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sábado, 30 de setembro de 2017

Nem tudo o que você quer é o que você merece

Pois é, estou de volta.

Na verdade eu tinha deixado esse blog inativo para me dedicar ao outro, no qual me dedicaria a textos mais poéticos, longe da questão de saúde/adoecimento mental. Talvez porque, ao adquirir estabilidade e segurança, depois de tantos meses sem medicação, eu tive a ilusão de que eu automaticamente teria deixado de ser doente. Ledo engano.

O esforço em me manter estável prosseguiu, mas com certo alívio por não me sentir mais embotada pela medicação. Vejam bem: a medicação é importante, me ajudou muito em momentos mais difíceis de crise, mas o sonho de toda pessoa com transtorno mental é ver-se livre dessas amarras, e talvez eu tenha perdido a mão nisso. A diferença é que agora percebi que mentir pra mim mesma e dizer que não sou doente só me faz adoecer mais. Tapar o sol com a peneira é apenas criar um novo caminho para chegar novamente a isso e se tem coisa que não quero é voltar a esse lugar em que tudo se resume a encontrar a dosagem certa pra me encaixar.

Então vou usar minha criatividade pra tentar construir um destino diferente.

O que me trouxe a essa conclusão foi a observação de minhas relações - não só por mim, mas também por perceber que minhas relações mais significativas são também com pessoas com algum transtorno. Pessoas que, como eu, também são vez ou outra dominadas por impulsos auto-sabotadores, ainda que de forma diferente de mim. Pessoas que também buscam a própria felicidade, mas metem os pés pelas mãos o tempo todo desejando mais que tudo acertar, ainda que tenham que reconhecer que erram também. E às vezes feio. Em resumo: perceber o quanto é difícil lidar com pessoas assim me fez voltar a me identificar neste "seleto" grupo - que, hoje percebo também, nem é tão "seleto" assim.

Muitas vezes, me vendo como doente, eu só percebia o quanto os outros me magoavam - mas eu não magoo também? E o que me faz reagir assim, afinal? Minha ilusória eutimia me fez perceber que a Vida é via de mão-dupla, e se os padrões de comportamento continuam a se repetir, é porque a "cura", na verdade, nunca existiu. Eu só me coloquei como alguém "de fora", quando também estou "dentro".

O fato é que agora que eu achava que já tirava de letra o Transtorno Bipolar, a Vida me pôs de frente a um outro transtorno: o Transtorno de Personalidade Limítrofe, ou Borderline. Eu já o tinha ouvido falar e até já tinha cogitado também ser portadora deste transtorno, mas tudo indica que não. No entanto, este parece estar presente no DNA da família, assim como tantas outras doenças psiquiátricas, e agora me pego estudando profundamente o assunto. Principalmente pra descobrir como uma bipolar como eu pode sobreviver a uma relação com uma pessoa borderline, já tendo que fazer um esforço enorme pra sobreviver apenas à bipolaridade própria.

Fácil é quando a gente pode simplesmente se afastar, "cada um no seu quadrado", gritar um "FODA-SE!!" bem alto e seguir a vida. Mas e quando a Vida te amarra a vínculos indestrutíveis com essas pessoas, ou quando você é responsável por alguma delas? Só me resta lembrar quem sou e de toda a minha trajetória até aqui: não foi fácil aprender a lidar com o TB, mas hoje já até dou palestras sobre o assunto. Ainda não sei tanto sobre a esquizofrenia, mas já aprendi a lidar no dia-a-dia. Assim como agora ainda não sei nada (ou quase nada) sobre o T. Borderline, mas to fazendo o meu melhor pra aprender - porque quero que essas pessoas que amo consigam também alcançar a paz de espírito que um dia eu conquistei (e que ainda luto pra manter aqui comigo).

To começando com o básico: conversando com essas pessoas a quem sou vinculada, tentando observar de forma racional o que sentem e o que as motiva. Tentando entender a diferença entre um Transtorno Afetivo e um Transtorno de Personalidade (logo eu, que já nasci com uma personalidade tão marcada, como já diziam aqueles que me conheceram quando criança/adolescente). Conversando com outras pessoas que também se declaram borders pra entender de certa distância afetiva. Lendo sites, depoimentos e artigos de profissionais da saúde mental (atualmente estou lendo "Corações Descontrolados", da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa). Muita coisa está, finalmente, fazendo sentido, mas sei que a jornada está apenas começando...

"Amar não é ter que ter sempre certeza...", já cantava o Jota Quest no final dos anos 1990. Talvez amar seja apenas a busca desta certeza, mesmo em meio a uma escuridão desorientadora.

Ainda na busca.
Paz.
Ia'Orana!

quarta-feira, 26 de março de 2014

You're gonna hear me roar!

E nesses dias de climas tão extremos, me questiono novamente: Que sou eu? Não me pergunte, pois eu não sei a resposta. Antes de dormir, com os 5 comprimidos diferentes que uso, permito-me parar e contemplar as medicações na minha mão. Conto e reconto prá saber se não esqueci nenhum. Eu já devia estar acostumada, mas com mais um medicamento receitado, acabo me confundindo.

Não lembro quando tudo começou. Só lembro de ter tentado tratar um problema, que trouxe outro, que trouxe outro... Meu laudo médico e minhas receitas parecem mais uma lista de mercado. Quando me vi robotizada pelo uso do Haldol, recebi mais uma medicação prá lista. A princípio doeu - chorei como se não houvesse amanhã - mas será que na vida do bipolar existe amanhã?

Nós nunca sabemos o que vamos sentir daqui a 5 minutos, como pensar no amanhã? Mas estou bem, não vou reclamar: enquanto tomo minha medicação certinha, me sinto estável, sem rompantes e sem depressões. Quando lembro de mim como era antes do tratamento ou quando paro com os remédios, me agarro ao tratamento, porque não quero mais viver aquilo. No entanto me questiono se toda essa estabilidade sou eu mesma ou se só virei uma outra versão de mim mesma. Com a estabilidade meu dom de escrever, cantar, emocionar parecem ficar adormecidos - por isso minha ausência do blog por tão longo período. As palavras que antes saltavam dos meus dedos através do teclado parecem ter me abandonado. Além do mais a impregnação de Haldol me transformou num ser robotizado, parecia que eu não era eu, eu não tinha coordenação motora, tinha muitos tremores, meus olhos estavam estranhos, enfim, eu era a cópia da imagem da minha mãe que tive a vida toda. Tive muito medo de ficar imprestável. Aliás, morro de medo de me tornar inapta à convivência social ou inapta a tarefas do dia a dia. Eu quero trabalhar, ser alguém!

Ando num período conturbado, entre problemas de família, problema nos estudos e problemas financeiros. Não gosto da sensação de impotência (quem gosta?), e robotizada pelo medicamento, eu me sentia ainda pior. Vejo amigos com o mesmo problema pedir aposentadoria por invalidez, mas isso seria minha derrota. Eu decidi que quero trabalhar, ter minha ocupação, ter também meu dinheiro suado, só quero ser normal.

A questão é: qual é o meu normal? Quem sou eu? Sou os medicamentos que tomo?

Seja como for, não vou parar com eles. É graças a eles que posso buscar uma vida normal. E o normal não pode ser um martírio prá mim. É isso que tenho que construir.

Shalom!



quarta-feira, 15 de maio de 2013

A primeira versão

Hoje eu sou um furação num incêndio. Levanto labaredas até onde as vistas já não mais alcançam. Sou força e temor. Sou simulacro da normalidade. Sou a ânsia e o descuido. Sou o afã.

Hoje meu coração voa por cima da metrópole. Observa as vidas seguindo de longe. Não compreende nada. Não sabe onde quer chegar. Só quer sair voando.

Tinha anos que eu não quebrava nada. Já me perguntava se eu não me medicava desnecessariamente. Mas, sim, as crises saltam em esquinas em que menos esperamos. E nos tomam de assalto.

Fazia tempo eu não experimentava irritação desse tamanho. Fazia tempo. E agora que ela está aqui, vejo que não sentia falta dela. Eu não a quero mais, não a quero... Mas ela está aqui.

Que fazer?

A vontade era de quebrar todo o resto da casa, me esconder depois debaixo do edredon, e fingir que não to em casa. Saí. Fui viajar. Fui prá Pasárgada! Queria simplesmente explodir sem deixar rastros... Que pena que é impossível.

Então recolho os cacos do que quebrei, sento aqui e escrevo. Regurgito linhas e linhas de sentimentos incompreensíveis. Será que alguém entende? Será que alguém entenderá?

Acho que vou prá cama, realizar parte do meu desejo. Apenas me esconder no edredon e tomar meus remédios. Não estar mais aqui. Pelo menos até amanhã.

E que amanhã esse fogo se extingua.

Shalom!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Bipolar e o Direito de Amar

"Isso não pode dar certo... Não vai dar certo!", ele bradava no meio da praça. Transeuntes passavam sem mudar a rota, mas olhavam pelo canto dos olhos.

"O quê?? Por quê?? Me explica...", ela pedia, quase implorando, tentando compreendê-lo e acompanhá-lo enquanto andava de um lado pro outro, agitado, pela pracinha.

"Ah... E além de tudo, você tem esses seus... er... problemas aí!! E eu, na boa, não tenho a mínima paciência...", ele evitava os olhos dela dando um trago no cigarro. "... A mínima paciência mesmo...".

Ela baixou os olhos e parou de acompanhá-lo. "Então é isso...". Bem, se era ou não, era o que menos pesava. A questão é que o fato dela ser bipolar pesava - e era óbvio que pesaria! Ela só pensou que não fosse tanto...

Depois de tantos anos de diagnóstico e de medicamentos, já estabilizada, pensou que finalmente poderia ter uma vida normal. O problema é essa mania que ela tinha de querer ser sincera... "E, como faz? Minto pro cara até quando? Quando ele se espantar com a quantidade de remédios na minha mesinha de cabeceira?? Ou continuo mentindo e digo que tenho um câncer raro?...". Bem, ter câncer deve ser menos chocante prá um homem do que ser bipolar. Porque, afinal, caros amigos, todos sabemos como são as mulheres bipolares: são infantis, mentirosas, levianas, inseguras, ciumentas, escandalosas... Ou não. Ou isso na verdade é o estereótipo das "menininhas" que gostam de bradar aos 4 cantos que são bipolares quando na verdade não sabem nem do que estão falando.

Enfim, na verdade, eu, como bipolar e solteira, paro prá uma reflexão: ser bipolar me torna menos digna de ser amada? Quem de nós, bipolares, que já não passou por esse diálogo assistido em uma famosa praça da cidade do Rio de Janeiro?

A questão é que ninguém quer pagar prá ver um relacionamento com uma pessoa que tem esses "probleminhas". Vejo meu pai com a minha mãe, e a palavra é realmente paciência: são quase 40 anos de companheirismo, mesmo que não se amem do jeito romântico que se espera. Mas ele a leva no médico quase todo o mês, controla os remédios para que ela não abuse, muda sua própria agenda prá levá-la onde for... Porque infelizmente, a esquizofrenia venceu minha mãe e ela não sai mais de casa sem a companhia do meu pai. E ele, pacientemente, a leva prá onde for preciso.

Daí eu lembro do meu falecido casamento, das crises que eu tive, de todas as vezes em que fui ao médico sozinha - inclusive nas emergências nos momentos de crise - dos momentos em que eu estive sonolenta de remédio e mal conseguia responder uma simples pergunta... Dos momentos em que eu só queria alguém prá segurar minha mão quando eu estava deprimida sem motivo, e não me xingasse achando que assim me reanimaria. É... Pensando bem, ser companheiro de uma pessoa bipolar requer muita, MUITA paciência.

Não precisa vir comigo nas consultas, nem controlar meus medicamentos - eu já faço isso sozinha. Mas esteja presente quando eu mais sentir angústia sem saber o porquê, saiba silenciar quando preciso, compreenda minha eventual falta de produtividade... Resumindo: tenha paciência!

Refletindo um pouco mais: será que um dia encontro um companheiro que, além de me amar do jeito que sou e que me conquiste da mesma forma, tenha paciência com meu "probleminha"? Será que isso existe? Ou será que todo o bipolar solteiro tem que passar o resto dos dias só?...

A companheira que protagonizou a cena na praça me disse que não, que todos nós, bipolares, unipolares, brancos, afrodescendentes, gays, bissexuais, héteros, temos sim, direito de sermos amados. E que quando o amor verdadeiro surge, esses "probleminhas" são apenas detalhes. E que ela vai continuar acreditando e sendo sincera, porque um dia - ah, um dia - ela irá encontrar quem a ame POR COMPLETO.

Quero muito ter fé como você, amiga... Quero muito...

Shalom!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"A felicidade só é real quando compartilhada" II

Sabe, aqui é meu cantinho de tentar transformar minha vivência em algo lúdico. Escrever é realmente uma coisa q me faz me sentir realizada. E qndo posto conquistas por aqui, não é prá provar nada prá ninguém - é simplesmente por querer gritar ao mundo qndo pqnas coisas q acontecem me deixam feliz. O bom é q tenho recebido comentários de pessoas relatando q estavam desesperançadas por causa do Transtorno Bipolar, e q lendo meu blog, se sentiram com as esperanças renovadas.

Eu realmente não tenho tal pretensão, mas confesso q me dá uma alegria imensa qndo me surpreendo com cada comentário desse. Se eu pudesse olhar nos olhos de cada pessoinha q me deixa esse lindo feedback, eu diria "não desista! Nós conseguimos! Não sou melhor q vc, nós temos igual capacidade!!", e daria um enorme abraço. Mas como não posso, só posso recomendar q leia meu blog (se ainda não leu) desde o comecinho. Lá, em 2008, qndo recebi o diagnóstico, tudo me assustava e todos os transtornos pessoais, financeiros, emocionais, enfim, tudo relacionado ao TB foi relatado aqui. Não sei bem pq, mas quis transformar esse transtorno em algo útil. E acho q to conseguindo.

Hj, 4 anos depois de mtas dúvidas, choros, reações adversas de medicamentos, trocas, culpas, mágoas e separações, posso dizer q estou me realizando como pessoa. Encontrei na rede pública uma psiquiatra mto boa, q dialoga, e com a qual consegui um esquema de medicamentos q me deixam bem estável. Estou reaprendendo a ser mulher e a confiar no meu coração depois de uma separação complicada, e reaprendendo a ser mãe, depois de tantos tropeços diante do meu diagnóstico e o da caçula - q tbm tem TB. Me sinto confiante o suficiente prá procurar um emprego e com a auto-estima lá em cima por ter conseguido retomar os estudos depois de anos e ter conseguido passar prá uma faculdade federal - um sonho se realizando. Retomei minha fé, e é ela q me dá forças prá continuar - com a vida e com os remedinhos. É naqueles dias de cansaço extremo, em q deito e penso "ah, não vou tomar os remédios esta noite não..." q parece q meus Anjos Guardiões dizem: "vai, levanta, senão vc vai voltar a se sentir perdida no mundo... Vc não lembra??". Daí me esforço prá levantar e tomá-los...

Enfim, a luta é diária, e a ideia de q posso estar ajudando outros bipolares a encontrarem essa paz e realização q encontro hj me deixa ainda mais feliz. Esperança, amigos! O diagnóstico, o monte de remédios, a terapia, tudo assusta sim. Mas mantenhamos a esperança!! Dá sim prá viver, ser feliz e ter TB. É isso q eu queria dizer prá vcs e deixar registrado prá minha filha - qndo, quem sabe um dia, vier a ler esse blog.

Lembremos:  "EU TENHO UM TRANSTORNO, MAS ELE NÃO ME TEM".


Obgda a todos q leem o blog e deixam recadinhos!

Ia'Orana! (Viva bem!)
Shalom!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Eu e TB, TB e eu


Sinceramente, não me ofendem as piadas e termos jocosos com as quais as pessoas se divertem em relação ao Transtorno Bipolar. Seu nome, inclusive, virou moda, e as vzs até xingamento. Não me incomodam mesmo, às vzs até entro na brincadeira tbm, mas o q me incomoda é q as pessoas q comentam realmente não sabem NADA sobre o Transtorno Bipolar. É o q as pessoas chamam de "pré-conceito".

Então, como real portadora deste com o qual eu tenho intimidade desde q me conheço por gente (mas q só tomei conhecimento de ser portadora há 3 anos e meio), me sinto não só no direito, como na obrigação de dizer o q realmente ocorre nesta doença.

Primeiro erro: as pessoas acham q os bipolares mudam de ideia a cada segundo. Isso na verdade não se trata de uma característica do transtorno, mas sim uma característica de uma personalidade insegura. Pessoas podem mudar de ideia como quem muda de roupa sendo OU NÃO bipolares. Então o q, afinal, retrata um possível Transtorno Bipolar????

Por tudo q já li, por tudo q já vivi, e por tudo q vejo em outras pessoas tbm diagnosticadas, posso dizer q o maior perigo do Transtorno Bipolar é a INTENSIDADE. A alegria é sem limites, a depressão é sem limites, NÃO HÁ MEIO TERMO. Pessoas saudáveis têm seus momentos de alegria, têm seus momentos de tristeza, mas todos têm razão de acontecer, e na maior parte do tempo essas pessoas vivem a EUTIMIA (humor normal). As bipolares podem tomar decisões errôneas na euforia, acreditando q tudo vai dar certo no fim, podem iniciar um processo de alcoolismo ou de uso de drogas durante essa fase sem medir as consequências. Da mesma forma q a depressão é tão intensa q, na intenção de matar a dor e não a si mesmo, mtos bipolares tentam suicídio ou usam de automutilação. Uso de drogas e álcool nessa fase tbm é comum.

O nosso humor muda "de uma hora prá outra" no sentido de q não há fator externo q faça nosso humor mudar. Como disse uma psiquiatra minha certa vez, "é tudo química do cérebro". A química muda, o humor muda. Mas não é o tempo todo: há euforias q duram meses, há depressões q duram meses, até anos. Pessoas deprimidas por anos q tiveram apenas um episódio de euforia sem motivação externa podem ser diagnosticadas como bipolares. É por isso q o diagnóstico é tão difícil, pq depende da observação do paciente durante anos.

Em mtos casos - como aconteceu comigo - uma pessoa é considerada deprimida ou ansiosa demais (TAG, assunto prá outro post), passa a fazer tratamento com antidepressivos e daí a "bagunça" começa. Tudo pq os antidepressivos em bipolares não surtem o efeito desejado se usados sem um moderador de humor. Durante meu tratamento para ansiedade, eu tinha picos de euforia, e dias de depressões cada vez mais profundas, coisa q eu não entendia. Portanto, me sinto na obrigação de alertar: PAREM DE ACHAR QUE ANTIDEPRESSIVO É PÍLULA DA FELICIDADE!! Ela precisa ser receitada por um psiquiatra competente, q observará o seu comportamento ao longo do tratamento.

O Transtorno Bipolar tem grande fator genético, assim como outros Transtornos Mentais. Geralmente quem tem TB tem algum parente q tem ou já teve episódios depressivos ou psicóticos (mania de perseguição). No meu caso, meu avô paterno teve depressão, minha mãe tem esquizofrenia, eu tenho TB e comorbidades (doenças q acompanham o transtorno), a minha filha caçula tbm teve o diagnóstico de TB. O mais importante, tanto para o paciente qnto para os parentes e amigos é compreender a situação e aceitar q uma qualidade de vida é possível com o tratamento correto. A psicoterapia tbm ajuda mto. No começo, foi difícil prá mim pensar q eu teria q tomar remédio prá sempre, remédios q "modificariam meu comportamento" - houve certa crise de identidade. Com ajuda de uma psicóloga, aprendi exercícios prá compreender quem eu sou de verdade, o q o transtorno faz na minha vida, ou os medicamentos. Hj não faço mais terapia psicológica, mas foi 1 ano e meio de mto aprendizado.

Hj eu me trato com a  mesma psiquiatra de 3 anos e meio atrás, com quem me entendo mto bem. Há abertura de diálogo dos dois lados, e toda mudança de medicação é discutida de igual prá igual. Acho isso importante. Pq a gente muda mtas vzs até encontrar a medicação certa... Agora o foco é controlar uma das minhas comorbidades, a tricotilomania - eu e a dr. Valéria temos discutido possíveis soluções há cerca de 1 ano. Me sinto tão estável com o lítio+fluoxetina+rivotril+haloperidol q as vzs tenho medo sim de mudar isso... Mas talvez o topiramato seja uma solução melhor. Enfim, a intenção da psiquiatra é tornar minha vida melhor, e realmente, desde q comecei o tratamento prá cá, pude notar uma melhora na condição mental, concentração, ansiedade e relacionamentos interpesssoais. Mas, mais q tudo, ME SINTO EM PAZ, CAPAZ DE LEVAR UMA VIDA NORMAL.

Afinal eu TENHO UM TRANSTORNO, eu NÃO SOU o transtorno.


Bipolares podem ter uma vida normal e feliz, como eu tenho hj. Se vc acha q pode ter algum transtorno ansioso ou de humor, busque um psiquiatra!! A rede pública tem ótimos profissionais, eu mesma me trato na rede pública... Só não viva tentando tapar o sol com a peneira. Pq o maior sofrimento do bipolar não aparece prá sociedade: são os tormentos mentais q nos tomam, sentimentos e pensamentos q tomam vida dentro da mente e perturbam e deixam-nos perturbados. A PAZ NÃO TEM PREÇO.

Espero que eu tenha conseguido resumir esse complexo transtorno. Comentem à vontade, e se quiserem, usem o texto com a mesma liberdade!

Ia'Orana!
Shalom!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Diário de bordo desse mundo de loucura

Qnto mais acho q já fui fundo demais, sempre parece q ainda estou mto rasa... Informação demais nunca é suficiente.

Pois bem, levei minha caçula à neuropediatra. No caminho prá lá, ela adormeceu no ônibus, logo pensei "pronto: chegar lá ela vai parecer a mais cândida das criaturas, sonolenta, e eu sou apenas mais uma mãe neurótica...". Quem dera! Foi só botar o pé na sala de espera, onde aguardavam uma outra paciente com um filho de 6 anos, brincando sozinho com seus action figures, a Sofia aos poucos foi "acordando" e revelando-se como é. Começou a levantar da cadeira como se tivesse pó-de-mico nela, trocou de cadeira várias vzs, se meteu na brincadeira do menino, quase tomou da mão dele um de seus bonequinhos, e eu comecei meu arsenal de "pára com isso","sossega um pouco", "senta, minha filha", "não faz isso", enfim... É longo o setlist. A outra paciente então entrou então prá sua consulta, e minha caçula percorreu o consultório em busca de outra coisa prá aplacar sua inquietude, mexeu nas coisas da atendente (q parecia bem acostumada com esse tipo de comportamento infantil, por isso se mostrava bem paciente), até q a atendente teve q sair da sala, eu q buscava meu Neosoro na bolsa fui pingá-lo no nariz - foi tempo suficiente para minha filha encontrar o interruptor e apagar a luz de todo o consultório. A médica gritou lá de dentro, mas demorei a me dar conta de q ela estava brincando. Até isso ocorrer, senti todo o sangue do meu corpo vir circular na minha cabeça. E vontade de correr, fugir dali, como sempre dá qndo minha filha começa a apresentar esse comportamento: é tão cansativo, tão "preocupativo" q eu sempre acho q mudando de ambiente ela se acalma... Enfim, o nome dela foi chamado e fomos conhecer a neuropediatra.

Logo dei de cara com uma janela enorme, escancarada, mostrando o visual do Méier do oitavo andar. Gelei! Mas meu trabalho em conjunto com a doutora fez com q minha caçula se mantivesse longe da janela - claro, eu sentei bem perto da janela prá evitar qualquer ação dela enquanto me distraísse na conversa com a doutora. Apesar de tudo a doutora conversou mais com ela do q comigo mesmo, só me perguntou seus dados, histórico clínico e familiar, comportamento em outros ambientes (como escola, por exemplo), enfim... Claro q o histórico familiar mais atrapalhou q ajudou, é uma confusão de coisas, mas enfim... A dra. passou Depakote Sprinkle prá ela 2 vzs ao dia, prá misturar nos alimentos e um EEG com sono induzido. Perguntei sobre um possível diagnóstico, e ela disse prá aguardar o resultado do EEG e de outros exames q ela passaria prá termos certeza.

Paramos prá tomar um sorvete ao sair do consultório, e eu aproveitei prá adicionar ao sorvete dela a primeira cápsula do Depakote q ganhamos da doutora, com medo de q ela rejeitasse. Graças a Deus isso não aconteceu. Aproveitei então para ler a bula - mesmo já conhecendo o Depakene, não conhecia esse formato do remédio. Será q minha filha é bipolar, como eu?? Não é mto nova prá isso? Será só hiperatividade? Será q tbm tem o tal do TOD?... Nada na bula me respondeu. A internet me deixa ainda mais confusa. Mas tenho observado-a mais, conversado mais com ela, e isso tem me feito ter mais paciência tbm. Li o livro "Mentes Inquietas" da autora Ana Beatriz Barbosa Silva, e tbm me ajudou mto. Mas, mais q isso, Mr.G tbm tá lendo e sendo mais atencioso à nossa caçula. E, além de tudo, ele tbm se encaixou em mta coisa. Será ele um TDAH???...

OMG, como se não bastasse...

Acompanhem nossos próximos capítulos!
Ia'Orana!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Mais uma q sofre pela genética...

Andei fora por mto tempo. Tbm, foi "turbilhão de emoções"... Foi amigo q foi preso (por pensão alimentícia), 1 mês depois foi solto; foi tremedeira por causa do lítio, e toda a longa saga q foi me consultar com algum médico q me receitasse algo q parasse com aquilo; foi o gatinho q peguei na rua e q tinha esporotricose (e eu não sabia), acabei me infectando tbm mas o tratamento não fazia efeito. Até q fui na FioCruz e descobriram uma possível reação alérgica ao fungo da esporotricose - fiz exame de sangue, raspagem, biópsia... E voltar lá dia 2, aniversário da minha caçula.

Por falar nela, é ela q mais tem me preocupado no momento. Ela anda mto agitada. Minto. Ela SEMPRE foi mto agitada. Mas eu sempre dava desculpas a mim mesma pelo seu comportamento e temperamento difícil: "é a personalidade dela", "é fase", "é pq teve refluxo" ou ainda "foi mto mimada". Sempre q lia sobre hiperatividade, identificava-a, mas não queria acreditar. Foi mais ou menos como qndo eu tinha 15 anos e lia sobre "psicose maníaca-depressiva", me identificava, mas tbm não quis acreditar. Foram necessários mais de 10 anos prá receber o diagnóstico e tratamento correto. Não quero esperar tanto nem esperar q minha filha sofra tanto prá tentar botar a minha filha nos eixos... Só quem tem um transtorno, sabe o quão angustiante é. E eu SEI o quanto faz falta um tratamento precoce.

Mas não é fácil. Achei um link de uma matéria feita pelo canal Globo News falando do assunto, mais uma vez reconheci minha filha ali. E fiquei sabendo q pais bipolares têm mais chances de ter filhos hiperativos, ou com TDAH. Doeu. Doeu mto!! Saber q eu passei algum distúrbio prá uma das minhas filhas é devastador... Agora sei o q minha mãe sente. Mas me doeu tanto ver essa ficha cair q comecei a chorar na frente do computador, a gritar "eu não quero!", socar a escrivaninha... Minha vontade era de destruir a sala toda. Minha sogra q me acalmou e ligou pro Mr.G prá voltar prá casa urgentemente. A angústia era mto grande, precisei de um Rivotril. Aos poucos, fui acalmando...

E aqui estou eu, compartilhando com vcs um pouco da minha angústia. Não sei por onde começar, tomeio perdida, mas estou pesquisando bons profissionais q sejam cobertos pelo plano de saúde. O sonho de ter mais um filho se torna cada vez mais distante... Tá na hora de pensar numa laqueadura. Não quero ter essa amargura denovo...

Por aqui fico!
Ia'Orana!