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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Teatro dos Vampiros

Eu já perdi e ganhei muita coisa na vida... Mas acho que eu nunca tinha perdido na vida algo tão básico, meu alicerce nos piores momentos de Tempestade: a minha Fé.

De todos os momentos difíceis que passei, das frustrações, das alegrias ela, a Fé sempre estava lá - o que foi decisivo para que eu não caísse em tentação nos 22 anos em que a Depressão Crônica sussurrava ideia suicidas no meu ouvido (e era a todo dia, todo momento). Hoje a Depressão parece estar de volta, e apesar de todo meu histórico médico, dessa vez não parece ser meramente química. Não sei dizer exatamente quando começou, mas sei como, creio eu.

Talvez, em algum momento da vida eu estivesse confiante demais nas minhas capacidades, mas não olhei pras minhas necessidades. Foram várias vezes acreditando muito, superando dores e males físicos porque, afinal, eu sabia enfrentar a vida sozinha, porque a Vida me deu a Negligência e Rejeição de presente desde a tenra infância como excelentes professores. Mas tem uma hora que o desequilíbrio aperta, e você já não confia mais nem em si mesma porque reuniu todas as forças como pode por tantas vezes, investiu seu tempo, dinheiro, sangue, suor e lágrimas... E tudo que consegue ter, em tudo, é frustração. E esse acúmulo de frustrações e de promessas vazias que nunca se cumprem vão virando uma bola de neve e jogam no peito a sensação gelada e vazia de um buraco escavado no peito, como se me tivessem roubado a Alma... Na verdade, chega a ser uma sensação bem física, com outros sintomas que surgiram junto (e que me recordo de terem se iniciado talvez entre abril/maio de 2017).

Já busquei muitas tentativas de explicação a mim mesma, muitas possibilidades de solução, mas nas poucas vezes que pedi ajuda, o que ouvi era que tudo era minha culpa mesmo, que ter vivido todas as perdas que vivi foi culpa minha, e posso até concordar - mas porque essas pessoas resolvem tomar conta de seus Pedestais Julgadores quando se propõe a "ajudar"? Que ajuda é essa que só te abraça se você fizer o que eles querem? Essa ajuda é realmente desinteressada ou está motivada por "marketing religioso" - aquele que só ajuda pra ser visto como "umx bom filhx de D'us".

Não é difícil entender que pouco ou nada se saiba da vida de Jesus antes dos 30 anos: quem se preocuparia em registrar a vida de um cara que abandonava o próprio lar pra abraçar leprosos, assaltantes, prostitutas, pagãos, etc? PIOR: que frequentava seus lares sem pudor, repartindo de pão, peixe e vinho - simplesmente porque Jesus entendia que D'us morava na Alegria... Enfim: Jesus era tudo que os cristãos de hoje odeiam (há uma breve descrição sobre o que pensavam de Jesus em João 21 já naquela época e "santo" não é exatamente uma das definições), a diferença é que ele tinha uma Fé inabalável - que eu também pensei que tinha, mas parece q não era tanto assim...

Sei que busco alguma faísca, talvez nos olhos de alguém, que talvez me faça voltar a acreditar... Porque é muito difícil ter consciência de que se precisa de ajuda, mas não confiar em mais ninguém que possa (até porque já não se confia em si mesma).

Eu agradeço de verdade, mas o que eu preciso agora não é de "aventura" - nem toda Depressão se cura da Depressão em si, mas da investigação de suas causas. O famoso "levanta dessa cama", além de ineficiente chega a ser chato e ter efeito contrário, pois ninguém sabe o que faz a pessoa deitar nela, além de ser extremamente cansativo fingir alegria enquanto por dentro você só queria não estar ali. Eu entendo que cada um tem seu jeito e preferências pra viver - eu só queria, talvez, encontrar um lugar meu, com pessoas que ao menos compreendessem que o que me faz feliz são outras coisas. Eu não preciso me encaixar, eu preciso ser amada sem ilusões estúpidas, preciso de alguém concretamente ao meu lado que se importe em   me deixar cair no chão... Ou ao menos que não tentr jogar meu coração barranco abaixo toda vez que tento me aproximar (ou que, sei lá, não tivesse medo do meu pai - é esse o problema???).

(Acho que em meio a tantas crises de Despersonalização e Desrealização, fica ainda mais difícil acertar o passo ou ter fé em algo... Será que devo me render ao retorno dos antipsicóticos?... Ou é essa condição que os Cegos do Castelo esperam de mim?  Fica o "dever de casa" pro FDS.)

Até lá, vamos nos falando...


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Pequenos Feminicídios do dia-a-dia

Esse texto-desabafo meu não é novidade - tanto pelos abusos que são vividos ainda todos os dias por milhares de mulheres ao redor do mundo, quanto pela data em que foi escrito: 11 de abril de 2017, mas o ocorrido mesmo tinha sido 7 anos antes. Eu o tinha publicado via pseudônimo, pelos óbvios medo e vergonha que acompanharam esse fim doentio a um casamento que durou quase 12 anos e rendeu 2 filhas. Mais que isso: ao fim do relato ficam ainda mais óbvias as razões que me estimularam a permanecer calada: o Patriarcado ainda existente de forma tão sólida, o que transforna a vida de mulheres como eu (e não só) um mero objeto de negócios na visão e nas mãos de homens brancos (neste caso, meu pai e meu ex-marido) que ainda hoje parecem mais agir como colonizadores.

Segue então o relato. Aviso desde já que pode provocar gatilhos psicológicos (crises de ansiedade, por exemplo) pois relata um abuso sexual com muito mais detalhes do que eu gostaria. Mas atesto a veracidade dos fatos e talvez hoje eu ainda seja capaz de mais detalhes se eu me esforçar...

"Hoje não vim escrever poesias. Porque se tem um tópico que dói e eu não consigo transformar em algo bonito, são as relações violentas.

Eu mesma nunca apanhei, propriamente. Nunca recebi um tapa, nunca ganhei arranhões ou hematomas. E por muitos anos, achei que eu estava a salvo. Mas vivi uma série de outros abusos, todos citados nas cartilhas disseminadas nas redes sociais, aliás. Inclusive o estupro. Estupro dentro de um relacionamento em que confiei minha vida. Em que eu dormia tranquilamente ao lado do inimigo sem saber de seus planos e do que era capaz.


Quando comecei a perceber que aquela relação não me acrescentava nada de bom, só me adoecia, fiquei reclusa por 1 semana. Afinal não era fácil lidar com o fim de uma relação de mais de 10 anos com uma família formada. E eu ficava insegura quando pensava sobre o que esperava por mim dali em diante, depois de todo esse tempo isolada do mundo, fora do mercado de trabalho, afastada dos amigos... Mesmo assim, pesei prós e contras e decidi acabar com aquilo. Ele dizia que não tinha pra onde ir, e pediu pra permanecer na mesma casa que eu por algumas semanas, até encontrar onde ficar. Passei a dormir no quarto das crianças, e nesse tempo, houve meu aniversário de 30 anos, data importantíssima pra mim.


Ele me viu convidando meus amigos na internet pra comemorarmos na Lapa. Com o discurso de "vamos nos separar com um bom relacionamento, em nome das boas lembranças e das nossas crianças...", ele perguntou, quase humildemente, se seria possível ele ir também. Eu disse que era ok, mas que ele não mantivesse a ilusão de que, mais uma vez, eu cederia e reataria.


E lá fomos nós. Só quem compareceu foram os amigos dele. Fui com grana contada pra tomar uns 2 drinks, que mesmo fraquinhos, seriam o suficiente pra me deixar "alegrinha". Em alguns momentos, eu me incomodava porque ele forçava a barra de ficar abraçando, como demarcasse território, ou achando realmente que se eu estivesse bêbada, poderia me "reconquistar".


Eu tinha batido minha cota, quando outras bebidas chegaram sem que eu pedisse. Ele dizia que tinha pedido por mim, e mesmo que eu argumentasse que eu não tinha grana pra pagá-las, ele dizia que era meu "presente de aniversário". Mal sabia eu que seria o pior presente da minha vida.


Na quinta ou sexta dose, eu estabeleci que eu não beberia nada, mesmo que ele insistisse, independente do que chegasse à mesa ou se alguém pagaria por mim. Recordo apenas de nos levantarmos da mesa e enfrentarmos a fila pro caixa pra pagar a conta, mas daí em diante, só lembro de flashes. Lembro de, na fila, ele ficar segurando minha mão e eu me afastando (mas não muito, senão eu sairia da fila de pagamento e eu fazia questão de pagar minha parte). Lembro dele querendo discutir comigo por ciúmes de d'uns amigos que ele mesmo levou. Depois lembro das pessoas se despedindo de mim e eu simplesmente sem conseguir reagir nem responder. Compreender e balbuciar palavras desconexas já era um grande desafio pra mim.


Depois lembro de flashes d'eu ter sido praticamente carregada até o carro de uma amiga (dele). Eles conversavam animadamente nos bancos da frente, enquanto eu, largada no banco de trás, tentava entender o que tava acontecendo. Já bebi muito mais de bebidas muito mais fortes, eu nunca tinha vivido aquilo! A visão um pouco turva, eu não conseguia entender o que me perguntavam, menos ainda elaborar uma resposta e dá-la.


E os flashes, apenas eles, vão prosseguindo, às vezes fora de ordem. Lembro dele segurando meu braço pr'eu não cair da escada de casa. E que quando botei o pé em casa, logo corri pra cama, porque eu REALMENTE precisava dormir. Eu não tava passando mal, mas... Também não tava bem.


Foi quando ele veio pra cima de mim na cama. Eu insisti que eu só queria dormir, que eu não queria nada com ele. Ele não aceitou e seguiu em frente mesmo assim. Quando percebeu minha resistência (ainda que sem forças e sem coordenação motora), ele se aproveitou por ser grande e, com uma mão segurou meus 2 pulsos, e com a outra arrancou minha roupa. Eu tentava chutá-lo pra longe, me debatia, mas meu corpo não respondia a contento. Daí foi a primeira vez que "apaguei".


Daí em diante só lembro mesmo de pequenos flashes. Em um momento eu achei que ele realmente tinha desistido, pensei que ele também estaria bêbado demais e tinha desistido do que queria fazer. Antes fosse!! Ele só tinha ido ao armário buscar o que parecia ser um saco de plástico preto com algumas coisas dentro. Ele ficou procurando algo dentro desse saco, pareceu ter encontrado, e eu não identifiquei que objeto era. Apenas lembro que era cilíndrico, porque foi introduzido no meu canal vaginal. Meu corpo já não obedecia mais minha ordem de sair correndo dali, ou, no mínimo, gritar, me debater, qualquer coisa. Eu era um cadáver de sangue quente naquela cama, apenas. Nesse momento comecei a compreender de que tudo tinha sido planejado. Me embebedar (antes d'eu me dar conta de que eu na verdade fui dopada) e usar todas aquelas "coisinhas" do saco preto em mim, da forma mais vil, sem o mínimo de consideração pelas "boas lembranças e a boa relação pelas crianças". Naquele momento ele passava de "homem que mais confio no mundo", para o "homem mais nojento do mundo". Traiu minha confiança, dentro de casa, mais uma vez. E no dia seguinte - isso me deu ânsia de vômito - ele fingiu, cinicamente, que nada tinha acontecido, chegando a me colocar dúvidas do pouco que eu lembrava.


Mas o corpo grava sinais, e quando percebi, ordenei que ele se mudasse. Em nome da nossa "boa relação com as crianças". E em nome disso, e por causa da vergonha, eu não denunciei. Eu só tinha tido coragem de contar, quase pedindo uma orientação 3 dias depois, aos meus pais. Mas tudo que ouvi deles foram expressões do senso comum, como "c* de bêbado não tem dono mesmo... Quem mandou beber?" e "ele é seu marido! Ele tem direito, ué!". Mais uma vez, em poucos dias de ter completado 30 anos, pessoas que eu mais confiava no mundo me viraram as costas.


Anos depois, hoje consigo falar que sofri ESTUPRO MARITAL, e que eu sofri várias outras vezes quando eu tomava calmantes pra dormir. Da primeira vez que tive coragem de declarar publicamente, ele ficou irritado, porque era implícito que era ele o criminoso - e a maior preocupação dele sempre foi sua imagem pública. Então, com ajuda dos amigos dele, arrecadou provas do que eu teria dito e fez um B.O. contra mim por calúnia. Dei a sorte de pegar um delegado que parecia experiente nessas situações e que, mesmo sendo um homem desconhecido, conseguiu me amparar naquele momento, como meus pais não conseguiram, no momento em que depus. O processo seguiu pra uma audiência de reconciliação, pra onde fui munida de todas as provas do que eu tinha a dizer, independente do abuso que citássemos. Nem precisou: com certeza ele foi muito bem orientado por seus caros advogados de que ele só ia perder muita grana dando continuidade naquilo, então, antes mesmo que eu pudesse abrir a boca, ele pediu pra anular a acusação. Eu ainda saí daquela sala com a "ameaça" da juíza de que se eu repetisse aquilo, eu seria reincidente. Eu nem pensei em nada, eu só queria sair correndo daquela sala só pra não olhar pra cara daquele agressor, ou mesmo ser, mais uma vez, assediada por ele, mesmo ele já estando casado novamente - praticamente desde que nos separamos, aliás.


Vocês acham que o Feminismo é mesmo composto por MIMIMI, não é? Vocês, que assim o dizem, não aguentariam 24 horas na pele de uma mulher. Nem em culturas ainda muito castradoras e misóginas, nem na nossa sociedade "livre e pós-moderna". Os últimos casos que têm pipocado na mídia só reafirmam que nós, mulheres, não vamos mais segurar caladas. Vocês, homens, podem até conseguir nos vencer na força, mas com certeza vão ter que nos ouvir GRITAR!!


Qualquer pequeno abuso que se tenha percebido, dê um corte. Não aceite desculpas. Não deixe passar. Tudo começa com um abuso "só de leve", e a gente vai relevando, e os abusos chegam a essa situação que contei por hoje.


Acolham-se, moças!! Acolham-se!! Só a União pode nos proteger.


ESTUPRO NÃO É SEXO! ESTUPRO É DOMINAÇÃO DE OUTRO SER HUMANO."

domingo, 6 de janeiro de 2019

"Obrigado não"

Certa vez citei, aqui mesmo neste blog, que a "fórmula mágica de D'us" seria a , e que está seria composta de Amor+Vontade.

Amor não falta, eu sei. Mas já a Vontade...

E por que será?

Porque quando a gente já acreditou em mil mudanças e nada muda, as coisas continuam sempre as mesmas, mesmo que a gente tenha bancado a idiota várias vezes, se entregado com a ingenuidade de uma criança... Enfim.

Só sei que eu já to de saco cheio de jogos, gincanas, indiretas, essa cambada de gente, entre bons e péssimos atores, que fica me observando e jogando palavras como se eu devesse fingir que eu não to escutando...

Sei lá do que se trata, sei lá se vale alguma coisa ou não, eu só sei que o saco de cheio já estourou. Se do meu silêncio depende qualquer promessa de ganho, eu quero (com o perdão do termo a quem acompanha o blog há mais tempo) mais é que SE FODA. Eu sempre trabalhei pra conseguir as minhas coisas, tenho plena consciência das minhas dificuldades, só eu sei o porque d'eu ter chegado até aqui, dos meus obstáculos, das feras que enfrentei e venci... Nunca tive medo de trabalho, mesmo tendo as minhas limitações. Não vou  mais ficar me fazendo de maluca pela possibilidade de ganhar algo (aliás, se antes eu o fazia, era porque fui levada a temer pela segurança de outres envolvides ou mesmo a acreditar que eu os estava auxiliando ou auxiliando esta relação de alguma forma - RELAÇÃO??? Mds, que relação se a pessoa nem fala comigo?...).

Enfim, fica aqui a minha declaração de que eu to fora desse negócio porque eu não assinei contrato nenhum pra ter que arcar com as responsabilidades de algo que eu nunca aceitei - em outras palavras: se tem uma coisa que eu não sou é OBRIGADA - aliás, sequer sei com quem estou lidando: será mesmo quem eu penso? Quem estará por trás de cada batalha? Estaria eu lutando pelas pessoas e causas certas?... Difícil permanecer sem saber.

Uma boa vida a todes, porque eu to indo viver a minha!

Au revoir!

Ao meu lado quem queira. Contra mim, quem possa.

Axé-Shalom!




quarta-feira, 28 de novembro de 2018

ATOTÔ!

Atotô! Preciso de silêncio!
Simplesmente pra escutar meu coração.
Seus gritos me ensurdecem e me ferem,
E nem ao menos tanto encontro explicação.
É tanto ódio, mágoa e ressentimento,
E nem ao menos 'cê me dá a solução -
Ao invés disso, bate a porta e planta ventos,
Depois retorna, me exigindo proteção.
E quando eu digo "pare!", não se toca
Apenas pra chamar mais atenção.
Mas de tudo, pense: o que é que dá em troca?
Só Castelos de Tijolos de Sabão.
Já chega! Eu não quero mais mentir,
nem procurar um deus na televisão.
Eu só almejo Paz para seguir
com a Vida; num caminho em contramão
a esse de dores, dramas e perseguição,
Que romantiza transtornos
Brincando com a Morte em vão.

Sinto muito, mas assim não quero não.

sábado, 17 de novembro de 2018

Nem tudo o que você quer é o que você merece II

1996, como já comentei aqui, foi um ano muito intenso pra mim. Foi uma época em que a Espiritualidade parecia querer me despertar através de sonhos, alguns que também já comentei.

Certa vez sonhei que subia no terraço de um prédio muito alto, e logo que saía do elevador, cada pessoa era convidada a sentar numa das várias folhas de vitória-régia que flutuavam em fila na direção de um monge budista. Pra cada um que se aproximava, ele passava uma mensagem de reflexão individual, e eu via todos saírem muito satisfeitos e em paz - eu mal podia esperar pela minha mensagem.

No entanto, quando a minha folha se aproximou do monge, seu rosto sereno se fechou e ele me disse de forma seca : "Você precisa parar de usar as pessoas". Apenas. A minha folha de vitória-régia foi se afastando e ao acordar eu ainda estava em estado de choque. Afinal, o que eu mais via acontecer era pessoas me usarem, e até abusarem. Mesmo assim, guardei a mensagem pro resto da vida, pra manter-me vigilante. Hoje, depois de mais de 20 anos, acho que entendi que a mensagem não era bem pra mim...

Às vezes a gente sisma de querer as coisas do nosso jeito, e nem percebe o quanto tem sangrado dando murros contínuos em ponta de faca. E só hoje também entendo que quando a gente para de lutar contra o Destino, ele finalmente se aproxima, senta ao nosso lado, segura nossas mãos e olha nos nossos olhos, devolvendo a Esperança que um dia se perdeu junto com todo o sangue que perdemos em batalhas sem sentido.

A cura é possível sim. Cicatrizar é possível. Basta a gente parar de se sabotar e olhar ao redor: há vários caminhos que não tínhamos percebido antes, caminhos com menos buracos e pedregulhos... Caminhos plenos que levam à Paz. Mas é só quando estamos em paz, que conseguimos enxergar a esses caminhos.

O mundo às vezes dá voltas tão surpreendentes que chegam até a assustar. Mas é nessas surpresas da Vida, no rompimento dessas velhas estruturas, que percebemos que se não temos agora o que a gente quer, é porque pode haver algo muito melhor à frente...

D'us, de fato, é infinitamente misericordioso - mas apenas para os que também são. Assim como ele também pune com crueldade aquele que praticou a crueldade contra outrem. A sociedade em si pode ainda não ter nenhuma definição consensual sobre ele, mas o fato é que apenas 1 palavra pode defini-lo, ao meu ver, com exatidão: e essa palavra é JUSTO.

Por isso hoje sou grata, porque ele me mostrou a Sua Promessa.

Axé-Shalom!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Coisas que sonhei...

Quando eu tinha 15 anos, os blockbusters eram falados por meses, diferente de hoje e dia - e na época eu estava na onda de ter assistido a "Independence Day", pela paixão por um dos atores so filme que na época eu achava ser "minha alma gêmea", o ator Jeff Goldblum.

Na época sonhei que eu, ele e Will Smith, outro ator do filme, éramos muito amigos e trabalhávamos na Força Aerea Americana. Eles eram apaixonados por mim e eu gostava dos 2, acabava ficando com nenhum. Mas Jeff Goldblum descobria ter uma doença terminal e tinha decidido morrer "com honra": se ejetaria de uma aeronave durante uma missão e cairia em alto-mar, morrendo no impacto. Will Smith e eu tentávamos demove-lo da ideia, mas muito teimoso, ele insistiu. O ajudamos a acobertar a simulação de uma falha técnica e ele teve sucesso. Devastados, Will Smith e eu nos consolávamos nos questionando "por que ele tinha que fazer isso?..." e de repente eu me dava conta de que o meu Destino talvez fosse mesmo ser feliz com ele.

Em 31 de Outubro de 2016, tive outro sonho que me remeteu a esse: dessa vez Jeff Goldblum resolvia se matar enforcado em uma corda. Mais uma vez todos tentaram convencê-lo do contrário pois a doença tinha cura, mas ele insistia, e se despedia de todos confiante e despretensiosamente; aproveitava que estava mais popular ao redor do mundo por causa disso tudo. Fez tour internacional, sempre acompanhado da atual esposa e eu (????); até eu chegava a dar autógrafos. Ao fim do dia da Contagem Final (que seria o fim de um dia 13 de Novembro) estávamos os 3 no jardim dele: ele no meio apreensivo, a atual esposa dele do outro lado do banco de cimento parecendo impaciente (o que me fez me perguntar por um segundo se a impaciência seria por causa da herança) e do lado de cá eu: sentada, preocupada, dolorida, com um estranho sentimento de luto... Mas aceitando que não tinha mais jeito. Esse luto estranho me acompanhou ainda por alguns dias - até que chegou o dia d'eu entrar pra ocupação. E a data ficou marcada porque, ao acordar, meu pai me entregou 2 tíquetes de um sorteio de loja que ocorreria também dia 13 de Novembro. Achei que eu ganharia algo, o que não aconteceu, mas ainda sinto que algo acontecerá: nesse sonho, Jeff Goldblum tinha 73 anos. O inverso da minha idade atual.

Não sei se tudo está escrito... Não sei se somos mesmo nós que alteramos o nosso Destino... Pois somos deuses, não é?

Talvez eu devesse, como no segundo sonho, simplesmente aceitar o luto e seguir em frente.

É assim que a Vida é.
Ou é assim que tem que ser.

Axé-Shalom!

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Lágrimas de uma Guerreira

Que já são chegados os tempos, os mais atentos já puderam confirmar. Tudo tem acontecido ao redor do mundo de forma tão rocambolesca, que se torna muito óbvio ser uma estratégia divina pata a Grande Revelação - afinal, em ano de Xangô, nenhuma máscara fica intacta.

Mas não é fácil. Desde os primeiros momentos do ano tenho presenciado verdadeiras bravatas, psicológicas e energéticas. Gente que acreditei que estaria do meu lado hoje, mas que escolheram um desvio de rota - ou até pior: se aproveitaram do meu descanso para atacar minhas carnes. Sabe como é: a fome no Grande Campo das Batalhas Mundanas é tão grande que perturba facilmente o juízo de guerreire mais imprevidente... Mas sabe como é também: em minha defesa, preciso fazê-les conhecer o sabor da minha Espada. Atravesso-lhes a garganta e sigo sem olhar pra trás: qualquer segundo de desatenção e eles conseguem nos prender pela culpa. Mas hoje sei que não devo mais sentir culpa de desejar o sangue de hipócritas que tentaram roubar minha própria vida. É tempo em que os humilhados serão exaltados, é o momento em que D'us enche a Taça dos Justos como prometido, para que comam em sua mesa. E eu não preciso buscar o sangue de ninguém - é D'us que o traz pra mim. E eu nem faço muito: apenas me comprometo com o Propósito que Ele me entrega nas mãos e me mantenho fiel a Seus Desígnios, sem nenhum tipo de submissão, pelo contrário: quando abro minhas portas pra D'us, ele me transforma em um pedaço dEle. E me torna capaz de ser algo pra além de mim mesma e das banalidades materiais. O impossível se torna REAL.

É um pouco triste também relembrar daqueles que ficaram pelo caminho, pois ainda me corrói a angústia da dúvida de saber se ainda nos encontraremos do outro lado do Paraíso quando o Caos tiver descido da Terra. Aqueles trigos que semeamos pelos campos, vingarão? Será que vai dar tempo de fazer tudo antes que finalmente saia o último e derradeiro trem? Será que terei que aceitar deixar ainda mais gente pra trás nesse Caminho que D'us quer pra mim? Será que não posso fazer mais nada?

Eu sei que tenho que aceitar, mas é duro. Duro, transformador, decisivo e necessário. Às vezes o Plano Espiritual tem um plano pra nós mas, por ignorância e seduzidos pela vaidade, utilizamos nosso livre-arbítrio de forma inconsequente - tendo eu tantas memórias de vidas passadas, inclusive das que fui suicida, tenho plena consciência disso. Eu só queria que as pessoas a quem amo não tivessem que ter seus sonhos triturados pelo Moinho das Ilusões, e só perceberem que não há mais volta quando for tarde demais.

Até porque, não poderei mais voltar atrás pra ajudar. Mesmo que eu quisesse. "Ordens superiores".

"Não precisa morrer pra ver D'us" - basta ser feliz e fazer alguém feliz.

Axé-Shalom!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Depois da Tempestade, a Bonança

Os últimas tempos têm sido gastos por mim na observação da natureza. E nisto tenho tirado também muitas lições pra vida.

Quando uma tempestade está prestes a chegar, as aves percebem isso na mudança dos ventos. Buscam, juntas a seus pares, um abrigo seguro, mas algumas vezes os ventos confusos acabam os separando, deixando alguns pelo caminho, por não saberem lidar com a força desses ventos. Então a lei da sobrevivência faz com que cada um busque se salvar individualmente para quando a tempestade tiver se dissipado. É quando uns começam a procurar pelos outros: alguns sobem nos postos mais altos e começam a cantar forte, olhando pra baixo e em volta enquanto terminam de secar as próprias penas - exatamente como nós humanos fazemos num cenário de pós-guerra, chamando por nossos parentes em meio ao caos. Estes então parecem congelar atentos: parece terem ouvido uma resposta. Gritam mais algo e após a tréplica, vem o final feliz: encontram-se no ar e rodopiam como se celebrassem, partindo em seguida juntos para um local que parece pré-estabelecido.

A Vida às vezes é assim: às vezes ventos fortes tentam nos separar daqueles que amamos, então só nos resta salvar a nós mesmos inicialmente, cuidando das penas para quando isso tudo passar - porque tudo na vida passa. E, como na natureza, chega sempre o final feliz: um chamado, uma conversa, como canto de pássaros, capaz de trazer a tranquilidade e a paz tão necessárias após termos enfrentado a batalha dos Fortes Ventos da Vida, para enfim descansarmos juntos aos nossos, no Ninho Sagrado das Afeições.

Não se desespere! O Arco-Íris é a pintura do caminho a seguir para a Promessa que D'us tem guardado para nós. Ao fim do Arco-íris há mais que potes de ouro - há tesouros aos quais sequer somos capazes de dar nomes aqui na Terra...

Não se preocupe: nada foi, é ou será por acaso.

Axé-Shalom!

terça-feira, 16 de outubro de 2018

As Lições do Tarot de Cada Dia

Cada consulta de Tarot é um aprendizado. Parece que os caminhos certos trazem as pessoas certas, que parecem trazer respostas pra questões pessoais e metafísicas minhas. Mas mais pessoais.

Essa semana tive uma enxurrada de jogos - e uma enxurrada de lições também. Tenho refletido muito sobre cada atendimento, cada conversa... E às vezes o que pode estar sendo um problema pra alguém, pode ser minha solução.

Eu sempre tive problemas com questões de apego - mas o apego afetivo, já que ainda consigo sobreviver ao desapego físico. Meu coração fica ali, agarradinho àquela pessoa, situação ou ideia, mesmo que seja impraticável (e eu já saiba lidar com isso). Acho que tenho que aprender a libertar meu coração - afinal, se ele fica agarrado à uma ideia, não sobra braços pra ideias novas... E se eu já fiz tudo que pude e a ideia continua impraticável, talvez seja hora de me desapegar dela e agarrar essas novas ideias que surgem.

Talvez seja isso, me libertar de fato do passado pra poder receber o que sempre sonhei. Não há mais tempo pra esperar num beco-sem-saída. O relógio costuma ser cruel com mulheres como eu - as que não desejam parar de estudar. Não é deixar de ser exigente, mas ser menos... seletiva. É, acho que é isso. Ampliar o leque de possibilidades. Criar outros fins. Nem tudo precisa ser exatamente como eu quero, né... Nem tudo precisa ser...

To aprendendo? Será que aprendi de vez a sair da minha Zona de Conforto?..

Axé-Shalom!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A Zona de Conforto

É ela que forma uma gaiola em torno de nós que nos afasta de D'us; é o instrumento do Oponente (o Satan bíblico) para nossa autossabotagem. Michael Berg diz que quanto mais distantes da Zona de Conforto, mais perto estaremos de sermos D'us, e assim, também de realizar o impossível.

A minha Zona de Conforto parece ter sido dizer verdades demais. Muitas vezes as coisas saem de mim como que pulassem da boca de uma criança, mas tenho que reconhecer que minha vaidade é querer estar (ou parecer) sempre certa - quando eu mesma não estou certa de nada. Contraditoriamente, esse é o motivo de algumas pessoas se aproximarem de mim. E também o mesmo motivo que afasta essas mesmas pessoas: "Eu a amarei e a temerei... E pelas mesmas razões!", ouvi mais de uma vez, de pessoas diferentes na vida, mas nunca tinha entendido muito bem... Até agora.

Todos nós, de forma inconsciente, elegemos uma forma de chamar a atenção para si: algumes provocam brigas, outres estudam muito, ou ainda se escondem para terem certeza de que serão procurades. Creio que sejamos tomades por uma ou outra força predominante, mas já tentamos chamar atenção de todas essas formas em algum momento. Pois então: creio que minha força predominante, minha maior armadilha, meu tikun a ser corrigido, seja mostrar que sei demais. Sabendo ou não, não preciso me expor tanto. O que explicaria o fato de ter me sentido bem mais serena nos últimos tempos, por justamente ter escolhido um pouquinho mais de descrição. Em silêncio, reflito melhor: "ok, eu sei disso, sei que é assim. Mas vai ajudar algo ou alguém dizer isso agora?" - bom, ao menos tento, né... Acho que tenho conseguido, e essa paz que tenho sentido só prova que estou no caminho certo para exercer o domínio do meu próprio Universo, assim como D'us.

E você? Como trabalha o seu Inimigo (lembre-se que ele é você)? Onde está localizada a sua Zona de Conforto? Até onde está disposte a ser, de fato, D'us?...

Axé-Shalom!