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domingo, 10 de novembro de 2013

Do império da imensidão dos silêncios

O silêncio se instaurou. Talvez fosse mais dela, que parecia encantada com as poucas palavras trocadas ao telefone. Mas este, agora desligado, fez perceber a imensidão do silêncio que se instaurou.

Algumas frases ainda tentavam ecoar naquele vácuo, em vão. Ela já não o reconhecia: distante, quieto, quase não a encarava. Um dia aquela situação teria de ser enfrentada, não era? Ela só não entendia se ele mudou pelo que ouviu ou se mudou porque ela mudou primeiro.

Todos já estavam de pé esperando para desembarcar. Ele se despediu timidamente, coisa que ele nunca foi. Ela se esqueceu momentaneamente que ele descia um ponto antes. Observou-o descer e ele, como sempre, buscou automaticamente por seu olhar. Se despediram com os olhos, ele parecia forçar um sorriso, apertando os olhos. "Que bobagem", pensou ela, "ele só está cansado...".

Talvez ela tenha sido estúpida. Ela não tinha que provar nada a ninguém, nem dar satisfações. Foi sem querer que ela atendeu o telefone, mas ela quis se aproveitar da oportunidade. Ela não foi leal - ele nunca faria o mesmo, pelo contrário. Ele ainda a protegia, mas ela não viu motivos para poupá-lo da realidade. Talvez agora ele entendesse o que ela passou, mas essa atitude infantil não a garante nada, nenhuma resposta. Para que ela se levava àquilo?

Um ego ferido pode se manifestar das maneiras mais ridículas.

Shalom!

"Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
Paulo Leminski

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