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domingo, 3 de junho de 2018

Mea Culpa

Era assim que tinha que ser, ó, Pai? Perdão, agora entendo que não foste Tu que me abandonaste, mas eu que me afastei de Ti ao duvidar da Tua Força em Mim.

Grata sou por nunca ter desistido de mim, por me permitir ir e voltar, e me receber com o mesmo Amor.

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E é com este mesmo Amor que Ele envia repetidamente as mesmas mensagens que sou erradamente humana demais pra tentar entender de primeira... Eu teimo, bato a cabeça, mesmo que todas as peças magneticamente se encaixem nas minhas mãos... É óbvio que a Vontade de D'us sempre foi uma só, e eu só me compliquei porque fui rebelde demais e reneguei as promessas que eu já tinha feito anteriormente. Duvidei da força dos meus sentimentos e brinquei com o Poder que me foi dado como uma criança que brinca com o revólver carregado do pai. Agora que a Caridade daqueles que me guiam me atendeu ao pedido tão repetido da orientação de qual caminho seguir, decidi que seguirei até o fim os Desejos da minha Alma. De nada mais adianta correr de algo que nós já sabemos que é inevitável, não é? Eu duvido de mim mesma, duvido do outro, duvido assim de D'us. Depois grito chamando por Ele... Ele sempre esteve aqui, eu que não o enxerguei porque... Porque... Bem, acho que nem importa agora. O que importa é que agora estou renovada pois tenho um novo Propósito, e é nele que vou me concentrar pra resolver daqui pra frente pra, finalmente, botar todas as coisas no lugar - não exatamente no mesmo lugar, a maioria das coisas em lugares melhores, tudo vai se reorganizar pra funcionar melhor, enfim.

Perdão por ter duvidado. Agora estou realmente disposta a acreditar na MÁGICA.

Todah Hakadosh Adonai!


A Divindade que mora em mim saúda a Divindade que mora em você.




quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A balada do Louco

Depois de tantos anos de estudos e leituras pessoais pra praticar, a gente acaba percebendo certos padrões de comportamento em nós mesmos através de cartas de Tarot que se mostram repetidamente. Exemplo disso é a A Torre que se manteve muito presente enquanto eu tentava desesperadamente reconstruir minha vida nas mesmas formas de antes - e eu demorei a entender o recado que esta carta trazia, talvez presa a meus próprios sentimentos de perda e, por isso mesmo, falta de lucidez. Eu estava zonza de dor e assim, desorientada, tentava reconstruir tudo da maneira que era antes. Devo ter aprendido algo enfim, pois a Torre deu lugar a outro arcano em sua presença constante em meus últimos jogos pessoais: O Louco.

Essa costumava ser uma das cartas que mais me "irritavam" pois sua interpretação é mais complexa, impossível de se resumir em uma palavra-chave - base do meu processo de interpretação de cada carta do tarot. O Louco é daquelas cartas que eu olhava, examinava, contemplava... E não sabia bem do que ela estava falando. Se o arcano menor que o acompanhasse não fosse mais objetivo, ficava numa sinuca-de-bico dependendo de todo o resto do jogo, sempre com aquela pontinha de insegurança no meu coração ao interpretá-lo, o que me fazia refletir por dias, fosse o jogo pra mim mesma ou pra algumx consulente.

Em sua imagem, o Louco traz uma sacolinha nas costas e ruma pra algum lugar - nunca se sabe se ele está indo ou chegando, mas é fácil perceber que ele vislumbra muitas possibilidades à frente. Um cão pula-lhe nas pernas, não se sabe se pra fazer festa ou atacá-lo, se pra expulsá-lo dali ou pra impedi-lo de seguir viagem. Mas o Louco pouco se importa com este cão: ele segue adiante, com o horizonte no olhar mesmo que ainda tenha o precipício sob os pés. Há tantas terras, pessoas, cenários, coisas pra ver e fazer, universos inteiros pra conhecer... Tudo ali, ao alcance dos sonhos, não importa mais se o pé vai doer.

Acho que só agora entendi de verdade o grande e verdadeiro significado desta carta, porque percebo para quê exatamente o Tarot queria me abrir os olhos: para as possibilidades que a Vida tem trazido, as novidades, os pequenos sortilégios do Destino, o suficiente pra voltar a trazer o horizonte aos olhos e essa vontade louca de me jogar no precipício mais uma vez. Apesar de tudo ter acontecido nos últimos tempos de forma muito conturbada, ainda assim trouxe o benefício de me fazer evitar pensar nas velhas estruturas e me desagarrar emocionalmente delas, construindo novas pontes pra futuros bons. Porque, por mais que eu não quisesse, é inevitável: nada mais será como antes, por mais que eu tente lutar contra. A diferença é que dei as costas à velha Torre em ruínas e voltei a encontrar a coragem do Louco do Tarot, a encontrar o horizonte nos olhos, as borboletas no coração, sem mais o medo de seguir com o precipício sob os pés.

Bjas de Lux!
(Porque hoje estou com humor surpreendentemente muito bom. ^_^)



Sou apaixonada por Mutantes e todas as versões possíveis dessa música (inclusive a versão de Ney Matogrosso que usei em "Dizem que sou Louco... (A Gênese)"), mas quem conhece a história de Arnaldo Batista - o Lóki - sabe como esse vídeo é significativo. Conheçam essa cinebiografia!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Idem

"Esses dias nos marcaram. Esses dias são dias que nos traumatizaram. Não se espante, ou melhor, se espante se quiser. Aliás, para um dos filósofos mais pop's que é Platão, a filosofia começa no espanto.

Mas como estava dizendo, esses dias nos traumatizaram. No alemão,
"eintraum" quer dizer tanto "trauma" quanto "ferida". E uma ferida, essa como a que tive e estou tendo esses dias, vai demorar pra cicatrizar. Quero eu, inclusive, que nunca cicatrize. Um trauma é sempre algo que nos fere, mas mesmo que nós nos ferremos, acabamos sempre conferindo o quanto essa ferida, de tão profunda, não fecha.

E que não feche, que essa ferida seja apenas como uma inflamação inicial que toma todo o corpo. Corpo doido, corpo solto, corpo vivo, o corpo ocupo, o corpo todo, ocupa tudo.

Contigo sou mais forte e aprendo a todo momento, compreendo que a força de nossas vontades coloca todo nosso movimento, em movimento."

("Anônimo")

Amém!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Vento no Litoral

Na Lua Minguante, a maré baixa se revolve à beira da Praia Vermelha.
Parece que o Universo está em acordo para que tudo seja levado para o fundo do mar.

É tempo de renascimento.

Por isso deixo o vento lamber a canga na qual me protejo do frio. Deixo o vento levar pra longe toda a Morte que tem tentado roubar meus últimos dias e os mais preciosos dos meus afetos.

Não foi um sábado fácil para ninguém. E nem pra mim, que fiquei só administrando as notícias de longe, diferente das outras vezes.

Dessa vez as bombas não estavam em minhas mãos, mas não foi fácil me manter longe dos estilhaços. Pelo menos eles não me machucam tanto mais - e isso é estranho. Talvez eu já possa ter alcançado uma espécie de lucidez que parece cegar a visão do que esperam de mim. Talvez seja isso que a Vida queira de mim - justamente o que não se espera.

Olho pro céu buscando confirmação à minha reflexão, e um avião atravessa o céu da praia. Se esconde atrás da pedra e me deixa só, novamente, com as luzes de Niterói ao fundo e o silêncio do marulho. Suspiro.

Nesse mesmo cenário que me acolheu em sonho antes mesmo de o conhecê-lo de fato, e que me acolheu em outras tantas vezes que precisei, o mar me surpreende agora tentando me alcançar na faixa de areia, como se Iemanjá já me avisasse que era hora de partir.

"Será esse o sinal que eu estava esperando?"

Olhei pela última vez ao centro do céu da Praia Vermelha e busquei visualizar aquele D'us que vi outrora, naquele mesmo local, mas em outra dimensão:

- Senhor, eu não sou digna que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salva...

Levantei-me e parti. Não demorou muito para chegar em casa e o Destino, através do Cristo/Krishna me responder assim da forma mais óbvia que poderia:

- Bhagavad Gita!

A partir daí, outra história em estado germinal se vislumbrou à minha frente, abençoada por Arjuna (espero eu).

(Continua.)