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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Velha Infância

Você dizendo que lembrou de mim ao ouvir essa música...
E eu só lembrando do dia em que você pediu prá não deixar minha boca tão perto da sua... (Então por que a sua estava tão perto da minha?)

"Você é assim, um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor...
E a gente canta, e a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança - A gente brinca
Na nossa velha infância...

Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...

Você é assim, um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você desde o amanhecer
Até quando eu me deito...

Eu gosto de você e gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor..."



E ignorando todos à nossa volta, fizemos um dueto, como quem canta prá lua avermelhada que brotava no horizonte. Não podia dar certo: falhamos miseravelmente na missão de deixar tudo como estava.

Foi bom... Muito bom... Mas o que há de ser depois?


sábado, 5 de maio de 2012

Eu que não sei nada da vida

E eu que já estava tão mulher - tão sábia e convicta das minhas experiências - sabia identificar as chances de um possível relacionamento, avaliando até onde valeria a pena investir. O amor prá mim, havia virado isso: uma bolsa de valores onde o interesse é fugir das perdas o máximo possível; análise fria de conjunturas porque, afinal, eu já era grandinha. E chorar por alguém era algo que tinha ficado lá prá adolescência - ou eu simplesmente tinha cansado disso. Agora o coração só mergulhava se a cabeça concordasse. E fim de papo.

Daí, conheço você, um frio percorre a espinha, não sei nem seu nome mas sinto uma força magnética. HELLOOO!!! Acalma teu coração, menina crescida... Vc sabe que se apaixonar não é assim! Não queremos quebrar a cara novamente, não é? É, pois é. Afinal, era apenas o primeiro dia, ainda nos esbarraríamos por aí e daí eu veria que, de repente, você não era nada daquilo que eu poderia estar esperando.

E nos esbarramos assim, uma vez ou outra. Eu me sentindo a mais tola das mulheres, sem saber o que dizer, e negando a mim mesma a sensação de que você queria chamar minha atenção. Expectativas malditas! Não as quero mais no meu mundo! Me esforcei e não foi difícil acabar com qualquer encantamento que pudesse estar nascendo. Até porque, não era sempre que nos víamos. Só que parece que, em dado momento, o Destino resolveu mexer com tudo... Bastou um simples abraço de despedida no ponto de ônibus e toda minha precaução ruiu. No dia seguinte, mais um cumprimento caloroso, uma noite cheia de carinhos, abraços, arrepios. Nada mais. E foram tantos encontros e reencontros que eu acreditei que dessa vez seria diferente. Mas nem tudo pode ser como a gente deseja, né?

Se eu ainda fosse o tipo de pessoa que simplesmente se envolve por uma noite e depois parte prá outra, quem sabe tudo me seria mais fácil? Mas, você sabe, eu não sou. Eu tentei, e você deve ter visto que tentei manter o ar blasé, mas hoje entrego o jogo. Decidi me poupar dos seus abraços carinhosos e qualquer outro tipo de expressão de afeto. Somos colegas, mas não dá prá sermos amigos enquanto tenho tempo contado prá te tirar de vez da cabeça - mesmo que você insista que não é isso que você quer e que vai continuar me abraçando como se nada tivesse acontecido.

A verdade é que perdi minhas rédeas, não consigo mais fazer minhas análises frias como boa menina crescida... O coração fica aos pulos e os suspiros vão pelo ar... A vida de ambos vai acabar virando um inferno... Será que você entende? Porque eu, na verdade, tento e tento analisar e não consigo. Só há uma certeza: você precisa sair da minha vida - e eu nem sei direito como fazê-lo. A mulher tão madura que você conheceu regrediu - tomou a poção da Alice e ficou tão pequenininha... Se perdeu dentro de si. Não tente me encontrar: preciso seguir esse caminho sozinha. E creio que você também tenha os seus próprios caminhos prá seguir...

Obrigada pelos dias tão felizes. Guardarei no meu coração - mas agora não. Entenda.
Ia'Orana!
Shalom!

sábado, 28 de abril de 2012

De uma amiga

"Tudo estava bem
mas a porta abriu,
Mas ele entrou,
Mas ele sorriu.

Ela até achava
que dava pra se segurar,
que dava pra não sorrir,
que dava pra disfarçar.

Será...
... que alguém notou?
....que alguém viu?
... que alguém escutou?

Não sei,
Não importa,
Porque tudo mudou,
o mundo parou
quando ele abriu a porta."

(Sylvia Alves)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Mas te quero livre também..."

Naquele dia tinha violão na hora do intervalo. Até que enfim alguém sabia tocar alguma coisa da Marisa Monte... A pedidos, cantei "A Sua". Cantei sentido - parecia que eu já sabia a conversa que teríamos no dia seguinte...

Não resisti quando você sentou bem atrás de mim ao fim do debate e começou a sussurrar randomicidades. Discretamente, levei a mão ao seu joelho carinhosamente, nem ligando muito prás poucas pessoas que conseguiriam ver daquele ângulo. Eu sentia necessidade de te tocar, e sempre q eu podia fazê-lo, eu fazia. E você também parecia gostar, parava perto, às vezes bem à minha frente.

Ao fim, fomos de braços dados até o ônibus da faculdade. Chegando perto você parou pra me dar mais um abraço daqueles que eu adoro e disse que precisávamos conversar seriamente. Gelei. Será que eu tinha exagerado? Devia eu ter mais compostura? Agora havia também um jogo político, explicitei minha preocupação e você disse que não era isso, que ninguém tinha a ver com a nossa vida.

Pois bem: se não era isso, o que havia de tão grave na sua voz?

O discurso se iniciou com lisonjas e senti desconforto em você: você dizia que eu era uma "mulher de verdade" em meio à tantas meninas que você via por aí, o que o tentava muito. Era para eu ficar feliz ao ouvir coisas assim, mas a tensão era grande. Caminhamos até o jardim e ao chegarmos lá, sem que você olhasse nos meus olhos, a verdade saltou da sua boca: havia uma outra pessoa, bem longe. Mas que poderia voltar a qualquer momento. E estaríamos magoando-a. Quase perdi o chão primeiramente porque eu realmente não fazia ideia - e me esquivo de toda forma de caras comprometidos. Segundo foi por pena. Pena que aquela coisa tão gostosa que estávamos vivendo fosse em vão. Aparentemente nos identificávamos ideal e fisicamente, havia muita química mas também muito afeto. Havia total possibilidade de que nos apaixonássemos; você também sabia e tinha medo como eu. Concordamos então que aquilo não deveria continuar. "Amigos, certo?". Certo. Que jeito, né?

Terminado o assunto, você decidiu me levar de volta ao ônibus, mas eu não conseguiria seguir sem ao menos pedir um último beijo. Eu precisava sentir tua boca e teu corpo pela última vez, precisava daquilo prá sonhar... E você sorriu largamente, num misto de satisfação e medo. "Último mesmo? Tem certeza? Depois você não vai ficar querendo outro, e mais outro, e mais outro...?"

- Vou querer sim, mas vou resistir...

Você me pegou pela cintura, nossos rostos dançavam frente a frente sem se tocar. Eu delirava sentindo a sua respiração antes que nossas bocas finalmente se tocassem, e então foi como se um raio tivesse caído sobre nós. Esquecemos o resto do mundo, ficamos loucos, quase perdi os sentidos ao mesmo tempo em que eu sentia de tudo! Foi o beijo mais intenso de toda a minha vida. E o abraço que se seguiu - ah, o abraço...

"Eu só quero que você caiba
No meu colo porque eu te adoro cada vez mais..."

Porque despedidas são assim, tristes e intensas? Enfim, já era hora do ônibus sair, precisávamos voltar. Você ainda me chamou pra ir com você num bar, mas fui clara quando eu disse não. Eu precisava me afastar um pouco, você precisava entender até mesmo em nome dos nossos projetos em comum. Era assim ou a amizade também iria pelo ralo. Acho que você compreendeu...

"Eu só quero que você siga 
Para onde quiser 
Que eu não vou ficar muito atrás..."

No ônibus, meu estômago revirava e eu achava que dava prá ler na minha testa. Essa mesma testa que você beijou enquanto se misturava aos outros. Eu não queria muito olhar prá ninguém. Nossos amigos em comum, ao nos verem entrar no ônibus juntos, sorriam demonstrando cumplicidade. Mal sabiam o que realmente tinha acontecido.

O bolo na garganta me seguiu até em casa, onde lembrei da música cantada nos corredores da faculdade no dia anterior:

"Eu só quero que você saiba que estou pensando em você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem..."

As lágrimas, finalmente, correram pelo rosto.

"E que eu te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem..."


Uma pena. Uma pena mesmo...

Shalom!

sábado, 21 de abril de 2012

"O amor é filme"

Foi um dia inteiro de gestos recolhidos, olhares cúmplices, troca de afinidades. Todos já tinham notado e faziam piadinhas juvenis - eu ruborizava, mas não me esquivava. O problema é que eu tinha medo, muito medo de estar errada mais uma vez.

"Todos já sabemos o q vai acontecer aqui, só não sabemos ainda onde...". Já não era mais segredo pros amigos e as "jogos da verdade" já tinham sido muito explícitos. Embalados pelo vinho e a brisa do mar, confissões vinham à tona. Coração na boca, coração bobo, coração balão.

Já eram altas horas quando do grupo que se encaminhava para o ponto de ônibus ele se desgarrou - sim, eu estava de olho. Até que ele olhou prá trás e me chamou. Queria se despedir porque ia dormir ali. Ainda ouvi outras vozes me chamando, mas como hipnotizada, atravessei até a calçada onde ele estava sem olhar prá trás.

"O amor é filme..."

Passos firmes no asfalto livre. Será que eu conseguiria dizer o que ensaiei tanto na minha cabeça?

"Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama..."

As sandálias cheias de areia quase não tocavam o chão. Mas os pés seguiam decididos.

"Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica..."

Flashes dos momentos compartilhados durante aquele dia me deixavam taquicárdica.

"Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica."

Ao chegar do outro lado, fui recebida de braços abertos. Um abraço longo, terno e quente como outros que já havíamos tido e um silêncio quase constrangedor. Respirei fundo.

- Você não vai deixar o fim do meu dia mais feliz?... - finalmente consegui dizer num sussurro. Mas ele não entendeu. Nos desenlaçamos e nossos rostos estavam bem próximos, olhos nos lábios um do outro quando ele disse "O quê?...".

Me explicar prá quê? Tontos de desejo e vinho, deixamos q o corpo falasse. Linguagem corporal: tudo que eu tinha tentado observar nos últimos 7 dias. Tudo que eu tinha sonhado desde o primeiro dia estava ali acontecendo. O resto do mundo sumiu.

Difícil foi seguir em frente deixando prá trás o gosto, o cheiro, o toque... Mas tinha gente me esperando. De volta ao grupo, a pergunta foi inevitável: "E aí? Curtindo muito a militância na faculdade?".

Ri alto. Eu já não precisava negar minha alegria...

E sobem os créditos!


"O amor é filme e D'us espectador!"

Shalom!

sábado, 14 de abril de 2012

A roda da fortuna

Não, não era amor. Era um fascínio idealizado, dentro das circunstâncias que me eram instigantes. Eu sabia disso, mas acabei me envolvendo demais. Meus dias agora eram gastos nas formas de fugir, mas a verdade parecia me perseguir - como se tudo já não fosse torturante demais.

Soube do evento que ocorreria na faculdade, e achei q seria interessante dar uma circulada - quem sabe, conhecer gente nova? Não demorou muito para que eu e minha amiga déssemos de cara com o casal recém-formado - do qual eu fugia. Minha amiga estava interessada em uma outra pessoa presente e sugeriu dar uma volta. Concordei prontamente.

Foi fácil encontrá-lo. Ele é figura carimbada nos eventos - pelo menos nos poucos no qual estive presente. Estranhamente, quando nos aproximamos e ele veio em minha direção para os costumazes beijinhos no rosto, meu coração deu um pulo. Uma das mãos segurou firmemente meu rosto, o olhar semicerrado quase se aproximando da minha boca. O abraço terno que ocorreu logo em seguida me deixou ainda mais confusa. Eu nem tinha bebido ainda, mas será que ele já? Certamente, nesse caso, minha amiga teria sentido alguma alteração também. Não, ela não notara nada.

Sabe quando você conhece alguém que acha muita areia pro próprio caminhão? Pois é, foi assim no primeiro dia de aula. Um cara super interessante, carismático, mas além de tudo, era meu momento de estudar e não pensar nessas coisas... Quem diria! Enfim: todas as vezes q nos encontrávamos, formei uma barreira. Bloqueei mesmo. E acabou que apareceu uma outra pessoa q me distrairia... E da qual eu passei a fugir.

Quando eu voltava depois da minha saga prá conseguir um banheiro, essa minha amiga me alertou que ele tinha se espantado com minha ausência, parando em meio de seus compromissos para perguntar se eu já tinha ido embora. Não acreditei a princípio, ou não quis acreditar. Ele lembrava do meu nome???... Lembra a estória da barreira? Pois é... Momentos depois ele reapareceu com outra camisa. Dizia que agora podia abraçar, e assim se aproximou de mim, me envolvendo firme e calorosamente. Senti o corpo amolecer em seus braços, apoiei meu queixo no seu ombro, e ele começou a se movimentar levemente ao som da música, eu seguindo seu balançar. Depois de segundos que pareceram anos, de forma igualmente lenta, ele foi me soltando e eu pensei que, por simpatia ia abraçar minha amiga também. Se desculpou mas tinha que resolver algo. Olhei para minha amiga, e ela estava com olhos esbugalhados me olhando com um sorriso cínico no rosto. Ruborizei estranhando a reação daquele abraço em mim.

O resto da noite seguiu sem ele, mas foi mto agradável, conhecendo novas pessoas, me aproximando mais de amigos já presentes na minha vida, lembrando do abraço quente que me deixou tonta... Depois de algumas cervejas, verdades saem, gargalhadas tbm.

Fui me despedir de um amigo, e aproveitei que ele estava perto. Dessa vez foi difícil, prá mim, desgrudar. Desejei muito que as cervejas na mente não me fizessem entregar o ouro - ou qualquer coisa, a desculpa eram as cervejas. Como o evento estava acabando, resolvemos aguardar o resto do pessoal prá comer algo por aí. Nisso, papo vai, papo vem, olhares aqui e ali, um novo abraço aparentemente sem motivo. Olhei prá minha amiga como que para confirmar: será que eu estava me enganando de novo??? O mesmo sorriso cínico que recebi me dizia que não, eu não estava louca. Pelo menos, não dessa vez. Taquicárdica como uma adolescente, me despedi mais uma vez, pq infelizmente ele não nos acompanharia no lanche. Será que eu ia me machucar de novo com esses meus achismos? Lembrei do primeiro dia, das conversas no ônibus sobre peixes, exames, biscoitos e prá onde eu ia do centro da cidade... Meu D'us!! Eu tava distraída da minha própria verdade! Tudo porque eu achava areia demais... Ai, ai, até onde essa minha baixa autoestima ia me levar? Parece que gosto de sofrer e escolhi a estória errada de propósito! Por isso gosto de escrever: as fichas finalmente caem.

Como sou boba... Comecei a noite melancólica, agora eu tremo em lembrar da agradável surpresa. A situação inusitada me fez repensar toda minha estória afetiva até aqui. Me dei conta q sempre busquei a estória mais difícil por ser mais instigante. Quanta gente interessante já posso ter deixado passar...

Bem, prá onde a estória vai, não sei. Eu nem sabia q ia dar nisso! Se vai, se fica por aqui - aprendi a não contar com nada, porque a roda da fortuna gira. Ora de forma mais lenta, ora de forma mais rápida, mas gira sempre. Mas a segunda-feira nunca me foi tão interessante quanto agora...


Ia'Orana!
Shalom!



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Retrato em Branco e Preto

"Já conheço os passos dessa estrada, 
Sei que não vai dar em nada, 
Seus segredos sei de cor. 
Já conheço as pedras do caminho, 
E sei também que ali sozinho 
eu vou ficar tanto pior 
E o que é que eu posso contra o encanto 
desse amor que eu nego tanto, 
Evito tanto e que, no entanto 
volta sempre a enfeitiçar 
Com seus mesmos tristes, velhos fatos, 
Que num álbum de retratos 
eu teimo em colecionar 


Lá vou eu de novo como um tolo, 
Procurar o desconsolo 
que cansei de conhecer 
Novos dias tristes, noites claras, 
versos, cartas, minha cara, 
ainda volto a lhe escrever 
Pra lhe dizer que isso é pecado, 
Eu trago o peito tão marcado 
De lembranças do passado e você sabe a razão 
Vou colecionar mais um soneto, 
Outro retrato em branco e preto 
A maltratar meu coração"


quarta-feira, 28 de março de 2012

A Solidão

Afinal, o que é solidão?

Eu não sei o que as outras pessoas responderiam, mas eu sei bem o que é ela prá mim. A conheço intimamente, desde a mais tenra idade. Essa sensação de que falta um pedaço de mim perdido em algum lugar no universo é minha velha companheira... Mesmo entre amigos. Mesmo entre parentes. Me sinto um alien.

A verdade é que a solidão não some com a companhia. Quantas vezes já estive solitária em meio à multidões?...

Às vezes é estando só que me sinto mais completa. E estar acompanhada me dá um vazio tão grande que tenho vontade de chorar em posição fetal.

O que dizer da solidão? O que, quando se conhece-a tão bem que se é quase capaz de dizer que ela faz parte de si?

Olho pelo vidro da janela do ônibus, as luzes passando tão depressa que deixam rastros nas vistas. "Que coisa é essa que meu coração tanto anseia?", penso comigo. Há um lugar vazio na estante da minha alma. O que há de pertencê-lo?

Se eu ao menos soubesse o caminho... Como num mapa do tesouro dos velhos piratas de histórias infantis... Mas a vida não tem manual de instruções. A vida é o que fazemos dela. Sendo assim, porque não consigo preencher com o que aparece esse vazio na estante??? Por que não é qualquer bibelô que pode ocupar aquele espaço??? Que pedaço de mim é esse, perdido num lugar qualquer?

Não sei, mas sinto que um dia hei de descobrir essa verdade entre tantas outras verdades minhas que irão se revelar ainda. Não hei de morrer com essa inquietação...
Ou, ao menos, preciso acreditar nisso.

SHALOM!

terça-feira, 20 de março de 2012

Luz dos Olhos

"Como uma paixão mal resolvida 
 Dessas que a gente tem ciúme 
 E se encharca de perfume 
 Faz que tenta se matar..." 

Vc me abordou na porta do banheiro e não pude deixar de lembrar da música de Kleiton & Kledir ao sentir seu perfume esverdeado, encarando sua barba bem feita. Pensei q prá um homem caprichar tanto prá ir à faculdade, é pq está querendo chamar atenção de alguma menina... Ora, e o q eu tinha com isso?

Foi difícil no primeiro dia de trote reconhecer todas as pessoas q eu já conhecia online. Vc foi um no qual me demorei um pouco, mas q tinha achado mais interessante do q na pqna foto de perfil. Como foram dias de mtas responsabilidades de uma vez, ignorei essa parte de mim q busca interesse em rapazes. Era hora de ser a melhor, de me dedicar aos estudos como eu gosto. Mas não pude deixar de notar certos detalhes.

Finalmente, semana de aulas. Eu e meu grupo caminhávamos pro ônibus da faculdade, e qndo notei, vc já tinha passado por nós com seu grupo. Lembrei então dos dias em q viajamos lado a lado conversando animadamente - eu tentando aprender mais sobre essa entidade chamada universidade, e sobre as coisas q acontecem nela. Vc é mais jovem, mas já está há mais tempo nessa roda-viva, e eu não tenho medo de aprender. Por um momento me senti estranha por sentir falta de alguém tão recente na minha vida, e estranhei até certa frustração. Mas foi por pouco tempo: em alguns minutos vc aparecia perto do ônibus, e todos nós estranhamos. "Ué, vc não estava indo pro outro lado???". Vc tinha deixado seu grupo pra ir conosco. Algo me dizia q eu não era a única a ter sentido frustração. E era uma certeza a sensação de dejá vù.

Já na solidão da van pega no centro da cidade, relembrei de coisas q me chamaram a atenção durante a semana e sua presença, seus olhares, e até os momentos em q senti ciúmes eram constantes nessas lembranças. Meu coração deu um pulo. "Qnta bobagem," - pensei - "não tenho tempo prá me sentir adolescente de novo...". Quis esquecer botando os fones de ouvido - sempre confiei no "oráculo shuffle" do meu MP3 player. Chuviscava, e enquanto pqnas gotas enfeitavam a vidraça da van, Adele cantava em meu ouvido:

"Você tem estado em minha cabeça, 
A cada dia me sinto mais afeiçoada, 
Me perco no tempo só pensando em seu rosto, 
Só Deus sabe porque levei tanto tempo a acabar com as minhas dúvidas, 
Você é o único que quero. 
Eu não sei porque eu estou assustada, já senti isso antes, 
Cada sentimento, cada palavra, já imaginava tudo, 
Você nunca vai saber se não tentar, perdoar seu passado e simplesmente ser meu..."


Respirei fundo. Eu lembrava de tudo q vc tinha dito, me perguntando se minha intuição estava mesmo certa. Não sei, eu gosto de me iludir às vzs... Indiretas sempre me deixam ansiosa, e eu não sei encarar olhares. Os seus me dão choque, e eu não sei lidar com isso.

A música acabou, eu cheguei em casa, e na Rede Social, Nando Reis cantava:

"Pois meus olhos vidram ao te ver 
São dois fãs, um par 
Pus nos olhos vidros para poder 
Melhor te enxergar 
Luz dos olhos para anoitecer 
É só você se afastar 
Pinta os lábios para escrever 
A sua boca em minha?"


Sim, eu tinha recebido o seu email. Sim, eu gostava da tua atenção - q certo dia te fez ficar de pé no ônibus depois de alguém ter "roubado" teu lugar, só pq eu o tinha reclamado do meu lado. Eu gostava do fato de pensarmos parecido. Mas não sei nada realmente de vc. Eu não sei nada sobre isso q está acontecendo - q nem nome sei dar. Só sei q minhas noites andam entrecortadas mesmo com todo clonazepam, haloperidol, e outras coisas q tomo prá dormir bem. Tem coisas q nem os melhores psiquiatras podem explicar... Pq eles entendem de cabeça, mas não devem saber nada de coração...

Nunca acreditei em coincidências, prá mim tudo tem razão de ser. Se as músicas são sinais, não sei. Mas elas têm me feito sonhar, perdida no tempo, pensando no perfume esverdeado, na barba bem feita, no sorriso sincero...

"Se eu estou em seu pensamento, 
Se você lembra das palavras que digo, 
Se perde no tempo ao ouvir meu nome, 
Será que vou saber como é ter você por perto, 
E ouvir-te dizer que vais comigo para o caminho que eu escolher?"




"Diga que você me quer, porque eu te quero também..." (Nando Reis)


SHALOM!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Envelheço na cidade

Nesse seu aniversário, fico extremamente feliz de vez que você passou entre pessoas que gosta e foi feliz, mas um filme passa na minha cabeça. Desde a primeira vez em que você pousou seus olhinhos cinzentos em mim, logo depois do parto; das vezes no hospital em que nós duas tivemos q ser fortes; das coisas engraçadas; das lições que aprendi com você. É seu primeiro aniversário em que não estou presente depois de tantos anos, e apesar d'eu ficar um pouco triste, fico feliz porque sei que você está bem - o sacrifício não foi em vão. Você é muito inteligente - seu pai diz que você puxou isso de mim - e nós já conversamos várias vezes sobre isso, acho que você sabe porque não estamos juntas nesse dia, não é? Eu só queria te dizer que te amo muito, e que tenho a esperança de lá na frente, ao voltarmos a ficar juntas, você saiba porque tudo teve que acontecer assim. Eu te amo e sempre vou te amar, mesmo quando você estiver do outro lado do mundo e eu aqui!!! Na presença ou na ausência, eu penso muito em vocês e sempre peço a vossos anjos da guarda que as protejam. Que D'us te conserve esperta, simpática, inteligente e talentosa como você já é, e que você nunca desista de aprender sempre.

TE AMO DEMAIS!!!