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quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Das coisas que não sei

Ultimamente tenho pensado muito numa questão: quem sou eu de verdade e quem é essa pessoa que o mundo construiu em mim?


Tive que suspender por umas semanas as sessões de terapia, tanto por sentir necessidade de um certo descanso e distanciamento emocional, mas também por motivos de força maior ($) - infelizmente, porque agora me sinto preparada pra tocar certos assuntos adiante. Um desses assuntos é esse.


Depois do reconhecimento de que, além da esquizofrenia, minha mãe tem fortes traços narcisistas (o que resisti muito tempo de reconhecer porque o termo parece ter virado moda), já foi um ponto de partida em muitas mudanças na minha vida: ao estudar sobre o comportamento do Transtorno de Personalidade Narcisista, aprendi a criar minhas próprias soluções para lidar com minha mãe sem mais necessidade de conflitos. O comportamento dela mudou comigo sensivelmente. Ela já tinha dito, tempos atrás, que tinha "medo" de me abordar porque nunca sabia o que esperar de mim (o que me fez me sentir muito culpada; cheguei a confessar com a psicóloga que me tranquilizou, já que o medo era DELA, e que aquilo não me transformava num "monstro", como hoje desconfio que tenha sido realmente a intenção dela). Passei a falar com minha mãe apenas o básico, até pra evitar brechas pras maledicências, críticas, entre outras afirmações negativas em relação a mim. Como todo narcisista AMA atenção (de forma positiva ou negativa), a minha falta de atenção a ela já me tirou da mira, o que tem me trazido muita paz, mesmo tendo que viver sob o mesmo teto. Se antes ela me olhava com "medo", hoje me olha como se eu tivesse "alugado um triplex na mente" dela, e agora tenta retomar minha atenção puxando assuntos aleatórios, mas como já saquei que são armadilhas, procuro ser evasiva. E assim a gente segue, mas é nessas horas que sinto falta da psicóloga pra compartilhar essas vitórias do dia a dia.


Eu também tava lembrando de tanta gente que passou pela minha vida, algumas pelas quais só faltou eu tirar a roupa do próprio corpo pra aquecê-las, mas que me surpreenderam negativamente: seja tramando pelas minhas costas, seja simplesmente me abandonando quando mais precisei. Eu, na verdade, sempre fui ingênua demais desde criança até, não entendia os bullyings que eu sofria por simplesmente ser considerada "lesada"... Já na vida adulta, uma dessas "amigas" que nunca o foram de verdade me chamava de "trouxa" na minha cara e eu não conseguia entender se era brincadeira (me questiono se tem a ver com autismo, outra questão que ficou pela metade com a psicóloga)... Sem falar nas pessoas que me usavam como muletas emocionais e terapeuta pessoal, sugando toda a minha energia com seus problemas mas sem ter tempo pra me ouvirem de volta... E foi esse monte de coisas que foi me afastando de pessoas, e pra mim tava tudo bem, a solitude pra mim acabou sendo melhor companheira.


O problema é que meu coração foi tantas vezes machucado que parece ter criado uma "casca": eu, antes tão emocional, acabei erguendo muros de desconfiança a meu redor e não consigo mais me ver relacionada afetivamente a alguém. Como se já não bastasse eu ter dificuldades em expressar afeto por qualquer pessoa (amores, amigos, parentes), sempre que tem surgido uma oportunidade de viver um relacionamento, eu mesma saboto. Talvez tenha a ver com o questionamento da minha psicóloga "por que você não se acha digna de ser amada?" (e hoje entendo que essa questão vem da minha infância), mas também tem muito a ver com as "red flags" que a Vida me ensinou em toda minha experiência para não repetir os mesmos erros de antes. 


Hoje sei que a culpa não é minha por ter me entregado a quem não merecia, e sim de quem me desvalorizou. Também tenho consciência de que preciso fechar as minhas cicatrizes pra não sangrar em cima de quem não tem culpa de nada. Mas é um processo. Mesmo assim acho que isso é agora mais fácil, porque já faz mais de 4 anos que estou totalmente estabilizada, sem depressão e nem fases de mania/hipomania - acho que nunca me senti mais perto do "normal" e, consequentemente, lúcida...


A gente não tem que esperar pela pessoa certa pra finalmente aprender a amar. Na verdade, é o contrário: primeiro a gente aprende a amar pra, só então, encontrar a pessoa certa. Mais uma lição que a Vida me dá.


Sigamos na luta!


Axé-Shalom-Amém!

Um comentário:

  1. É muito triste esta situação com a sua mãe, mas sei que é fundamental pra sua sanidade mental.

    Lendo a postagem, me veio na cabeça que vc poderia ser autista (outra coisa que está na moda) e depois vc mesmo citou isto. A psicóloga disse que eu posso ter autismo ou TDAH e que era bom ir no médico, mas isto me desanimou da terapia.

    Eu tenho TOC e Transtorno de Personalidade Evitativa / esquiva.

    Conheci o blog hoje. Virei mais vezes

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