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terça-feira, 10 de março de 2009

Almas Expostas - Paulo Roberto Gaefke

"Chega um dia em que,
cansados de tanta repetição,
observamos os nossos olhos e acabamos
enxergando a alma,
e você sabe, a alma não mente,
não se esconde atrás da maquiagem,
nem do sorriso quase
que decorado...

A alma é uma fotografia exposta
de nossos medos,
retrato real dos desejos escondidos,
das perdas,
daquele velho sonho aprisionado,
e as vezes clama por atenção,
pede verdades que você insiste em
não querer ver,
pede atitudes que você não quer tomar,
pede decisões que lhe são
muito caras,
e por comodismo ou medo,
vai deixando de lado,
e a sua vida também vai
ficando de lado,
meia-vida, meios-sonhos,
meia-esperanç a,
vida passando,
simplesmente passando...

Eu desejo,
que neste dia a sua alma se revele,
que você escute o seu "eu"
mais profundo,
que tire os sapatos dos compromissos
formais,
e se mostre de verdade,
revelando essa pessoa especial,
que como todo mundo,
tem defeitos e qualidades,
que precisa amar e receber amor
para que a alma seja preenchida,
e seu rosto reflita,
um brilho sem igual,
de quem encontrou a chave perdida,
que abre as portas da vida,
vida que se renova,
vida que nos aproxima,
nos torna iguais,
capazes de seguir adiante,
como quem diz,
eu mereço o melhor,
eu quero um novo despertar,
recomeçar,
sem medo de ser feliz.

Eu acredito em você"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ciclos

Nesses ciclos q vão e vem, no vendaval q eles deixam pelo caminho, vou esperando me resolver prá poder me manifestar. É complicado escancarar o coração qndo há outras pessoas envolvidas... Já fiz esta bobagem e aprendi deveras!

Enquanto isso, deixo aqui mais um texto q não meu (como tenho feito), mas com o qual me identifiquei mto - talvez por ser "tão bipolar". E, melhor ainda: é de Fernando Pessoa!

"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu. "

Ia'Orana!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O Louco e o Sonho - Thiago de Rezende

"O louco acordou
Chorou, riu e sonhou
E viu no céu um brilho intenso
Da cor que ele sempre sentiu
No seu intimo vendo o mundo que penso
Sim, mas era noite, noite escura
Mas jura o louco que sabia a verdade
Pois quando perdeu-se na sua vaidade
De ter o mundo falso aos seus pés
O louco então voltou a sonhar
Mesmo acordado começou a pensar
Na vida vadia que um dia ele tinha
De passado passado em panos tardios
Assim o louco lembrou que era louco
E voltou a se perder no mundo que criou
O louco assim de repente voltou
As horas passaram, ninguém o viu
O louco parado no canto partiu
Em mais uma nova e inédita viagem
Sem ter que precisar um dia passagem
Para ir além das fronteiras da vida
O louco simplesmente seguiu sua partida
E foi embora o louco dali
Sem sair do lugar ninguém mais pode ver
O que existia no louco pra se ver
O mundo que ele pintava assim
De cores e dores que cantava pra mim
O louco simplesmente se silenciou
E nunca mais o louco acordou"

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Aos Nossos Filhos



"Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...
Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...
Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...
E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...
E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...
Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...
Digam o gosto pra mim..."

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Meu dia de Virginia Woolf

“A beleza do mundo tem duas margens; uma do riso e outra da angústia, que cortam o coração em duas metades.” - V. W.
Deito na cama, ponho no canal de música clássica da tv a cabo, e olho a linda lua crescente pela janela. Meus olhos sonolentos quase fecham, multiplicando a imagem da lua na minhas pupilas. Talvez isso tenha me feito despertar para mim mesma, principalmente nos últimos dias. Tenho tido uma sensação q há mto já não tinha: a de ser duas pessoas num corpo só. E essas pessoas são tão distintas q a consciência delas me faz me perguntar se não enlouqueci de vez.
Ora sou só otimismo, tão cheia de garra, pronta pro q der e vier. Logo essa mulher dá lugar a outra, autodestrutiva e melancólica, cujo maior desejo é fazer o máximo para conseguir não acordar dos sonhos - q têm sido mais emocionantes q minha vida real, diga-se de passagem.
É um esforço enorme tentar me manter na primeira - ainda q com certa moderação, pq no bipolar, tudo q é demais estraga - ainda mais sem os apoios mais próximos da psiquiatra e da psicóloga. A psiquiatra só tem horário prá maio, a psicóloga pelo menos vai voltar ao trabalho nessa semana... Talvez isso alivie minhas angústias, ou talvez ela me encaminhe à uma emergência de vez...
Por outro lado hj dei início a uma atividade agradável: a dança. Entrei na ala coreografada da escola de samba daqui do bairro e hj foi meu primeiro dia de ensaio. Suei prá caramba nesse calor de rachar, com a esperança de perder algum peso até o carnaval (bipolar tbm tem suas vaidades, ué, rs), sem falar q dançar é divertido e um exercício aeróbico. O problema só foi depois, qndo senti um estranho ataque de pânico. Pensei q era a má condição física q essa vida sedentária me proporcionou, mas quase ao final do ensaio comecei a sentir algo no meio do peito, uma angústia, uma ansiedade inexplicável e indescritível... Tudo pareceu distante por um momento, até q alguém mto abençoado se aproximou prá me oferecer água... Foi qndo consegui me distrair daquela sensação. Já até sei q vou ter q levar meu rivotril pra avenida como fiz no ano passado...
Queria ter o poder de Virginia Woolf de descrever sua sensação de dubiedade. Queria ter a força q ela teve de se despreender do marido q tanto amava prá q sua doença não mais o prejudicasse. Mas não, não queria ter coragem de cometer suicídio. Tem q ter mta coragem mesmo... Assim como a tentadora coragem de dar o passo em falso em direção ao buraco da depressão. A depressão às vzs parece tão bonita, e poética, e até preenchedora em algumas situações... Mas minha luta atual é criar forças para me livrar dessa tentação e tomar as rédeas da minha própria vida. Afinal, não posso deixar isso tomar conta de mim prá sempre! Não quero ter o fim de Virginia...
Aff, deixa eu parar por aqui, pq a sonolência priva-me de todos os limites...
Ia'Orana!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O LOUCO - de Reinaldo Simões

"Então o louco
Depois de ter insultado meio mundo
De ter sido esbofeteado
Massacrado
Descobriu pouco a pouco
O que poderia saber em 1 segundo.
Que seu cérebro era de ferro
Marcado por dentro e por fora.
Toda hora o berro da sanidade
Escapava pelos parafusos mal atarrachados
E saía pela boca como fosse iniquidade
Jamais aceitariam
Os figurões da moral
Aqueles de sentimentos agachados
Mas de olhar torto e boçal
Que um louco daquela idade
Pudesse em alguma coisa ter razão.
Seria o mesmo se os mudos falassem
Se os gatos pensassem!
Seria a loucura então."

http://www.freewebs.com/blogdorei

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Insônia

Na vida, todos nós temos demônios a expurgar ou conviver. Alguns têm mais resistência, outros têm menos, mas todos nós carregamos esses demônios conosco. Um dos meus demônios se encontra no sono. Nunca tive um sono realmente reparador, o q sempre me fez dormir mais q a média das pessoas. E parece q ao longo dos anos tem piorado.

Com tantos medicamentos, é natural prá q eu vire um zumbi, mas já passou da hora desse efeito passar! É isso q não entendo: se em novembro e dezembro eu tava tão melhor, com mais energia, até o humor tava melhor... Viajamos, com uma p*** semana de férias, para um verdadeiro paraíso, com amigos agradabilíssimos, ri demais, daí volto e - tá bem, confrontei alguns probleminhas, mas é a vida, né? Nada q me perturbasse realmente, pelo contrário, foi um desabafo. Agora tudo q eu queria era manter o bom humor e a vitalidade do fim do ano passado prá curtir esse fim de férias escolares e me preparar para o início das aulas. Só isso q eu queria, seria pedir demais???

Mas não: volto a dormir mal, com sono superficial e me perseguindo o dia inteiro!!! Já não levanto da cama, mas me rastejo. Rastejo até a cozinha, ligo a tv num canal de desenho prás crianças, faço seu leite matinal, faço o meu (prá iniciar a sessão de remédios do dia) e volto prá cama. E se deixar, é lá q eu vou passando o dia. E não é de hj, pois na sexta-feira passada eu já tava pensando em me alimentar melhor pensando nisso, parar de comer besteira, e enchi a geladeira de vegetais, frutas, etc. Não era prá eu estar mais bem disposta??? O q eu tô fazendo de errado??

Pior de tudo é q uma coisa leva a outra. 3 dias inteiros na cama só pode trazer mais desânimo, prá não dizer uma "pontica" de depressão (q tento espantar a qualquer custo). De vez em qndo eu tentava levantar, ajustar uma coisa ou outra q eu tava precisando prá mudar os móveis de lugar, principalmente despachar coisas q já não interessam mais, mas chega uma hora... Q não páro de bocejar, e tudo q eu quero é um lugar prá recostar. Hj o Discovery Channel agradeceu mto minha audiência. Cada vez q eu abria os olhos era um programa completamente diferente. E o pior: a certeza de q essas "sonecas" vão atrapalhar ainda mais meu sono noturno, mas não sei mais o q fazer. Já tentei um pouco de álcool, já tentei dobrar a dose noturna do clonazepam, já tentei fazer uso do álcool com o clonazepam - o q nem recomendo, até pq não tive sucesso. Agora tô numa fase "natureba" (como se eu já não fosse meio assim): o clonazepam continua em sua dose costumeira, mas agora estou usando passiflora tbm. Hj é o segundo dia. Vamos ver no q vai dar...

Saudações sonolentas (antes q eu apague com a cara no teclado)...
Ia'Orana!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mais uma vez, Maysa

Férias longe do continente, em outro "mundo", quase pensei tbm ser outra pessoa tbm. Ser mais eu. E fui. E foi mto bom.

Mas a gente tem q voltar pro mundo real, né... E no mundo real, os problemas continuam lá, e com tanta auto-confiança, as vzs podemos lidar com isso de forma menos irracional do q outrora. Bom, mas enfim, talvez seja o primeiro passo para as mudanças q 2009 talvez esteja preparando para nós. Acho q baixar a cabeça tem um limite, e qndo passa desse limite, temos de cortar o mal pela raiz, nem q seja para sacrificarmos a nós mesmo. Um sacrifício hoje, um pouco de paz amanhã.

O problema nem foi esse, pq o "tal purgante" já estávamos tomando havia tempos. Não desce mais. O problema foi q - falando de medicamentos - um dos meus estava em falta no posto na semana passada: a fluoxetina. Até aí tudo bem, só poucos dias mesmo sem medicamento, e continuando com o ácido valpróico, com o rivotril... Não ia me matar, né? Até q ontem, assim, sem mais nem menos, saí do banho, sentei na cama ainda envolvida pela toalha, e me pus a chorar. Chorar mto. Soluçar e quase gritar, se eu pudesse. Sorte das crianças eu tê-las mandado pro banho para não ter q assistir àquela cena deplorável. Não sabia o q fazer, até q alcancei o celular na mesinha de cabeceira e sem pensar mto, liguei pro Mr. G - eu precisava conversar com alguém, e na hora eu nem pensava mto, pq geralmente nesses casos não gosto de preocupá-lo enquanto está trabalhando até pq ele não tem mto o q fazer por mim mas... Sei lá, eu só precisava conversar com alguém!!

Tá bom, ele atendeu. Mas conversar sobre o q?? Eu não tinha motivos para chorar tão intensamente, nem de alegria nem de tristeza; não me sentia deprimida; tudo q eu via qndo olhava prá dentro de mim era nada! A razão prá eu chorar daquele jeito era NADA! Vai fazer Mr. G (ou qualquer pessoa normal) entender isso!...

Vi q a abstinência da fluoxetina estava realmente fazendo o efeito q eu renegara. Decidi sair com as crianças, fui no posto e peguei as benditas cápsulas verde-amarelas...

Minha noite foi um inferno. Aliás, vou ter q penas alguns dias prá voltar tudo ao normal... Não dormi, arranquei mto cabelo e pensei com certa obsessão no certo prazer q a dor as vzs é capaz de provocar... Lembrei de qndo eu ainda podia doar sangue, e aquela agulha finalmente encontrava minha veia, aquele arrepio gelado, a sensação de quase sair do corpo... Como qndo "tatuei" símbolos na minha pele com agulha comum, em casa. Vai tentar explicar a alguém o pq de vc ter feito isso!... Ninguém entende, nem entenderá. A não ser q seja mais um irmão q se contorce por dentro como nós.

Mudando totalmente: estou assistindo à série "Maysa - quando fala o coração". Produção impecável e extremamente interessante. Se tudo correu do jeito contado, certamente Maysa foi mais uma maníaca-depressiva incompreendida. Qntos alcólatras, suicidas, narcômanos tbm não passam de bipolares ou de outros doentes do sentimento incompreendidos? Acho q hj, em quase 2010, já passou da hora do nosso preconceito global parar de provocar finais trágicos como o da cantora - ou vidas traumatizadas por tratamentos desumanos em "clínicas psiquiátricas".

Xô, uruca!! Q 2009 venha com toda sua luz!! Prá todos nós!!

Ia'Orana!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Fechando mais um ciclo

Finalmente, completo meus 28 anos. E parecia q nos dias q antecederam o "grande dia" fui ficando mais consciente. Mais consciente da minha melancolia e da minha fraqueza. Foi daí q consegui forças prá buscar essa pessoa q sempre fui e q gosto de ser. Estou feliz e satisfeita com a vida, e mto mais tranquila. Estou mais consciente de mim e, o melhor: me aceitando como sou!!

Não estou mais apreensiva de como será o futuro. O futuro sou eu quem faço. Assim como fui eu q fiz minha própria vida até aqui. E a gente fica pensando tanta besteira, tanta superstição...

Meu 2009 já está sendo bom desde agora! Pq sou EU q faço meu estado de espírito!! Minha mente é a força q faz a minha vida, e não posso esperar pelo contrário, senão, dá no q deu... Eu apagando a mim mesma cada vez mais, prá dar espaço a uma ficha médica. Eu não sou um diagnóstico! Mas aceito q o diagnóstico faz parte de mim. Só isso!!!

Agora, com as crianças de férias, vou aproveitar prá curtir meu novo estado de espírito com elas...

Ia'Orana!!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Back to Black (or White, or Grey)

É difícil postar sem internet... Vamos dizer, impossível, rs...

A vida tá corrida, o q me dá pouco tempo para me desanimar da vida. Mas tem sintomas q são bem visíveis dos contrastes q ainda tenho vivido. A depressão não se deixa esquecer pela falta de apetite. Ainda q eu me force a comer, ânsias de vômito me obrigam a parar e tomar fôlego, seja lá o q eu esteja fazendo.

Já a ansiedade chega cheia de volúpia, com seus impulsos físicos, gastronômicos, insones... Nunca consigo achar meu limite no comer, na agressividade, e mto menos consigo dormir. Tento então tirar o melhor dela, pq nem sempre a ansiedade agita - ela tbm paralisa. Então qndo não paralisa, eu a tomo com todas as forças e reviro a casa atrás de coisas q não fazem mais sentido prá mim, mas podem fazer prá outro alguém. É bom "aliviar a bagagem", abrir caminho para novas coisas q não deixam de ser apenas materiais, mas q ainda assim fazem parte do caminho do espírito.

2008 foi um ano complicado prá mim. Deixei cair a mulher forte e confiante q eu era em algum lugar e me rendi a um diagnóstico. Parafraseando Maísa, "meu mundo caiu", não sabia mais quem era e vivi um tornado, um terremoto interno q me tornou frágil como a estrutura de um edifício. Essa coisa de 8 ou 80 tá me cansando à medida q vou chegando aos 30. Não sou mais uma adolescente - ainda q me veja dessa forma ainda - tá na hora de encontrar meu equilíbrio. Não preciso ser essa explosão q todos esperam de mim o tempo todo: posso ser uma lanterna, de luz constante e tranquila, não mais um pisca-pisca de Natal... Q droga, já to caindo no ridículo. Mas fazer o q se os sentimentos mais profundos - assim como as cartas de amor - são todas ridículas? Tem coisa mais ridícula q um revival de fim de ano? Mas, continuando com Álvaro de Campos: "Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas."

Se não vê-los até lá, feliz Natal!
Ia'Orana!