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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O amor me faz chorar

Sofia já tinha gênio forte desde antes da concepção. Nunca tive problemas biológicos para engravidar, já tinha uma filha, mas foram 12 meses de tentivas frustradas. Nesse tempo Sofia mandou até um irmãozinho antes, q não conseguiu chegar na oitava semana de gestação. Enfim, já estava desistindo qndo ela deve ter pensado "agora q ela não está esperando, vou chegar só pq eu quero". Aí descobri q tava grávida. Chorei.

A gravidez foi tranquila mas eu, cheia de preocupações, fiz mil ultrassons. Na hora de descobrir o sexo o pouco q ela revelava indicava aos médicos q era um menino. Só no sétimo mês q ficamos sabendo q era menina (ainda bem q o enxoval era todo verdinho, cor neutra). Como boa virginiana, deu sinal q iria nascer na data prevista, e assim aconteceu, de parto normal. Só q na hora de sair deu uma "emperrada", botou o cotovelo na frente, e qndo a dra. fez a manobra para retirá-la do ventre quentinho, logo mostrou ao q veio. Berrou tanto, não se acalmou nem no meu colo. Foi pro berçário e lá continuou seu show.

Eu q tinha passado por anemia profunda durante a gravidez, comemorava o fato de não me sentir mais tão cansada para poder cuidar dela. Ainda no hospital Sofia dava sinais do q depois fui saber ser alergia ao leite. Foram vários pediatras, gastropediatras, e mtas noites na internet, insones, até saber q se eu parasse de consumir laticínios ela melhoraria. 3 dias depois de começar a nova dieta, ela parou de chorar o dia inteiro, ficou mais tranquila, parou de vomitar. Aí ela já tinha 5 meses. Alívio. Choro.

Desde essa época ela foi mto agitada. com 5 meses se levantava e ficava em pé com apoio. Eu evitava deixar, pq temia alguma má formação nas perninhas, mas nada a continha. Se algo estava mais distante, ela se arrastava num esforço tremendo, sem desistir até finalmente alcançar o q queria. Com 9 meses já dava passos seguros. Eu já notava q aquele temperamento ia longe, mas evitava comentar, pq não queria influenciá-la.

Nas piores fases de agitação dela, eu achei q ia passar, pq eu sabia q em torno dos 2 anos era difícil mesmo... A essa altura eu já estava exausta, e qualquer tentativa de discipliná-la (mesmo as q deram certo com minha filha mais velha ou outras dicas de sites e programas "Supernanny") dava em nada. Passei a evitar de sair de casa com ela, a não ser q fosse prá levá-la num parquinho perto de casa prá gastar energia. Q nada: ela chegava em casa ainda mais agitada! Com parentes e amigos demonstrava timidez e agressividade tbm. Só dirigia a palavra a estranhos qndo era prá reinvidicar algo q ela queria mto. E nisso chegava a dizer q não gostava da pessoa, a odiava, eu via as pessoas ficarem tristes e eu com vergonha. Chorei mais vezes. Mas lutei prá seguir em frente, mesmo em meio às loucuras da minha cabeça, tentar criar minhas filhas da melhor maneira possível.

Onde errei?? Será q a mimei demais por causa dos episódios de refluxo?? Chorei de frustração e de cansaço, qntas e qntas vzs, e fui realmente perdendo o equilíbrio na sua educação, cedendo em algumas coisas, simplesmente pq estava estafada física, emocional e psicologicamente.

Qndo estava navegando nos sites sobre transtorno bipolar, descobri alguns companheiros de TB q tbm eram TDAH, eles falaram de suas características, e foi como se tivessem posto uma lente de aumento. Fui buscar mais do assunto, e qnto mais eu buscava, mas via minha caçula se encaixando. Busquei outras mães com problemas idênticos q me recomendaram levá-la num neuropediatra, q receitou um estabilizador de humor. Perguntei se o problema dela tinha a ver com o meu, a dra. disse ser ainda mto cedo prá fechar o diagnóstico. Semana q vem fará EEG prá descartar problemas secundários, mas doeu mesmo, nesse processo todo, saber q pais bipolares têm mais chances de ter filhos com TDAH ou transtornos de humor. Errei em concebê-la??... Chorei.

Demorou um pouco prá eu ver as reações do medicamento na minha filha. Prá mim estava a mesma coisa, mas como sei q o Depakote demora mesmo um pouco prá fazer efeito, continuei dando o remédio religiosamente. Ela toma o dela no mesmo horário q tomo os meus. Até q no aniversário do meu marido numa pizzaria, ela, como sempre faz qndo tá entediada, pediu prá ir no banheiro. Toda vez q a levava era o mesmo drama: ela fazia xixi primeiro, aí eu pedia prá ela esperar pq eu ia fazer tbm, mas ela nem queria saber - eu tinha q fazer xixi segurando a porta, mirando o lugar certo, tudo ao mesmo tempo enquanto ela tentava abrir a porta prá sair shopping afora. Já se perdeu assim. Era sempre exaustivo... Pois bem, nesse dia não foi assim. Simplesmente pedi q ela esperasse a minha vez sem abrir a porta, e ela simplesmente esperou!!! Era a primeira vez em 5 anos q saio com ela e consigo ir ao banheiro sem me estressar! Disfarcei enquanto lavava as mãos, e chorei de alegria. Sim! Havia esperança de uma vida melhor!!!

Anteontem eu estava no estúdio do meu pai fazendo uns trabalhos prá uma peça, Sofia pediu prá assistir, mas Mr.G tinha esquecido de dar o remédio a ela. Deu um espetáculo daqueles!!! Como embaixo do estúdio tem a casa da minha mãe, desci com ela quase arrastada e fui dar um banho frio. Ela foi se acalmando e eu, como sempre, fui conversando com ela sobre o q ela fez, e q ela teria de pedir desculpas para o avô, mas já sem esperanças, pq ela dificilmente demonstra empatia pelas pessoas, seja quem for. Qndo subimos, ela mais tranquila, encontramos meu pai e ela pediu desculpas!!! Meu Deus!!! ERA ISSO MESMO??? MINHA FILHA PEDINDO DESCULPAS??? Chorei mais uma vez, pq aquilo significava mto prá mim - mas escondido, pq ninguém me entenderia.

A maternidade é realmente redentora. Recebemos espíritos prá cuidar na Terra, tendo podido ser familiar nosso ou um inimigo de outros tempos. Mas amamo-os incondicionalmente. Às vzs fazemos tudo errado, diferente do q queríamos, mas simplesmente prá otimizar a vida dos filhos no futuro. E as vzs eu choro mais por esses pqnos progressos q ela tem passado depois q começou o tratamento. Pq ela ser linda, inteligente, eu já sabia, todo mundo diz o tempo todo! Mas só eu sei o qnto vale ver minha filha aprendendo a viver em sociedade... Afinal, não estarei aqui prá sempre.

Ia'Orana!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mais poemas...

"Quero o tom de tua voz ao meu ouvido,
o rimar desses teus lábios sobre os meus.
E ao folhearem o meu corpo os teus sentidos,
Alcançarmos o pleno êxtase dos céus.

Quero minhas mãos entrelaçar às tuas
caminhar, assim contigo, pelo tempo
em viagens que transcendam sóis e luas,
no mais pleno e inefável envolvimento.

E ao sabor de um bom vinho, ao som de Il Divo,
nos invernos, aquecer nossas quimeras
no prazer de um beijo arrebatador

E no mesclar de nossos corpos mais que vivos,
os outonos transformar em primaveras
e os verões, em palco-luz de nosso amor."


(Roberta Helena Suzigan)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

De Rita Apoena:

‎"Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, um banquinho cheio de almofadas coloridas e pede aos passarinhos não sujarem ali porque aquele é o banquinho do nosso amor, o nosso grande amigo. Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui a quantos anos, não sei, ele pode simplesmente voltar, sem mais explicações, para olhar o céu de mãos dadas..."

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Diário de bordo desse mundo de loucura

Qnto mais acho q já fui fundo demais, sempre parece q ainda estou mto rasa... Informação demais nunca é suficiente.

Pois bem, levei minha caçula à neuropediatra. No caminho prá lá, ela adormeceu no ônibus, logo pensei "pronto: chegar lá ela vai parecer a mais cândida das criaturas, sonolenta, e eu sou apenas mais uma mãe neurótica...". Quem dera! Foi só botar o pé na sala de espera, onde aguardavam uma outra paciente com um filho de 6 anos, brincando sozinho com seus action figures, a Sofia aos poucos foi "acordando" e revelando-se como é. Começou a levantar da cadeira como se tivesse pó-de-mico nela, trocou de cadeira várias vzs, se meteu na brincadeira do menino, quase tomou da mão dele um de seus bonequinhos, e eu comecei meu arsenal de "pára com isso","sossega um pouco", "senta, minha filha", "não faz isso", enfim... É longo o setlist. A outra paciente então entrou então prá sua consulta, e minha caçula percorreu o consultório em busca de outra coisa prá aplacar sua inquietude, mexeu nas coisas da atendente (q parecia bem acostumada com esse tipo de comportamento infantil, por isso se mostrava bem paciente), até q a atendente teve q sair da sala, eu q buscava meu Neosoro na bolsa fui pingá-lo no nariz - foi tempo suficiente para minha filha encontrar o interruptor e apagar a luz de todo o consultório. A médica gritou lá de dentro, mas demorei a me dar conta de q ela estava brincando. Até isso ocorrer, senti todo o sangue do meu corpo vir circular na minha cabeça. E vontade de correr, fugir dali, como sempre dá qndo minha filha começa a apresentar esse comportamento: é tão cansativo, tão "preocupativo" q eu sempre acho q mudando de ambiente ela se acalma... Enfim, o nome dela foi chamado e fomos conhecer a neuropediatra.

Logo dei de cara com uma janela enorme, escancarada, mostrando o visual do Méier do oitavo andar. Gelei! Mas meu trabalho em conjunto com a doutora fez com q minha caçula se mantivesse longe da janela - claro, eu sentei bem perto da janela prá evitar qualquer ação dela enquanto me distraísse na conversa com a doutora. Apesar de tudo a doutora conversou mais com ela do q comigo mesmo, só me perguntou seus dados, histórico clínico e familiar, comportamento em outros ambientes (como escola, por exemplo), enfim... Claro q o histórico familiar mais atrapalhou q ajudou, é uma confusão de coisas, mas enfim... A dra. passou Depakote Sprinkle prá ela 2 vzs ao dia, prá misturar nos alimentos e um EEG com sono induzido. Perguntei sobre um possível diagnóstico, e ela disse prá aguardar o resultado do EEG e de outros exames q ela passaria prá termos certeza.

Paramos prá tomar um sorvete ao sair do consultório, e eu aproveitei prá adicionar ao sorvete dela a primeira cápsula do Depakote q ganhamos da doutora, com medo de q ela rejeitasse. Graças a Deus isso não aconteceu. Aproveitei então para ler a bula - mesmo já conhecendo o Depakene, não conhecia esse formato do remédio. Será q minha filha é bipolar, como eu?? Não é mto nova prá isso? Será só hiperatividade? Será q tbm tem o tal do TOD?... Nada na bula me respondeu. A internet me deixa ainda mais confusa. Mas tenho observado-a mais, conversado mais com ela, e isso tem me feito ter mais paciência tbm. Li o livro "Mentes Inquietas" da autora Ana Beatriz Barbosa Silva, e tbm me ajudou mto. Mas, mais q isso, Mr.G tbm tá lendo e sendo mais atencioso à nossa caçula. E, além de tudo, ele tbm se encaixou em mta coisa. Será ele um TDAH???...

OMG, como se não bastasse...

Acompanhem nossos próximos capítulos!
Ia'Orana!

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