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domingo, 25 de agosto de 2013

Amigo meu

Não sei... Acho que tudo começou tumultuado demais... Ficou confuso... Vamos começar de novo?

- Prazer. Eu sou a Dannie. E você, quem é?

Será mesmo necessário começar do zero? Acho que nos conhecemos melhor do que qualquer outra pessoa que eu tenha cruzado. A sensação que tive no início de que já nos conhecíamos é uma constante até hoje. Lembro que só me senti confortável quando eu te vi, como quem revê alguém que sempre esteve lá. E a sensação de conforto é muito natural - são poucas pessoas que conseguem extrair o melhor e o pior de mim com tamanha facilidade.

E eu que pensava que era tudo unilateral, ainda me surpreendo quando você relata as mesmas impressões. Eu ainda fico embasbacada com nossa facilidade de nos prevermos mutualmente, e talvez seja isso que nos torne mais seguros e confiantes. Talvez seja isso que nos ligue tão fortemente, isso que nos una. A liberdade de sermos quem quisermos diante do outro. Não sei, seria muita pretensão minha conseguir expressar nossa ligação - nós já conversamos sobre isso e nenhum de nós entende muito bem. Não posso descobrir todos os mistérios do Universo.

Talvez tenha sido isso que me confundiu. Agora que consigo observar as coisas de forma mais clara, só posso dizer que você é o melhor amigo que jamais tive. Me sinto acolhida nas lembranças da infância que não compartilhamos, e compartilhamos mesmo assim. Temos química, isso é fato, mas talvez a nossa missão seja transformar isso em algo ainda maior. Agora que consigo enxergar mais claramente, vi que eu estava reduzindo demais essa aliança. Talvez tenhamos feito promessas no Céu antes de nascer, talvez tenhamos nos prometido algo antes de morrer em outra vida - mesmo que você não acredite nessas coisas. Não sei. Só sei que você me faz bem e que sem sua amizade e paciência eu estaria entendendo muito menos sobre mim mesma hoje.

Eu só queria isso: agradecer. Por ter estado aqui sempre, mesmo sem ter estado. Por sempre estar aqui quando eu mais preciso. Por confiar em mim suas maiores angústias e assim me fazer me sentir mais útil nesse mundo. Por me enxergar por debaixo de toda armadura que construí. Eu só queria dizer OBRIGADA. A vida tem sido boa para comigo e fico feliz de saber que para com você também. Me sinto grata a D'us e sinto a presença dEle quando estou na presença de pessoas especiais como você. É tão paradoxal que você, que em nada crê, me faça ter ainda mais fé. Mas é isso: somos tão parecidos que até mesmo nossas diferenças se completam...

Sê feliz, meu amigo! Sê feliz! Saiba que todo o ágape* que me revelaste é recíproco. Sejamos felizes, fiquemos high, falemos bobagens e coisas sérias... E que possamos sempre ser presença constante um para o outro.

Minha alma ama a sua.

Shalom!

*Ágape - Ágape, do grego agápe, significa “amor fraterno”. Entre os cristãos primitivos, terno designava as refeições fraternais, em que se reuniam ricos e pobres, daí o sentido de “caridade”, de “amar ao próximo como a si mesmo”. Esse tipo de amor não supõe reciprocidade, porque se ama sem esperar retribuição, assim como independe do valor moral do individuo que é objeto de nossa atenção. Em termos profanos — não mais religiosos  trata-se da benevolência universal, a fraternidade pelo qual zelamos pelos outros. (Fonte: Blog Filosofia, a arte do conhecimento!)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Unpredictable

E eu estava assim, sendo bombardeada pela vida, violentamente desgarrada do "mundo das Pollyanas", deixando de acreditar na humanidade.

Daí surgiste tu batendo na porta. Foi apenas um "toc, toc", meu mundo mudou de direção. Mudei meu caminho direto pros teus braços e não me arrependi. Encontrei meus caminhos não só nos teus braços, mas no roçar da tua barba, nos pelos do teu peito. Encontrei um novo eu no teu corpo - uma releitura das coisas que vi e vivi até então.

Como é que consegues fazer isso comigo? Tu me transcendes, quebras meus paradigmas, superas meus traumas do passado. Tantas coisas que eu já tinha dado por decididas na minha vida simplesmente são reavaliadas. A menininha cheia de não-me-toques se tornou das mulheres-que-só-dizem-sim, que se deleita com tuas ideias mais exuberantes. O antes inimaginável se tornou praticável. E o praticado se tornou intensidade.

Intenso é quando tu me olhas, parecendo me despir de todas as culpas. A cama se tornou um divã onde ponho em dia meus problemas mais arraigados. Alguns esquecidos ou jogados prá debaixo do tapete. E depois de tudo, ainda tenho teus olhos me sorrindo um "bom dia". Derreto-me.

Aqui está tão frio, meu bem... Tudo que penso é em deitar em teu peito, ouvir as estórias da tua vida, as coisas que dizes que me fazem rir... Beber da tua sabedoria e brindar à vida. Talvez conseguir te arrancar um riso ou outro entre tuas reclamações sobre a idade... Mal sabes tu que isso pouco me importa.

Do futuro, nada sei. Eu que sempre tentei prever o rumo das coisas, agora nem me preocupo. Tua maturidade acalma meu adolescentismo inquieto. Tua inteligência me leva de volta aos planos que iniciei e pensei em abandonar. Viver nunca me pareceu tão pleno, e é pleno agora, já não quero pensar no amanhã. Querer eu quero muita coisa, mas agora só o que posso realizar. Tua aproximação não parece ter sido coincidência, me transformando de dentro pra fora, como um sinal divino para que eu voltasse a acreditar na humanidade e em mim mesma. Seguirei então acreditando nos sinais divinos. Ou sinais vindos de ti, se quiseres me enviar alguns. Eu não vou reclamar.

Transcende-me, pois só tu conseguiste até hoje. Transcende-me e te devoro. Devore-me e nos reconstruimos.

Cuide-se! Eu estou aqui! E esqueça seus problemas - como era mesmo a música?...

Shalom!



domingo, 11 de agosto de 2013

Ao meu pai

Dizem que tenho traços indígenas. Mas os poucos traços europeus que tenho vieram do meu pai.

Meu pai nunca foi muito afetuoso. Acabei de ligar prá ele tentando uma aproximação carinhosa e ele mudou para assuntos do dia-a-dia. Sempre foi assim. Mas ele nunca deixou de brincar de pinque-esconde comigo e com meu irmão. Nunca deixou de ensinar algo novo. Vem dele meu amor pelos animais. Ele sempre nos inspirou a sermos nós mesmos, independente dos outros.

Meu pai e eu brigamos muito. Bem, na verdade, isso é só de um tempo prá cá. Na adolescência ele foi bem flexível com minha rebeldia. Talvez por isso acabei ficando tão parecida com ele. Brigamos muito porque somos teimosos. Brigamos por opiniões diferentes sobre a sociedade, sobre uma nota ou acorde numa música. Mas sempre nos entendemos. Aliás, foi meu pai que me ensinou a amar música. Me dava instrumentos de brinquedo, me deu meu primeiro violão. Me ensinou os primeiros acordes. Era nos teclados dele que eu estudava as lições piano.

Meu pai e eu amamos música. Respiramos música. Talvez ele mais até do que eu, porque ele ainda faz questão de trabalhar - e muito bem - com ela. Talvez foi com meu pai que eu tenha aprendido a amar a boemia. Mas com certeza foi com meu pai que aprendi a tomar a frente das coisas burocráticas e técnicas da casa. Eu era fascinada pelo estojo de ferramentas dele, projetado por ele mesmo, feito de brim azul. Com meu pai aprendi a trocar chuveiro elétrico, lâmpada fluorescente, concertar bica pingando. Foi meu pai que me incentivou a aprender a consertar computadores. Com meu pai aprendi a ir à rua e ir à luta.

Cresci ouvindo ser a cara da minha mãe, mas eu me vejo muito no meu pai. Hoje até somos bem mais parecidos fisicamente, mas acho que muito mais que isso, vejo em mim traços de personalidade dele. Meu pai sempre foi meu super-herói, do qual herdei até o maldito vício do cigarro, mas ídolo é ídolo, e eu sempre quis ser igual ao meu pai. Agora, adulta, vejo as imperfeições dele mais claramente, mas com certeza ele ainda é uma inspiração prá minha vida. Aquele homem que se dividia entre o sustento da família e a paixão pela música, que era uma presença quase ausente na minha infância por isso, de alguma forma plantou em mim uma semente que tem crescido cada vez mais.

Pai, sei que você não é dado a essas coisas, mas quis te homenagear, por tudo o que você representa prá mim. Você me cortou no telefone e eu também não conseguiria dizer porque não fui ensinada a trocar certas palavras com você, mas eu só queria dizer: EU TE AMO. OBRIGADA POR TUDO.

Talvez, de alguma forma subtextual, nós nos comunicamos dessa forma. Por trás das preocupações do dia-a-dia, eu sinto que você me ama também. Mais uma coisa em comum: nós somos complexos. Mas nos entendemos, mesmo quando nossas cabeças duras parecem não se entender.

Obrigada por ser meu exemplo!

FELIZ DIA DOS PAIS!!

Em estúdio, falando sobre o quê??? Música!!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Desilusão

Segundo o Wikcionário:
de.si.lu.são feminino
  1. perda da ilusão;
  1. a(c)to ou efeito de desiludir(-se).

Presume-se portanto que, para haver uma desilusão, uma ilusão foi construída anteriormente. Às vezes confesso que acredito demais na humanidade e em todo e qualquer discurso politicamente correto simplesmente porque sou assim. Nasci no mundo das Pollyanas - se houver um. Que seja: eu não sou desse mundo.

A questão é que eu não consigo olhar prás pessoas desconfiando. E as pessoas falam o que elas desejam. Mas o que mais me dói é me afeiçoar ao discurso de alguém que se mostra contraditório nas atitudes. Tem gente que diz que é normal, que o ser humano é invariavelmente hipócrita... Mas eu ainda acredito. E me desiludo quando as pessoas, na prática, não seguem o roteiro tão exaustivamente construído. O problema está em mim ou nos outros?

Admito sim minha parcela de culpa. Como eu disse, nasci no mundo das Pollyanas. Mas o que mais me pergunto quando essa desilusão acontece é se não há uma ou outra "Pollyana" escondida por aí querendo fazer amizade. Não que elas sejam mais coerentes, não é isso - é só pra conhecer gente que ainda acredita. As pessoas nesse mundo já andam desconfiadas umas das outras, justamente por causa de suas desilusões. As "Pollyanas" não. As "Pollyanas" nunca se desiludem porque tornam a se iludir automaticamente com justificativas para cada falha humana. As "Polyannas" são aquelas que pelas costas são chamadas de "otárias", mas elas nem ligam: estão distraídas demais se autoiludindo.

"Pollyana" pode ser "otária". Pode ser aquela que vira chacota entre os conhecidos. Pelo menos ela é mais feliz.

E eu fui feliz.

Mas por mim isso acaba por aqui. Tenho outras ilusões a me construir.

Até.

Shalom!



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