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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Mais um ano se passou...

Que época intensa essa a que vivemos! O toque do olhar, a infância revivida, a forte energia que nos ligou. A admiração própria de não saber o que fazer com as próprias aspirações. A luta interna perdida por tirar as expectativas da minha vida, a surpresa pela luta perdida. O presente da tua atenção. Nossas sequências de olhares, abraços, carinhos; nossa falta de habilidade de ficarmos distantes um do outro. O vinho, o fumo, a areia - enfim, o beijo: o primeiro, o segundo, as contas perdidas. Um olhar mergulhando no outro. Um feriado inteiro juntos, Ogum nos abençoando. Tua fragilidade no meu ombro, minha vontade de te colocar debaixo das minhas asas.

Depois foi a verdade contada, a tristeza contida, um destino interrompido. O beijo na testa, a tentativa de me afastar, a tua insatisfação. Mais vinho, mais areia, a lua vermelha no céu. "Senta do meu lado", "lembrei de você", ouviu a música no rádio, cantamos como crianças. Teu olhar de menino, olhar pedinte, as bocas se unem novamente. Tua pressão no meu corpo contra a grade, tuas mãos nos meus cabelos, tuas canções adaptadas em minha homenagem. Te arrependes e meu coração se parte. Fingimos não fugir um do outro a partir dali. Fingimos não haver magia onde todo mundo vê.

Protestos, viagens, nos encontramos no meio da estrada. Teu nariz roçando no meu pescoço, rio prá não me dissolver nos seus braços. A alegria do reencontro. O número do palhaço na arena do vizinho. O reconhecimento do seu lugar nos sonhos que tive na adolescência. Já te conhecia antes mesmo de conhecer. Ouço tuas estórias como se eu tivesse estado lá. A taquicardia que não passa. Os meses que vão passando, ao invés. Meu riso que é tão feliz contigo. "Sou sua mas não posso ser / Sou seu mas ninguém pode saber" - Nando Reis embalando nossos dias. Minha carta no seu aniversário, seu coração no meu caderninho. O fusca laranja da nossa infância partida. Nosso passeio pelo umbral, teu gesto firme que me puxa prá perto prá abraçar.

A cidade lavada pelo temporal, eu no meu jejum. Teu olhar pedinte de novo - me entregaria eu, novamente? O brilho do seu olhar, você buscando minha atenção enquanto fujo. "É assim que a gente fica?" - e foi assim que ficamos. Teus pesadelos fora de casa. Dormir de mãos dadas, teus desenhos de mim. Teu carinho na flor de hibisco. As moedas que encontrei pelo caminho.

Meu amor, amore mio, telefonemas mil, uma ou duas horas de conversa, teu olhar que se ilumina e me acompanha, teu sorriso me mostrando o caminho. "Só não larguei tudo por causa de você", "me abraça que você é minha fruta favorita...", "sabe o que eu queria fazer com você?". Não, não sei. Você nunca termina suas frases! A gente brinca, você me bate, eu te bato. Sua mão busca a minha e nossos dedos se entrelaçam. Encosto a cabeça no teu ombro e termina assim nosso último encontro.

Ufa! O que 2013 reserva prá nós?
Até lá!

Shalom!


domingo, 23 de dezembro de 2012

E o mundo não acabou...

Ao teu encontro, teu olho brilha, teu sorriso abre, seu rosto ilumina. Impossível não notar. Passamos o dia juntos, nos abraçamos, tentei te ajudar, "para de me remendar", "só não larguei tudo por causa de você", e eu achando que estava enlouquecendo. "Amore mio", bobagens mil, a cruz de malta enrubescendo, "mas isso não tem nada a ver com nós dois...", "não entendi sua preocupação", guarda teu trabalho, teu olho castanho. Saímos e do meu lado uma moeda parece saltar ao chão. "Vai ver um anjo passou e jogou essa moeda prá você". Sim, eu sei, pensei o mesmo. Num dia que não precisava ter fim, não dissemos adeus. E no dia seguinte, tudo se repete: te encontro, teu rosto ilumina, e eu tento me controlar para não transparecer o mesmo enquanto sua mão busca meu quadril.

Dessa vez os anjos deixaram as moedas de lado: encontrei uma nota de 10 reais no chão. Você sorri, sonolento, pega na minha mão e a abriga na sua. Os dedos se abrem e se entrelaçam, se acomodando. Era como estar protegida debaixo das suas asas, como ser pequenina e usar sua mão de cobertor. Deitei a cabeça no seu ombro com medo de me mover um milímetro a mais e acabar acordando daquele sonho. Mas era real, você ali, com tanto medo quanto eu de se mover um milímetro. Era um momento tão perfeito no tempo e no espaço que qualquer excedente poderia estragá-lo. Não temíamos o fim do mundo, mas o fim daquele momento.

A gente desce, se abraça, deseja boas festas um ao outro você me lança mais uma vez aquele seu olhar pedinte - enquanto peço forças aos céus. Como resistir àquele brilho no olhar? Àquela covinha que você revela marotamente num sorriso - sorriso esse que me devora?

Adeus, preciso ir-me! Pare de me hipnotizar com seus gracejos! Já me deste as respostas que eu precisava. E assim levo comigo, entre outras coisas, o toque da sua mão na minha, a sensação dos dedos atrelados aos seus. E assim vou prá casa celebrando a vida, porque perguntei e fui ouvida.

Até o ano que vem!

Shalom!




domingo, 16 de dezembro de 2012

Meus presentes maiores!

Em outubro, Seu Zé já tinha me dito prá não me deixar levar por falsas promessas. "Você já passou por isso antes, sabe o que vai acontecer. Não repita os mesmos erros do passado.". Mas um coração carente é burro, se deixa levar, porque as vezes é simplesmente difícil esperar.

Eu não sei como eles não desistem de mim. Tive vários presentes de aniversário, a visita de cada um tornou a data ainda mais especial prá mim. E eles complementaram: "o que você tem no seu coração é muito bonito. Lute por isso!". Céus, o que eu estava fazendo da minha vida? Dispus-me a entregar minha vida prá qualquer um? Prá quê?

Não verdade, a pergunta é "por quê?": porque eu simplesmente acho que é tudo coisa da minha cabeça e duvido de tudo. Precisou vir minha mãe Mulambo pra dizer as coisas que eu não teria coragem. Como uma verdadeira mãe, quis limpar meu caminho de qualquer obstáculo que pudesse surgir, proteger meu destino de qualquer pessoa que quisesse interferir. Enfim, aceitei.

Já era tarde, hora de voltar prá casa depois de celebrar meu aniversário com coisas que adoro: vinho e amigos. Encarnados e de outro plano. Foi uma noite linda, e eu já não esperava mais nada.

Até que cheguei ao ponto de ônibus. Ele estava de costas para mim, e assim que o reconheci, achei que era coisa da minha cabeça. Mas não: era ele! Quando ele me viu, me deu abraços pelo aniversário, se desculpou por não ter estado lá, me beijou longamente o encontro entre o ombro e o pescoço. Era como se todos os guias vindos até aquele momento estivessem apresentando o presente final. Minha irmã, ali do meu lado, me olhava sorrindo como quem diz "tá vendo?". Respondi "não duvido de mais nada...". Minha fé é insegura e eu devia retornar à fé da minha infância, incondicional. Seu Sete Flechas disse que a balança tem dois lados. Quem decidia o que mais pesava era eu. Ainda que o mundo diga não, são eles que vou ouvir, porque minha força mora neles. E no amor abundante que carrego no peito, que às vezes me incomoda, às vezes pesa, mas que eu já entendi que é o que vale na vida. Afinal, fugir do próprio destino parece uma covardia da qual nunca fui capaz. Porque seria agora?

"Obrigada" é pouco. A gratidão que eu sinto não tem tamanho, não cabe em palavras!

(Meu amor é teu e pronto. Até o momento em que lá em cima não quiserem mais. Mesmo que você também fuja. Até o momento em que você deixar de fugir. Do nascimento ao fim da linha. Em todos os espetáculos que protagonizaremos. Quando o segundo sol chegar. Enquanto seus olhos falarem aos meus. Porque és meu presente maior dos céus - eu te amo e fim!)

Shalom!


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

"If you walk out on me, I'm walking after you..."

Todas as romanticidades expostas em minha carne crua. Me expus prá você, e tudo que você soube dizer era que não podia retribuir. Até achava bonito - mas, oras, achar bonito muitos acham! Larguei a mão de ser besta e me pus em meu lugar: não era o que você queria? Parecia ser...

Mal nos encontramos nessa semana. Ontem nos vimos, mas eu mal lhe encarava. Por que você ainda dizia tanto o meu nome? Questões que rodavam em minha cabeça, que já andava cheia de preocupações. Procurei não pensar, só me afastar.

Na sala escura, você chegou sua cadeira perto da minha. Eu só queria entender porquê. Tudo que lhe dei não foi suficiente? Eu só queria me livrar da dor, esquecê-la um pouquinho, e tudo que tive foi uma bad trip. Nunca mais. Fui embora sem dizer-lhe adeus, você também não sabia o que me dizer.

Tive medo de te encontrar hoje. Tenho medo de voltar a dividir momentos com você. Tenho medo. Tenho medo. Tenho medo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Fechando um ciclo para abrir outro

É fim do ano. Dois dias para meu aniversário. Momento em que paro para reflexão.

Eu, ouvindo "All Star", me recordo de Nando Reis contando como foi compôr essa música, inspirado no profundo sentimento que o aliou à Cássia Eller. Essa música é quase unanimidade - e, certamente, o amor verdadeiro citado na composição acaba tocando aos corações que a ouvem. Coisas inspiradas no Amor (assim mesmo, com A maiúsculo) sempre chegam aos corações de outras pessoas. É algo que transparece, que transcende o entendimento lógico. Você simplesmente sente, enfim.

2012 foi, decididamente, um ano intenso para mim. Superações fizeram parte do dia a dia, assim como realização de sonhos que eu já nem acalentava mais - talvez, não obviamente. São coisas pequenas para grande maioria das pessoas, mas que ficarão registradas em mim. Conheci lugares e pessoas que transformaram minha percepção da vida. Experimentei sentimentos que até então eu não conhecia. Talvez eu nunca tivesse ido tão longe. Vivi sensações e momentos que me inspiraram a escrever, escrever e escrever. Talvez o que eu faço de melhor.

Descobri um poder dentro de mim que, até então, eu não tinha conhecimento. Amei à primeira vista, me iludi quando pensei que amava, reencontrei o caminho em outros braços, retornei ao primeiro caminho sem medo de errar. Aliás, medo de errar foi o que menos tive comparado a outros anos da minha vida. Estou ainda num longo caminho prá me livrar do medo, mas nesse ano dei meus primeiros passos. Porque eu errei tanto quanto acertei, mas eu tentei.

Vejo agora uma fase se finalizar, pedindo prá dar espaço a um novo ciclo. Me entoquei em meus pensamentos, quis me distrair deles me enchendo de compromissos. Mas sou como a fênix que tem que se recolher para inflamar e ressurgir das cinzas. As cinzas estão aqui, só falta eu renascer. E eu sinto que isso está para acontecer a qualquer momento. Para isso devo queimar meus temores e deixá-los prá trás.

Renovo-me aqui, escrevendo, mais uma vez. Nesse lugar onde tanto nasci quanto morri, em que tanto sorri quanto chorei. Vivi. E escrevendo desejo prosseguir na caminhada. Não há nenhum sentimento negativo que irá me parar - porque sou filha do vento, e vento enquanto escrevo. Meu coração é um tornado incontrolável de paixões e não há nada nem ninguém que o paralise. E porque, toda vez que em meu coração domina o Amor, é quando escrevo melhor, é quando toco outros corações. Como Nando Reis toca ao coração de quem escuta "All Star". Um tanto pretensiosa, mas não sou de ter sonhos pequenos: quanto mais tenho realizado, mais eu quero da Vida, e mais eu sei que a Vida me dará.

Obrigada a todos que fizeram parte, de uma forma ou de outra, dessa antologia linguística de amor e fé, nesse pequeno templo em que exponho minha carne crua e que chamo de lar. Alguns chamam de blog. Eu não me importo.

Ia'Orana!
Shalom!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Poemando e vencendo!

É com imensa alegria que informo que increvi um poema que bloguei aqui, e que ele foi um dos vencedores do concurso de Novos Poetas, promovido pela Cesgranrio. Estou inflada de orgulho e muitíssimo feliz - não só por essa notícia mas também por outras coisas boas que estão vindo.

Segue abaixo o poema vencedor, de minha autoria:

"Sigo escrevendo doces versos em falsete,
O tom perfeito pra quem quase quer morrer.
É tão estranho teu silêncio no meu peito
que eu escrevo para não enlouquecer.


Ondas revoltas no seu lar de esquecimento,
Desperto mágoas por lembranças sem razão.
Busco em segredo teus porquês em meus lamentos,
sigo escrevendo pra livrar-me da emoção.


Que antes da morte haja arrependimento,
Dentro do orgulho ainda bata um coração,
Que padre-nosso, ave-Maria - teu refúgio -
revelem chave a nos livrar dessa prisão.


Que no abraço, laço que se fez presente
Remorso e culpa já não vejam mais porquê.
E assim, Destino, amigo que nos reagrupa
revele enfim motivo que nos fez nascer."
 
Shalom!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Minha estranha loucura

Tua voz no telefone, mas não é você. Parece os transes que costumo ter, mas dessa vez é apenas um personagem seu. E de forma caricata, diz que queria falar comigo, me pedir prá cuidar de si. Até onde é você falando, até onde é seu personagem?

Do meu personagem sensato já me cansei. Estou inteiramente disposta a me expôr. Me desculpe se te incomoda, meu amor, mas é o amor que quer assim. Não há mais como suportar noites e dias a me revirar na cama, olhando tuas fotos, desejando um abraço, recordando o fácil encaixar das nossas bocas. Essa minha loucura não há remédio que cure, psiquiatra que diagnostique. Poeta que exprima, seresteiro que execute. Isso simplesmente existe, vive e pulsa dentro de mim apesar d'eu ter tentado sufocar por todo esse tempo, justamente para não constrangê-lo. Cansei, simplesmente. Prá mim sempre foi tudo ou nada, preto ou branco, não aguento mais viver esse cinza do meio-termo. Isso não me pertence!

O amor me atira às palavras. Me infla o peito, inflama o corpo. Como conseguir suportar essa febre sem ao menos dizer um "ai"? Sem ao menos pedir socorro ao único que pode me salvar... Se nada der certo, fica tudo bem, parto prá outra de coração livre e limpo como um cristal. Pelo menos vivi, da forma mais intensa que pude, essas sentimentalidades que moram nos nossos menores gestos. Guardarei apenas nossos doces momentos, não deixarei ficar nenhum resquício para eu chorar depois. Eu só não posso simplesmente sufocar com todas as palavras que tenho a dizer. Não aqui, nesse momento. Nesse agora que construímos da forma que nós quisermos, ainda que você não acredite nem em si.

E deixe que falem! Vivo prá desdenhar aqueles que não vivem e que falam, falam, falam... Só pode entender da febre quem já esteve febril; só pode entender da chama quem já inflamou... Quem fala, não sentiu. Se não sentiu, não viveu. Não quero ser como eles, "another brick in the wall". Sou vaca profana. De perto ninguém é normal.

E viva a loucura sã dos amores vividos até a última gota!


Shalom!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Salve a Malandragem!


Salve a Malandragem!
Salve Seu Zé, sempre me protegendo, dividindo comigo sua força, protegendo os sentimentos verdadeiros! Que Zambi e Oxalá possam retribuir tanto amor e que o senhor continue firme, dizendo as coisas que preciso ouvir, protegendo as batidas dos nossos corações!
 
E que fique o recado porque Seu Zé brinca mais não é de brincadeira!
Axé!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

"Purple Rain"

"Eu nunca quis te causar nenhuma tristeza
Eu nunca quis te causar nenhuma dor
Eu apenas queria te ver rindo uma vez
Eu apenas queria te ver rindo na chuva violeta

Chuva violeta, chuva violeta (3x)
Eu apenas queria te ver se banhando na chuva violeta

Eu nunca quis ser sua amante de fim de semana
Eu só queria ser algum tipo de amiga, querido
Eu nunca poderia te roubar de outra pessoa
É uma pena nossa amizade ter que acabar

Chuva violeta, chuva violeta (3x)
Eu só queria te ver debaixo da chuva violeta

Eu sei, eu sei, eu sei que os tempos estão mudando
É hora de alcançarmos algo novo
Isso é válido prá você também
Você diz que quer uma líder
mas você não parece se decidir
Eu acho melhor fechar isso e me deixar guiá-lo até a chuva violeta

Chuva violeta, chuva violeta (3x)
Eu só quero te ver, só quero te ver na chuva violeta



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

De mente aberta

A verdade é que nada sem você importa. Só hoje soube. Como se a tua presença fosse tão vital que na tua ausência o mundo se tornasse irreal. Como se o real mesmo fosse você. Como se nada daquilo tudo existisse se você não está.

Creio amar-te tanto que um simples beijo nos cabelos se torna um déja vù. Amar-te em segredo é como fiar todos os fins dos meus dias em uma linha só.

Real é quando te sonho, quando eu sinto sua boca me explorando espaços inimagináveis - talvez não na sua imaginação. É daí que vem a realidade das coisas, de tudo o que vem de você. Há um espaço doloridamente branco e preto, à espera do outro, ao lado de cada um.

Respiraria tu se soubesses que eu já não respiro?

Você fez algo por mim e eu não sei bem o que é. Não, não é nessa existência, é do outro lado da rua que não ousamos atravessar por covardia. O véu que atravessa a verdade de tudo o que fomos. Por que, meu amor, sinto uma flor desabrochar no árido deserto do meu peito quando você me chama de "meu amor"? De todos os apelidos, o mais bonito é esse: é com ele que vou querer que você me chame o resto da vida.

Que chances temos nós um sem o outro, misturando nossos próprios karmas? Tenho em você uma certeza que não me abandona o coração - e nem sei como lidar com ela. Porque ainda temo sofrer como já sofri.

Shalom!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

"Só pra te mostrar"

(Eclipse Solar em Escorpião)

"Não quero nada que não venha de nós dois 
Não creio em nada do que eu conheci antes de conhecer 
Queria tanto te trazer aqui 
Pra te mostrar, pra te mostrar porque 
Não há nada que ponha tudo em seu lugar, eu sei 
O meu lugar está aí 

Não vejo nada, mesmo quando acendo a luz 
Não creio em nada, mesmo que me provem certo como dois e dois 
As plantas crescem em nosso jardim 
Pra te mostrar, pra te mostrar porque 
Não há nada que ponha tudo eu seu lugar, eu sei 
O meu lugar está aí

Não há nada que ponha tudo eu seu lugar,
O meu lugar está aí..."


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A vida tem sons...

Como é bom simplesmente estar com você. Sempre aprendemos mais da vida um do outro, e eu só confirmo a sua imagem que guardo. Sua força por trás da cara de menino, o humor usado como escudo prá que ninguém veja seu coração sangrando. E você chega, me abre as portas, não tenho como não mergulhar. O que gosto em você não é o fato de sermos parecidos, mas de simplesmente nos complementarmos. Você caberia certinho na minha vida e eu acho que eu caberia na sua. Mas prá saber mesmo... Só na prática.

Depois de um dia cansativo, poder te abraçar sem mais, descansar a cabeça no seu ombro enquanto sentia sua perna na minha, me fez pensar. Não há o que temer, amor meu, não quero nada além do doce sabor da sua companhia.  E me dei conta de que o que temos é tão bonito, mas tão bonito, que não penso em estragar isso - seja lá que nome tenha - com deslealdades ou mentiras. Não é questão de ser politicamente correta, é questão de não querer deixar um fruto podre no nosso cesto de maçãs douradas. Nos encontramos, pinçamos uma dessas maçãs, a mordemos nos nossos momentos de carinho, e vamos prá casa sonhar. É o ideal? Claro que não, eu queria ir prá casa com você! Mas é o que temos por agora, e não é menos digno. Pelo contrário: se as pessoas conseguissem enxergar a beleza dos nossos sentimentos, acreditariam no Divino. Porque a grandeza dessa amor só pode vir de D'us. Eu não vejo outra explicação.

Estou exagerando? Talvez você nem sinta o mesmo? Que seja. O que mais gosto no mundo literário é o gostinho de viver aquilo que imaginamos. E na minha imaginação, você pensa e sente como eu. Não importa: ninguém saberá mesmo.

Shalom!


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Até quando?...

Eu e essa mania de querer fazer tudo certo... No que dá? Pessoas me elevando a um pedestal, me dando muito mais valor do que eu considero, se achando não-merecedores de mim. Por que só eu não enxergo isso tudo?

A diferença é que das outras vezes eu realmente tive dúvidas. Mas dessa vez, caro amigo, a certeza mora no meu coração, Espíritos vêm me contar. E eu não vou aceitar isso de você.

O que te faz duvidar do meu amor? Já se decepcionou tanto assim na vida? Deixe-me contar um segredo: eu também. Daí aparece você, correspondendo a todas as minhas expectativas. Você acha que eu não morri de medo? Você acha que eu ainda não morro?... A diferença é que dessa vez meu coração tá tão certo que não pretende desistir. E suas atitudes só confirmam o que todo mundo já sabe e você não admite de jeito nenhum: seja quando seu olhar fixou no meu durante uma crise na mesa do bar... Ou quando você me dedicou uma simples flor de hibisco.

Você é mesmo tudo isso? Tudo e muito mais! Por isso tenho a certeza do nosso merecimento mútuo. Porque se eu sou tudo isso mesmo que todos dizem - e que você me diz - eu não mereço nada menos do que VOCÊ.

O Universo é muito justo, não deixaria um desequilíbrio tão grande acontecer. Vamos parar de nos desmerecermos?

Continuo te amando do jeitinho que te amei da primeira vez que te vi. Ainda que eu resista em demonstrar como antes. Simplesmente porque ainda morro de medo.

Sua vez de abrir o jogo.

Da sua "mulher inteligentinha".





quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Meu jardim

Ando acordando feliz. Não sei porque mais a cada dia que nasce tem nascido também no meu peito uma satisfação em ser eu... Em ser minha... Em fazer minha parte nesse mundo - ainda que louco. É uma coisa que não consigo explicar... Alguns diriam que é Presença Divina, outros que é apenas um pouco de amor-próprio. Eu digo, simplesmente, que estou feliz.

Problemas todos temos. Só que tenho me dado conta de que lágrimas não ajudam em nada, só me colocam ainda mais prá baixo e com mais pena de mim mesma. E esse é um sentimento que quero cortar da minha vida! Ninguém - muito menos eu - precisa sentir pena de mim. Ou melhor: ninguém sentirá pena de mim. Porque os únicos sentimentos que quero despertar nas pessoas são a alegria, o bom-humor, a vontade de viver. Resumidamente: eu só quero compartilhar tudo de lindo que tenho sentido. Inspirar outras pessoas a sentirem o mesmo. Seja Presença Divina ou amor-próprio - o nome não importa.

Portanto, se você chegou até aqui, saiba que te desejo alegria! Te desejo amor-próprio! Te desejo Presença Divina! Desejo que todo o amor que aflora em meu peito possa chegar até você. E que você possa passar todo esse amor a outras pessoas também, como numa corrente do bem.

Dizem por aí que não se deve explanar a felicidade, porque inveja tem sono leve... Mas não me preocupo porque quem cuida de mim não dorme nunca! E, também por isso, sou grata.

Obrigada a D'us, aos Orixás, aos queridos guias, simplesmente pelo fato d'eu saber que não ando sozinha... Nunca!

Shalom!



"Mais louco é quem me diz
E não é feliz...
Eu sou feliz!"

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"Acalanto" - Caetano Veloso

Me espreguicei feliz por ter aberto os olhos e ter dado de cara com seu rosto sereno a dormir. Levantei, lavei o meu rosto, e quando soube que o almoço estava pronto, decidi ir te avisar.

Foi com certa dó que me aproximei de você que ressonava, toquei seu braço e você olhou prá mim. Avisei com voz suave sobre o almoço e você agradeceu docemente. Quando você fechou os olhos resolvi me afastar vagarosamente, e logo me surpreendi com você se remexendo na cama, bradando os piores palavrões possíveis. Ainda pensei que poderia estar irritado por eu tê-lo acordado, mas continuei observando e pude perceber que você parecia estar sonhando com situações do seu cotidiano. Foi aí que meu coração ficou apertadinho...

Eu sei que o problema não era eu, mas aquilo confirmava as vezes em que você afirmou que andava com a cabeça cheia de problemas. O que, na verdade, me apertou o coração foi não poder fazer nada. Até me ofereci pra ajudar - "só não me peça dinheiro porque isso não tenho", confessei entre risadas. Você se lembra? Mas você optou pelo silêncio, por remoer sozinho por dentro. E foge das minhas mãos a oportunidade de fazer algo por você, tornar sua jornada mais fácil, plantar sorrisos no seus rosto todos os dias com nossas brincadeiras infantis. Falar bobagens, servir de sua musa inspiradora no meio de palestras chatas. Te dar a mão e não deixar nada mais nos separar. Velar teu sono e não deixar nada nem ninguém te perturbar.

Será que tudo isso não poderia ser diferente? É preciso mesmo tanta dor de mim e de você?

"Dorme que eu vou te velar pela noite quieta,
Como a chama do luar vela o sono dos poetas..."


Shalom!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"Flor de Laranjeira" (presente de uma irmã)

"Formosa flor 
Absorve nossas dores 
Ilumina nossas noites 
Com a energia de mil cores 

Um sorriso nos lábios 
Ela venta pra lá e pra cá 
Tá sempre firme e semeando 
Mesmo que tentem derrubar 

Muitas pétalas caíram 
Outras renasceram 
Do mal-me-quer, bem-me-quer 
Salve-se quem puder 

Essa é a historia 
De uma linda flor brilhante 
Que desabrocha nas manhãs 
Em tons de diamante 

Flor de laranjeira 
Amiga, guerreira 
Mulher verdadeira 
Moleca, leve e faceira!"

(Danielle Moraes)

sábado, 6 de outubro de 2012

Saudações!

"Você pensa que eu to de longe? Eu estou mais perto do que você imagina! Não saio de perto do meu protegido, não vou deixar que nada atrapalhe o caminho dele. Você pode tentar, usar suas armas de mulher, mas ele tá comigo, Moça! E ele tem um caminho lindo pela frente, tem uma mulher de verdade, ambos tem um amor muito grande... Você pode tentar destruir, mas se tem algo no reino de D'us que vence tudo é o Amor...

Cada pessoa tem seu caminho na vida. Há coisas escritas lá em cima que nenhum de nós pode impedir de acontecer. Você vai seguir teu caminho, Moça. "É a vida", como diz meu filho. Tua vida não depende dele, e ele precisa seguir em frente. Aceite. 

Não vim causar o mal, e se você quiser eu te ajudo também. Mas não se ponha no caminho de ninguém. Aceite o que virá porque é o que D'us Quer. 

O Amor é a coisa mais bonita que existe e estamos aqui prá protegê-lo. Sabemos que coisas vêm e vão e estou aqui prá te ensinar também. Seja fiel aos seus sentimentos e aceite o que virá. Nós também te ajudaremos. 

Creia em D'us nosso Pai que tudo vai dar certo. Pros três.

Boa noite, Moça."



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"My Prayer" - The Platters



"Quando o crepúsculo se vai e os rouxinóis não mais cantam, 
Quando o crepúsculo se vai você entra no meu coração 
e aqui no meu coração você ficará enquanto eu rezo 

Minha prece é para permanecer com você 
até o fim do dia em um sonho que é divino, 
Minha prece é o desabrochar de uma flor 
com o mundo distante e seus lábios juntos aos meus. 
Esta noite, enquanto nossos corações estão incandescentes, 
Oh, diga-me as palavras que eu estou querendo saber. 
Minha prece e a resposta você dá 
talvez sejam as mesmas pelo tempo em que vivermos: 
Que você sempre estará lá, no final da minha prece."

domingo, 30 de setembro de 2012

Carta à uma irmã


Pois é, irmã. Somos irmãs em tudo. Só não em sangue (será?).

Vivemos juntas conflitos e alegrias. Nossas vidas parecem sincronizadas. Ouvimos as mesmas músicas, nas mesmas rádios, ao mesmo tempo. Você se agonia e eu mando você pegar seu caderninho prá escrever. Você me convida prá um evento que eu ia te convidar. Como se fosse uma só mente, um só coração, compartilhado.

Quantas vezes, irmã, você se compadeceu das minhas dores, escreveu textos e poemas que tanto me emocionaram... E eu nunca soube retribuir. Às vezes é difícil retribuir tanto amor, mesmo que também o sintamos.

Nós, filhas do vento, precisamos de alguém que entenda nossas tempestades, que nos questione firmemente e com sinceridade, mas que não tente nos parar. E assim você é prá mim e eu sou prá você.

Nós, filhas do vento, aceitamos qualquer coisa, contanto que não seja feito a um amigo nosso. E é aí que eu adoto seus inimigos e você adota os meus. É aí que eu adoto as suas dores e você adota as minhas. Choramos juntas e depois rimos juntas sobre quão bobas fomos. Porque, pra nós, a vida é isso tudo mesmo, é prá ser vivida nas entranhas, é prá se jogar.

Por isso mesmo, por sermos tão parecidas, e por estar sentindo o mesmo, que eu te digo como eu gostaria de ouvir de alguém: "não se afobe não que nada é prá já". Queremos sair "ventando" por aí mas, infelizmente para nossas almas decididas, o Tempo tem que ter tempo prá realizar o verdadeiro. E a Verdade é sempre celebrada pelos filhos de Iansã.

Levanta a cabeça, irmã! Olhe quanta força você tem! Quanto você já passou! E tá aí, alegrando a muitos, admirada por todos, elevada por aclamação. Quem diria, hein? Há alguns anos atrás, você acreditaria que estaria vivendo tudo isso?

E nunca te esqueças, irmã, que mesmo quando eu discordo, quando eu brigo com você, eu estou te amando acima de tudo. Porque nós não precisamos fazer jogos uma com a outra. Nós nos adivinhamos! Não conseguiremos e nem pretendemos usar de disfarces...

Então, irmã. Isso é só um pouquinho do montão de coisas que eu queria te dizer.

Mas não me afobo não. Porque ainda temos uma vida inteira pela frente de alegrias, decepções, bebedeiras, risadas, constrangimentos mútuos... Sempre juntas, sempre em frente.

Eu te amo!

Shalom!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

"Nos seus olhos" - Nando Reis

A cidade lavada por um temporal. Cerveja? Amendoim? Biscoito? Não, não posso. Hoje não. Talvez por isso eu estivesse mais forte.

Conversas, coincidências. Você confessa que me observa. Confessa o inconfessável. Agora entendo, porque sou atriz. Abraços, lábios próximos que não ousam se tocar. Linguagem corporal. Eram essas as respostas que eu precisava? Meu olhar busca algo ao longe, seu olhar vai em busca do meu. E seus olhos brilham tanto que é difícil fugir. Mas fujo, covarde, mais uma vez.

O que é que esse teu olhar me pede? A que me convida esse teu sorriso? Último abraço, intenso. Boca na jugular, como quem tenta me roubar a vida. Beijo seu rosto demoradamente, e você paralisa como quem espera por mais – esse mais que não lhe dou.

Seu jeito menino se vê, então, sem outra alternativa: te põe frente a mim e profere a pergunta que faz saltar meu coração. Baixo a cabeça ao lado da tua e quase imploro para que repita. Seu silêncio pensativo revela o conflito interno. É, pois é: é assim que a gente fica. Pelo menos só por hoje, só por esta noite.

Agora é minha a pergunta que ecoa: quem sabe um dia isso tudo muda?

Quem sabe? Quem vai saber?...

Shalom!


sábado, 22 de setembro de 2012

Boa noite, Moça!

Pobre Moça, debruçada na janela do mundo: teme ser coadjuvante d'uma estória que não é sua.
Então acompanha bem de perto. Porque, inimigos devem ser mantidos bem perto. Não é?

Talvez para Maquiavel. Eu "não tenho paciência pra televisão e nem sou audiência para a solidão". Não tenho o mínimo talento prá tramar pelas costas dos que me pedem por desamor. Assim como também não tenho paciência para ser falsa. Prefiro ser distante.

Eu até entendo que a língua coça, dá vontade de gritar nossas verdades ao mundo... Mas é melhor que fique  assim: sabendo-se reciprocamente, mas sem ninguém nem desconfiar. Buscar a guerra por quê?

Não te perturbes, Moça. Ela não está em disputa, nem em busca de um troféu. Ela não quer tirar nada de você. Não tente você, então, tirar a liberdade dela. Ela só quer pôr prá fora, desafogar, imaginar... Você entrar em provocação só vai despertar uma disputa na qual nenhum dos vértices sairá ganhando.

Ao contrário do que pensas, Moça, ela não tem medo de você. Ela não se sente ameaçada, mesmo sabendo que tu acompanhas cada palavra que ela escreve. Ela, ao contrário, sente inspiração pulsando nas veias... É bom saber que se conquistou uma plateia tão fiel. Ela é meio orgulhosa - entenda, Moça. Dizem que é a tal da "alma de artista".

Ela é orgulhosa, Moça, mas não é hipócrita. Ela gosta de se exibir sim... Quem não? Mas se tem uma coisa que ela não gosta é de mentira - e ela já descobriu tantas estórias tuas mal-contadas... Ela mantém-se discreta enquanto você também mantém em segredo as coisas que lê. Mas não a provoque, Moça: ela é filha de Iansã, é filha do vento e da tempestade, tira tudo do lugar sem nem olhar prá trás! Ela pode sair machucada, mas não deixa de machucar bastante... Sangue nordestino. Você deve saber bem como é. A diferença é que ela não é mais menina, Moça. Ela é mulher feita, e sabe muito bem o que diz e o que faz. Com a vida ela aprendeu a manipular sua própria chama... E ela não gasta mais raios à toa.

Faz o seguinte, Moça: seja discreta. Não provoque, não dê a entender o que você sabe, que ela vai ficar quieta na dela. Todos ficam, assim, felizes. Você não concorda?

Estranho fazer acordo com uma pessoa que está "do outro lado", não? Mas ela não te vê como rival. Apesar de tudo que ela descobriu, ela ainda te respeita. Mas isso até o momento que ela achar que você não merece mais o respeito dela. Não leve tudo isso como deboche, porque, por mais brincalhona que ela seja, na hora de falar sério você nunca verá alguém tão certa de si. Ela é mulher feita como uma rosa rubra, Moça. Não é mais - e nem tem mais jeito de - menina.

Laroiê!
Shalom!



sábado, 15 de setembro de 2012

A Velha Infância

Já eram trinta dias sem se ver. Mas, mais que isso, o momento era especial porque ela já tinha colocado seus sentimentos na mesa. Ele continuava uma incógnita.

Ela chegou mais cedo e aproveitou prá checar seus emails no celular. Quando a porta do teatro se abriu, todos olharam ao mesmo tempo. Inclusive ela. Ele também a olhou rapidamente antes do primeiro passo adentro, e ambos desviaram o olhar. Era necessário ainda um tempo pro coração se acalmar. Ela ainda se levantou prá tentar abraçá-lo amigavelmente, ele recebeu o gesto meio sem jeito. Talvez ainda não estivesse pronto. Ou talvez - temeu ela - tudo iria mudar entre eles. Para pior.

Ela emprestara um caderninho e sua caneta a alguém, e ela se espantou quando percebeu que seus pertences estavam nas mãos dele antes de se retirarem. "Vem! Suas coisas estão aqui!", balançou-as no alto para que ela visse. Buscavam agora o resto do grupo pelo prédio. Já desciam as escadas quando ele tentou erguê-la no alto. Apesar dos protestos, ele conseguiu sentá-la no seu braço e carregá-la escada abaixo. Ele a pôs no chão e ela ainda protestava. Ele ria dela. E ela riu com ele porque, afinal, nada tinha mudado entre eles. Alívio.

Finalmente reencontraram os outros e enquanto todos falavam, ele rabiscava e desenhava no caderninho. Olhava por um ângulo, por outro, parecia insatisfeito e arrancava a folha. Ao fechar o caderninho, ele deixou cair um pequeno papel, que ela pensou que era dela. Ela se distraiu com isso e ao se certificar que não era dela, ele logo devolveu o caderninho já fechado, pedindo desculpas. Ela nem entendeu o porquê, mas aceitou-as. Ele então a desafiou a acompanhá-lo numa região da cidade bem barra pesada. Ele não sabia que ela cresceu no pé do morro, desviou de esgotos a céu aberto durante a infância. Mas ela não quis estragar o seu momento professoral. Aceitou o desafio.

Deram uma volta na área. Para ele, era um choque de realidade nela. Para ela, era apenas mais do mesmo que sempre a deprimia. Pararam num beco escurecido pra conversar, e logo passou por eles um homem de meia-idade, bem vestido, com sua pasta executiva. Enquanto ambos conversavam, o homem parou mais à frente e, em cima de um balcão, espalhou um pó branco. Ela desviou o olhar, mas não por ter se chocado. Ela estava extremamente espantada com o fato de já ter sonhado com aquele cenário antes. E lembrava mais: no sonho que tivera anos antes, havia um fusca laranja, o que não cabia ali naquela realidade.

Ele a despertou de sua epifania prá irem embora. No ponto de ônibus, enquanto tagarelavam e riam, ele repentinamente puxou-a para si num gesto ágil e a abraçou. Silêncio. O mundo sumira em volta e ambos estavam em paz. Ligeiramente entorpecida, ela ainda tentou erguer os lábios prá ele, mas ambos se deram conta que seria inoportuno. Num gesto de compreensão ele fazia carinho em seus cabelos, enquanto ainda envoltos no abraço. O ônibus dela enfim chegou. Ele a conduziu, como um gentleman, ao ônibus e enquanto ela se ocupava em catar os degraus do veículo ele sussurrava algo que ela não conseguiu compreender.

Ela subiu. Pagou sua passagem e ao sentar-se, teve um estalo: buscou o caderninho e numa das folhas pôde finalmente ver o grande coração que ele desenhou com mão firme, preenchido em seus detalhes. Logo abaixo do desenho uma seta para a frase do Betinho: "O que somos é um presente que a vida nos dá. O que seremos é um presente que daremos à vida". Ela sorriu, pressionou o caderninho contra o peito. Se sentia aquela menininha que fora um dia, que tecia romances na imaginação. Ela se deu conta que, enfim, nunca tinha deixado de ser aquela menininha.

No dia seguinte, ela é acordada por aquela que fora seu ombro amigo ouvindo a saga do dia anterior. A amiga estava eufórica, porque, depois dela ter publicado suas reflexões sobre a própria infância, ele revelou uma foto sua de quando era menino. Apenas coincidência? Ou será que ele se sentia como ela?...

Ela estava confusa, não sabia o que pensar. Mas seu coração palpitava alegre. Trocas de declarações, bilhetes, desenhos, como duas crianças do primário. O frescor e a pureza do amor infantil, ainda que maduro... Alguém os entenderia? Ninguém mais entende o que é puro nos dias de hoje...

Admirando a foto que a amiga mostrou, percebeu que para além do sorriso dele, do olhar alegre, havia um carro na foto: lá estava o fusca laranja.
"Entre borrachas e apontadores
Mora o meu grande amor

Colei seu nome com várias cores

No livro que ela me emprestou..."
Shalom!
Shanah Tovah Umetukah! 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Como realinhar as órbitas dos planetas?

É na rede que me perco. Clico em um link, que me leva a outro, e a outro... Daí dou de cara com verdades que eu nem buscava, mesmo já desconfiando. O problema é que eu nem sei porque essas verdades caem no meu colo, porque eu nunca sei o que fazer com elas...

Não posso ser a dona da verdade... Nem ser o anjo revelador, ou ainda aquele que salva... Tenho que me conter reconhecendo a individualidade de cada um. Por mais que eu ame - e justamente por isso - reconheci que tenho que me reservar à espera.

Me reservei então a orar. Deitei meu corpo e elevei minha mente a pedir a todos os anjos, santos e orixás que te protejam. Arrepios me percorriam como se eu fosse levitar. Sim, todos estavam à minha volta a ouvir, eu já não tinha dúvidas. Assim como a dúvida deixou de viver em mim quando comecei a ouvir os teus protetores... Quando comecei a acreditar que sim, eles queriam falar comigo, quando comecei a obedecê-los em seus pedidos. Nessa madrugada fria, outra dúvida me abandonou: agora eu entendia porque os meus protetores tanto insistiam em falar comigo sobre você. Todos, no fundo, sabiam da maldade no coração de quem diz te amar... E talvez esperassem algo de mim.

Mas... E se eu estivesse imaginando tudo? Montando o quebra-cabeça com as peças certas mas formando a imagem errada? E se minha fértil mente só estiver seguindo meu coração ressentido???

E nessa minha vida, cheia de sincronias que se respondem, onde videoclipes se fazem para que fantasmas assistam, mais um se fez: em algum lugar no meio da madrugada, no alto de suas 3 horas, uma música veio da rua. Parecia vir de longe, como se somente eu estivesse ouvindo. Como se somente eu entendesse a mensagem:


É essa minha missão então??
Não sei bem o quê, nem como fazer, mas a recebo de braços abertos...

Ògunhiê! Epahey! Atótó!
Shalom!

“Eu sou tua maldição. Teu pirão primeiro. Tua salvação. O sal e o vinho de tua carne e suor. Tua fuga e abrigo. Teu parto, quem te cria e inventa. Tua indecência. E milagre. Tua inocência e delírio. Tatuagem feita de memórias. Tua carta de alforria.” (César Insensato)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A Roda da Fortuna 2 (ou O Castelo de Cartas)

Eu já não entendo mais nada... Nem prevejo mais nada da vida. Quando fujo de um caminho por insegurança, me aparece outro. Quando fujo do outro caminho prá não sofrer, caio no primeiro caminho de volta. E assim vou indo e voltando, como bolinha de pingue-pongue. Vivo permanentemente numa encruzilhada, ou a encruzilhada anda me seguindo.

A roda anda girando... Rápido demais pro meu gosto. Estou ficando meio nauseada apesar de gostar de sentir o vento nos cabelos. Afetos têm se solidificado e se confundido numa velocidade estonteante e creio que no fim, quem vai acabar passando mal serei só eu. Normal prá alguém que adora autosabotagem.

Não, eu não planejei nada! Até me espanto com o rumo que as coisas vão tomando... Só que nesse castelo de cartas, Rei e Valete andam se alternando. A Rainha de Copas ordena agora "cortem-lhe a cabeça!", simplesmente porque resolveu se amar demais. O Valete pode ter muito a ver com isso, mas foi a cabeça do Rei que padeceu.

Bem, na verdade nessa história o que menos tem é cabeça. Tem o carinho de Copas, o orgulho de Ouros, a criatividade de Paus e a luxúria de Espadas. Razão que é bom, fica de fora. E quando eu me forço a ter só um pouquinho dela tudo parece ter o maior sentido, ainda que não tenha. Deve ser uma dessas coisas que a gente traz de muitos séculos... Que vêm se arrastando até que realmente seja resolvido. Só que dessa vez eu não tenho a mínima pista do caminho a tomar - e eu queria muito. Porque dessa vez - e só dessa vez - eu queria não me machucar e nem machucar nenhum dos envolvidos: guardo Rei e Valete no cofre dos afetos verdadeiros, até porque eles ajudaram a Rainha de Copas a se amar mais também.

Na falta de razão, que rolem os dados!

Shalom!



Onde tudo começou: A Roda da Fortuna (http://maisloucoequemmediz.blogspot.com.br/2012/04/roda-da-fortuna.html)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

"Palavras não falam" - Mariana Aydar

"Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras

Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras

Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras
Só palavras 
Só palavras..."


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sincronias

E decretado foi que o amor é findo. Acabou-se, c'est finite, aqui jaz. Porque tem tanta coisa acontecendo ao meu redor que seria pouco inteligente me agarrar a esse sentimento. Já passei por isso, eu sei bem. E bem eu também estava, aliviada, livre enfim! "Vamos viver" passou a ser meu lema. Carpe diem, meu mantra.

Acordei recordando momentos. Natural, afinal nenhum amor morre assim de repente: precisa de muitos "tiros de misericórdia". Dei mais um. Botei minha melhor roupa e saí, em companhia de queridos.

Papo vai, papo vem. Me inquieto na cadeira. Lembrei que minha mochila com meu celular estavam no cômodo ao lado, eu não o ouviria tocar. Mas, afinal, quem ligaria prá mim??? A inquietação só aumentou e logo me vi levantando e indo buscar o tal aparelho.

Surpresa maior foi ver que você tinha acabado de tentar me ligar, numa dessas loucas sincronias da vida.

Respirei fundo. Resolvi ligar de volta porque a saudade era grande. Mas eu precisava ser forte. Meus amigos, em volta, me ajudaram.

Desculpe, mas não estou mais disponível.
Não até que pelo menos você realmente queira.

Sim, sou mais forte do que eu imaginava.

Shalom!

sábado, 25 de agosto de 2012

Tudo o que eu queria te dizer...


É seu aniversário. Você tinha me pedido um presente, e eu pensei em diversas coisas que eu pudesse comprar que podiam ser (ou parecer) especiais. Não encontrei. Só me restou entregar o que eu tenho de mais precioso: o meu coração.

Meu coração está entregue a você, eu estive entregue. Talvez eu esteja desde o primeiro dia, em que vi toda minha infância passar dentro de seus olhos. Ou desde a primeira vez em que nos abraçamos quando, prá minha própria surpresa, minhas pernas perderam as forças e eu não entendia o porquê. Talvez tudo tenha começado num beijo - mas não sei exatamente em qual, pois em todos eu perdi a razão e o raciocínio. Indo por eliminação, talvez eu tenha me entregado num dos beijos tão intensos a ponto de me fazerem sentir lágrimas na garganta. Mas daí eu teria que escolher um para o ponto de partida, e eu, sinceramente, sou incapaz de fazê-lo...

Quando começou, pouco importa. O que importa é que você conseguiu de mim algo que eu sempre resisti a entregar: meu coração. E não só o coração, mas também todo o pacote que o acompanha: corpo, mente, espírito... E não porque os anulei, mas porque eles se encontraram em você.

Explicação, não tem. Eu amo tudo o que vejo e sinto em você, e quanto mais eu o conheço, menos me decepciono. Mas é fácil se apaixonar por alguém tão fascinante - basta estar distraída. E você me pegou assim, num momento em que tudo o que eu queria era justamente não me apaixonar...

Eu te amo. Simplesmente queria te dizer isso. Mais por mim mesma que por você. Talvez você esqueça tudo o que eu quis dizer logo depois de ter lido, não me importo: talvez eu também esqueça. Talvez o presente não seja seu, e sim para mim mesma. Mas era o que eu queria te dar: uma tentativa de explicar as contradições que me movem por dentro. Ou a taquicardia que ainda me ataca quando te vejo.

Ainda que meus lábios nunca mais encontrem os seus, eu te amo. Ainda que meu corpo nunca sinta recônditos do seu (o que parece já conhecer de cor), eu te amo. Ainda que esse amor tenha que ficar guardado em algum lugar do Universo, congelado e sem esperanças, eu te amo. Hoje posso dizer que aprendi a amar porque te conheci. E isso basta. Obrigada por ter feito parte da minha vida, por ter enxergado em mim o que eu nunca tinha reparado e por ter me feito gostar mais ainda de mim do jeitinho que eu realmente sou.

Que o Universo te abençoe com tudo o que mereces e desejas, até mesmo pelo mérito que tens de ser o homem que és.

Au revoir!
Shalom!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pense bem

Tenho sido infiel aos meus remedinhos. Sim, sei que estou errada, mas acabei pulando doses no corre-corre diário, às vezes ficando sem eles por dias... Enquanto a gente tá bem, não tá nem aí, né? Até que pequenos cacoetes voltam a perturbar e dormir se torna uma tarefa quase inglória. A mente acelerada já não deixa a gente entrar em conclusão de nada... Daí a gente se dá conta: tá tudo errado!

Mas já estou regularizando-os novamente... Me esforçando prá não me deixar perder nenhuma dose... E eu já estou vendo tudo mudar novamente. Os rompantes emocionais vão ficando prá trás - e não que isso não seja bom, no entanto a sensação de não sentir nada, anestesiada emocionalmente me dá medo. Déja vù, vocês sabem. E hoje, amanheci assim como Dorothy acordou logo após o tornado: com a sensação de quem caiu de paraquedas na própria estória.

A verdade é que um pouquinho de racionalidade não faz mal a ninguém. Dá até prá encontrar alguma beleza na solidão... Sem ela eu não poderia ter voltado da noite de ontem já de manhã, nem ter curtido minha ressaca sozinha. Nem ter me esparramado na cama logo depois de vomitar e tomar banho, sem encheção de saco. Claro que a liberdade em si também deixa-nos confusos, porque toda decisão que tomamos tem um peso enorme nas nossas costas. Mas me parece certa covardia querer alguém só prá não sentir tanto o peso das próprias decisões.

Não, não sou contra os casos de amor, pelo contrário!!! Continuo uma romântica incurável - ainda que eu não a seja por hoje. Mas olhando prá trás e observando tantas outras vidas, penso "será que é mesmo isso que eu quero?". O ser humano nunca sabe direito o que quer... Eu devia era aproveitar o que tenho em mãos!

Porque não sou o tipo da mulher que a maioria dos homens desejam ter: posso ser uma dama na sociedade, uma puta na cama, mas nunca a Maria que fica em casa, preparando o jantar enquanto o moço passa o dia fora. Acreditem, eu já tentei ser. Não funciona. É legítimo que o cara tenha que sair para ganhar o mundo, mas eu vou querer sair e ganhar o meu mundo também!! E ao chegar em casa, vou empurrar a bagunça pro lado e me esparramar no sofá prá descansar - não vou tentar ser a super-mulher. Porque não tenho o mínimo talento nem paciência prá faxina, prá manter a casa brilhando, enquanto a cabeça tá fervilhando de ideias.

Pois é: você vai me amar, vai me querer prá sua vida, vai me achar fascinante e logo logo vai ver o fascínio ruir pela minha falta de perfeição. Pelo meu quarto adolescentemente bagunçado. Vai perder a paciência quando ligar pedindo que eu faça algo me ouvindo responder que não vou fazer. Porque não vou, não to a fim e pronto!! Já passei uma vida inteira de subordinação, foram mais de 30 anos prá eu me descobrir e me aceitar assim, do jeitinho que eu sou. E, de brinde, ainda venho com uma necessaire cheinha de remedinhos... Pensando bem, será que você vai querer isso mesmo?

Pensando bem: será que EU quero isso mesmo?

Shalom!

Enquanto isso, em Veneno Vicioso: http://venenovicioso.wordpress.com/2012/08/23/the-road-so-far/

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

"Miragem" - Dani Black

Tarde mágica, cheia de pequenos milagres. Coisas tão bobas que eu mesma não tinha dado atenção. Até que tivemos de nos despedir.

Estiquei o braço por cima do seu ombro, me aproximei mirando o centro da sua face. Distraída, nem vi que no meio do caminho você desviou agilmente, marcando com o fogo de um beijo molhado o canto direito na minha boca.

Vertigem.




"Amar sem ver se vai doer
Nada que eu diga nessa canção
Mostra ou explica meu coração

Sem mais saber como dizer
Frases perdidas me levam ao chão
Você me leva sem direção

Vou pro seu mundo e vivo essa viagem
Por um segundo eu fico, é só de passagem...
Miragem

Faz conhecer o prazer, o melhor sabor de amar
É descobrir, poder ver o que existe além-mar
E nessa viagem sinto o meu mundo mais colorido
E agora eu já nem sei mais onde vai parar

Eu digo, se um dia eu não souber amar
Não puder cantar pelo seu melhor
Nesse dia eu não serei mais eu
Só serei um ser triste ao meu redor"

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Bem vindo de volta!


Onde estiveste este tempo todo, Príncipe Negro? Onde te escondeste enquanto eu me acostumava com tua ausência? Por que retornas agora, com teu cavalo branco? Vieste me salvar desse mundo cruel?

Não sei, só sei que foi bom te reencontrar. Recordar os bons momentos que vivemos, a tua voz quando se faz de manhoso, o carinho nos torpedos no celular, a química nos momentos quentes.

Muitas vezes me perguntei por onde andavas, onde ficava teu reino, por que a vida nos distanciava daquela forma... E, por algum motivo que desconheço, pensei em ti durante os últimos dias, depois de tantos meses, já sem esperanças de retomar o contato porque eu tinha perdido teu telefone e você só teria o meu outro número que foi cancelado... Era tudo o que tínhamos um do outro: algumas fotos no computador e o número do telefone. Não precisávamos de redes sociais, nem emails, nem instant messengers - um amor pé-no-chão. Como é possível, nos dias de hoje, ser feliz com tão pouco?

Daí você me liga. Quando disse seu nome, nem acreditei. Como você tinha conseguido meu número novo??? Você ainda tinha as minhas fotos no computador??? As perguntas ressoavam na minha cabeça, mas não as externei: fiquei que nem menina boba, querendo saber de você, o que andava fazendo, quase sem acreditar que você ainda pensava em mim observando as fotos e, agora, me ligando...

Leva-me ao teu castelo, me faz feliz de novo! Retornemos de onde paramos, aproveitando que a Vida - esta que nos separou - agora nos une novamente.

Dá-me tua mão, mais uma vez, Príncipe Negro. Vem ser rei do meu castelo; deixa-me mais uma vez reinar na tua cama. Decretemos estado de felicidade universal!


Shalom!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Onde o sapato aperta...

Por que choras, menina? O que há? Se ele tomou seu coração e também te ama, que mal pode haver?

Ah, claro, tem aqueles problemas... A distância, por exemplo. O toque realmente faz falta, mas não dá prá aplacar com as palavras de carinho?

Difícil é amar, saber-se amada e ter que fingir que nada está acontecendo, porque, simplesmente... Não sei. Porque eu devia estar sendo menos idiota? Porque eu deveria cobrar uma atitude? Ou porque a tal atitude deveria partir de mim?... Eu não sei! Só sei que eu to enovelada nessa estória, e quanto mais eu tento sair, mais dá nó. Então eu choro, choro... Prá ver se alguém vem em meu socorro. E, adivinha: ninguém vem!

Porque ele não pode me ligar toda vez que pensa em mim. Porque ele não pode dizer tudo o que sente por mim, e prá ele é muito mais fácil, porque há alguém que o distraia dessa angústia. Porque toda vez que o desejo desperta em nós, é fácil pra ele virar as costas e se concentrar no próprio lar, enquanto eu fico, coração na mão e grito na garganta.

Não chora, menina, não chora... Seu amor pode ser declarado escancaradamente, e seu alguém te faz o mesmo. Queria eu, ao menos virtualmente, ter essa alegria... Mas tenho que sufocar engasgada com tudo isso que corre na minha mente e no meu coração. Essa vida clandestina não é nada fácil... E eu sei que não a mereço. Mas to aqui, não é?

Pensando bem, chora, menina! Chora que as lágrimas são de água e sal, elas lavam as tristezas todas embora... Temos dores distintas, mas gostaríamos muito de ter a dor uma da outra. Você deseja o toque, o abraço... Eu desejo as palavras. Você deseja a presença que eu tenho, eu desejo sua liberdade de expressão. Mas temos algo em comum: a sensação de vazio. A sensação de querer esticar a mão e poder tocar, ali, nosso objeto de desejo. De querer dizer "vem" sabendo que em 10 minutinhos ele vai estar ali...  Essa sensação é a mesma, disso eu entendo. Por isso eu digo: chora. Porque chorar ajuda a esvaziar o "copo até aqui de mágoa"... É o que tem me ajudado.

Que os orixás nos auxiliem...
Shalom!


terça-feira, 7 de agosto de 2012

"Ilegais" - Vanessa da Mata



"Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa vida
E será uma maldade veloz
Malignas línguas
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Ilegais

Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu quero você
Dentro de mim
Eu quero você
Em cima de mim
Eu quero você

Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa farra
E será uma maldade voraz
Pura hipocrisia
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Olhos ilegais..."

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Breve Canção de Sonho" - Zélia Duncan



"Dormi sozinha e acordei
Cantando a nossa canção
Canção que só escutei
Num sonho que eu não lembrei
Mas juro havia paixão


Não sei se posso falar assim do que vi
Você cantava pra mim
Suspiros, flores, perdão
Canção de amor é assim


Não sei se posso falar assim do que vi sem saber
Você cantava pra mim
Se é ato falho, não sei
Canção de amor é assim"

terça-feira, 31 de julho de 2012

O espelho

Cansaço. Entro no ônibus e recosto minha cabeça no banco. Olho para as luzes acesas do lado de fora e acabo me deparando com a sua boca refletida no vidro da janela. Demoro, mas então me dou conta que aquela boca, que eu acho tão linda, não era a sua, mas a minha.

Ainda espantada, relembro outros traços que temos em comum. Busco na memória algum possível motivo que justifique o fato de sermos fisicamente parecidos, sem encontrar. Observo dessa vez o reflexo dos meus olhos, o formato amendoado rasgado pro centro, detalhe que adoro admirar nos seus. Nesse momento me vem à mente a mensagem que Pai Joaquim da Cachoeira me deu, pacientemente, duas ou três vezes. Da última vez ele alertou que não repetiria mais:

- "Olhe-se no espelho, mas não apenas para admirar a beleza. Olhe e veja o seu verdadeiro reflexo, confie em si. Assim você será feliz..."


Nunca entendi direito essa mensagem, mas nesse momento, dentro do ônibus, tive um insight: será que eu estava olhando o espelho errado por todo esse tempo? Por todo esse tempo, o meu verdadeiro espelho era você?... Há uma teoria que diz que costumamos nos sentir atraídos por pessoas fisicamente parecidas conosco, e isso até justificaria nosso interesse mútuo. Mas não é só isso. Ideias e comportamentos parecidos já eram notórios. Talvez isso explicasse o fato de sempre prevermos atitudes um do outro, ou conhecermo-nos a alma intimamente. Olhei no centro dos meus olhos e vi você. Sua presença era quase palpável e eu jurava que podia ler seus pensamentos onde você estivesse, entender o porquê das suas palavras e atitudes. Puxando pela memória, já estive em seu lugar, abrindo mão de si prá buscar fazer o que era certo. Agora fica fácil compreender-te. Agora fica mais fácil te encontrar na distância: basta eu olhar no espelho e seu sorriso e olhar estarão lá.

Passei o resto da viagem sorrindo para a janela. O ônibus estava vazio, mas se alguém notou, com certeza não entendeu nada. Depois daquela conversa interrompida pelas coisas da vida e dos desencontros do dia, te ver no meu reflexo me confortava: me confortava saber que você estava em mim e que eu podia te encontrar quando eu bem quisesse. Me conforta saber que eu estou em você e a possibilidade de você conseguir o mesmo...


Shalom!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Por que eu te amo?

Me explica que coisa é essa... Essa taquicardia, esse gaguejar adolescente provocados pelo impacto da tua presença. Você entra com o corpo pendendo prá frente, como se já agradecesse a aplausos prévios. Espírito de artista - por isso eu consigo te ler e você consegue me ler. Depois se aproxima e me dá um abraço terno, suave. Mi casa, su casa, nos encontramos em um porto seguro. Éramos só nós dois envoltos de uma nuvem de paz, afogando em afeto a saudade contida. Depois de longo tempo, nos separamos em slow motion - os rostos próximos, era como um ímã: bastaria apenas um movimento e nossos lábios, ávidos, se misturariam como tantas vezes já fizeram. Prá descontrair, você brinca, se prepara prá me dar um "abraço de urso", dança e me faz rir. Me envolve de novo em seus braços, me ergue, a euforia toma conta de mim. "Você é levinha...", você parece se surpreender. Eu gargalho como criança na montanha-russa, querendo que aquele momento fosse eterno. Meus pés aos pouco voltam ao chão. Tudo o mais parece igualmente mágico, pois você parece amar aos meus. E eu o amo ainda mais.

Em casa, meu telefone toca. Imaginei meus pais me dando bronca porque fiquei de ligar e não liguei. Mas, prá minha surpresa, era você, mais uma vez. Atarefado, pegando ônibus, só prá perguntar frivolidades. Quem te aguarda não precisa dessa tua atenção? Me questiono, curiosa, mas nem ligo mais. Continue cantando meu nome, pensando em mim quando menos perceber: eu te aceito assim.

Porque eu te amo, e você amar aos meus já me seria suficiente. Porque eu te amo e ainda conto com o amor dos meus por você. Porque eu te amo e enquanto as canções te trouxerem até mim, estarei em paz. E enquanto teu abraço existir, me perderei  no tempo e no espaço. E te amarei enquanto as almas se confundirem ainda que os corpos se percam em distância.

Porque eu te amo assim? Não sei explicar, nem sei dizer onde isso tudo começou - foi à primeira vista? Não sei. Só sei que minha cabeça só pensa em dizer "eu te amo" quando penso em você. Teus nomes invadiram meu coração e o coração emburreceu o cérebro, que não sabe dizer mais nada a não ser "eu te amo". "Meu riso é tão feliz contigo" e minha boca sorri sozinha ao lembrar dos nossos gracejos, enquanto os olhos represam a intensidade dos meus sentimentos. Meus órgãos todos enlouqueceram, e eu só queria enlouquecer ao teu lado...

Eu te amo. E basta assim.
(Pelo menos por hoje.)



Shalom!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

"O sal viria doce para os novos lábios..."

Silêncio. Paz. Eu não sei como eu tinha parado ali, mas eu estava à beira da praia, sentindo a brisa que remexia as ondas dançando também no meu cabelo, fazendo aquele som quase transcendental.

Olhei pro lado direito e vi grandes pedras. Parecia o final da praia. Eu me abraçava enquanto via tudo se tornar sépia. Três letras hebraicas surgiram flutuando na minha frente; de suas frestas, raios de luz dourada me alcançavam. 

Era tão sublime que eu quase podia flutuar.

Tão sublime assim, eu só tinha uma certeza: eu estava frente a D'us.

Sorri de leve, na certeza de ter encontrado a Força Criadora. Eu não tinha o que dizer, nem pedir, nem agradecer. Eu só queria vivenciar aquela oportunidade de estar tão perto de tamanha fonte de Amor Universal. Era coisa que eu nunca tinha sentido até então...


Num pulo no meu abdômen, meu gato me acordou. Ele nunca tinha feito aquilo antes, e então eu me dei conta de que era tudo um sonho e que eu estava de volta às angústias da Terra. De qualquer forma, mesmo com o coração aos pulos pelo susto, me senti grata por ter sido acordada: uma ventania muito forte acometia meu bairro e eu tive que levantar correndo para fechar janelas e recolocar as coisas no lugar... Depois disso, olhei no relógio e não eram nem sete da manhã. Na internet, poucos estavam acordados, e esses poucos só sabiam fazer piadas em relação à data. 6/9/11. Eu estava tão em outra sintonia que abandonei o computador e voltei prá cama, na esperança de voltar àquele sonho sublime. Nem dormir consegui.

Rolei na cama até ser hora de poder ir à Bienal do Livro. Fui sozinha mesmo, decidida a me divertir. E assim o fiz. Comprei vários livros sobre Kabbalah, que muito transformaram e transformam ainda minha vida. Toda vez que abro os livros, a data está lá: seis de setembro de 2011, 7 Elul 5771. Como se estivessem ali para me lembrar do "dia do Sonho Divino". Como se os números quisessem me dizer algo.

Mas o que adianta tantos nomes e números, se as coisas não dependem só de mim?

Hoje, eu só queria poder deitar e ter a certeza de que D'us me Visitaria durante o meu sono e me Presentearia com aquela paz sublime que, depois disso, só consegui sentir dentro de certo abraço...


Shalom!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sintoma de saudade

- Oi! Já tá de volta?

Alegria e surpresa se vinculavam na sua voz, me contagiando.

- Sim, já estou de volta! Olha, eu tenho uma coisa prá te dizer...

Vozes se misturavam ao fundo da ligação. Do teu lado e do meu. Dentre risadas, quis ainda saber antes de tentar dar o recado:

- Tá tudo bem contigo?

Sem hesitar, você responde:

- Sim, tudo muito bem. Só estou com muita saudade de você.
- ...
- ...
- Olha, mas eu preciso te dizer...
- Desculpe, tenho que desligar agora. Depois você me liga?

Claro. Por que não?
Só não tive mais coragem de ligar...

domingo, 22 de julho de 2012

"Quando lhe achei, me perdi"

Longe de casa, todos sentem uma carência, uma necessidade de se unir ainda mais como uma família. Apesar dos novos conhecidos, era nos velhos amigos que encontrávamos paz. Não foi diferente conosco, que já encontrávamos entre nós, a paz como um oásis em meio às loucuras do nosso dia a dia...

Eu conversava com esses novos amigos em meio à arquitetura peculiar do lugar. Era entardecer, estávamos todos cansados, mas você, que passava, me alertou de um novo acontecimento, que deveríamos estar presentes. "Vamos?", você me puxou pela mão.

No caminho, nos abraçamos amigavelmente e passamos por uma espécie de bar, você mencionou que ia comprar uma cerveja. Eu falei prá não fazer isso. Você fez aquele seu bico, e com cara de menino arrependido, repensou:"É, né?... Afinal eu ia comprar de olho grande mesmo...". Encostei a cabeça no seu ombro, concordando.

Seguimos caminhando e seus amigos nos pararam para perguntar algo. Eu, distraída, me surpreendi quando você segurou minha mão e entrelaçou seus dedos aos meus. Os olhares se tocaram e nos abraçamos intensamente, sorvendo o cheiro um do outro. Tentei lembrá-lo do nosso acordo e não deixar que nada acontecesse, mas em dado momento, nenhum de nós tinha as rédeas da situação. Agora que o pátio estava deserto, senti sua língua molhar meu pescoço com a força de quem quer alcançar a alma. Tentei dizer não, mas já estava entregue: eu delirava enquanto sentia seus beijos da boca até o colo. Uma de suas mãos invadiu mistérios da minha anatomia, o que fez meu corpo começar a tremer, descontrolado. Ao notar minha vertigem, me puxou para um lugar mais reservado. O sol já estava se pondo, e só conseguíamos enxergar a silhueta um do outro, mas não acendemos a luz - o tato era suficiente. Voltamos a nos beijar, e o frenesi tomou conta novamente. Rapidamente despimos um ao outro e tudo o que você fazia era de um jeito tão inédito que assim que o senti dentro de mim, abafei um grito; logo chegávamos ao êxtase.

Nos abraçamos exaustos com a intensidade do ocorrido, desejando que ninguém interrompesse aquele momento. Você me sentiu apreensiva, mexeu no meu cabelo como só você sabe. Entre carinhos, perguntou o que eu tinha.

- Isso não devia ter acontecido... - suspirei.

Você segurou meu queixo, com o olhar de quem queria começar tudo de novo, me calou com um beijo terno. De um dos meus olhos, uma lágrima escapou. Nem eu entendi o que estava acontecendo, mas você parecia compreender... Num gesto carinhoso, secou-me o rosto úmido e me beijou novamente, mas ouvimos outras pessoas se aproximando. Fingimos então que dormíamos, abraçados.

Afinal, pressa prá quê se teríamos ainda mais uns dias só prá nós... Só pra nos permitirmos...
Esse era o novo acordo.



‎"Já tinham vivido o cio das feras. Mas as mãos insistiam em não se desfazer das formas e dos limites alcançados e nunca repetidos. Sabia que não deveria, mas chamavam-se como quem soletra a primeira sílaba." (Cesar Insensato)

domingo, 15 de julho de 2012

[off] Aventuras mil!

Lá vou eu, deixar minha Cidade Maravilhosa mais uma vez, prá agora visitar o nordeste...

Muitas aventuras nos aguardam! Papel e caneta irão comigo para cada registro.

Até a próxima semana!

Shalom!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A garota de coração partido

Mal se despediram, ela então virou as costas e partiu - deixou o vento carregar suas lágrimas como num mangá, prometendo a si mesma que nunca mais; que se ele mudava seu comportamento assim então não merecia sua amizade, tão pouco seu amor. De repente, quando já distante, seu telefone toca e do outro lado uma voz abafada diz carinhosa e cuidadosamente:

- Dorme bem, tá bom?...

Então todas as resoluções e todos os "nunca-mais" caíram por terra.



"Você é tudo que eu pensei que nunca seria
E nada do que eu pensei que poderia ser
Mas você ainda vive dentro de mim
Diga-me como

Você é o único que eu queria esquecer
O único que eu adoraria não ter que perdoar
E apesar de você partir meu coração
Você é o único

E apesar de haver momentos em que eu te odeie
Porque eu não posso apagar as vezes que você me magoou
E pôs lágrimas no meu rosto 
E mesmo agora quando te odeio, me dói dizer
Que eu sei que estarei aí ao fim do dia

Eu não quero ficar sem você, querido
Eu não quero um coração partido
Não quero dar um suspiro sem você, querido
Eu não quero representar esse papel
Eu sei que eu te amo, mas me deixe dizer
Que eu não quero amá-lo de jeito nenhum
Não, não
Eu não quero um coração partido
Eu não quero ser a garota de coração partido
Não, não, a garota de coração partido

Às vezes eu sinto que preciso dizer
Que até agora tenho sentido medo
Que você nunca viesse
E ainda quero pôr isso prá fora

Você diz que tem o maior respeito por mim
Mas às vezes eu sinto que você não me merece
E você ainda está no meu coração
Mas você é o único

E sim, há momentos em que te odeio mas eu não reclamo
Porque tenho medo de que você se vá
Oh, mas agora eu não o odeio, estou feliz por dizer
Que eu estarei aí ao final do dia

Eu não quero ficar sem você, querido
Eu não quero um coração partido
Não quero dar um suspiro sem você, querido
Eu não quero representar esse papel
Eu sei que eu te amo, mas me deixe dizer
Que eu não quero amá-lo de jeito nenhum
Não, não
Eu não quero um coração partido
Eu não quero ser a garota de coração partido
Não, não, a garota de coração partido

Agora estou no lugar que pensei que nunca estaria
Vivendo num mundo em que é só você e eu
Não terei medo, meu coração partido está livre
Para abrir minhas asas e voar por aí, por aí com você"

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