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quarta-feira, 26 de março de 2008

Ia'Orana e seu significado

Acordei às 7:30. A decisão tomou conta de mim. Tomei banho vagarosamente enquanto a casa dormia, e a caçula acordou. Por volta das 9, a ansiedade já tomava conta e eu, ainda relutante, acordei o G. - queria sair sem ter q dar explicações, eu ficaria ainda pior. Avisei q ia na emergência psiquiátrica e ele só disse "tá, mas chega antes de meio-dia q eu tenho q trabalhar...".

Ódio. Saí de casa entre lágrimas, mas aos poucos a raiva pela indiferença do G. foi amenizando. Já não havia mais medo, nem ansiedade como em consultas costumeiras. E ao chegar lá, fui logo atendida, já q não havia ninguém à espera.

Entrei no consultório. A dra. parecia séria, mas tentava ser simpática (apesar de, nesse momento, não me importar mto). Qndo liberada a falar, "desabei" - a própria dra tinha dificuldade de me acompanhar e toda hora pedia um instante, pra eu recapitular o q eu estava falando. Eu falava rápido, entre lagrimas abundantes. Me senti novamente em terceira pessoa e, sinceramente, ao sair do consultório, eu ja não fazia idéia do q exatamente eu havia falado. Só sei q havia falado mto.

Rapidamente, já quase no final da consulta, me lembrei daquele costume q eu tenho de observar as anotações dos médicos (por mais q alguns evitem), mas nem precisei me esforçar mto: além do termo "Transtorno de Humor" estar bem destacado na ficha, a própria dra. revelou. Receitou Ácido Valpróico e pediu prá voltar no sábado prá reavaliar. Disse q, apesar do medicamento demorar mais ou menos 1 mês prá fazer efeito, eu precisava desse intervalo curto prá reavaliação pq meu humor estava ciclando rápido demais. Tava tão na minha cara??

Ao menos, cheguei em casa aliviada. Desde o começo do mês eu já estava angustiada, entre o planejar dessa visita ao posto médico, e o achar q já estava melhor e não precisar ir. Fora as tentativas de me tratar no hospital perto da minha casa... Pelo menos não preciso mais esperar prá ser avaliada (não q eu tenha desistido do tratamento do hospital, absolutamente!). E botei prá fora tudo q tava me incomodando; minhas angústias, minhas dúvidas, minhas crises de raiva, de indiferença prá com o mundo... E mais uma vez, me lembrei das minhas filhas. Elas estavam lá, na minha cabecinha, enquanto eu me encaminhava pro posto. Elas não mereciam mais q eu as tratasse como eu estava tratando. E isso tbm me torturava. Finalmente, ao chegar em casa, consegui expressar afeto pelo meu marido. E chorei ainda mais. Eu realmente andava sendo uma "cadela sem sentimentos". Ele tbm não merecia.

O alívio em casa foi tão grande q quase deixei o remédio pra lá (ah, o poder do desabafo). Mas no começo da tarde começou a angústia de novo, o impulso de mexer novamente no cabelo, e gritei prá mim mesma "Chega!". Fui levar as crianças na escola, pagar umas contas, aproveitei q o remédio era baratinho e comprei logo. Tomei o primeiro comprimido na porta da farmácia já. É, o desespero tinha voltado, mas dessa vez, justificado: o desespero pela estabilidade.

Então é isso. O diagnóstico q eu desconfiava havia já certo tempo (e renegara por anos) era verdadeiro. Sou bipolar. Não muda mta coisa, além do próprio auto-conhecimento. A princípio, ter q tomar um remédio q me dá queimação 3 vzs ao dia (tive q programar o celular pra me lembrar; os outros eram só uma vez por dia), o Rivotril ainda está liberado prás noites de insônia ("Mas duvido q precise, pq o Depakene costuma dar mto sono", disse a dra.), e voltar no sábado. Pelo menos agora tenho um percurso pelo qual seguir. Antes estava totalmente perdida e angustiada. Agora a angústia já tem seu destino certo (e eu realmente desejo, do fundo do coração, q eu não tenha q trocar mto de medicação, pq realmente, pela minha experiência, é um saco!!).

Ia'Orana! (eu nunca contei, mas essa expressão quer dizer "Viva Bem" e é uma espécie de saudação generalizada no Taiti)

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Nada

Droga. Mais um dia instável. Pensamentos dos mais distintos dando voltas e voltas na minha cabeça, não consigo focalizar nenhum. Prá dizer a verdade, estou me sentindo uma droga. E estou tentando a melhor forma de resistir à sedução das drogas propriamente ditas, com suas promessas de manter minha cabeça legal, desfilando suas tarjinhas-pretas dentro da minha bolsa...

O pior são as contradições: olhar prá cara de um sujeito e querer martelá-la de ódio, ao mesmo tempo em q subo pelas paredes. Maldita ovulação inútil!! Pq diabos eu esqueci de comprar minhas pílulas????????...

Me sinto uma droga, um peso pra família, um nada. Pensei q estava fazendo meu melhor, me esforçando ao máximo, acordando de madrugada prá realizar os desejos alheios... Esse orgulho me enchia de alegria (ou será q era hipomania mesmo?...)! Daí, me jogam na cara sem nenhum pudor "vc não faz nada!"... Vou fazer o q então? NADA!! Na-di-ca. Greve total! Zero! Niente! Vou até deixar de existir, se possível (mas nada suicida - não cheguei nesse nível não)...

Espero então satisfazer a fantasia alheia de me ver fazendo nada...
Ia'Orana!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Sou o Pouco que Restou

(De Silvana Duboc)


Eu pensava que eu era de um jeito
correto e perfeito.
Eu achava que eu andava pela direita
mas descobri que ela é tão estreita
que meus passos não cabem dentro dela.
Eu me imaginava como uma aquarela
demasiadamente colorida,
eu achava que na minha vida
só existia o sol ardente
mas, eis que de repente,
descobri que sou tristeza e amor,
sou alegria e dor,
sou ferida mal curada,
sou adorada e desprezada,
sou doce, sou amarga.
Sou um pouco do que eu mais queria ser
e muito de tudo que não consigo esquecer.
Sou continuação e retrocesso,
sou pouco, sou excesso.
Sou várias numa só,
sou um laço, sou um nó.
Sou de muitos e de ninguém,
sou um "mas", sou um "porém".
Sou inteira e sou metade,
superior e igualdade,
sou prisão e liberdade,
sou letras espalhadas
e palavras entrelaçadas.
Sou uma história mal contada,
mas quem de nós não é?
Eu caio e fico de pé,
eu sou como a vida quer.
No claro eu perambulo
e caminho pelo escuro,
eu me rasgo e me despedaço,
eu me abraço e me afasto.
Eu me quero bem,
eu me sinto um ninguém.
Eu ouso sem pensar,
eu minguo sem parar.
Sou grande, sou pequena,
sou um estádio, uma arena,
sou mais veloz que um avião,
sou rebelde sem noção,
sou pura emoção.
Sou fogo e sou água,
sou cura e sou praga,
eu sou uma estrada
que nunca ninguém atravessou.
Sou o pouco que restou
de tudo que alguém me roubou.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Uma noite com Elis

Subi ao palco revendo na mente a canção q ia cantar. Era um concurso de talentos ou coisa assim, e eu pretendia cantar uma música fácil, acho q da Wanessa Camargo. Ate q uma jovem q ia cantar antes de mim estava sendo entrevistada (ou conversando no backstage) e falou q havia relação de aparência física com seus dons musicais, ou seja: seu talento seriam conforme seus traços parecerem com deste ou daquele cantor. Logo recordei da época em q fiz teatro amador, qndo me chamavam carinhosamente de "Elis" por parecer com ela. Pensei e disse: "ah, se é assim, então vou cantar outra música..."

Peguei o microfone com firmeza e auto-confiança. Logo abaixo, no backstage, estava ela, a própria Elis Regina, me incentivando e cantando comigo, daquele jeito característico dela. Cantamos uma canção juntas (q não me recordo) e levantamos um grupo q parecia um bloco de carnaval ou coisa parecida. Ao final, já sem Elis por perto, praguejei por não ter sido "no mínimo" perfeita. Mas fôra tudo um sucesso.

Acordei. Achei engraçado e bonito o sonho de estar cantando com Elis Regina. Não me lembro dela, pois qndo ela morreu eu devia ter uns 2 anos de idade, mas sempre achei sua imagem fascinante e magnética, digna de um mito como ela. Por isso o orgulho do final da adolescência, qndo o pessoal do grupo de teatro me chamava de "Elis": imagina se um dia eu cantasse como ela!!

Tomei coragem e levantei, prá atender à fome da caçula. Logo me olhei no espelho e tratei de buscar uma tesoura prá "bagunçar" minha franja - tava mto certinha, ou seja, horrível para os meus padrões. Liguei o rádio do banheiro prá ouvir as notícias enquanto picotes de cabelo roxo caíam sobre a pia branca.

Não pude resistir ao ouvir a informação, e logo lágrimas abundantes se misturaram aos cabelos picotados dentro da pia: hj, 17 de março, o aniversário de Elis Regina.

Elis, foi mto bom estar com vc! Esteja com Deus e em Paz sempre!!

Ia'Orana!

domingo, 16 de março de 2008

Tianastácia - "Sanatório"

"Acho que alguém aqui pirou
Eu ando desconfiado que esse cara sou eu
Às vezes acho que eu não produzo nada
Às vezes sei eu viajei errado
Às vezes acho que eu sou excluído
Do paraíso
Às vezes acho que o centro do universo
Está no meu umbigo
Acho que alguém aqui pirou
Eu ando desconfiado que este cara sou eu
Todo dia quando eu entro no banheiro
Está tudo lá
Da escova para cabelo ao fio dental
Tem dias que eu olho no espelho e falo
Tai um cara legal
Tem dias que eu tenho a convicção
De que eu não sou normal
Tem dias que eu to puto
Alguns dias maluco
Graças a Deus a maioria dos dias eu estou contente
Também tem os dias doentes
Mas esses, eu sei, fazem parte da vida
Esses fazem parte da vida
Acho que alguém aqui pirou
Eu ando desconfiado que esse cara sou eu
E se isso for só pretensão
Não, não é possível
Neste mundo só tem “maluco”
Ou serão só lúcidos
Eu espero um sinal de um homem lúcido
Amizade
Eu espero o sinal de uma mulher lúcida
Amor
Eu espero sinal de um povo lúcido
Paz
Eu espero como você espera
Um disco voador"

sexta-feira, 14 de março de 2008

Será q com todo mundo é assim?

Hj foi a primeira consulta com a psicóloga. Pensei q seria sacal, eu falando, falando e só ouvindo "an-hã", ou concordando com tudo (como odeio qndo concordam com tudo q eu digo!). Bem, não foi mto distante disso, mas foi mto melhor e mais produtivo do q pensei.

Falei das minhas angústias, das loucuras alopáticas q andei cometendo (e fui advertida sobre o uso do haldol, principalmente sem o fenergan pra equilibrar possíveis efeitos colaterais). Fui falando, fui questionada na intenção de tentar descobrir qndo tudo começou, e tudo foi vindo, vindo... Engraçado q fui recordando as coisas da minha infância e adolescência e fui me dando conta de q eu nunca fui lá mto "normal". Engraçado q lembro q tudo acontecia e eu costumava dizer prá mim mesma q "deve ser assim com todo mundo": minhas depressões, picos de humor (prá cima ou prá baixo), situações a q tudo isso me levou. E eu sempre dizendo a mim mesma "com todo mundo deve ser assim".

Descobri minha principal motivação: minhas filhas. Parece óbvio? Mas não era, pra mim. Pq não queria q elas assistissem a mãe repetindo tudo q eu mesma assisti na minha infância. Olhei prá trás e fiquei ainda mais abismada. Finalmente vi q não, não era assim com todo mundo. Nessas horas agradeço a Deus por ter conseguido enxergar isso em algum momento da vida e ter buscado ajuda. E é prá isso q eu as vzs "perco meu tempo" indo e vindo de hospitais, algumas vzs infrutiferamente - mas não foi o caso desta vez.

Mas, afinal, será q todo mundo tbm se pergunta o mesmo? Será q todo mundo se pergunta se tbm é como todo mundo?...

Fica a pergunta prá quem quiser responder...

Ia'Orana!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Saia da minha vida agora!!!

Não te quero mais!! Não adianta insistir, me fazer me sentir culpada, pq vou ter mil efeitos colaterais. PAREI COM VC, CITALOPRAM! Quero voltar a me sentir uma pessoa normal, e vc tá acabando comigo!!! Estou angustiada, achando q tem "gente" querendo falar comigo!! To quase me internando, e ninguém saberia o pq...

Como é q consigo manter essa aparência de "boa moça" qndo por dentro estou fervilhando em "alucinações"???

Uma coisa é positiva: dizem q qndo temos medo de enlouquecer é pq não há chances disso (quem enlouquece não tem noção). Nesse ponto, posso estar bem. Mas o medo de enlouquecer é irracional e quase real! O q faço com isso???

Não quero mais essa angústia. Qndo aumentei a dose de haldol, melhorei um pouco, mas acho q o problema mesmo é o citalopram. Não sei o q vou enfrentar pela frente sem ele, mas vou ter q aguentar, até q eu realmente consiga falar com um psiquiatra (acreditam q eu consegui no máximo marcar uma reunião de apresentação num posto médico daqui de perto, prá só depois eles "avaliarem" se eu preciso de psiquiatra ou não, e só então marcar uma consulta???? Mas me acalmaram: qualquer emergência, há um hospital psiquiátrico pertinho de casa! :/).

E assim vou eu. Andando sobre a linha tênue entre a loucura e a sanidade, como numa corda bamba, tentando não me deixar cair prá nenhum dos lados ("pq rir de tudo é desespero", sábio Victor Hugo).

Ia'Orana!

terça-feira, 11 de março de 2008

A outra face da Lua

Quem sou essa de hj? De onde surgiu esse furor q toma conta de mim desde às 7:20 da manhã e q dormiu uma da manhã depois de devorar um livro inteiro?? Quem era aquela mulher de ontem q chorou copiosamente?? Será a mesma atriz q vive hj um personagem bonachão, acelerado, impulsivo, q fala coisas desconexas???

Acho q o Haldol não tá resolvendo nada... Queria parar de me ver na terceira pessoa (como tenho me visto ultimamente, de tanto estranhar a mim mesma)...

Vou tentar dormir um pouco...

Com vcs... Cecília Meirelles!

"Tenho Fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no calendário
um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases ,como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu..."

Ia'Orana!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Pulsos

Pq choro hj como se ontem eu não estivesse rindo da minha sensação de leveza ridícula?
Pq choro hj se ontem nem ao menos conseguia chorar?...
Maldita apatia q me bloqueia e me anula...

"O sofrimento produz resistência, a resistência produz caráter, e caráter produz a fé." (Paulo em Romanos, Novo Testamento). Ontem nem sofrimento havia, mas tbm nem alegria. Quem sabe o chorar de hj seja o q faltava prá tentar levantar denovo...

Acho q o citalopram não tá me fazendo bem. Fiquei um pouco melhor com o haloperidol, mas to tomando dose maior do q costumava antes... Pensei em cortar o cita prá ver se melhorava de vez, mas resolvi esperar a quarta-feira, na esperança d'eu finalmente conseguir falar com um psiquiatra da rede pública.

Faltam só 2 dias... Só aguentar um pouquinho...

"Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final
Saída de emergência..."

Engraçado q a Pitty sempre aparece nas minhas crises existenciais... Acho q não deve ser só comigo...

Ia'Orana! (apesar de mim)

Sonho de Ícaro

"Voar, voar - Subir, subir
Ir por onde for
Descer até o céu cair
Ou mudar de cor

Anjos de gás, Asas de ilusão
E um sonho audaz feito um balão...

No ar, no ar:Eu sou assim
Brilho do farol
Além do mais, Amargo fim
Simplesmente sol...

Rock do bom, Ou quem sabe jazz
Som sobre som / Bem mais, bem mais...

O que sai de mim vem do prazer
De querer sentir o que eu não posso ter
O que faz de mim ser o que sou
É gostar de ir por onde, ninguém for...

Do alto coração / Mais alto coração...

Viver, viver, e não fingir
Esconder no olhar
Pedir não mais que permitir
Jogos de azar
Fauno lunar, Sombras no porão
E um show vulgar todo verão...

Fugir, meu bem, pra ser feliz
Só no pólo sul
Não vou mudar do meu país
Nem vestir azul...

Faça o sinal, Cante uma canção
Sentimental em qualquer tom...

Repetir o amor já satisfaz
Dentro do bombom há um licor a mais
Ir até que o dia chegue enfim
Em que o sol derreta a cera até o fim...

Do alto, coração
Mais alto, coração..."

sexta-feira, 7 de março de 2008

Jeito estúpido de amar

Eu sei q tenho um jeito meio estúpido de ser... Nós já falamos sobre isso algumas vzs no decorrer desses quase 9 anos. Mas até q eu melhorei bastante, não? Vc pode achar q não, mas eu melhorei infinitamente... Hj sou mto mais capaz de dizer "eu te amo", ainda q meu orgulho esteja sangrando, enquanto outrora não conseguia dizer nem de jeito nem de outro.

Mas enfim, não vim falar do passado. Não é fácil continuarmos juntos depois de tudo q passamos. Apesar de vc dizer de vez em qndo, não tenho mta certeza do q vc sente por mim, mas eu te digo: EU TE AMO. Como e porquê, não sei dizer, afinal eu nunca soube amar direito... Talvez a culpa tenha sua, por ter - ao menos tentado - me ensinar a amar. Pq eu não sei onde começa, onde termina... E as vzs olho prá vc e sinto uma vontade imensa de te chutar. No sentido real da palavra: te chutar e jogar no chão - vc às vzs me irrita a ponto de me fazer ver tudo vermelho... Mas não consigo viver sem vc. Não consigo imaginar minha vida sem vc, e isso prá mim não faz sentido nenhum!! Ensina-me: o amor faz sentido?

Quero mto vc, mas não quero vc por perto. Ter e não ter às vzs já é tão estranhamente bom... E às vzs estou ocupada demais com meus fantasmas e angústias, coisas q vc não consegue entender. Além de às vzs vc estar ocupado demais com a sua vida. Não há abertura: nem sua, nem minha. Então vou pro outro cômodo bater papo com meus fantasmas: eles são chatos prá caramba, mas pelo menos me ouvem. E certamente vão lembrar das minhas angústias e dores no dia seguinte - apesar de apenas serem usadas contra mim.

Será essa a fórmula do divórcio de casamentos mto longos?

Sinceramente é resposta q não desejo saber.

Será necessário não ter prá querer ter? Já tirei de vc o melhor de mim (sem querer) e nada mudou em vc. Preciso tirar todo o resto?

"Se isso não é amor, o q mais pode ser?
Estou aprendendo tbm..." (lembra?)

E eu continuo amando. Mas ainda sem entender como é ser amada...

Ia'Orana!

quinta-feira, 6 de março de 2008

Drops

  • Pela nova regionalização do sistema de saúde do RJ, não poderei me tratar no mesmo hospital q minha mãe (e parece q nem ela vai durar mto mais tempo lá, pelo mesmo motivo). Tenho q buscar inscrição num outro hospital mais perto de casa (espero ser tão bom qnto o outro). Pelo menos ontem consegui algumas caixas de citalopram, o q alivia mto o orçamento - remedio caro prá burro!

  • Descobrimos q minha sogra é uma mulher de "grande coração". No sentido negativo da palavra. Certamente é o q explica seu extremo cansaço (não, nada a ver com os cigarros, né? hahaha). Pelo menos (creio eu) tá tomando seu remedinho. Espero por mais notícias...

  • A loucura as vzs parece uma sombra q vai tomando pensamento por pensamento, desorganizando a cabeça e cansando o corpo. Q nóia é essa??? Voltei pro haloperidol. Não resolve a tricotilomania, mas pelo menos durmo q nem um bb. E 3 gotinhas não vão fazer mal nenhum (não era assim q minha psiquiatra falava?)...

  • "(...)É horrível ser louco. Meu pai foi esquizofrênico paranóico e ele sofreu muito. As pessoas fantasiam muito com a loucura, ficam imaginando só um lado poético, genial de ser louco. Mas não é só isso. Padecer de loucura é terrivelmente doloroso. E não sei até onde a loucura garante a boa qualidade da sensibilidade ou percepção de alguém. O mundo teve loucos geniais, Nietszche, Nijinsky, tantos outros. Mas teve os horríveis. Hitler também tinha uma sensibilidade diferente do convencional, mas era um carniceiro monstruoso. E também deve ter muito louco chato, maluco mesmo, como acontece com [quase] todo o mundo." (Hilda Hilst, no Scream & Yell - tirado do blog Digestivo Casual)

  • Se depressão é falta de um pedaço de alma perdido por aí, seria a angústia o excesso de pedaços de alma q não parecem se encaixar?...

  • "Iluminados sejam os surtos
    dos poetas alucinados
    ao compor poemas curtos..."
    (Francis Pires)

Ia'Orana!

terça-feira, 4 de março de 2008

"Alguma coisa acontece no meu coração..."

Não, apesar do título, o post de hj nada tem a ver com Sampa. É simplesmente essa minha mania de "musicar" toda e qualquer expressão q surge à mente ou q alguém diz... Sinceramente, puxei isso da minha mãe. E pior: com o arquivo musical mais antigo da face da Terra (pelo menos é o q a minha sogra diz). Mas, afinal, o q acontece nesse meu coração?...

Me sinto mtas dentro de mim mesma. Estou sempre me ocupando, mas não quero mais q a ocupação me desvie da verdade. Sinto minha cabeça confusa, meio perturbada, só queria conseguir organizar os pensamentos. Então tento organizar a casa e minha vida na tentativa indireta. Talvez seja isso q tenha me causado insônia - e não tem rivotril q dê jeito. Talvez seja o peso dos meus pensamentos q esteja tornando os ombros e as costas doloridas... Essa coisa de psicossomática, sabe... Não sei, só me sinto... Estranha! Como q enxergando minha vida de fora... Talvez pq eu não esteja aguentando a pressão. Talvez pq eu sempre fingi e acreditei ser uma pessoa responsável de um jeito q no fundo nunca fui. Sempre quis abraçar o mundo sozinha, salvar as vidas alheias com meus conselhos tirados de colunas de revistas... E esse meu gênio me empurrou a tudo q eu quis: quis salvar vida de mãe, marido, salvar o mundo tendo filhos... Mas esqueci de me salvar. Só recentemente consegui me livrar da mania de controlar tudo - incluindo a vida alheia. EU NÃO SOU DEUS!

Pq essa megalomania?? Pois é, agora q sei q não sou Deus, QUEM sou eu? Pela primeira vez estou perdida e não quero q ninguém me salve. Não quero mais me esforçar na tarefa de fazer as pessoas acreditarem q preciso de proteção, mas q na verdade sou forte. Dá mto trabalho, enchi o saco, sabe... Mas já foi um esforço tremendo aprender a aceitar ajuda, só preciso agora aprender a pedir...

Eu já fui tão previsível... E agora q me permito qualquer coisa sob a condição de "maluquinha", "consumidora-de-remédios-controlados", não sei mais o meu limite. Pq isso dói? Daqui a pouco estarei entrando nos 30, qndo se presume q se "sossegue", e comecei a "adolescer" logo agora?? Tentar salvar uma juventude gasta em brincadeira de casinha? Será q eu realmente levei tudo a sério?... O q fiz da minha vida, meu Deus?...

Transformei a vida num teatro, cheio de peças diferentes, com atos distintos, figurinos, cenários q mudam, transformam-se, e com a atriz principal q se deixa levar pelos enredos. Ela é um personagem diferente em cada cenário, sempre esperando as reações da platéia. Mas, e agora q mandei a platéia embora? A atriz faz o q? Monta um novo espetáculo? Tem um mundo de possibilidades. E entre tantas, o q me amedronta é buscar o próximo texto. É difícil escolher a peça da sua vida...

Incomoda demais. Tudo isso me incomoda demais. A química me ajuda mto, mas não sara. Amanhã vou fazer entrevista para tratamento num hospital psiquiátrico. Lá vou poder me tratar de diferentes formas - não só com psiquiatras, mas tbm psicólogos, grupos de ajuda, enfim, coisas q eu não tinha acesso antes. Minha mãe se trata lá desde qndo nasci. Enfim, lá vou eu vencer minha resistência, mais uma vez, de pedir ajuda. Finalmente, um pouco de humildade.

Nada na vida é por acaso. Creio nisso. Não é de se estranhar q, depois de tantos anos, tantos problemas, finalmente seja a loucura a ponte entre minha mãe e eu.

Não posso salvar ninguém q esteja no mesmo barco q eu. Não passamos, todos nós, de seres-humanos.

Ia'Orana!

sábado, 1 de março de 2008

De André Gabeh

"Estar vivo é uma benção. Seja o dia que for. Mesmo com lágrimas, com dores, a possibilidade de tropeçar num sorriso e numa alegria surpreendente é só pra nós que compartilhamos dessa existência colorida disfarçada em tons de cinza e grafite.

A gente está aqui pra se salvar. Enquanto isso a gente se dana e se formos espertos a gente se dana rindo. Ou chora 15 minutos e usa as lágrimas pra regar o solo fértil da nossa natureza feita pra sobreviver apesar dos pesares.

Seja feliz, muito feliz. Fecha seu olhos agora e se lembra de um momento feliz, retém essa luminosidade e deseje a mesma sensação boa pra quantas pessoas voce quiser. Só 2 segundos e já está dando doce pra anjos. Anjos adoram doces. Me falaram.

Mentalizo luz, saúde e paz pra você, e desejo que tudo que você quer pra mim volte multiplicado por sete vezes pra você ( se me vuduzar se deu mal hahahaha)"

Ando copiando mto os textos alheios... Mas q fazer se esse povo sismou de escrever como se fosse por mim???? Será alguma configuração planetária, algo energético, físico, emocional (whatever!) q esteja conectando cérebros e corações??...

Ontem, voltei a frequentar a Cruzada de sempre, mas não mais tão na condição de paciente como nas últimas semanas, mas voltando a algumas pqnas atividades q exercia. Foi como lavar a alma. Deve ser por isso q ando como q vivendo num clipe do musical "Hair" (ou então as injeções de B12 estão me dando o mó barato)...

Ia'Orana (um dia eu traduzo pra vcs, a não ser q vcs resolvam buscar no Google)!

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