não era prá eu conhecer a Kabbalah antes. Com tudo q vivi até hj, consegui abertura suficiente para poder pôr em prática essa filosofia... E eu já sinto q as bençãos estão chegando... Eu sei q estão a caminho!

Voltei a caminhar pela orla de Ipanema nesse sentimento de plenitude até chegar onde Olhos Mediterrâneos trabalha. Ou trabalhava, não sei mais. Desse ponto se desenrola outra estória, q talvez eu conte um outro dia...

Resumindo: foi um dia para D'us me Mostrar na prática q nada nessa vida é por acaso...

Obgda, Pai!

Ia'Orana!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Afinal, o q é a compaixão?

Deve ter sido providência divina reencontrar, numa das últimas faxinas, o livro "O Aleph", de Paulo Coelho. Eu sei, mtos não gostam do escritor, mas nem leio por ele, leio pelas lições referentes ao ocultismo, assunto q me interessa desde q me conheço por gente. Tbm não gosto de Jorge Amado, mas tive q lê-lo prá sabê-lo, não é?...

Pois bem, ontem tomei coragem e decidi buscar o livro sobre Kabbalah q ganhei do Kabbalah Centre. Como Olhos Mediterrâneos já tinha ido antes e conhece melhor a região, desisti da promessa q me fiz de nunca mais falar com ele e o abordei pedindo referências de como chegar lá. Mas eu tava de péssimo humor. E concentrada do "Projeto Efeito Borboleta". Lembram do filme? Da solução do personagem no final? Decidi q queria ser odiada para poder me afastar em paz... Mas, pelo q vêem, sim: eu sou frouxa.

Já no metrô, um rápido acesso ao Facebook foi suficiente prá me perturbar. Meu mau-humor contagiou? Foi um longo caminho por baixo da terra, sem ter acesso à internet e sem nenhum contato com o mundo fora do trem. Ligo ou não ligo? Prometi a mim mesma q não o faria, eu poria meu "projeto" a perder... A compaixão foi mais forte q eu. Mal saí da estação Ipanema, peguei o celular e fui me certificar.

Pois é. Aparentemente estava tudo bem. Ele até confirmou o caminho q eu deveria pegar prá chegar ao KC. Bem, eu cheguei logo ao destino, e conversando com a responsável de lá, inclusive sobre ele, me surpreendo qndo meu celular tocou e no visor era Olhos Mediterrâneos. Ué, será q as "orelhas queimaram"?, sorri. Qndo atendo, sua voz formal pergunta por alguém com a mesma inicial q o meu nome. Só tive forças de dizer friamente "vc ligou errado". E pelo q parece, ele nem notou a confusão q fez.

Pois conversei mais sobre os rituais do lugar, peguei meu livro, e saí rumo à orla. Precisava ver o mar mais uma vez. Ao abrir o livro "O Poder da Kabbalah" numa página qualquer, me deparei com uma fórmula para a transformação. Nunca reagir imediatamente. Segurar prá si, receber a luz e retornar a luz com compaixão para todos à volta. Nada mto diferente do q eu já sei e tento praticar todos os dias. Mas algo devo estar fazendo de mto errado, pq eu já reajo com compaixão, e tudo q recebo de volta é uma ligação enganada. KD MINHAS BÊNÇÃOS??? Juntando isso às experiências relatadas em "O Aleph", me fez refletir, ali, diante do mar.

Afinal, o q somos nesse mundo? Apenas isso: solidão com ventania à beira-mar. Estamos nós, sós, diante do gigantismo do Universo, tudo ali ao nosso alcance, e não sabemos o q fazer com tudo isso. Alguns se concentram no mundo material, de tanto medo do Universo... Mas somos todos sós, com experiências próprias de cada um, e qualquer sensação de "missão" ou de q "devo cuidar de fulano" nada mais é do q a ilusão da culpa de vidas pregressas. QUE JÁ PASSARAM. Essas pessoas saberão cuidar de si sozinhas, e não é positivo q eu interfira no aprendizado de ninguém. E se, a compaixão me surgir num momento de reatividade perante alguma situação, devo refletir sobre ela antes de sair oferecendo por aí, prá todo mundo. Será mesmo compaixão? Não será apenas meu ego querendo q eu "pareça" boazinha? Pois bem, tanto quis parecer "boazinha" q tem gente q pensa q sou santa, me põe num altar e não quer mais me tirar de lá... Quase um Buda dos dias modernos... Foi ISSO q minha "compaixão" criou. Agora preciso q o "Projeto Efeito Borboleta" aja rápido, e assim todos serão felizes.

Às vzs, a compaixão q parece pura e simples traz infelicidade logo atrás dela. O ser humano é feito de vaidade. Sou apenas mais uma. Agora está na hora de desconstruir para reconstruir. Senão nunca mais saberei o valor da compaixão de já dei e ainda hei de dar. Não haverei de receber minhas bênçãos enquanto eu não der valor a todos - TODOS - os sentimentos q eu tenho, na condição humana...

Ia'Orana!




sábado, 16 de julho de 2011

"Onde Deus possa me ouvir"

Coisas bizarras q só acontecem comigo. Tem épocas da minha vida em q a espiritualidade vê q eu to me afastando, então joga milhões de situações na minha vida prá q eu não me esqueça q é prá lá q todos retornam, e q de alguma forma, tenho um compromisso com eles. Prá isso tenho q aprender tbm a completar as minhas próprias jornadas. E isso é confuso prá caramba...

Tem gente q desde criancinha já sabe q profissão seguirá. Crescem e realizam o q passaram a vida inteira anunciando. Acho bonito isso! Há uma consciência remanescente nas crianças de sua própria missão... Pena q lembramos mto pouco dessa fase. Pq a vida adulta nos ocupa por demais, e mtas vzs deixamos com q influências da sociedade nos invadam. Eu por exemplo: nunca soube ao certo o q seria qndo crescesse. E prá dizer a verdade, acho q ainda não sei... rsss... Achei q minha missão era a enfermagem, mas o destino tem me afastado cada vez mais... Talvez minha missão seja a de servir de outra forma. To me encaminhando, mas já sem mtas expectativas, pq a vida pode virar denovo a qualquer momento... Estou nas mãos da espiritualidade.

Engraçado q já na minha mais tenra infância, coisas "incomuns" aconteciam. Meus amiguinhos diziam o q queriam ser qndo crescer, e eu já sabia q minha missão era outra. Ao crescer achei q isso passaria, por ser "coisa de criança" mesmo... Das duas, uma: ou eu estou regredindo cada vez mais, ou esse tipo de experiência está realmente no meu destino.

E essas sensações estão cada vez mais fortes na minha vida. O duro prá mim é saber identificar cada acontecimento e seu porquê. Por exemplo: é difícil prá mim reconhecer qndo algo acontece pq tem uma mensagem a me passar, ou pq minha capacidade de captar ou fornecer algumas coisas fala mais alto. É tbm difícil de não ficar "achando coisas" qndo a gente já tem um certo estudo e conhecimento teórico, ao mesmo tempo q prá viver algumas coisas, precisei desse conhecimento prévio. Foi assim com minha primeira incorporação, algumas semanas atrás. E agora essas sensações... Visões, arrepios, sensações de gelar o corpo. Não consigo entender o q é bom ou ruim. Pq as vzs quero acreditar em algo q pode não ser a verdade. Maldita mania de romancear as coisas...

Estudar mais, ler mais, eis minha sina. E tentar meditar, desejando q as resposta surjam do vazio das tensões diárias. Não dá mais prá fugir.

Até pq, há outras vidas em jogo...

Ia'Orana!



segunda-feira, 28 de abril de 2008

A chama que me chama

Está ela em todos os lugares, como se nunca tivesse estado presente na minha vida. Me persegue como quem quer dizer alguma coisa, mas não sabe bem como dizer. O que quer de mim, Música, se conheces minha alma como ninguém mais (nem mesmo eu)? Sabes que dou minha vida a ti, é só pedires - q missão tens para mim?...

Há algo tão entranhado em meu coração que não consigo trazer pra fora. Mas dessa vez não são mais minhas frustrações abafadas, mágoas, rancores retidos. São apenas... Música! Como mensagens que a gente recebe e tem que repassar ao seu destino com certa eficiência. Pensei em voltar a compor, mas não sei, tem muito tempo que não o faço; talvez nem eu lembre como fazê-lo, rsrsss... Gosto mesmo é de cantar o que vem na alma de alguém, ainda que esta alma não seja a minha. Essa paixão vem acima da minha capacidade de (re)compor minha vida - musicalmente falando.

Tenho visitado muita gente bacana, inclusive compartilhado uns pianos legais - pelo menos enquanto durmo. Teve o sonho com a Elis no dia do aniversário dela (esse dia foi inesquecível) e anteontem sonhei com varias mães (encarnadas e desencarnadas), lideradas por Cássia Eller e Elza Soares, cantando uma canção tão linda, mas tão linda, q eu não conseguia acompanhá-las de tanto chorar. Chorava aos cântaros, e as lágrimas pareciam não ter fim e nem destino, eu simplesmente sentia minha garganta assim, embargando, e a música assim seguia. Era uma canção de melodia impressionantemente linda que falava sobre a missão de ser mãe e fazia analogia entre a vida da mãe moderna com a vida de Maria à época de Jesus, tudo o q sofreu, etc. Acordei tão impressionada com a canção que corri pro computador buscar a letra dela com alguns trechos que eu me lembrava, ainda zonza de sono, como "ser mãe é se calçar de luz", entre outros versos que não me vêm agora. Aí sim, me dei conta de que Cássia Eller (nem ninguém) nunca compora neste mundo uma canção como aquela. Seria missão minha então trazê-la para o conhecimento dos terráqueos em si? Acho que não, porque não consigo mais lembrar da música, infelizmente (apesar de meus olhos se encherem d'água só de pensar nela). Mas pensei muito em tentar reescrevê-la. Qual seria a autoria? "Dannie Machado/Mundo Espiritual", o que acham?? hahahaha... Só sei que tenho tido cada vez mais encontros mais intensos, musicalmente falando, enquanto durmo. Com que objetivo? Ainda não sei...

Queria saber do que a música precisa de mim... Já que dela eu preciso prá ainda ser um ser-humano vivo...

Ia'Orana!