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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

04/12/2013 (Somewhere out there)


Dia de Santa Bárbara. Atravesso o túnel Santa Bárbara sem me dar conta da coincidência involuntária.

Dentro do ônibus, fecho os olhos e prendo a respiração. Faço meu pedido, que só será atendido se eu conseguir chegar ao fim do túnel sem respirar. Coisas que fazíamos quando crianças...

E como a criança que fui, fiz o mesmo pedido de sempre. Aquele mesmo pedido que faço sempre que vejo estrelas cadentes, ou quando vejo um eclipse, quando vejo uma borboleta, quando apago as velinhas do bolo. O mesmo pedido que fiz ao amarrar minha fitinha amarela no braço. Aquela fitinha de Santa Bárbara.

Ainda faço o mesmo pedido que aquela menininha de 5 ou 6 anos, sentada numa rara calçada do Camorim, fez em pensamento, vislumbrando o morro Dois Irmãos entre os prédios do condomínio em que morava - e onde será que você estava?

Ainda faço mesmo pedido:

"Que dê certo. E que seja logo." 

Consegui! Cheguei ao fim do túnel e pude então respirar aliviada... Sorri. Sei que os anos passam e passarão, mas também tenho a certeza de que, se ventar mais forte, nós estaremos bem.

Epahey!
Shalom!





segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

"Between the Bars", por Madeleine Peyroux

"Beba, querido, fique acordado a noite inteira.
Você não fará o que queria, mas você poderia.
Você tem um potencial que nunca verá
Pelas promessas que você apenas faz.

Beba comigo agora e esqueça sobre tudo:
Sobre as pressões dos dias - faça o que eu digo.
E eu vou te deixar bem e mandar pra longe
as imagens presas na sua cabeça.

As pessoas com quem você esteve antes, que você não quer mais por perto
Que empurram e atropelam e não vão se curvar à sua vontade,
Essas - eu as manterei quietas.

Beba, querido! Olhe as estrelas... E eu te beijarei novamente entre as grades
Onde estou te vendo com as mãos no ar, esperando ser finalmente pego.

Beba mais uma vez, e eu o tornarei meu
E te manterei longe de tudo, fundo no meu coração
Longe do resto, onde eu te gosto mais,
Mantendo as coisas que você esqueceu.

As pessoas com quem você esteve antes, que você não quer mais por perto
Que empurram e atropelam e não vão se curvar à sua vontade,
Essas - eu as manterei quietas."


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

"As canções que você fez prá mim"

Escrevo sobre nós, pois não sei escrever de outra coisa. Escrevo sobre nós pois entre minhas linhas posso derramar nossa realidade e sandice, nossos mistérios e enganos. Escrevo sobre nós pois, só assim, nos reanalisando constantemente, posso compreender em que língua cantam os pássaros.

Veja bem: escrevo sobre NÓS, não escrevo sobre mim e nem sobre você. Apenas sobre essa entidade que formamos quando nos conectamos de alguma forma. É o NÓS que me interessa, é o NÓS que me transforma. Não é e nunca foi o que você disse ou diz - é como se delineia em mim, ou como te atingem as coisas que posso ter dito.

Nenhum de nós somos perfeitos, estamos muito longe da santidade que enxergamos um no outro, mas somos assim, indesconectáveis. Mesmo tentando ser realistas, só enxergamos o que desejamos. Dialogamos pelo ar, mesmo na suspensão dos silêncios. Conversamos e desconversamos o tempo inteiro, somente tentando desconstruir o mal-entendido. "Que mal-entendido?", o que quero malentender, o que mantém o vigor de meus sorrisos, ainda que eu queira que seja tudo diferente. "A razão nunca sufoca o coração nessa menina...".

A coisa é tão suspensa que tende a despencar a qualquer momento. E quando todas as verdades forem desnudas, talvez entenderão outras estrelas que não a desse sistema solar pelo cenário que assistirão.

Enquanto isso, apenas espero...
Apenas espero...
Espero...

Ass: a Impaciente.

Shalom!

Euphoria

Hoje estou tão feliz comigo...

Em muito tempo, muito tempo mesmo, eu não olhava meu reflexo e ficava satisfeita com o que eu via. Era uma questão minha mesmo... Tem gente que tem desenvoltura com sua própria figura, mas eu nasci no time de quem não consegue gostar de si. Já foram vários antidepressivos e ansiolíticos para tentar curar, tudo em vão. E hoje, depois de ter feito as minhas escolhas nesse fim de semana sabático, finalmente consegui gostar do que vi em mim. Finalmente me reconheci como aquele ser ali falante, e concordei, num trato cosmológico, que aquilo correspondia à minha pessoa. Não apenas isso: gostei. Gostei de ser aquela ali. 

Hoje estou tão feliz comigo que dá vontade de chegar em casa e ainda tomar um café.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pílula para dormir

"Ele nunca faria o mesmo, pelo contrário...", pensava ela.

Mas ninguém é imune às dores de cotovelo. Essas dores, tão proclamadas, são capazes de provocar o impossível a acontecer.

"Ele nunca faria o mesmo"... Até que ele fez!

Do império da imensidão dos silêncios


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

É você?

Será você? É o prometido que seria enviado a qualquer momento? Aquele que poderia salvar-me de minha própria vida?

Será você que me salvará dos meus nós? Dos meus embaraços? É você aquele que me aceitará vida após vida, pro resto da eternidade?

Era você que só esperava a chance de se aproximar? Que aguardava pelo sinal divino? Era você quem esperava pelos meus erros apenas para perdoá-los?

Acordei baratinada, dei cabeçadas por aí, daí pensei se não era você. Se era você ou era quem ainda há de vir. Se não era você que viria já preparado para meus destemperos. "The perfect match" ou apenas mais um?

Pensei então ser melhor não tentar nada. Melhor não querer provas. Melhor viver e deixar viver, esperar pela bela surpresa que espero do destino, sem desesperar. É tempo de criar porcos... É tempo de simplesmente viver e estar satisfeita com o agora. Não quero mais pensar no que já foi ou o que ainda há de vir; quero ancorar no agora, sem deixar a sabedoria de fora desta vez. Talvez desta vez, desta vez seja... O que jamais seria ou o que jamais foi. Que seja. Só desta vez não estarei mais criando expectativas.

Cansei do personagem. Seja apenas o que é.

Shalom!

domingo, 10 de novembro de 2013

Do império da imensidão dos silêncios

O silêncio se instaurou. Talvez fosse mais dela, que parecia encantada com as poucas palavras trocadas ao telefone. Mas este, agora desligado, fez perceber a imensidão do silêncio que se instaurou.

Algumas frases ainda tentavam ecoar naquele vácuo, em vão. Ela já não o reconhecia: distante, quieto, quase não a encarava. Um dia aquela situação teria de ser enfrentada, não era? Ela só não entendia se ele mudou pelo que ouviu ou se mudou porque ela mudou primeiro.

Todos já estavam de pé esperando para desembarcar. Ele se despediu timidamente, coisa que ele nunca foi. Ela se esqueceu momentaneamente que ele descia um ponto antes. Observou-o descer e ele, como sempre, buscou automaticamente por seu olhar. Se despediram com os olhos, ele parecia forçar um sorriso, apertando os olhos. "Que bobagem", pensou ela, "ele só está cansado...".

Talvez ela tenha sido estúpida. Ela não tinha que provar nada a ninguém, nem dar satisfações. Foi sem querer que ela atendeu o telefone, mas ela quis se aproveitar da oportunidade. Ela não foi leal - ele nunca faria o mesmo, pelo contrário. Ele ainda a protegia, mas ela não viu motivos para poupá-lo da realidade. Talvez agora ele entendesse o que ela passou, mas essa atitude infantil não a garante nada, nenhuma resposta. Para que ela se levava àquilo?

Um ego ferido pode se manifestar das maneiras mais ridículas.

Shalom!

"Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
Paulo Leminski

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Sem Fantasia

E então? Como é ser um personagem? Como é viver no imaginário de uma pessoa, ser exposto, analisado e revirado em público? Será que te dói? Será que te jubilas?

Como é fazer parte de um espetáculo do qual desconhece? Como é ser ator numa peça imaginada por duas mentes destemperadas pelo amor? Como é ser santo de dois altares?

Como é ser reapresentado a ti mesmo? Ou a outras versões de ti? Como é viver no mundo de Melpômene? Te fascina ou te desorganiza? Tens mesmo noção do que vives aqui e acolá?

Não me responde. Faça como das outras vezes em que foste posto em xeque - simplesmente cala-te. Deixa transbordar pelos poros os sonhos que ocultas, deixa que no silêncio dos dedos entrelaçados transitem ondas de reconhecimento recíproco. É como conhecer alguém pelo toque das mãos. É quase o que seria se não fosse o que é.

Confuso? Tanto quanto me deixas. Por isso não calo minha resposta à vida, mesmo que tua inspiração seja o alicerce dos meus talentos, contra todas as vontades. Mesmo que não seja prá ser. Mesmo que não sejas tu o dono dos meus dias. Sê apenas o personagem.

Sê apenas o personagem e vem.

Shalom!



domingo, 3 de novembro de 2013

It's understood

E parecia que ela amava de novo. Andar de mãos dadas na pracinha era coisa tão remota que quase esquecida. Ela finalmente recebia o carinho que dava, sentia o gostinho de namorar no ponto de ônibus antes de partir. Andava mais satisfeita consigo mesma, mas não mais afoita para que as coisas acontecessem. Ela andava simplesmente em paz e estava aberta às alternativas que o destino lhe daria.

O celular vibra e ela ansiosamente checa pra saber se a mensagem vinha daquele com quem dividira a tarde. Para sua surpresa, leu outro nome na tela do celular: era seu ex-amor. Ele enviara um acróstico com seu nome e palavras desconexas. "Ele não deve estar em sã consciência", pensou ela. Pela mensagem, pela hora enviada, e pelas palavras. O que ela não entendia era que tudo parecia tão bem para ele - por que fora se lembrar dela agora?

Encontraram-se no dia seguinte, conforme seus compromissos. Ela não resistiu e deu um demorado abraço nele: afinal ele ainda era seu melhor amigo. A saudade recíproca já tinha sido declarada. Ela então aproveitou pra comentar que não tinha entendido as palavras que ele enviara no dia anterior.

"Todas as palavras ali têm significado", explicou ele. "Usei o nome do matemático grego porque você é muito inteligente e criativa. A outra palavra não é pejorativa como você pensa - ela quer dizer que você é esperta, tem sempre uma tirada rápida..."

Ela que andava com a autoestima tremendamente prejudicada, tentava disfarçar a satisfação que sentia ao ouvir cada justificativa, sorvendo cada elogio que tornavam aquele acróstico confuso numa linda declaração de amor.

Ao entrar no ônibus de volta pra casa, tudo o que ouvira a inquietava, mesmo que cada palavra elogiosa fosse um bálsamo à sua alma. O tal acróstico a deixou feliz por tantos motivos - talvez apenas por ser lembrada - e ela precisava dizer. Mas usou menos palavras do que desejava para se expressar.

"Eu não entendo o que você enxerga em mim, mas meu amor-próprio agradece."

Ele não respondeu. Nem precisava. Palavras são pouco para conseguir explicar aquela ligação que eles tinham. Palavras, aliás, só dificultavam mais a situação, como já dificultara. É no silêncio que sentimentos são trocados; é no silêncio que se descobre que é o afeto o que mais importa. E é no silêncio que eles sabem que o coração dela está guardado nele, assim como o dele está guardado nela. E bastava isso. Nada mais.

"A vida enfim está sendo boa", ela pensou. Tudo parecia estar encontrando seu lugar...

Olhou para a lua nova. Nova era a fase em sua vida. Ela sabia.

Shalom!




"And when I go away

I know my heart can stay with my love
It's understood
It's in the hands of my love
And my love does it good..."

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O que há de vir

E quando eu passar pelas ruas, saberá o mundo o que passei?

Saberão as flores que quis morrer? Saberão as nuvens que quis sufocar? Saberão os pássaros o que planejei? 

Saberão as plantas as cartas de despedida que escrevi? Saberá o mar o rio de lágrimas que chorei?

Sim, quis por fim a tudo, por simples falta de propósito. A vida pra mim pareceu sem sentido e a minha estada aqui pareceu sem porquê. Mas não foi assim que aprendi a viver. Se dar fim é errado. Está contra as leis de D'us. E eu não queria ser assim mais uma pecadora... Já me bastam os pecados de todos os dias.

Elevei então meu pensamento enquanto me pus de joelho. Clamei a todos por mim: anjos, santos, entidades. Eu não queria mais desejar a morte. Eu não queria mais não ter sentido. Eu não queria mais viver sem porquê.

Adormeci. E creio que nesse sono os bons espíritos devem ter agido em mim. Parte da angústia cedeu lugar a uma certa paz. A outra parte da angústia trago aqui comigo, numa luta que parece eterna.

Trago em mim as lágrimas de quem já se viu vencido. Mas trago em mim a vontade de dar a volta por cima.

Nesse momento, me vejo no centro de uma caótica batalha pelo meu bem ou pelo meu fim.

Quem irá vencer? Não faço ideia. Mas ainda luto, entre lágrimas abundantes, nessa corda bamba em que caminha meu coração.

Shalom!


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

"Where's the love?"

"Seja legal com o mundo e o mundo será legal com você", é o que nos ensinam. Mas será que na prática é mesmo assim?

Não sei, olho prá minha vida e vejo o tanto que já me entreguei e hoje olho em volta e vejo minha vida desmoronando. Ando com vontade de tirar minha vida da tomada e ligar de novo prá ver se reinicia no mínimo normal. Daí dizem "seja legal com você mesma", mas eu nem ao menos me conheço o suficiente prá saber o que será legal prá mim. Eu queria hibernar agora e só acordar quando tivesse as respostas... Mas não é possível, a vida tem que seguir em frente. Enquanto isso a gente faz força, segue como se nada estivesse incomodando quando por dentro parece estar ocorrendo avalanches.

Eu queria escrever bonito agora, tentar transformar esse meu momento trágico numa coisa bonita, mas nem isso estou conseguindo. Me sinto só, fraca e acuada pela vida. Também me sinto na obrigação de seguir em frente. Então levanto a cabeça, seco as lágrimas, sufoco o soluço com um café. Não sei o que será daqui pra frente, mas busco forças na fé para não desistir. Não me deixar entregar. Mas não é fácil.

Eu só queria dormir agora e acordar num dia em que tudo estivesse dando certo. Mas não é possível. Tenho que fazer dar certo agora, não sem deixar de me perguntar quando tudo vai começar a acontecer assim.

Shalom!


domingo, 6 de outubro de 2013

É duro ser romântica...

Será que ainda há amor no mundo? Daqueles de verdade?
Sei lá... Enquanto isso eu vou quebrando a cara.

"Românticos são poucos
Românticos são loucos, desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro é o paraíso...

Românticos são lindos
Românticos são limpos e pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha e sem juízo...

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo de outra desilusão...

Romântico é uma espécie em extinção!
Romântico é uma espécie em extinção!"


Shalom!

domingo, 22 de setembro de 2013

Mais do mesmo

À beira mar tudo parece ficar mais mágico. Havia tempo que ela sonhava com mar e com Iemanjá, como se tivesse algo a lhe dar. Ela então foi à praia com os outros, desejando estar mais perto do mar e talvez entender seus próprios sonhos.

Já estava mais que resolvida sobre aquela situação. Pensou em fugir, mas iria fugir até quando? Resolveu encarar seu maior medo e foi surpreendida. Confissões tão estranhas que se pareciam e que surgiam do nada quase a assustavam. Todo mundo tem assim uma espécie de abismo temporal em sua própria adolescência? Quantas outras pessoas podiam dizer o mesmo, não rir dos seus traumas porque também viveram algo parecido? Era tudo tão estranhamente divino que ela quase deixou escapar "Você é um anjo!", como se ele fosse mesmo um enviado dos céus. Ele sabia que não era nada disso, mas simplesmente se sentia confortável ao contar aquelas coisas que não contava prá ninguém.

Mas ela ainda tinha medo. Cada passo que ele dava a frente ela dava um passo atrás. Queria evitar qualquer situação que pudesse levar à sua própria perdição... E achou que estava conseguindo até o momento em que ambos admiravam a lua, e ele simulou pegá-la entre os dedos e colocar em sua mão. Ela fingiu que não entendeu. Mas ele confirmou: era a lua que ele lhe entregava nas mãos. Ela olhou prá areia a seus pés prá não deixar que o olhar brilhasse. Essas pequenas coisas ainda a tocavam da forma que não devia, da forma que ela evitava.

Ele segurou-lhe as mãos e não soube explicar o porquê. Certamente não estavam em sã consciência, talvez um pouco de cerveja demais. E isso a ajudava a não chorar diante das emoções tão violentamente reprimidas. Não queria mais sentir aquilo, simplesmente queria deixar que o mar levasse tudo embora... Mas já era tarde, ela já estava mais próxima de casa. Só lhe restava tentar dormir prá deixar aquela sensação ir embora, aquela presença que ele sempre deixava nela como marca de fogo; aquela sensação de completude, e a sensação da falta de algo quando ele a deixava.

Então ela chorou. Água salgada sempre limpa - seja a do mar, seja a das lágrimas. Pediu a Iemanjá que limpasse seu coração. Era preciso um ponto final.

Shalom!


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Sutilmente" - Skank

Pois é, não estou muito bem. Mas me deixe aqui no meu cantinho - talvez eu melhore amanhã.

É estranho passar tanto tempo fingindo que eu sou normal. "Só tomo uns remedinhos de vez em quando", penso eu, nada de extraordinário. Mesmo que esses remédios deem tremores como efeito colateral, a ponto de causar curiosidade nas pessoas mais corajosas, e de provocar os mais diversos pensamentos em quem não tem nem a coragem de perguntar. Mesmo que esses medicamentos às vezes me deixem sonolenta a ponto de dormir 14 horas seguidas e acordar querendo dormir mais. Mas o pior é que às vezes o Transtorno Bipolar encontra uma brecha - como um predador à espreita - porque ele quer aparecer mais do que eu.

Já briguei com ele, já me reconciliei, mas ele sempre me apunhala quando eu menos espero. Me dá um sentimento enorme e injustificado de inadequação, assim, do nada; o sangue parece subir todo pro rosto e os olhos insistem em lacrimejar. Respiro fundo e mordo os lábios prá ninguém notá-los contritos. Tento acompanhar a conversa divertida, e me sinto ainda mais inadequada quando eu simplesmente não consigo. A alegria alheia nesse momento parece me incomodar, como se gritasse na minha cara que não, eu não sou normal. Que enquanto as galhofas fluem pelo ar, eu quero simplesmente chorar. E chorar muito. Não, eu não tenho motivos prá isso - bem, se eu parar prá pensar, até tenho motivos, mas não é por isso que sinto esse nó na garganta. Meu choro não tem motivo, não tem razão de ser. Ou melhor, tem: é o maldito Transtorno Bipolar, essa maldita sombra que vai me amaldiçoar e amaldiçoar todas as minhas relações pro resto da minha vida. E não adianta tomar os remedinhos todos direitinho: de vez em quando eles vão falhar. E eu vou me sentir, novamente, um ET.

Portanto, me deixe aqui, no meu cantinho, com meus pensamentos ao longe. Com as lágrimas que insistem em driblar minhas defesas. Vou chegar em casa, tomar meu café com leite, engolir mais meia dúzia de comprimidos e amanhã, talvez, tudo será diferente. Talvez não seja como hoje, dia em que eu acordei tão otimista prá depois descer violentamente nessa montanha-russa emocional. Talvez amanhã eu ainda acorde melancólica, querendo dormir um pouco mais, e talvez - quem sabe - meu humor melhore consideravelmente pela noitinha. Minha vida é um eterno talvez, por isso não me pergunte nada porque nem eu sei de mim. Talvez um dia eu me conheça o suficiente para encontrar subterfúgios para esses momentos de tristeza repentina. Talvez. Mas no momento, simplesmente não me pergunte nada. Deixe prá amanhã.

Que o amanhã seja doce. Ou que eu esteja doce. Ou simplesmente não tão amarga.

Shalom!



domingo, 25 de agosto de 2013

Amigo meu

Não sei... Acho que tudo começou tumultuado demais... Ficou confuso... Vamos começar de novo?

- Prazer. Eu sou a Dannie. E você, quem é?

Será mesmo necessário começar do zero? Acho que nos conhecemos melhor do que qualquer outra pessoa que eu tenha cruzado. A sensação que tive no início de que já nos conhecíamos é uma constante até hoje. Lembro que só me senti confortável quando eu te vi, como quem revê alguém que sempre esteve lá. E a sensação de conforto é muito natural - são poucas pessoas que conseguem extrair o melhor e o pior de mim com tamanha facilidade.

E eu que pensava que era tudo unilateral, ainda me surpreendo quando você relata as mesmas impressões. Eu ainda fico embasbacada com nossa facilidade de nos prevermos mutualmente, e talvez seja isso que nos torne mais seguros e confiantes. Talvez seja isso que nos ligue tão fortemente, isso que nos una. A liberdade de sermos quem quisermos diante do outro. Não sei, seria muita pretensão minha conseguir expressar nossa ligação - nós já conversamos sobre isso e nenhum de nós entende muito bem. Não posso descobrir todos os mistérios do Universo.

Talvez tenha sido isso que me confundiu. Agora que consigo observar as coisas de forma mais clara, só posso dizer que você é o melhor amigo que jamais tive. Me sinto acolhida nas lembranças da infância que não compartilhamos, e compartilhamos mesmo assim. Temos química, isso é fato, mas talvez a nossa missão seja transformar isso em algo ainda maior. Agora que consigo enxergar mais claramente, vi que eu estava reduzindo demais essa aliança. Talvez tenhamos feito promessas no Céu antes de nascer, talvez tenhamos nos prometido algo antes de morrer em outra vida - mesmo que você não acredite nessas coisas. Não sei. Só sei que você me faz bem e que sem sua amizade e paciência eu estaria entendendo muito menos sobre mim mesma hoje.

Eu só queria isso: agradecer. Por ter estado aqui sempre, mesmo sem ter estado. Por sempre estar aqui quando eu mais preciso. Por confiar em mim suas maiores angústias e assim me fazer me sentir mais útil nesse mundo. Por me enxergar por debaixo de toda armadura que construí. Eu só queria dizer OBRIGADA. A vida tem sido boa para comigo e fico feliz de saber que para com você também. Me sinto grata a D'us e sinto a presença dEle quando estou na presença de pessoas especiais como você. É tão paradoxal que você, que em nada crê, me faça ter ainda mais fé. Mas é isso: somos tão parecidos que até mesmo nossas diferenças se completam...

Sê feliz, meu amigo! Sê feliz! Saiba que todo o ágape* que me revelaste é recíproco. Sejamos felizes, fiquemos high, falemos bobagens e coisas sérias... E que possamos sempre ser presença constante um para o outro.

Minha alma ama a sua.

Shalom!

*Ágape - Ágape, do grego agápe, significa “amor fraterno”. Entre os cristãos primitivos, terno designava as refeições fraternais, em que se reuniam ricos e pobres, daí o sentido de “caridade”, de “amar ao próximo como a si mesmo”. Esse tipo de amor não supõe reciprocidade, porque se ama sem esperar retribuição, assim como independe do valor moral do individuo que é objeto de nossa atenção. Em termos profanos — não mais religiosos  trata-se da benevolência universal, a fraternidade pelo qual zelamos pelos outros. (Fonte: Blog Filosofia, a arte do conhecimento!)

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Unpredictable

E eu estava assim, sendo bombardeada pela vida, violentamente desgarrada do "mundo das Pollyanas", deixando de acreditar na humanidade.

Daí surgiste tu batendo na porta. Foi apenas um "toc, toc", meu mundo mudou de direção. Mudei meu caminho direto pros teus braços e não me arrependi. Encontrei meus caminhos não só nos teus braços, mas no roçar da tua barba, nos pelos do teu peito. Encontrei um novo eu no teu corpo - uma releitura das coisas que vi e vivi até então.

Como é que consegues fazer isso comigo? Tu me transcendes, quebras meus paradigmas, superas meus traumas do passado. Tantas coisas que eu já tinha dado por decididas na minha vida simplesmente são reavaliadas. A menininha cheia de não-me-toques se tornou das mulheres-que-só-dizem-sim, que se deleita com tuas ideias mais exuberantes. O antes inimaginável se tornou praticável. E o praticado se tornou intensidade.

Intenso é quando tu me olhas, parecendo me despir de todas as culpas. A cama se tornou um divã onde ponho em dia meus problemas mais arraigados. Alguns esquecidos ou jogados prá debaixo do tapete. E depois de tudo, ainda tenho teus olhos me sorrindo um "bom dia". Derreto-me.

Aqui está tão frio, meu bem... Tudo que penso é em deitar em teu peito, ouvir as estórias da tua vida, as coisas que dizes que me fazem rir... Beber da tua sabedoria e brindar à vida. Talvez conseguir te arrancar um riso ou outro entre tuas reclamações sobre a idade... Mal sabes tu que isso pouco me importa.

Do futuro, nada sei. Eu que sempre tentei prever o rumo das coisas, agora nem me preocupo. Tua maturidade acalma meu adolescentismo inquieto. Tua inteligência me leva de volta aos planos que iniciei e pensei em abandonar. Viver nunca me pareceu tão pleno, e é pleno agora, já não quero pensar no amanhã. Querer eu quero muita coisa, mas agora só o que posso realizar. Tua aproximação não parece ter sido coincidência, me transformando de dentro pra fora, como um sinal divino para que eu voltasse a acreditar na humanidade e em mim mesma. Seguirei então acreditando nos sinais divinos. Ou sinais vindos de ti, se quiseres me enviar alguns. Eu não vou reclamar.

Transcende-me, pois só tu conseguiste até hoje. Transcende-me e te devoro. Devore-me e nos reconstruimos.

Cuide-se! Eu estou aqui! E esqueça seus problemas - como era mesmo a música?...

Shalom!



domingo, 11 de agosto de 2013

Ao meu pai

Dizem que tenho traços indígenas. Mas os poucos traços europeus que tenho vieram do meu pai.

Meu pai nunca foi muito afetuoso. Acabei de ligar prá ele tentando uma aproximação carinhosa e ele mudou para assuntos do dia-a-dia. Sempre foi assim. Mas ele nunca deixou de brincar de pinque-esconde comigo e com meu irmão. Nunca deixou de ensinar algo novo. Vem dele meu amor pelos animais. Ele sempre nos inspirou a sermos nós mesmos, independente dos outros.

Meu pai e eu brigamos muito. Bem, na verdade, isso é só de um tempo prá cá. Na adolescência ele foi bem flexível com minha rebeldia. Talvez por isso acabei ficando tão parecida com ele. Brigamos muito porque somos teimosos. Brigamos por opiniões diferentes sobre a sociedade, sobre uma nota ou acorde numa música. Mas sempre nos entendemos. Aliás, foi meu pai que me ensinou a amar música. Me dava instrumentos de brinquedo, me deu meu primeiro violão. Me ensinou os primeiros acordes. Era nos teclados dele que eu estudava as lições piano.

Meu pai e eu amamos música. Respiramos música. Talvez ele mais até do que eu, porque ele ainda faz questão de trabalhar - e muito bem - com ela. Talvez foi com meu pai que eu tenha aprendido a amar a boemia. Mas com certeza foi com meu pai que aprendi a tomar a frente das coisas burocráticas e técnicas da casa. Eu era fascinada pelo estojo de ferramentas dele, projetado por ele mesmo, feito de brim azul. Com meu pai aprendi a trocar chuveiro elétrico, lâmpada fluorescente, concertar bica pingando. Foi meu pai que me incentivou a aprender a consertar computadores. Com meu pai aprendi a ir à rua e ir à luta.

Cresci ouvindo ser a cara da minha mãe, mas eu me vejo muito no meu pai. Hoje até somos bem mais parecidos fisicamente, mas acho que muito mais que isso, vejo em mim traços de personalidade dele. Meu pai sempre foi meu super-herói, do qual herdei até o maldito vício do cigarro, mas ídolo é ídolo, e eu sempre quis ser igual ao meu pai. Agora, adulta, vejo as imperfeições dele mais claramente, mas com certeza ele ainda é uma inspiração prá minha vida. Aquele homem que se dividia entre o sustento da família e a paixão pela música, que era uma presença quase ausente na minha infância por isso, de alguma forma plantou em mim uma semente que tem crescido cada vez mais.

Pai, sei que você não é dado a essas coisas, mas quis te homenagear, por tudo o que você representa prá mim. Você me cortou no telefone e eu também não conseguiria dizer porque não fui ensinada a trocar certas palavras com você, mas eu só queria dizer: EU TE AMO. OBRIGADA POR TUDO.

Talvez, de alguma forma subtextual, nós nos comunicamos dessa forma. Por trás das preocupações do dia-a-dia, eu sinto que você me ama também. Mais uma coisa em comum: nós somos complexos. Mas nos entendemos, mesmo quando nossas cabeças duras parecem não se entender.

Obrigada por ser meu exemplo!

FELIZ DIA DOS PAIS!!

Em estúdio, falando sobre o quê??? Música!!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Desilusão

Segundo o Wikcionário:
de.si.lu.são feminino
  1. perda da ilusão;
  1. a(c)to ou efeito de desiludir(-se).

Presume-se portanto que, para haver uma desilusão, uma ilusão foi construída anteriormente. Às vezes confesso que acredito demais na humanidade e em todo e qualquer discurso politicamente correto simplesmente porque sou assim. Nasci no mundo das Pollyanas - se houver um. Que seja: eu não sou desse mundo.

A questão é que eu não consigo olhar prás pessoas desconfiando. E as pessoas falam o que elas desejam. Mas o que mais me dói é me afeiçoar ao discurso de alguém que se mostra contraditório nas atitudes. Tem gente que diz que é normal, que o ser humano é invariavelmente hipócrita... Mas eu ainda acredito. E me desiludo quando as pessoas, na prática, não seguem o roteiro tão exaustivamente construído. O problema está em mim ou nos outros?

Admito sim minha parcela de culpa. Como eu disse, nasci no mundo das Pollyanas. Mas o que mais me pergunto quando essa desilusão acontece é se não há uma ou outra "Pollyana" escondida por aí querendo fazer amizade. Não que elas sejam mais coerentes, não é isso - é só pra conhecer gente que ainda acredita. As pessoas nesse mundo já andam desconfiadas umas das outras, justamente por causa de suas desilusões. As "Pollyanas" não. As "Pollyanas" nunca se desiludem porque tornam a se iludir automaticamente com justificativas para cada falha humana. As "Polyannas" são aquelas que pelas costas são chamadas de "otárias", mas elas nem ligam: estão distraídas demais se autoiludindo.

"Pollyana" pode ser "otária". Pode ser aquela que vira chacota entre os conhecidos. Pelo menos ela é mais feliz.

E eu fui feliz.

Mas por mim isso acaba por aqui. Tenho outras ilusões a me construir.

Até.

Shalom!



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sim!

Só sei que ele é meu amor de quarta-série. Quantos vasos já quebramos ou ocultamos de adultos furiosos em perfeita parceria? Anos se foram e é assim que ainda nos sentimos. Mesmo que a vida tente nos sufocar, é só estarmos diante um do outro que a mágica acontece e toda uma infância retoma seu próprio rumo. Coisas esquecidas do baú da memória parecem voltar a ter vida e dançar cirandas ao nosso redor.

As almas viajam quilômetros na história do mundo para poderem se encontrar pelo menos mais uma vez. E tem gente que parece que está ali do nosso lado desde o princípio do tudo, que nunca nos deixou e nunca nos deixará.

Segurança.

É como se fosse prá eu não ter medo, que todos os outros estavam ali também - era só eu confiar. Estar sob seu olhar é como me sentir rodeada de pequenos anjos me guardando e protegendo. A luz do seu olhar vira o farol para o meu coração em alto-mar. Estar sob seus braços é como me vestir de poesia. Mas talvez nada chegue aos pés de ouvir seu coração, estar perto dele, sintetizar dentro de mim cada batida... É difícil resistir quando você me pega pelo braço... Mas a vida, ah essa, tem que dar prosseguimento. Voltamos pros nossos lares calados, pensando em mil coisas que poderiam ter sido ditas e não foram. E de repente parece abrir um portal para que essas coisas não se percam. O meu portal é a escrita, por onde transbordo esse amor antigo que cheira à novidade. Esse museu com gosto de dejá vù. E se não fosse a arte, afinal, o que seria de nós?

Eu só queria mesmo dizer que sim, que ele é meu amor de quarta-série. Daqueles amores densos de tão puros. Que parecem mensagens do céu quando estamos ao redor. Amamos àquilo que à primeira vista não conhecemos, mas só o tempo é capaz de trazer o mais antigo com frescor de agora. Reconhecemos que debaixo daquelas máscaras e disfarces bate o coração pelo qual procuramos desde que aqui descemos, instantaneamente. Sentir a presença deixava de ser questão da presença em si. Era um sentimento persistente, como um fantasma da infância. E era da infância que esse sentimento vinha.

E de lá da infância, não podemos apagar nenhum destino.

Shalom!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

"Domingo"

"Domingo quero te encontrar 
E desabafar todo o meu sofrer. 
Estar ao teu lado, esquecer de tudo, 
Tudo que o amor até hoje nos fez sofrer. 

Esquecer a briga que deixou ferida 
E que até hoje não cicatrizou. 
Te amar de novo faz parte da vida. 
Abre o coração! Tudo tem sentido e tem razão. 

Cola o teu rosto no meu! 
Chega mais perto de mim! 
Faça de conta que eu sou teu namorado. 
Amar você é bom demais; 
É tudo que eu posso querer. 
Se tudo você tem melhor, 
Pior é te perder."


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Rock 'n' Roll Lullaby

Hoje ele quis uma prova de amor dela. Mais uma dentre tantas dadas. Mas era só prá saber se aquilo tudo valia a pena: cabelo bem penteado, barba desenhada, camisa de botão. No mínimo reparou no rubro de sua boca, não desenvoltura com os outros. Talvez não por coincidências, mas que também estava com camisa de botão. Seu olhar andava tão perfeitamente destacado que ele pôde reparar os contra-olhares. Não era fácil prá ele assim. Nem ele preveria que aquilo o incomodaria tanto. E só o fato dela tê-lo elogiado na última vez, já criava expectativa de um novo elogio... Que hoje ela não deu. Nem o elogio, nem nenhuma outra prova de amor.

Mas ele nunca daria a torcer, nunca! Jamais confessaria que era quando sua vida dava guinadas tão grandes que era nela que ele pensava. Que rebalanceava todas as suas decisões até então. Não confessaria a ninguém que, é quando mais precisa de uma pessoa, é dela que se lembra. E prá que confessaria também, afinal era toda vez que pensava em alguma solução pra'quela situação, quase enlouquecia, absorto pelos próprios pensamentos de culpa? Culpa por ele, culpa pelo que teria feito a ela. Culpa pelo que sentia. Era prá ser feliz, não era? Mas, enfim, quem estava feliz com tudo aquilo?

Ele pensou que talvez o jeito era simplesmente falar, jogar todas as verdades a quem as deveria ouvi-la. Mas e as expectativas que geraria? Seria justo? Mais culpas... Como se elas constituíssem um grande mostro que o estivesse engolindo. Não seriam à toa seus últimos pesadelos com água: era de afogamento a sensação que lhe tomava. Estava sendo embotado pelo próprio sentimento, que tanto roía quanto acalentava. "Pois bem,", pensou ele, "talvez mudando meus planos eu conseguirei minha noite de sono tranquilo...".

Parou no último degrau da escada.
"Quem sabe, talvez também uma resposta?".

Boa Noite!
Shalom!


"Rock and Roll Lullaby" foi escrita por Barry Mann e Cynthia Weil sendo gravado em 1972 por B. J. Thomas. A canção virou um grande hit no Brasil no mesmo ano por ser tema da novela "Selva de Pedra". Minha mãe conta que esse foi o tema do seu namoro com meu pai, que se iniciou nessa época e dura até hoje. (Fonte: Wikipedia - menos a parte da minha mãe. Obviamente).

domingo, 30 de junho de 2013

"Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar..." (Osho)

Já eram quase dois meses. Eu ainda sentia sua falta, mesmo que eu tentasse apagar sua imagem da minha mente. Mas você estava lá, acenando, mais abatido do que de costume. Resolvi atender aos seus chamados.

Como é bom seu abraço. É sempre bom; mesmo que fosse em todos os dias, eu não enjoaria. É como voltar prá casa depois de correr esse mundo de loucuras... É como reencontrar meu centro, reencontrar meu foco. Como tem sido difícil ficar sem ele... E me surpreendi ao nos demorarmos mais que o previsto nos braços um do outro.

Não dá prá voltar atrás numa decisão, ou dá? O coração das pessoas não são áreas de lazer onde podemos entrar e sair a bel-prazer. "Deixa tudo como está", você me dizia. "Eu sempre penso em te ligar, você pensa que eu não penso? Mas não vou fazer isso". Então como eu poderia te ajudar a aliviar um pouco as angústias? Talvez nem assim eu conseguiria ajudá-lo, não é? Até porque tenho que pensar em mim. Mesmo que minha filosofia de vida toda tenha sido me entregar aos outros prá me sentir feliz. Até porque eu já sofri demais me entregando aos outros desse jeito. Até porque eu não sairia satisfeita apenas em te ajudar a desabafar, mas eu ia desejar deitar tua cabeça no meu colo e entrelaçar meus dedos nos seus cabelos enquanto você desabafava. E esse prazer é coisa que você não pode me dar, porque você não quer me fazer sofrer.

Então a cabeça me mandava ir embora, seguir meu caminho, mesmo que você aparentasse querer estender o diálogo. Talvez tocar velhas feridas novamente. Meu coração queria ficar, discutir uma relação inexistente e toda sua complexidade, talvez ouvir mais alguma confissão sua. A cabeça diz "pensa em si", o coração "pensa nele". Por tantos meses fiz o que meu coração quis e não fui feliz! Agora, seguindo a cabeça, também não sou. O que há de errado afinal?

Eu sei o que a sua cabeça diz, pois sua boca está cheia em dizê-lo. Mas seu coração é um baú trancado e enterrado a sete palmos do chão. Você pode deixar escapar pequenas singelezas, mas nada que satisfaça meu coração rasgadamente carente. Tendo eu já ouvido cabeça e coração, talvez seja agora o seu momento de equilibrar também. Abra seu coração: o que ele diz? Você é capaz de me dizê-lo? Ou ao menos tentar?

Talvez, quando você vier a conseguir ao menos tentar ouvir o coração, você tenha algo a me contar. Talvez não. Mas seria válido ao menos tentar. O máximo que vai acontecer é você se equivocar, mas prá isso, meu bem, sempre tem como voltar atrás. Ou não?

Só se sabe quando se tenta.
Então, até um "talvez".

Shalom!





quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sim, eu perdôo...

"Ainda é como se fosse nossa primeira noite juntos: parece o primeiro beijo. Lembra da primeira vez que nossos olhos se encontraram? É assim que ainda me sinto, e sinto cada vez mais forte. Quero amá-la para sempre, pois você mantém a chama acesa. Está cada vez melhor, meu amor, e ninguém poderia melhorar o que já era bom. Ainda estou me segurando: você ainda é a pessoa certa.

Então, se você estiver se sentindo sozinha, não se sinta! Você é a única que eu sempre quis!

Só quero continuar assim então, se eu a amo um pouco mais do que deveria, por favor, perdoe-me. Não sei o que fazer. Não consigo parar de amá-la. Não me negue essa dor que estou sentindo. Por favor, perdoe-me se eu preciso de você tanto assim. Por favor, acredite em mim pois cada palavra que eu digo é verdade.

Ainda parece nossos melhores momentos juntos - parece o primeiro toque, nós ficando cada vez mais próximos... Mas não próximos o bastante pois ainda estou me segurando: você ainda é a número um. Lembro-me do cheiro da sua pele, de todos os seus movimentos, lembro-me de tudo. Lembro-me de você, daquela noite... Você sabe que eu ainda me lembro.

A única coisa que eu tenho certeza é a nossa forma de fazer amor! A única coisa da qual dependo é que nós continuemos fortes. E é com cada palavra, cada respiração, que eu estou rezando. É por isso que estou dizendo...

Por favor, perdoe-me por não conseguir deixar de amá-la. Sim, eu não consigo deixar de amá-la..."


domingo, 23 de junho de 2013

Relato sobre a manifestação da última quinta-feira (20/06)

Sim, eu estava na manifestação de hoje. E hoje eu presenciei covardia de todos os lados.

Durante a passeata, infiltrados jogavam bombas contra o carro de som. Pessoas eram agredidas simplesmente por estarem portando bandeira de partidos ou coletivos.

Já na prefeitura eu não acompanhei muita coisa porque decidi procurar os meus colegas da faculdade. Eu já estava meio afastada nessa tarefa, e notei a correria. Calmamente me escondi atrás da escada do metrô. Quando pensei estar a salvo, vejo cair bem à minha frente uma daquelas latas de gás lacrimogênio. Por sorte eu já estava com a bandana posicionada e eu tinha vinagre, senão eu certamente passaria mal. Mas com que necessidade largar uma bomba de gás num grupo que não tava fazendo nada??? Enfim, consegui uma rota de fuga com uma menina com quem fiz amizade lá mesmo, na hora do maior perigo, e fui com ela andando até a Central, prá finalmente ir embora.

Já na Central, onde até tirei foto com PMs, pensei que tudo tinha acabado. Ledo engano. Notei outra correria e busquei me proteger atrás do abrigo do ponto de ônibus. Mas o gás já se espalhava prá todo lado, voltei a botar a bandana no rosto e fui andando pro terminal atrás da Central. Transeuntes que não esperavam que a confusão chegasse até lá passavam mal com o cheiro do gás tóxico - gente que comia um churrasquinho de gato! Nesse caminho, uns 3 ou 4 tentaram depredar as cercas das obras que estão acontecendo ali, e logo todas as outras pessoas mandaram eles pararem. Eu, pensando até em pegar qualquer ônibus que não estivesse muito lotado (a maioria estava), finalmente avistei um que passava na rodoviária, onde eu finalmente consegui pegar outro transporte prá chegar aqui.

Hoje vi covardia de uma polícia despreparada, vi covardia de incitadores de violência, vi covardia de bandidos que se infiltraram no movimento para depredar, agredir e roubar pessoas.

Tirando isso, foi muito bonito passar pelo Campo de Santana e ver todos os cartazes afixados nas grades... Parecia um grande mural de apelos. Uma pena ter sabido depois que atearam fogo aos cartazes...

Esse é meu relato. Um tanto confuso por ainda estar bem agitada com o que vivi e com a apreensão de não saber se meus colegas estavam bem. Agora com a notícia positiva de todos, vou finalmente tentar descansar. Mas é isso.

Shalom!

terça-feira, 18 de junho de 2013

"O maior amor e as coisas que se amam" - Fernando Pessoa

"Não falemos mais. As coisas que se amam, os sentimentos que se afagam guardam-se com a chave d'aquilo a que chamamos 'pudor' no cofre do coração. A eloquência profana-os. A arte, revelando-os, torna-os pequenos e vis. O próprio olhar não os deve revelar. 

Sabeis decerto que o maior amor não é aquele que a palavra suave puramente exprime. Nem é aquele que o olhar diz, nem aquele que a mão comunica tocando levemente n'outra mão. É aquele que quando dois seres estão juntos, não se olhando nem tocando os envolve como uma nuvem, (...). Esse amor não se deve dizer nem revelar. Não se pode falar dele."

terça-feira, 11 de junho de 2013

"Vida"

'''Vai, que se for pra ter paz
Algo bom vai me levar a ti'
Foi o que eu li 
Dos teus lábios meus que fiz meus só por querer demais
E eu que sempre tive mais
Por você, reduzi o cartel
Rasguei o papel
Que a noite e a cidade me fez Professor
Te dou serenidade
Mais que meu simples querer
Eu não sou mais forte do que você
Eu temo te perder sem ao menos te ter

'Vem e tira a minha paz'
Te sonhei cantando pra mim
Fotografei você da maneira que quis em um baile qualquer
E esse sereno que cai
Se juntou com o choro meu
Choro meu que tão teu e das moças que deixei em desalinho
É a mais pura verdade
Que eu não posso negar 
Foi ganhando e perdendo que aprendi a amar
Sentimento tardio 
Logo pode chegar, ou não
Me ajude a ver no que isso vai dar

Quem sabe eu possa ser teu par?
Quem sabe meu peito é teu lugar?

Faz da tua Psicologia
Uma sessão de auto-terapia
Quem vai cuidar de você?
Tão te usando nessa indecência 
Eu sinto falta da tua inocência
Eu sou vida pra você

Te confesso verdades 
Que eu nunca quis contar
Me perdi no caminho 
Fugindo do teu lugar
Hoje eu sigo sozinho e você tem um par
Tá na mão do Destino qual futuro ditar...

Quem vai ser você?
Quem vai ser você pra mim?"

(Autoria desconhecida - encontrado nos Facebooks da vida...)

domingo, 9 de junho de 2013

Aceita um cigarro?...

"Eu que não fumo, queria um cigarro 
Eu que não amo você 
Envelheci dez anos ou mais 
Nesse último mês 
Eu que não bebo, pedi um conhaque 
Pra enfrentar o inverno 
Que entra pela porta 
Que você deixou aberta ao sair. 

Senti saudade, vontade de voltar 
Fazer a coisa certa 
Aqui é o meu lugar 
Mas sabe como é difícil encontrar 
A palavra certa, a hora certa de voltar, 
A porta aberta, a hora certa de chegar... 

Eu que não fumo, queria um cigarro 
Eu que não amo você 
Envelheci dez anos ou mais 
Nesse último mês. 
Eu que não bebo, pedi um conhaque 
Pra enfrentar o inverno 
Que entra pela porta 
Que você deixou aberta ao sair. 

O certo é que eu dancei sem querer dançar 
E agora já nem sei qual é o meu lugar 
Dia e noite sem parar eu procurei sem encontrar 
A palavra certa, a hora certa de voltar, 
A porta aberta, a hora certa de chegar..."


terça-feira, 4 de junho de 2013

"As quadras dele (II)" - Florbela Espanca

"Digo pra mim quando oiço 
O teu lindo riso franco, 
"São seus lábios espalhando, 
As folhas dun lírio branco..." (...)

Meu coração, inundado 
Pela luz do teu olhar, 
Dorme quieto como um lírio, 
Banhado pelo luar. (...)

Eu sei que me tens amor, 
Bem o leio no teu olhar, 
O amor quando é sentido 
Não se pode disfarçar. 

Os olhos são indiscretos; 
Revelam tudo que sentem, 
Podem mentir os teus lábios, 
Os olhos, esses, não mentem. (...)

Não há amor neste mundo 
Como o que eu sinto por ti, 
Que me ofertou a desgraça 
No momento em que te vi. (...)

Enquanto eu longe de ti 
Ando, perdida de zelos, 
Afogam-se outros olhares 
Nas ondas dos teus cabelos. (...)

Quando o teu olhar infindo 
Poisa no meu, quase a medo, 
Temo que alguém adivinhe 
O nosso casto segredo. 

Logo minh'alma descansa; 
Por saber que nunca alguém 
Pode imaginar o fogo 
Que o teu frio olhar contém. 

Quem na vida tem amores 
Não pode viver contente, 
É sempre triste o olhar 
Daquele que muito sente. 

Adivinhar o mistério 
Da tua alma quem me dera! 
Tens nos olhos o outono, 
Nos lábios a primavera... 

Enquanto teus lábios cantam 
Canções feitas de luar, 
Soluça cheio de mágoa 
O teu misterioso olhar... 

Com tanta contradição, 
O que é que a tua alma sente? 
És alegre como a aurora, 
E triste como um poente... 

Desabafa no meu peito 
Essa amargura tão louca, 
Que é tortura nos teus olhos 
E riso na tua boca! (...)

O lindo azul do céu 
E a amargura infinita 
Casaram. Deles nasceu 
A tua boca bendita!"

Florbela Espanca foi uma poetisa nascida em Portugal, no dia 8 de dezembro de 1894. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo. (fonte: Wikipedia)

domingo, 2 de junho de 2013

Somatização

Acho que não foi à toa que essa noite sonhei que estava viajando numa nave espacial, a caminho de outro planeta. Talvez seja só meu inconsciente dizendo que realmente preciso ficar "fora do ar" por um tempo.

Está se tornando recorrente essa angústia cujo motivo (ou motivos) eu não conheço. Eu precisaria que a vida parasse só uns dias prá eu poder mergulhar em mim mesma, me compreender, me conhecer, e assim poder botar minha própria vida no lugar... É, mas a vida não para. Nem sequer por um minuto. Preciso de um tempo só pra mim e a vida tá lá, me chamando, o tempo todo. Resultado? O corpo somatizando tudo que eu não consigo elaborar. Dor aqui, dor ali, indisposição, uma leve tontura... Jogo a melancolia prá debaixo do tapete e o resultado é esse. Mas faço o quê???

Não quero mais gritar mentalmente que está tudo bem enquanto o corpo diz que não está. Não quero mais fazer parte desse círculo vicioso. Não quero mais tentar me distrair com as pequenas alegrias que a vida me dá, porque nada mais é do que isso: mera distração. Fico brincando de pique-esconde comigo mesma quando na verdade eu queria me encarar de vez. Sem máscaras, sem filtros, simplesmente olhar prá mim mesma. Aceitar minhas contradições internas, resolver meus próprios impasses. E a partir daí, tomar fôlego pra recomeçar.

Mas se a vida tá lá, sem me dar tempo prá respirar, faço o quê?

Às vezes eu só queria não ser tão intensa... Ou pelo menos não parecer tão sublime.

Shalom!


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Simples e Complexo

"Eles se amam. Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é difícil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso."

(Tati Bernardi)

terça-feira, 28 de maio de 2013

A carta

“A mulher que procuro tem lírios semeados na tarde dos olhos onde o sol se espreguiça, sem vontade de ir. Tem qualquer coisa de criança que fez uma travessura e ri, reinventando a vida, sem castigos.” (Cesar Insensato)

"A gente é tão parecido. De um jeito que eu não sei explicar, não sei explicar... De uma forma muito certa eu já prevejo os seus gestos. E me dá uma segurança, como se eu retornasse de onde nunca deveria ter partido. Suas mãos pequenas já devem ter encontrado as minhas, calejadas, por muitas vezes através dos tempos. Você acredita nessas coisas e sabe que não gosto de acreditar. Mas diante dos fatos, me vejo obrigado.

A questão é que não sei viver sem teus abraços, sua conversa tentando me botar pra cima, aquelas vezes em que rimos ou que cantamos canções das nossas infâncias. Às vezes sinto que nossas vidas já se cruzaram antes, mas crescemos distantes. Então por que parece que te reencontrei lá daqueles anos, como se tivesse te reencontrado do meu álbum de retratos? Eu não sei como vivi a vida inteira sem seu equilíbrio, seus ouvidos pacientes, seu talento de me fazer me sentir completo, ou sem seus cabelos, suas pintinhas e seu olhar pensativo. Só sei que uma vez tendo experimentado, me dói ter de viver sem sua presença.

Experimentei usar da sua linguagem para com seus sentimentos. Eu queria aprender com você a se jogar sem pensar, a falar as coisas guardadas na bagunça do meu coração, a conseguir exprimir o que sinto através de qualquer arte, tão bem quanto você faz. Mas, olha: eu to aprendendo. Vou dar um passo de cada vez e talvez um dia eu consiga exprimir metade das coisas que você me faz sentir. Mas até lá, você me desculpe a qualidade das tentativas."



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Entre a serpente e a estrela


Sentir falta do que pode se ter.
Era só eu voltar atrás e tudo voltaria a ser como antes?
Não posso, eu tenho que ser forte. É o melhor.
Um dia talvez riremos de tudo isso. Ou talvez mudemos as coisas a ponto de ficarmos em lados opostos.
Quem de nós dirá "é a vida..."?
Que disse que há final?
Às vezes apenas temo pelo que as coisas se transformam...
Mas seguimos em frente, cada um lambendo suas próprias feridas.
"La nave va"...



sábado, 18 de maio de 2013

Coisas que valem mais que mil palavras...


“Na tênue casca de verde arbusto
Gravei teu nome, depois parti;
Foram-se os anos, foram-se os meses,
Foram-se os dias, acho-me aqui.
Mas ai! o arbusto se fez tão alto,
Teu nome erguendo, que mais não vi!
E nessas letras que aos céus subiam
Meus belos sonhos de amor perdi”
(Fagundes Varella - "As Letras")

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Legatos e Staccatos (ou "A segunda versão")

Ela cai no sono. Acaba perdendo a hora de sair de casa. Sonha com maravilhas, com mobília antiga, com tudo dando certo. E na beira de uma cachoeira, uma confissão. Mas ela dizia não. Até que acordou.
Ainda em meio às confusões do sonho, entrou na rede social. Todos os seus sonhos iam por água abaixo. Era isso que ele queria? Mostrar que estava feliz sem ela? Então, que fosse, ela também seria feliz sem ele.
Tentou distrair-se, mas a raiva era muito grande. Não conseguiu conter. Levava um copo consigo para tomar mais uma dose de coca-cola na cozinha, suas mãos tremiam. Ela não podia mais resistir: jogou o copo a dois metros de distância.
Amparou-se no sofá mais próximo, as lágrimas eram abundantes. Observava os estilhaços do copo pelo chão e se perguntava se era mesmo necessário. Mas agora já tinha sido feito.

Do outro lado da cidade, ele andava inquieto. Tentava cumprir seu roteiro pré-estabelecido, mas só conseguia pensar em uma coisa. Com passos decididos, foi até aquela sala isolada. Abriu a porta, olhou em volta, mas não a encontrou. "Talvez ainda não tenha chegado...", ele pensava consigo. Voltou a seus afazeres, mas a cabeça ainda estava lá, naquela sala, longe de tudo. Retornou. A aula já tinha começado, mas ele não se importou. Enfiou a cabeça para dentro da sala, buscou seu objeto de desejo. Ela não estava lá. Frustrou-se.

Ela já secara as lágrimas que borraram seu rímel. Com vassoura e pá em punho, resgatava os pedaços restantes do copo que havia voado com tanta força contra a parede da cozinha. Sentiu que devia contar a alguém sobre o que sentia, antes que ela ficasse doente como ele. Mandou um sms para sua irmã, que estava do outro lado da cidade. Era quase um pedido de ajuda. Soube de notícias mais importantes. Ainda desconcertada, tentava se concentrar nas novas informações que recebia. Era assim que tinha que ser.
Então seu telefone toca. Ela quase deu um salto ao perceber o nome piscando na tela. Era ele. Demorou prá atender. Tinha medo de não saber o que dizer.

- Alô?...
- Alô, boa noite!
Ele estava tão formal... Ela quase podia visualizá-lo rígido. Ele, apesar disso, se enrolava nas palavras, alongava a estória, e no fim ela nem entendeu ao certo o porquê dele ter ligado. Era só prá saber se ela esteve por lá... Só prá saber se estava com alguém que ele sabia que não estaria. Ou melhor: só para ouvir sua voz.

A angústia estava um pouco aplacada. No coração de ambos. Ele agora conseguia respirar melhor, mesmo que ainda intrigado do porquê dela não ter aparecido. Ela conseguia agora rir de si mesma, mesmo sem entender do porquê das coisas que ele fazia. Porque ele tinha que entalar com as coisas que realmente sente? E por que ele lhe obrigara a fazer o mesmo?

Dois corações, quando batem no mesmo compasso, necessitam-se sincronicamente. Buscam-se. Haverão de negar-se, distanciar-se-ão, mas dançarão exatamente a mesma valsa. Seja de felicidade ou de angústia.

No amor proibido, é mais provável que seja dos dois.

Shalom!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A primeira versão

Hoje eu sou um furação num incêndio. Levanto labaredas até onde as vistas já não mais alcançam. Sou força e temor. Sou simulacro da normalidade. Sou a ânsia e o descuido. Sou o afã.

Hoje meu coração voa por cima da metrópole. Observa as vidas seguindo de longe. Não compreende nada. Não sabe onde quer chegar. Só quer sair voando.

Tinha anos que eu não quebrava nada. Já me perguntava se eu não me medicava desnecessariamente. Mas, sim, as crises saltam em esquinas em que menos esperamos. E nos tomam de assalto.

Fazia tempo eu não experimentava irritação desse tamanho. Fazia tempo. E agora que ela está aqui, vejo que não sentia falta dela. Eu não a quero mais, não a quero... Mas ela está aqui.

Que fazer?

A vontade era de quebrar todo o resto da casa, me esconder depois debaixo do edredon, e fingir que não to em casa. Saí. Fui viajar. Fui prá Pasárgada! Queria simplesmente explodir sem deixar rastros... Que pena que é impossível.

Então recolho os cacos do que quebrei, sento aqui e escrevo. Regurgito linhas e linhas de sentimentos incompreensíveis. Será que alguém entende? Será que alguém entenderá?

Acho que vou prá cama, realizar parte do meu desejo. Apenas me esconder no edredon e tomar meus remédios. Não estar mais aqui. Pelo menos até amanhã.

E que amanhã esse fogo se extingua.

Shalom!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Let it be

- Você me dá equilíbrio! Você me equilibra...

Seus olhos, perdidos ao longe, buscando onde pousar. Finalmente encontraram a mesa à sua frente, sua cabeça baixou e pude notar tremor nos seus lábios.

Se você chorasse, era capaz d'eu chorar também. Ainda bem que você foi forte.

Como toda aquela discussão chegou àquele assunto, nem lembro. Assim como acontece com nossas intermináveis conversas que a vida interrompe e sempre parecem ficar prá serem terminadas depois. Ou como acontecia.

Um peso me foi tirado das costas. Muitas das coisas que acumulei ao longo desses últimos 12 meses e que planejava dizer, mas não dizia. Porque a vida interrompia. Ou porque eu notava não estar forte ainda prá dizer. Mas nessa memorável quinta-feira de outono, onde vivi tantas emoções pela vizinhança, eu fui forte. Mesmo quando te vi desmoronar.

A "mulher de verdade" foi verdadeira, como sempre foi. Em tudo. Só menti quando afirmei que era aquilo que ia me fazer feliz. Mas foi necessário. Era o certo. Prá mim, prá você, e prá quem mais acompanha essa estória. Talvez você não conhecesse a real dimensão das coisas, mas não seria eu que revelaria a versão ocultada por terceiros... A maturidade ajuda na investigação do que é de nossa responsabilidade e o que não é. Eu só quero, nesse momento, saber de mim, portanto, isso era o que menos importava agora.

Tento imaginar como será daqui prá frente, e tudo o que me vem à mente é a sua cena baixando a cabeça. A melancolia daquele instante. O jeito que você precisava de mim. Seu jeito perdido à noite, quase sonâmbulo. Agora, em meu canto, desmorono em lembrar - mas que seja somente assim, no meu canto. Não sei como vou fazer se você chegar precisando de mim. Mas não posso mais carregar esse fardo comigo. Não é mais meu.

- É isso que vai te fazer feliz? Então assim será.

Então que seja simples. É só o que desejo...

Shalom!

"Te amo, Rihanna."

sábado, 4 de maio de 2013

"Mentir prá si mesmo é sempre a pior mentira"

Foges de quê, menino bonito?

As águas não estão correndo por onde deveriam?

Foste tu que disseste que o curso de um rio não se deve alterar. Não era certo. Mas o que é o certo afinal? Tu abrindo as asas verdes por sobre esse céu nebuloso? Esse vento frio que traz as ondas do mar com brumas de cerveja? Tudo o que usas para empinar e planar, se possível correr prá longe, muito longe daquele lugar comum?

Foges como se não tivesse quem te aguardasse. Se aninhas longe da tua árvore prá se concentrar melhor na escapada. Só se concentra em voar. Preferes cair a enfrentar o precipício que cavaste. E do ninho original, onde deveria morar teu conforto, precipita-te e voa. Que é, afinal, que grita esse teu peito em carne crua? Que desestrutura a vida boa que sonhaste?

E o que te mantém retornando ao precipício? A ausência com a qual contara?

Sobe, menino, sonha! Abre teu peito e tuas asas às coisas nobres que só os céus podem te dar. Voa acima das nuvens negras, não as deixe sombrear teus olhos castanhos. Voa por sobre a indefectível lua vermelha, rubra de vinho, sobrevoa as pedras. Observa, menino! Olha o coração sendo levado pelo mar! Podes imaginar ter tudo sob controle, mas haverá o dia em que fugir não será mais o suficiente. Em que sobrevoar o que é bonito se tornará mais que um simples desejo de um dia. Se tornará necessidade de toda uma eternidade.

E a mim, anjo caído?... Só resta juntar os pedaços?

Shalom!


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dizem que sou louco... (A gênese)


Nunca me perguntaram diretamente, mas talvez tenham algumas pessoas curiosas sobre como escolhi a "Balada do Louco" como tema para o blog.

Há também uma relação da música com meu transtorno bipolar. Da forma como o transtorno (e o reconhecimento dele) me fez ver a vida de um novo ângulo. A versão do Ney Matogrosso muito me toca, mas, mais que isso, eu tenho um vínculo emocional com essa música.

Cresci ouvindo essa música da minha mãe, desde que me conheço por gente. Ela, portadora de esquizofrenia, quando tinha crises e "ouvia" vizinhos falando mal dela, ela cantava, a plenos pulmões "Dizem que sou louco...". A música passou anos me causando taquicardia, porque eu sabia que quando minha mãe começava a cantá-la, outras coisas nada agradáveis decorrentes das crises vinham em seguida... Eu tinha pavor de uma simples música, como se fosse a trombeta do apocalipse. A agressão com que a minha mãe cantava também me assustava. O curioso é que ela desafinava de tão forte que cantava, mas sempre teve uma voz linda. Era prá ser um episódio feliz da infância.

Pois bem, cresci, tentando jogar meus fantasmas prá debaixo da cama. Já longe de casa, a música me causava lágrimas. Até um dia que eu simplesmente ouvi Ney Matogrosso cantar. Eu estava passando por uma crise pessoal que obviamente me levou à uma emocional. Meus sentimentos corriam em montanha-russa. E eu, de repente, me senti tão acolhida por aquela canção... Eu podia ouvir a voz da minha mãe entoando-a junto ao Ney, um perfeito contraste. E de repente eu a entendi. E como sempre acontece, a gente passa a deixar de temer o que entende. Minha mãe não era mais uma entidade distante, porque eu agora conseguia sentir um pouco de suas perturbações. Na virada do ano, criei o blog, já com esse nome, mas sem a pretensão de relatar nada. Em março tive o diagnóstico do transtorno bipolar. E comecei a publicar minha "via-crúcis". Como a vida do paciente psiquiátrico não é - e não deve ser - sua doença, eu escrevo sobre outras coisas, obviamente.

Hoje, ouvindo a canção na voz do Ney, ainda me emociono. Olho prá trás, prá todos os medos e sessões de pânico que vivi na vida. Olho prá onde cheguei agora. Prá pessoa que me tornei, que consegue, hoje, detectar sua própria crise e controlá-la em momentos preciosos. A canção hoje ainda me leva às lágrimas, mas dessa vez, de emoção, porque olhando prá trás e prá todos os monstros-do-armário contra os quais lutei, consigo enxergar uma força que só essa canção me proporciona.

Shalom!



terça-feira, 9 de abril de 2013

A arte do falar e do calar


Tenho andado pensativa. Mais observando do que agindo. Sempre observei pessoas pedindo por mais sinceridade, mas que não conseguem ouvir o que não querem. Como lidar?

Quando você está a fim de um cara, você quer dizer prá ele que está a fim, que pensa nele, que lembrou dele... Mas inventa só de falar! Existe toda uma gama de pessoas que dizem "não faça isso, ignore!". Pior que, quando você passa a estar a fim de outra pessoa, a primeira corre atrás. Coincidência?

Aprendi agora a falar da mesma forma. Se eu já não gostava de jogos, imagina agora! Se eu gosto de alguém, vou dizer prá essa pessoa, independente do que eu obtiver como resposta... Porque se alguém tem de gostar da gente, tem de ser do que a gente é, e não do que a gente mostra ou deixa de falar... Isso é apenas uma armadura que não protege ninguém!

As pessoas querem ouvir o que querem ouvir. Não ouse dizer o que você realmente pensa! Essa tem sido a regra que mais tenho acompanhado ao longo da vida. Mas eu, na minha ingenuidade eternamente infantil, continuo falando. Só que agora, aprendi COMO falar. Considero esse o bônus da maturidade.

Mesmo quando o que você tem a dizer pode desagradar, eu recomendo que fale. Mas não fale como um boçal; considere os sentimentos alheios porque sim, eles têm sentimentos! Se você considerar o próximo, certamente suas chances de ser considerado aumentam.

Sim, eu gosto de gente que é o que é, sem disfarces. Gente que diz gostar porque gosta, não porque quer conquistar. Gente que me aceita sem melindres. Gente que olha nos olhos. Gente que não vá usar o que eu disser contra mim. Gente que fala mais de ideias do que de gente.

Parece confuso? Pode ser. Tenho observado tanta coisa, tanta coisa... Tem sido difícil organizar as ideias. Pessoas têm me surpreendido cada vez mais... Mas faz parte do aprendizado. Um dia eu finalmente aprendo - e que esse dia demore, porque quando o aprendizado está completo, é hora de partir desse mundo...

Pretendo retornar a esse tema de melhor forma futuramente. Afinal, as relações humanas são construídas do que é dito e do que não é. E eu só estou aprendendo...

Shalom!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Me pego pensando...

Sim, eu tenho pensado em você.

Tão surpreendente quanto quando tudo começou, também não sei especificar quando tudo desandou... Foi algo que eu disse? Ou algo que deixei de dizer? Algo que fiz ou que deixei de fazer? Bem, que importa agora? A única coisa que fica são as lembranças dos beijos quentes, dos olhares antropofágicos, dos sorrisos, da pele, do cheiro.

Eu poderia prever tudo o que viria depois. As ligações que se seguiram, tão quentes quanto aquela noite. Talvez alguns outros encontros prá beber algo. E eu beberia embevecida cada pequeno detalhe das suas experiências. Cada estrela do universo que vive dentro de você. Mas eu não sei o que aconteceu quando você se foi... E fiquei perdida no meio do caminho como um cão caído do caminhão de mudança.

Penso que poderia ser diferente. Mas em quê? Penso como devo me comportar quando nos encontrarmos - e imagino que isso possa acontecer a qualquer momento. Penso, penso, penso... Penso em você, é isso.

Não sei se você retornará algum dia. Não sei em que esquina da vida nos reencontraremos. Não sei nem o que me espera na próxima esquina!... Mas sei que agora - assumo como que prá mim mesma pois parecia incrédula - tenho pensado em você.

Saudade.

Shalom!

domingo, 31 de março de 2013

Pessach

E mais uma vez, a Páscoa chegou. Espero que venha trazendo o renascimento que sempre promete à minha vida por anos e anos...

A quaresma é sempre uma época difícil prá mim. Mesmo que eu nem me dê conta. Parece um inferno astral, só que mais intenso. Mas, mesmo assim, mantenho a fé porque sei que logo em seguida vem ela, a Páscoa, trazendo alento ao meu coração.

E é só isso que eu espero em minha fé: renascimento. Forças prá renascer quantas vezes forem necessárias! Forças prá sair de estórias que já não me adicionam em nada! Forças prá me refazer após cada decepção! E para voar mesmo quando o vento for desfavorável...

Senhor, livra-me da maldade, dentro e fora de mim. Livra-me dos enganadores, das pessoas falsas, daquelas que vêm buscar saber da minha vida online prá tentar usar o que leu offline contra mim (e ainda acham que eu não sei)... Livrai-me das pessoas de má-fé, das destruidoras de esperanças, das que buscam subir na vida passando por cima dos sonhos e do bom coração dos outros...

E obrigada. Muitíssimo obrigada por me revelar sempre a Sua Verdade. Por sempre fazer com que o que é meu me encontre. Obrigada pela minha consciência tranquila. Obrigada por tirar das minhas costas a culpa por não conseguir salvar aqueles que não querem ser salvos. Obrigada por estar de pé e manter o amor no coração suficiente para estender a mão àqueles que, mesmo assim, retornam me pedindo auxílio. Que eu me mantenha firme para auxiliar sem deixar que me machuquem novamente. Que eu me mantenha firme para não deixar que mentiras me tirem o que é meu. Que eu me mantenha firme na minha sinceridade quase infantil, que tanto já me machucou, mas que tanto já esclareceu também.

Só tenho a agradecer, Senhor, vislumbrando a chuva de bênçãos que estão ali, à frente. Visualizando a proteção que só o Senhor poderia me dar - e me deu. Há uma legião de luz à minha volta e meu coração transborda de amor. Muito obrigada!

E que venham as reviravoltas da vida nos surpreendendo!

Shalom!
FELIZ PÁSCOA!!

terça-feira, 19 de março de 2013

O Velho Karma e o Charmoso Gentleman

"Eu te amo", ele sussurrou com a boca em seus cabelos.
Era ele, seu Velho Karma. Tinha chegado afobado, saiu do carro ainda elétrico mas com sorriso de vitória de quem conseguiu encontrar um lugar que nunca tinha ido antes.
Conversaram rapidamente trocando palavras atropeladas, então ele a abraçou. Ela acomodou o rosto em seu pescoço; ele beijou seus cabelos, falou um monte de coisas, mas ela só lembrava do "eu te amo" -  por afetuosidade ou raiva.
Na mesma pressa, ele entrou no carro e saiu buzinando impacientemente. Ela achou engraçado o jeito dele dirigir, mas não podia se concentrar naquilo agora. Tinha um evento para cobrir.

Estava tão cansada e atarefada que ao chegar ao seu próprio evento mal pôde dar atenção aos convidados. Era tanta coisa prá resolver... Mas havia aquela figura que havia tempos chamava sua atenção. Tantos tempos que ela já nem acreditava que poderia acontecer algo...

Foi botando as coisas em ordem, aos poucos relaxando. Conversando com um ou outro, dançando, bebendo até. Não conseguiu encher a cara como queria, mas bebeu o suficiente para relaxar. Ou para provocar várias idas ao banheiro.

Numa delas, sentiu-se seguida. Ela subia as escadas de volta para o salão e o Charmoso Gentleman estava lá, de pé, parado no topo. Pediu-lhe a mão com seu charme peculiar. Mesmo que ela não sentisse nada, era improvável recusar. Continuou subindo os degraus e o abraçou. Trocaram palavras simpáticas e cada um seguiu seu trajeto em direções divergentes.

Mas tinha a despedida. Ahhh, as despedidas... São sempre situações limítrofes que testam nossa capacidade de decidir se "vai ou racha". Abraçaram-se afetuosamente, ela ainda com um dos docinhos da festa na boca. Indiretas, duplos sentidos, até o momento em que se encararam. Dali foi irresistível, e todos os outros em volta pareciam ter sumido. Um beijo que começou timidamente com um selinho. Mas ela queria mais. E buscou. Envolveram-se então em um beijo intenso, as línguas compartilhavam o sabor e a textura do doce que ela nem tinha conseguido engolir. Mas ele tinha que ir. Ela tinha que ficar. Ficar e processar o que tinha acabado de ocorrer. O que parecia improvável por anos, aconteceu. E tão inesperadamente... Ela agora tinha muitos motivos para não ficar pensando no "eu te amo" do Velho Karma. Ele apenas disse - quem disse que faria algo sobre isso? Talvez fosse a hora de virar a página e escrever uma nova estória, com um novo protagonista...

Depois da noite que ela passou no apartamento do Charmoso Gentleman que conquistou seu beijo na festa, ela caminhava pela noite chuvosa refletindo.
Por que não? Não é?

Shalom!

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