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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"Acalanto" - Caetano Veloso

Me espreguicei feliz por ter aberto os olhos e ter dado de cara com seu rosto sereno a dormir. Levantei, lavei o meu rosto, e quando soube que o almoço estava pronto, decidi ir te avisar.

Foi com certa dó que me aproximei de você que ressonava, toquei seu braço e você olhou prá mim. Avisei com voz suave sobre o almoço e você agradeceu docemente. Quando você fechou os olhos resolvi me afastar vagarosamente, e logo me surpreendi com você se remexendo na cama, bradando os piores palavrões possíveis. Ainda pensei que poderia estar irritado por eu tê-lo acordado, mas continuei observando e pude perceber que você parecia estar sonhando com situações do seu cotidiano. Foi aí que meu coração ficou apertadinho...

Eu sei que o problema não era eu, mas aquilo confirmava as vezes em que você afirmou que andava com a cabeça cheia de problemas. O que, na verdade, me apertou o coração foi não poder fazer nada. Até me ofereci pra ajudar - "só não me peça dinheiro porque isso não tenho", confessei entre risadas. Você se lembra? Mas você optou pelo silêncio, por remoer sozinho por dentro. E foge das minhas mãos a oportunidade de fazer algo por você, tornar sua jornada mais fácil, plantar sorrisos no seus rosto todos os dias com nossas brincadeiras infantis. Falar bobagens, servir de sua musa inspiradora no meio de palestras chatas. Te dar a mão e não deixar nada mais nos separar. Velar teu sono e não deixar nada nem ninguém te perturbar.

Será que tudo isso não poderia ser diferente? É preciso mesmo tanta dor de mim e de você?

"Dorme que eu vou te velar pela noite quieta,
Como a chama do luar vela o sono dos poetas..."


Shalom!

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