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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Enquanto chove, eu viro Sol

"Meu caminho é cada manhã,
Não procure saber onde vou.
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão.
Se você não entende não vê:
Se não me vê, não entende.
Não procure saber onde estou,
Se o meu jeito te surpreende..."

A Vida é mesmo assim... A gente acredita nas pessoas, quebra a cara... Mas Resiliência é meu nome do meio: a capacidade intrínseca de me superar e me tornar alguém maior e melhor a cada decepção. Decidi não mais dar murro em ponta de faca, nem mais ficar me esforçando em convencer as pessoas que preferem se iludir com meia dúzia de palavras bonitas: se elas preferem estagnar na Mentira, sigo em frente em meu caminho com destino à Verdade.

Tem gente que finge afeto só pra causar discórdia. Tem gente que finge amor só pra poder machucar silenciosamente... Nos caminhos escusos da maledicência, fazem de tudo pra destruir a imagem de outrem, ou mesmo destruir laços dos quais inveja. São pessoas tão frias e calculistas que não se importam com ninguém nem com as consequências de seus atos, apenas no que podem ganhar com isso. E são tão convincentes que, não adianta o que você faça ou diga pra desfazer mal-entendidos, muita gente ainda vai continuar acreditando nelas. Já dei muitas vezes a cara a tapa pra proteger as pessoas que eu considerei valer a pena, mas essas mesmas pessoas acham que o que eu digo é que não vale... Paciência. Só me resta seguir meu caminho adiante porque sei que numa dessas encruzilhadas da Vida a gente vai se reencontrar e aí estas, finalmente de olhos abertos e eu, já em paz comigo mesma, vamos finalmente perceber que no fim o que vence é o Bem.

Enquanto isso, sigo meu caminho com a sensação plena de que minha vida agora é uma folha em branco, prontinha pra escrever um novo destino, com "gente fina, elegante e sincera", gente que se junta pra somar e não dividir; gente que corre do nosso lado, e não atrás da gente com interesse em conseguir algo. Cansei de bater palmas pra maluco dançar - agora quem vai dançar na vida é a maluca que vos fala!!

Sabem como é, toda estrada tem cobras aguardando de soslaio, aguardando seu próximo passo pra agarrar seu tornozelo e te impedir. Aprendi nos últimos meses que cobra não tem braço pra abraçar: cobra só se enrosca na gente pra depois dar o bote. Só que agora sigo segura, pois Xangô me deu um machado pra me defender: cada cobra que tentar agora atravessar meu caminho, vai ter a cabeça cortada. Cansei de ter pena dos outros enquanto esses tentam tramar contra mim. Quem quiser seguir comigo no caminho da retidão, terá a mesma proteção, mas quem não quiser, só resta esperar o Tempo fazer seu próprio trabalho, do qual ninguém escapa.

Ilusões, queridas e queridos, ilusões não são nada mais que isso. Muita gente vos abraça chamando-os de "amigo", mas pelas costas vos crava um facão e vocês nem sentem, anestesiados de mentiras. Que caiam logo as fichas - todas elas! - pra que vocês mesmos possam se defender, e até contar com minha ajuda se necessário. Mas até lá, vou seguir o meu caminho lhes dando a liberdade de escolher em quem acreditar. Não vou mais gastar minha energia com essas coisas: vou investir a mesma energia em fazer girar, de forma eficaz, as engrenagens da minha própria Vida.

Aos que eu deixei pelo caminho por esse motivo, desejo o melhor. Mesmo que não entendam em nada os meus motivos. No fim, tudo se resolve. Mas vou deixar essa com D'us, já que preciso reeleger prioridades.

E minha prioridade agora é fazer brilhar o Sol que existe em mim, em seu máximo potencial.

A César o que é de César. E a todos, a Justiça.

Shalom!


quinta-feira, 17 de maio de 2018

"Senhor, Senhor... Por que me abandonaste?"

Eu quero tanto escrever... Ha um turbilhão de tanta coisa aqui dentro, preciso desaguar num mar de letras... Queria mesmo era encher essas linhas de coisas bonitas pra, quem sabe, alegrar a vida de alguém... Mas no momento não sou alegria nem pra mim mesma.

Hoje é um daqueles dias em que a gente acorda com um gosto amargo na garganta, como se a Vida tivesse nos amamentado de fel durante a madrugada. Não conheço mais as pessoas que achei conhecer desde que nasci. Pior: são esses que parecem fazer mais questão de me ver mal.

Mas a culpa é minha mesmo: passei a vida inteira me calando preocupada com o bem-estar alheio, abrindo mão de mim mesma pra todo mundo... Pra hoje ter a triste constatação que aqueles por quem me sacrifiquei só se interessam mesmo por mim quando precisam. Até aí, tudo bem. O problema é que no resto do tempo estão apenas me criticando, desrespeitando, até agredindo, se esforçando pra jogar minha auto-estima no chão. To cansada de ser o saco-de-pancadas moral e psicológico de todo mundo! "Tá se sentindo meio mal? Promoção do dia: venha dar meia dúzia de socos aqui na minha cara, me derrube e não esqueça de cuspir enquanto eu estiver no chão!" A julgar pela frequência que todos que dizem me "amar" praticam isso, deve no mínimo dar algum prazer. E não adianta sentar pra dialogar com toda a minha psicologia: o que eles querem é que eu os sirva de serviçal e, depois de satisfeitos, ainda sirva pra ser açoitada. "JOGA PEDRA NA GENI!!!"... Só me falta agora um zeppelin pra eu tomar pra mim e me levar pra bem longe daqui, já que ninguém me salvará a não ser eu mesma.

Se família é amor, esse não é mesmo meu lugar. Acho que nunca foi na verdade; sempre me senti avulsa, como se eu não fizesse parte deste grupo, como se eu tivesse caído aqui de paraquedas e eles me aturassem entre eles só porque não tinha outro jeito. Meu sonho de infância/adolescência, era descobrir evidências de que eu tinha sido adotada (explicaria muita coisa) ou no mínimo bastarda, mas foi em vão - evidências fisicas confirmam que sim, infelizmente o sangue é o mesmo. Pena que os valores não.

Só sei que estou EXAUSTA de padrões abusivos: mãe, pai, algumas "amigas" (infelizmente, na área das amizades, mulher ainda não sabe se relacionar - sorry, movimento feminista, sad but true), ex-marido, filhos, homens que entram e saem da minha vida (e na área dos amores, todos já sabem que homem não sabe amar)... Eu sempre perdi muito em todas essas relações, e ainda sofro cobranças, mesmo tendo aberto já mão de mim mesma só pra ter a satisfação de fazê-los felizes. Pena que essas pessoas pareçam só sentir mesmo prazer quando me veem no chão - porque é mais fácil de chutar.

Tem importância não: de tanto ficar sozinha, já me acostumei. E o Mundo tá aí, cheio de caminhos e afetos prontos a serem descobertos... Me manter apegada a essas relações doentias só tem me deixado doente. Cada vez mais. É um suicídio indireto.

E, sinceramente, depois de 22 anos planejando em detalhes, todos os dias, o meu suicídio direto, o que menos quero hoje é morrer.

Só quero viver e ter forças pra me estruturar pra ir embora de vez. Se com isso vão passar a me dar valor ou não, pouco me importa: vou estar distraída demais reconstruindo minha vida com todo o valor e respeito que eu mereço.

Passei a vida tentando dar orgulho, ou ao menos não decepcioná-los... Pra ser pra sempre tratada como LIXO. E eu sei que isso nunca mudará... CHEGA!! To exausta!! Decreto agora que, a partir de hoje, só fará parte da minha vida quem me faz bem!

Que vocês consigam viver bem sem mim - ou sem o seu saco-de-pancadas favorito. Acreditem: um dia vocês se acostumam a se virar sozinhos! Podem confiar!! Eu sempre consegui...

Shalom!

domingo, 13 de maio de 2018

Gitana

Por que com a gente tudo tem que ser tão difícil?
Será que o Mundo nos machucou tanto assim?

Temos tudo pra sermos felizes, podíamos estar felizes agora... Eu sei que você quer, você sabe que eu quero... O que nos impede, enfim?

Se eu ao menos pudesse saber o que é...

É tão difícil ver uma semente tão bonita ir morrendo assim, sem água, sem terra, sem perspectiva... Mais ainda quando a gente conhece todas as possibilidades. Não deu pra matar assim, de uma hora pra outra, do jeito que eu queria, mas percebi que a morte lenta tem sido mais eficaz. De fome, de sede. O veneno tá fazendo efeito. "O amor da gente é como um grão"? Nem Gilberto Gil poderá dizer.

Pudesse você também sentir esse fade-out de emoções - cada vez que assisto às estatísticas, você tá lá. Nunca tive visitante mais assíduo ou interessado. A frequência é alta e os horários são insólitos. Isso talvez ainda me tire a paz quando resolvo sentar pra escrever; há sempre uma certa auto-censura. Porque EU SEI que você tá lá, sentado na primeira fila, aguardando algo que eu não posso dar porque eu nem sei o que é. Queria eu ter esse poder todo que me dão, mas tem coisas que são bloqueadas ao meu conhecimento por motivos óbvios. Não dá pra esperar tudo dos Céus, temos que errar pra aprender, obter merecimento, trazer pra materialidade. O plano das ideais é limitado demais em relação a satisfazer necessidades. A grande maioria dessas necessidades - sobretudo as mais básicas - só podem ser satisfeitas a partir de uma ação.

E se a gente nunca dá um passo em falso, não acerta o caminho na direção do que mais deseja.

To aqui por hoje. Mas sabe lá até quando estarei... Não tenho deixado meus passos no chão.

Opchá!





sábado, 28 de abril de 2018

Catarses

Eu nunca quis que fosse perfeito.
Eu só queria que fosse real.

Talvez eu tivesse assistido comédias românticas demais... Uma vida inteira esperando ser amada o suficiente pra ser buscada por alguém. As coisas parecem bem mais fáceis no imaginário.

Mas eu nunca quis que fosse apoteótico.
Eu só queria que acontecesse.

Porque sempre parece que a grama do vizinho é mais verde; parece que eu nunca tenho o suficiente pra oferecer, porque sempre tem alguém com algo melhor que eu a dar. O máximo que parece possível é eu estar sempre dando o primeiro passo - e talvez isso soe à outra parte como alguma forma de desespero. De repente, pode até ser.

Porque eu nunca exigi ser exclusiva.
Eu só queria ser especial.

E nesse afã de descobrir como é a sensação de ser amada, já fui capaz de tanta coisa... Menos de encontrar alguém que fosse capaz de qualquer coisa por mim. Talvez porque eu não tenha dado espaço. Talvez porque eu não tenha me dado valor... Porque eu reconheço ser uma mulher muito acima da média - é o que todos dizem. Mas parece que há algo grande demais que descompensa, porque sempre que chegam muito perto, parecem descobrir um "defeito imperdoável" que ainda desconheço, mas que faz TODOS saírem correndo de mim - e isso faz com que as vozes da minha cabeça continuem repetindo que "ser amada" é um verbo que não foi feito pra eu conjugar.

Porque eu nunca quis ser admirável.
Eu só queria ser amada mesmo.

Então só me restam as Artes a me fazer companhia. Só as Artes para me ajudar a sonhar que um dia - ah, um dia - talvez ainda haja chance disso (que nunca aconteceu antes) acontecer, mesmo que a areia da ampulheta pareça já estar acabando e a juventude se esvaindo junto. Restará alguma juventude que evite de repelir, um dia, o desejo de alguém, nesses tempos em que corpos valem mais que almas?

Porque eu nunca quis ser ou ter apenas um corpo.
Eu só queria ser, e ter ao lado, um ser humano completo.

Ah, mas que grande pecado, nesses dias de hoje, ser nada mais que uma mulher inteira, que ainda mantém seu coração no alto da torre, sonhando que surja um dia um príncipe que não se importe em enfrentar os próprios dragões pra chegar lá.

Porque eu nunca quis ser salva de mim mesma.
Eu só queria poder ser, um dia, a namorada de alguém.

Shalom.

"Eu acordei... Não tem ninguém ao lado."

sábado, 21 de abril de 2018

Expectativas

Expectativas... Pra quê?
Se eu já sei exatamente o que vai acontecer.
Se eu já sei exatamente onde você vai se perder
E eu me aborrecer.
Pra que esperar mudar se tudo vai permanecer
No escuro?
Enquanto mudo, traga e estraga mais um coração.
Mais um escudo
Contra quem mais precisa de proteção.
Absurdo.
Absurdamente na contramão
da Paz,
Enquanto é a ela que eu busco.
Eu quero é mais
da Vida e do sabor de viver,
De não saber
o que vai acontecer
Mas mesmo assim ter fé no novo,
Pois quanto mais me movo
Na direção que almejo
A única certeza que eu desejo
É a de ser feliz com gosto
E a de voltar a amar sem medo
Sem mais me perguntar "por quê?",
Ou "pra quê?".

domingo, 8 de abril de 2018

O Monte Castelo

Mais uma manhã em que acordo junto com o Sol. Tem sido bem frequente eu dormir cedo e acordar idem - creio que seja só mais uma das várias alterações de padrão de sono que tenho vivido nos últimos 3 anos, mas ao menos acordo bem disposta. Aproveito a tranquilidade do silêncio da casa pra colocar a cabeça em ordem: escuto música, faço café, checo redes sociais. Hoje eu estava inspirada a editar fotos - a mais nova/antiga paixão com a qual me reencontrei nos últimos meses. Não há mais nenhum Photoshop como em décadas atrás, muitas vezes nem mesmo computador, apenas muita experiência, criatividade e editores simples de imagem que já vêm no aparelho celular. Enfim.

Eu tava inspirada a mostrar uma das minhas facetas que não mostro há bastante tempo, certamente por defesa (sobre a qual comentei no último texto). Na verdade, mais que faceta, minha verdadeira essência, mesmo que não agradasse aos olhos comuns, tão acostumados com selfies produzidas o suficiente pra mostrar alguém atraente e/ou poderose. Eu não queria ser nenhum dos dois, nem me encaixar em padrões de sex appeal, queria apenas mostrar-me despudoradamente como sou. Uma necessidade de testar-me até me encontrar, talvez. Enfim.

Eu já finalizava uma selfie minha em cores vibrantes como sempre gostei de usar - dessa vez, a palheta contava com fortes tons de pink, porque eu queria falar de Amor, como se ele pudesse saltar aos olhos, transbordar pela boca, fazer o mundo explodir em cor. O Amor não-romântico, o Amor Agape, o Amor universal, sem medo do que o pós-modernismo poderia dizer de mim. Eu queria expressar tudo que sinto desse Amor com o qual nasci e no qual sempre acreditei, mesmo que eu fosse considerada louca por isso. Enfim: eu não conseguia me decidir entre dois filtros pro último acabamento, quando uma mosca insistente começou a me perturbar (sim, moscas conversam comigo desde que me conheço por gente, outro dia explico porquê). Não satisfeita por eu tentar ignorá-la me concentrando no editor do celular, ela começou a dar rasantes em meus ouvidos e olhos. Resolvi obedecer então a voz que me dizia pra ir até a área de serviço dar uma respirada.

Distraída entre reabastecer minha caneca de café e acender um cigarro antes de voltar à edição, um ruído vindo de fora me fez esquecer disso por um momento. Caminhei pela área externa do apartamento e não identifiquei de onde vinha aquele som alto e abafado, no qual Renato Russo se rasgava ao declarar que "é só o Amor que conhece o que é verdade...". A canção ainda estava no início e quando acabou, tomei fôlego e mais um gole de café, aguardando que a próxima na sequência me divertisse tanto quanto. Pois bem, esperei em vão. Assim como aconteceu com todas as outras músicas que têm surgido do nada e do nada desaparecido na minha vida nos últimos... 3 anos - e sempre em horários em que "estou acordade, todes dormem", o que justifica minha falta de testemunhas.

Mas voltei pra dentro reanimada. Finalmente decidi o filtro final da foto e a publiquei com a legenda de "Coríntios 13". Tem gente que acredita em coincidências, eu prefiro acreditar que aquela mosca estava me mandando ir lá pra fora pra entender o "recado": senti, finalmente, que eu estava de volta ao meu Caminho Original, de volta ao meu eixo. Ainda vislumbro uma longa caminhada pela frente, mas pelo menos, eu vislumbro (e faz pouco tempo que nem esse poder me era concedido). E uma vez definido o caminho, me sinto livre pra voltar a acreditar no Amor.

E em mim - porque é dessa matéria chamada Amor que eu sou feita. E porque "sem Amor, eu nada seria...".

Shalom!


segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Verdadeira Páscoa da Fênix


Será que dessa vez eu acertei? Será que de todos os feitos e passos, esqueci do mais BÁSICO?

Tenho revisitado Platão, este que sempre me atraiu de alguma forma, ao qual nunca me aprofundei por falta de oportunidade. De alguma forma, eu sempre soube que ele tinha as respostas que eu precisava, mas era difícil ter acesso quando todo o mundo o achava dispensável, inclusive as escolas públicas, num tempo em que a internet era apenas um sonho de ficção científica. Meu pai chegou a parcelar uma Barsa em 36 vezes, na qual eu distraía o tédio na infância, mas nada ali se aprofunda - quem já dependeu de enciclopédia, sabe. Enfim, como no caso da Kabbalah, eu corria atrás de Platão, mas ninguém estava disposto a dar um pouco de filosofia a uma garotinha que, afinal, "nunca vai usar na vida essas coisas inúteis" (isso só confirma que nós, adultos, na verdade não sabemos de NADA).

Pois bem, revisitando Platão, ainda que tardiamente, inclusive sobre esse tema que desde criança sempre também me atraiu (as Almas Gêmeas), finalmente me dei conta do que, afinal, estaria dando tanto errado. É que, veja bem: D'us e o Destino se encarregam de aproximar e preparar as duas essências, feminina e masculina, para que se re-unam, assim como também se encarregam de afastá-las quando essas duas partes precisam se ajustar individualmente. E enquanto não há avanço sequer nesses ajustes, o Destino não se faz de rogado de emperrar sua vida TODINHA até que você pare e entenda o seu Propósito. E eu achando que conhecia o meu Propósito, fui me perdendo dele através de atalhos, além das perdas de outros propósitos paralelos, alguns até já conquistados. Eu estava totalmente distanciada do meu Caminho Original, e por isso me sentia perdida - até que Platão me reencontrou, me apontou o caminho de volta, e tudo voltou a fazer sentido.

Percebi que foi meu coração que sismou de pegar um atalho porque estava machucado demais. Fato é que, desde o nascimento, diversos fatores me fizeram acreditar a não-acreditar no poder da minha Essência Feminina: a imposição da passividade, da submissão, da falta de liberdade, dos pudores; as violências sofridas de todo tipo, a solidão. Quando a Vida te faz só diante de toda essa realidade, há a impressão de não precisarmos de mais ninguém, então projetamos dentro de nós a androginia que Platão cita. E porque D'us, segundo o próprio Platão, dividiu afinal as duas essências, feminina e masculina? Porque nós, enquanto andróginos, quisemos desafiar a D'us. Foi então que, vaidosa como Lúcifer, fui expulsa do Paraíso para levar à humanidade a Luz que eu mesma tinha perdido. Perdi minha Luz quando pensei que eu tinha mais poder sendo, sozinha, meu próprio masculino e feminino. E com meu Sagrado Feminino tão ferido, tão traumatizado, tão ressentido e abusado ao longo da vida, meu inconsciente passou a tentar se expressar apenas pelo Masculino - e quando uma mulher cis-hétero se esforça, ainda que não saiba, a só expressar seu lado masculino, "forte", empreendedor e combativo, negando a própria feminilidade, toda a sorte de desequilíbrios (inclusive físicos) começa a nos tirar do eixo.

Dizem que as bênção de D'us não têm como nos alcançar se fingirmos ser outra pessoa. É como se o "carteiro" que as entregasse não reconhecesse o endereço. Pois bem, se dentro da unicidade em que D'us criou a todos nós, ele me designou a ser a Sua Expressão Feminina na Terra, fugir desta mesma energia seria fugir da bênção de exercer minha própria essência - e portanto, do meu Propósito, a expressão de D'us que há em mim. Tudo finalmente fez sentido nesses últimos dias, entre meus rituais para a Lua Cheia e as palestras de filosofia às quais decidi me dedicar enquanto minha vida "não anda pra frente" (ando explorando o canal da Nova Acrópole no Youtube, mas não apenas - recomendo este canal a qualquer ser humano, místico ou não).

O contato recente com a minha essência de Bruxa só pode ter essa função: a de me lembrar que sutileza também é força, que gestar também é ação criativa, que meu corpo é belo pois foi marcado, entre outras coisas, pela gestação, nascimento e alimentação de outras vidas que espalhei pela Terra - e não pelos músculos que criei tentando me defender da humanidade (apesar desta própria humanidade admirar mais esses músculos). Revidar as violências que sofri e as que o Mundo ainda nos impõe é que é a grande ilusão. E uma vez desgarrada das ilusões que encobrem nossa visão com tantos véus, finalmente me sinto de volta pra fora da Matrix!

Olho pro mundo e consigo voltar a enxergar a D'us em Tudo, D'us em mim, Tudo em D'us, Eu em Tudo, tudo uma coisa só, exatamente como no sonho em que D'us me apareceu na Praia Vermelha - a Divindade não é alguém à parte, lá no Céu, nos julgando: a Divindade está em tudo, ama a tudo, É tudo. A Divindade SOU EU, mas apenas porque aceito e recebo a Divindade de tudo aquilo que compartilha esta jornada comigo aqui, neste planeta.

Sou mulher, aceito e recebo a Divindade que EU SOU. Mas só sou Divindade porque reconheço e amo a Divindade que VOCÊ É.

"A César o que é de César e a D'us o que é de D'us" - cada chakra tem sua função, e a função de todos eles juntos é, através de nós, unir Céu e Terra. Equilibrá-los seria alimentar a cada um deles conforme sua necessidade - nem tanto ao Céu e nem tanto à Terra, pois o Propósito vive bem no centro de tudo isso. O Propósito é que é D'us.

Shalom!
Namastê!



O louvor à Durga, a Grande Mãe Invencível.

terça-feira, 27 de março de 2018

O longo caminho do Louco ao Mago

Entusiasmo é o que não falta. Não há mais medo de andar sobre o precipício... Mas pra onde esse precipício me leva?

Os caminhos são muitos, as opções são muitas. Muitas decisões a tomar, sobre tudo na vida... Parece que to nascendo de novo! Mas é natural essa sensação, já que toda a estrutura foi ao chão, agora tenho que reconstruir... Natural que eu não saiba por onde começar.

Mas eu tenho pressa, tenho gana. Não quero mais esperar. Nem penso tanto em resultados, mas em dedicação. Entendo racionalmente que o Universo tá pedindo pra eu sossegar, mergulhar nos meus estudos esotéricos... A Alma também clama por atenção e confesso que eu a tinha deixado meio de lado. Mas há um fogo no meu peito querendo realizar algo na vida prática, ao mesmo tempo em que a Vida fica sempre me pedindo um pouco mais de calma...

Dizem que, na dúvida de um caminho a seguir, melhor sentar numa pedra e relaxar. Que as respostas certas chegam na hora certa. O problema é que relaxar é uma coisa que eu não sei... Isso só prova que vontade (com maiúscula ou minúscula) não é tudo, é preciso um direcionamento. Mas um direcionamento consciente e estruturado. Talvez eu devesse me concentrar em aprender isso (ou talvez o Louco quisesse me dizer exatamente isso). Até porque há um conflito abismal entre querer movimento e paz ao mesmo tempo - talvez eu apenas deseje o movimento por fora e a paz por dentro, enquanto o que acontece atualmente é o inverso: uma paz aparente enquanto a Alma inflama e não pára quieta.

Mas, vamos lá. A Vida t'aí pra ensinar mesmo... E eu to aqui pra aprender... Mas que eu aprenda logo porque, com Marte saracoteando na minha Casa 1, eu quero é sair pra saracotear também. Só não sei ainda em que Casa do meu Mapa.

Enquanto isso, "eu finjo ter paciência"...



domingo, 18 de março de 2018

Astronautas de Alma

Às vezes me bate uma saudade imensa de mergulhar nesses seus olhos da cor do manto da noite, de um negro tão profundo que eu podia até enxergar estrelas que me atraíam pra dentro deles. E uma vez lá dentro, era capaz de me perder diante de tanto fascínio em me sentir astronauta desse ser que descobri ser você aí por dentro.

Hoje é nosso desaniversário: 4 meses de distância desses Olhos de Céu de Fevereiro. Ou da sua doce voz de canção de lullaby. Ou do seu sorriso torto, meio sem jeito, que deixava escapar quando eu percebia que você estava me observando por um vão qualquer, em meio a qualquer caos. Saudade da segurança de que seu olhar sempre me acompanhava: fosse tímido ou abobalhado, era como se fosse um manto com o qual você tentava me proteger até da sua própria insensatez. Era seguro, mas passou a me tirar a paz, pois eu não sabia o que significava - talvez nem você. Hoje estou bem, entre os altos e baixos da Vida, com a paz recuperada. Mas vez ou outra a Lua mexe tanto comigo que resolvo deitar para admirá-la soberana, naquele velho terraço onde nossa história amanheceu com o Sol, observando as estrelas se multiplicarem conforme meu olhar se acostuma. Hoje, Lua Nova em Peixes, não deu pra evitar a lembrança enquanto eu reconhecia algumas das estrelas que contamos juntos daqui. Nem a lembrança da sensação de ser Astronauta dos Teus Olhos. Era bom sim, foi bom... Só ficou complicado demais.

Não sei ao certo por onde você tem andado, só espero que ande tão bem quanto consigo estar agora. Mesmo que eu tenha a plena certeza de que essa saudade quase visceral, vez ou outra, não aperta apenas o meu peito... Nós dois sabemos disso, né? Por isso estamos aqui.

Houve dores sim. Trocas de farpas. Guerra Fria no território do Amor - o pior pecado de todos. Mas tenho tentado não guardar ressentimentos de nada nem ninguém neste meu momento da Vida. Sei que nós dois fizemos o que podíamos diante das circunstâncias, dos nossos medos, dos nossos traumas. E sigo em paz também consciente de que dei o melhor de mim conforme me foi possível - é que, se numa relação a dois apenas um se dá, nunca será suficiente. Nunca foi. Eu, pelo menos, não espero mais ser suficiente sozinha pra nós dois. E isso também alimenta a paz que me faz seguir em frente.

Sabe D'us se um dia a gente se esbarra novamente por aí... E se, numa dessas vezes, eu terei coragem de encarar novamente esses dois portais interdimensionais que você carrega no olhar: agora que me encontrei, confesso que ainda receio me perder, mais uma vez, da minha segura estação espacial.

Enquanto isso, só espero que você fique bem, tá? 
Porque eu to indo.
Eu amo você.
Mas eu sei que às vezes o Amor é isso.

"Dispiei, fé.


quinta-feira, 15 de março de 2018

"Esú" - Baco Exu do Blues

"Sinto que os deuses têm medo de mim
(Medo de mim)
Metade homem, metade deus e os dois
Sentem medo de mim

Sinto que o mundo tem medo de mim
(Medo de mim)
Metade homem metade deus e os dois
Sentem medo de mim

Componho pra não me decompor
Poeta maldito perito na arte de Arthur Rimbaud
Garçom, traz outra dose, por favor
Que eu tô
Entre o Machado de Assis e de Xangô
Soneto de boêmia poesia melancolia
Eu sou do tempo onde poetas ainda faziam poesia
Saravá!
O canto de Ossanha vem me matando
E quem canta os males espanta
Não tá mais adiantando
Aqui
Se escuta o batuque do trovão
Thor e seu martelo, Jorge e o seu dragão
Ciranda no céu, rave de tambor
Os deuses queriam chorar por amor

Sinto que os deuses têm medo de mim
(Medo de mim)
Metade homem metade deus e os dois
Sentem medo de mim

Sinto que o mundo tem medo de mim
(Medo de mim)
Metade homem metade deus e os dois
Sentem medo de mim

Medo de mim
Os deuses são
Poetas vadios
Cochilam na ilha da linha do traço sua caneta no cio
Tem um toque macio
Se encurvam na estrutura da cura do abraço
Já eu sou poesia tabaco e vinho
Dionísio e Baco sozinho
No mesmo espaço
Hórus fora do ninho
Abro o seu caminho
Eu sou o canto do mundo
E nesse canto do mundo eu me refaço
Dance com as musas entre os bosques e vinhedas
Nesse sertão veredas e sentir é um mar profundo
Nele me afundo até o fundo
Insatisfeito com o tamanho do mundo
Por isso o papel ficou pequeno
Escrevo em paredes
Em corpos na plebe
Na pele na linha tênue da epiderme
Da alma calma das linhas curvas das coxas de Vênus
Ao menos meu destino não está em um astro, casto
basta, basto
Astrólogos, diálogos diversos
Imerso no teor complexo
Que nos consome
A dor some ao ver que os deuses têm inveja dos homens
O mundo é fruto da nossa imaginação
Será que somos deuses ou sua criação?"


(Bonus Track)