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sábado, 21 de abril de 2018

Expectativas

Expectativas... Pra quê?
Se eu já sei exatamente o que vai acontecer.
Se eu já sei exatamente onde você vai se perder
E eu me aborrecer.
Pra que esperar mudar se tudo vai permanecer
No escuro?
Enquanto mudo, traga e estraga mais um coração.
Mais um escudo
Contra quem mais precisa de proteção.
Absurdo.
Absurdamente na contramão
da Paz,
Enquanto é a ela que eu busco.
Eu quero é mais
da Vida e do sabor de viver,
De não saber
o que vai acontecer
Mas mesmo assim ter fé no novo,
Pois quanto mais me movo
Na direção que almejo
A única certeza que eu desejo
É a de ser feliz com gosto
E a de voltar a amar sem medo
Sem mais me perguntar "por quê?",
Ou "pra quê?".

domingo, 8 de abril de 2018

O Monte Castelo

Mais uma manhã em que acordo junto com o Sol. Tem sido bem frequente eu dormir cedo e acordar idem - creio que seja só mais uma das várias alterações de padrão de sono que tenho vivido nos últimos 3 anos, mas ao menos acordo bem disposta. Aproveito a tranquilidade do silêncio da casa pra colocar a cabeça em ordem: escuto música, faço café, checo redes sociais. Hoje eu estava inspirada a editar fotos - a mais nova/antiga paixão com a qual me reencontrei nos últimos meses. Não há mais nenhum Photoshop como em décadas atrás, muitas vezes nem mesmo computador, apenas muita experiência, criatividade e editores simples de imagem que já vêm no aparelho celular. Enfim.

Eu tava inspirada a mostrar uma das minhas facetas que não mostro há bastante tempo, certamente por defesa (sobre a qual comentei no último texto). Na verdade, mais que faceta, minha verdadeira essência, mesmo que não agradasse aos olhos comuns, tão acostumados com selfies produzidas o suficiente pra mostrar alguém atraente e/ou poderose. Eu não queria ser nenhum dos dois, nem me encaixar em padrões de sex appeal, queria apenas mostrar-me despudoradamente como sou. Uma necessidade de testar-me até me encontrar, talvez. Enfim.

Eu já finalizava uma selfie minha em cores vibrantes como sempre gostei de usar - dessa vez, a palheta contava com fortes tons de pink, porque eu queria falar de Amor, como se ele pudesse saltar aos olhos, transbordar pela boca, fazer o mundo explodir em cor. O Amor não-romântico, o Amor Agape, o Amor universal, sem medo do que o pós-modernismo poderia dizer de mim. Eu queria expressar tudo que sinto desse Amor com o qual nasci e no qual sempre acreditei, mesmo que eu fosse considerada louca por isso. Enfim: eu não conseguia me decidir entre dois filtros pro último acabamento, quando uma mosca insistente começou a me perturbar (sim, moscas conversam comigo desde que me conheço por gente, outro dia explico porquê). Não satisfeita por eu tentar ignorá-la me concentrando no editor do celular, ela começou a dar rasantes em meus ouvidos e olhos. Resolvi obedecer então a voz que me dizia pra ir até a área de serviço dar uma respirada.

Distraída entre reabastecer minha caneca de café e acender um cigarro antes de voltar à edição, um ruído vindo de fora me fez esquecer disso por um momento. Caminhei pela área externa do apartamento e não identifiquei de onde vinha aquele som alto e abafado, no qual Renato Russo se rasgava ao declarar que "é só o Amor que conhece o que é verdade...". A canção ainda estava no início e quando acabou, tomei fôlego e mais um gole de café, aguardando que a próxima na sequência me divertisse tanto quanto. Pois bem, esperei em vão. Assim como aconteceu com todas as outras músicas que têm surgido do nada e do nada desaparecido na minha vida nos últimos... 3 anos - e sempre em horários em que "estou acordade, todes dormem", o que justifica minha falta de testemunhas.

Mas voltei pra dentro reanimada. Finalmente decidi o filtro final da foto e a publiquei com a legenda de "Coríntios 13". Tem gente que acredita em coincidências, eu prefiro acreditar que aquela mosca estava me mandando ir lá pra fora pra entender o "recado": senti, finalmente, que eu estava de volta ao meu Caminho Original, de volta ao meu eixo. Ainda vislumbro uma longa caminhada pela frente, mas pelo menos, eu vislumbro (e faz pouco tempo que nem esse poder me era concedido). E uma vez definido o caminho, me sinto livre pra voltar a acreditar no Amor.

E em mim - porque é dessa matéria chamada Amor que eu sou feita. E porque "sem Amor, eu nada seria...".

Shalom!


segunda-feira, 2 de abril de 2018

A Verdadeira Páscoa da Fênix


Será que dessa vez eu acertei? Será que de todos os feitos e passos, esqueci do mais BÁSICO?

Tenho revisitado Platão, este que sempre me atraiu de alguma forma, ao qual nunca me aprofundei por falta de oportunidade. De alguma forma, eu sempre soube que ele tinha as respostas que eu precisava, mas era difícil ter acesso quando todo o mundo o achava dispensável, inclusive as escolas públicas, num tempo em que a internet era apenas um sonho de ficção científica. Meu pai chegou a parcelar uma Barsa em 36 vezes, na qual eu distraía o tédio na infância, mas nada ali se aprofunda - quem já dependeu de enciclopédia, sabe. Enfim, como no caso da Kabbalah, eu corria atrás de Platão, mas ninguém estava disposto a dar um pouco de filosofia a uma garotinha que, afinal, "nunca vai usar na vida essas coisas inúteis" (isso só confirma que nós, adultos, na verdade não sabemos de NADA).

Pois bem, revisitando Platão, ainda que tardiamente, inclusive sobre esse tema que desde criança sempre também me atraiu (as Almas Gêmeas), finalmente me dei conta do que, afinal, estaria dando tanto errado. É que, veja bem: D'us e o Destino se encarregam de aproximar e preparar as duas essências, feminina e masculina, para que se re-unam, assim como também se encarregam de afastá-las quando essas duas partes precisam se ajustar individualmente. E enquanto não há avanço sequer nesses ajustes, o Destino não se faz de rogado de emperrar sua vida TODINHA até que você pare e entenda o seu Propósito. E eu achando que conhecia o meu Propósito, fui me perdendo dele através de atalhos, além das perdas de outros propósitos paralelos, alguns até já conquistados. Eu estava totalmente distanciada do meu Caminho Original, e por isso me sentia perdida - até que Platão me reencontrou, me apontou o caminho de volta, e tudo voltou a fazer sentido.

Percebi que foi meu coração que sismou de pegar um atalho porque estava machucado demais. Fato é que, desde o nascimento, diversos fatores me fizeram acreditar a não-acreditar no poder da minha Essência Feminina: a imposição da passividade, da submissão, da falta de liberdade, dos pudores; as violências sofridas de todo tipo, a solidão. Quando a Vida te faz só diante de toda essa realidade, há a impressão de não precisarmos de mais ninguém, então projetamos dentro de nós a androginia que Platão cita. E porque D'us, segundo o próprio Platão, dividiu afinal as duas essências, feminina e masculina? Porque nós, enquanto andróginos, quisemos desafiar a D'us. Foi então que, vaidosa como Lúcifer, fui expulsa do Paraíso para levar à humanidade a Luz que eu mesma tinha perdido. Perdi minha Luz quando pensei que eu tinha mais poder sendo, sozinha, meu próprio masculino e feminino. E com meu Sagrado Feminino tão ferido, tão traumatizado, tão ressentido e abusado ao longo da vida, meu inconsciente passou a tentar se expressar apenas pelo Masculino - e quando uma mulher cis-hétero se esforça, ainda que não saiba, a só expressar seu lado masculino, "forte", empreendedor e combativo, negando a própria feminilidade, toda a sorte de desequilíbrios (inclusive físicos) começa a nos tirar do eixo.

Dizem que as bênção de D'us não têm como nos alcançar se fingirmos ser outra pessoa. É como se o "carteiro" que as entregasse não reconhecesse o endereço. Pois bem, se dentro da unicidade em que D'us criou a todos nós, ele me designou a ser a Sua Expressão Feminina na Terra, fugir desta mesma energia seria fugir da bênção de exercer minha própria essência - e portanto, do meu Propósito, a expressão de D'us que há em mim. Tudo finalmente fez sentido nesses últimos dias, entre meus rituais para a Lua Cheia e as palestras de filosofia às quais decidi me dedicar enquanto minha vida "não anda pra frente" (ando explorando o canal da Nova Acrópole no Youtube, mas não apenas - recomendo este canal a qualquer ser humano, místico ou não).

O contato recente com a minha essência de Bruxa só pode ter essa função: a de me lembrar que sutileza também é força, que gestar também é ação criativa, que meu corpo é belo pois foi marcado, entre outras coisas, pela gestação, nascimento e alimentação de outras vidas que espalhei pela Terra - e não pelos músculos que criei tentando me defender da humanidade (apesar desta própria humanidade admirar mais esses músculos). Revidar as violências que sofri e as que o Mundo ainda nos impõe é que é a grande ilusão. E uma vez desgarrada das ilusões que encobrem nossa visão com tantos véus, finalmente me sinto de volta pra fora da Matrix!

Olho pro mundo e consigo voltar a enxergar a D'us em Tudo, D'us em mim, Tudo em D'us, Eu em Tudo, tudo uma coisa só, exatamente como no sonho em que D'us me apareceu na Praia Vermelha - a Divindade não é alguém à parte, lá no Céu, nos julgando: a Divindade está em tudo, ama a tudo, É tudo. A Divindade SOU EU, mas apenas porque aceito e recebo a Divindade de tudo aquilo que compartilha esta jornada comigo aqui, neste planeta.

Sou mulher, aceito e recebo a Divindade que EU SOU. Mas só sou Divindade porque reconheço e amo a Divindade que VOCÊ É.

"A César o que é de César e a D'us o que é de D'us" - cada chakra tem sua função, e a função de todos eles juntos é, através de nós, unir Céu e Terra. Equilibrá-los seria alimentar a cada um deles conforme sua necessidade - nem tanto ao Céu e nem tanto à Terra, pois o Propósito vive bem no centro de tudo isso. O Propósito é que é D'us.

Shalom!
Namastê!



O louvor à Durga, a Grande Mãe Invencível.

terça-feira, 27 de março de 2018

O longo caminho do Louco ao Mago

Entusiasmo é o que não falta. Não há mais medo de andar sobre o precipício... Mas pra onde esse precipício me leva?

Os caminhos são muitos, as opções são muitas. Muitas decisões a tomar, sobre tudo na vida... Parece que to nascendo de novo! Mas é natural essa sensação, já que toda a estrutura foi ao chão, agora tenho que reconstruir... Natural que eu não saiba por onde começar.

Mas eu tenho pressa, tenho gana. Não quero mais esperar. Nem penso tanto em resultados, mas em dedicação. Entendo racionalmente que o Universo tá pedindo pra eu sossegar, mergulhar nos meus estudos esotéricos... A Alma também clama por atenção e confesso que eu a tinha deixado meio de lado. Mas há um fogo no meu peito querendo realizar algo na vida prática, ao mesmo tempo em que a Vida fica sempre me pedindo um pouco mais de calma...

Dizem que, na dúvida de um caminho a seguir, melhor sentar numa pedra e relaxar. Que as respostas certas chegam na hora certa. O problema é que relaxar é uma coisa que eu não sei... Isso só prova que vontade (com maiúscula ou minúscula) não é tudo, é preciso um direcionamento. Mas um direcionamento consciente e estruturado. Talvez eu devesse me concentrar em aprender isso (ou talvez o Louco quisesse me dizer exatamente isso). Até porque há um conflito abismal entre querer movimento e paz ao mesmo tempo - talvez eu apenas deseje o movimento por fora e a paz por dentro, enquanto o que acontece atualmente é o inverso: uma paz aparente enquanto a Alma inflama e não pára quieta.

Mas, vamos lá. A Vida t'aí pra ensinar mesmo... E eu to aqui pra aprender... Mas que eu aprenda logo porque, com Marte saracoteando na minha Casa 1, eu quero é sair pra saracotear também. Só não sei ainda em que Casa do meu Mapa.

Enquanto isso, "eu finjo ter paciência"...



domingo, 18 de março de 2018

Astronautas de Alma

Às vezes me bate uma saudade imensa de mergulhar nesses seus olhos da cor do manto da noite, de um negro tão profundo que eu podia até enxergar estrelas que me atraíam pra dentro deles. E uma vez lá dentro, era capaz de me perder diante de tanto fascínio em me sentir astronauta desse ser que descobri ser você aí por dentro.

Hoje é nosso desaniversário: 4 meses de distância desses Olhos de Céu de Fevereiro. Ou da sua doce voz de canção de lullaby. Ou do seu sorriso torto, meio sem jeito, que deixava escapar quando eu percebia que você estava me observando por um vão qualquer, em meio a qualquer caos. Saudade da segurança de que seu olhar sempre me acompanhava: fosse tímido ou abobalhado, era como se fosse um manto com o qual você tentava me proteger até da sua própria insensatez. Era seguro, mas passou a me tirar a paz, pois eu não sabia o que significava - talvez nem você. Hoje estou bem, entre os altos e baixos da Vida, com a paz recuperada. Mas vez ou outra a Lua mexe tanto comigo que resolvo deitar para admirá-la soberana, naquele velho terraço onde nossa história amanheceu com o Sol, observando as estrelas se multiplicarem conforme meu olhar se acostuma. Hoje, Lua Nova em Peixes, não deu pra evitar a lembrança enquanto eu reconhecia algumas das estrelas que contamos juntos daqui. Nem a lembrança da sensação de ser Astronauta dos Teus Olhos. Era bom sim, foi bom... Só ficou complicado demais.

Não sei ao certo por onde você tem andado, só espero que ande tão bem quanto consigo estar agora. Mesmo que eu tenha a plena certeza de que essa saudade quase visceral, vez ou outra, não aperta apenas o meu peito... Nós dois sabemos disso, né? Por isso estamos aqui.

Houve dores sim. Trocas de farpas. Guerra Fria no território do Amor - o pior pecado de todos. Mas tenho tentado não guardar ressentimentos de nada nem ninguém neste meu momento da Vida. Sei que nós dois fizemos o que podíamos diante das circunstâncias, dos nossos medos, dos nossos traumas. E sigo em paz também consciente de que dei o melhor de mim conforme me foi possível - é que, se numa relação a dois apenas um se dá, nunca será suficiente. Nunca foi. Eu, pelo menos, não espero mais ser suficiente sozinha pra nós dois. E isso também alimenta a paz que me faz seguir em frente.

Sabe D'us se um dia a gente se esbarra novamente por aí... E se, numa dessas vezes, eu terei coragem de encarar novamente esses dois portais interdimensionais que você carrega no olhar: agora que me encontrei, confesso que ainda receio me perder, mais uma vez, da minha segura estação espacial.

Enquanto isso, só espero que você fique bem, tá? 
Porque eu to indo.
Eu amo você.
Mas eu sei que às vezes o Amor é isso.

"Dispiei, fé.


quinta-feira, 15 de março de 2018

"Esú" - Baco Exu do Blues

"Sinto que os deuses têm medo de mim
(Medo de mim)
Metade homem, metade deus e os dois
Sentem medo de mim

Sinto que o mundo tem medo de mim
(Medo de mim)
Metade homem metade deus e os dois
Sentem medo de mim

Componho pra não me decompor
Poeta maldito perito na arte de Arthur Rimbaud
Garçom, traz outra dose, por favor
Que eu tô
Entre o Machado de Assis e de Xangô
Soneto de boêmia poesia melancolia
Eu sou do tempo onde poetas ainda faziam poesia
Saravá!
O canto de Ossanha vem me matando
E quem canta os males espanta
Não tá mais adiantando
Aqui
Se escuta o batuque do trovão
Thor e seu martelo, Jorge e o seu dragão
Ciranda no céu, rave de tambor
Os deuses queriam chorar por amor

Sinto que os deuses têm medo de mim
(Medo de mim)
Metade homem metade deus e os dois
Sentem medo de mim

Sinto que o mundo tem medo de mim
(Medo de mim)
Metade homem metade deus e os dois
Sentem medo de mim

Medo de mim
Os deuses são
Poetas vadios
Cochilam na ilha da linha do traço sua caneta no cio
Tem um toque macio
Se encurvam na estrutura da cura do abraço
Já eu sou poesia tabaco e vinho
Dionísio e Baco sozinho
No mesmo espaço
Hórus fora do ninho
Abro o seu caminho
Eu sou o canto do mundo
E nesse canto do mundo eu me refaço
Dance com as musas entre os bosques e vinhedas
Nesse sertão veredas e sentir é um mar profundo
Nele me afundo até o fundo
Insatisfeito com o tamanho do mundo
Por isso o papel ficou pequeno
Escrevo em paredes
Em corpos na plebe
Na pele na linha tênue da epiderme
Da alma calma das linhas curvas das coxas de Vênus
Ao menos meu destino não está em um astro, casto
basta, basto
Astrólogos, diálogos diversos
Imerso no teor complexo
Que nos consome
A dor some ao ver que os deuses têm inveja dos homens
O mundo é fruto da nossa imaginação
Será que somos deuses ou sua criação?"


(Bonus Track)

domingo, 25 de fevereiro de 2018

"Todo fim é um recomeço"

Acordei sob o impacto dessa frase. Não lembro quase nada desse sonho na verdade... Parecia haver labirintos que as pessoas percorriam um após outro; mal saíam, entravam de novo. Eu já estava cansada e me perguntava se eu queria entrar mais uma vez, e porque as pessoas voltavam a entrar. Até que alguém me parava tranquilamente, olhava-me nos olhos e dizia: "todo fim é um recomeço". Foi então que acordei.

Todos os horóscopos - que leio por distração, mas que às vezes acertam - me indicaram um dia instável, incomum, talvez com algum evento forte. Mas que não fosse pra eu temer pois tudo ficaria melhor que antes da "crise". Espero ter saúde, apenas. Mas talvez eu deva reconhecer que meus adoecimentos tenham se dado pelo fato de não querer encarar as crises de frente. Tenho coragens absurdas pra muitas coisas, pessoas dizem me admirar por isso... Porém, tudo em relação ao amor me acovarda. Sou como aqueles vira-latas que saem correndo vorazes atrás das rodas dos carros, mas não sabem o que fazer quando os carros param. Por isso tendo a escolher os casos mais difíceis, querendo me convencer de que "amor é sacrifício", quando na verdade, bem lá no fundo, morro de vontade de que não dê certo. Porque, se der certo, o que vou fazer com isso? Como se ama alguém? Cadê o manual de instruções? Sem as coordenadas corretas eu entro em pânico, não saio do lugar - ou pior: saio correndo na direção contrária. Ou prefiro ainda me envolver com pessoas que não significam nada pra mim, porque assim não fico tremendo de medo de fazer alguma coisa errada e perder aquela pessoa. Porque eu to SEMPRE fazendo alguma coisa errada. Pelo menos é o que me parece. E de medo, acabo nem tentando nada. Aí se torna "tarde demais".

Talvez o fim desse ciclo tenha sido pra me mostrar o que eu preciso aprender antes de voltar a entrar num labirinto. Me mostrar porque estou tão exausta, ou mesmo se quero voltar aos labirintos, de fato. Toda noite, inclusive, pareço percorrer um quase sem fôlego - tenho acordado moída, demoro a conseguir levantar da cama, mas nunca lembro direito o que sonhei.

Estou querendo um recomeço mais tranquilo, numa estrada em linha reta, sabe? Sem distrações, mas também sem pressa. Vai que a gente dá com a cara na parede de novo!

Uma estrada novinha, em linha reta, direta e sem atalhos ou grandes acidentes, me faria um grande bem neste momento... Talvez me ajude a recuperar um pouco das asas quebradas e dos tornozelos torcidos procurando saídas.

Uma estrada tranquila e em linha reta - mas... Em que direção?

Que D'us me ajude!



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A balada do Louco

Depois de tantos anos de estudos e leituras pessoais pra praticar, a gente acaba percebendo certos padrões de comportamento em nós mesmos através de cartas de Tarot que se mostram repetidamente. Exemplo disso é a A Torre que se manteve muito presente enquanto eu tentava desesperadamente reconstruir minha vida nas mesmas formas de antes - e eu demorei a entender o recado que esta carta trazia, talvez presa a meus próprios sentimentos de perda e, por isso mesmo, falta de lucidez. Eu estava zonza de dor e assim, desorientada, tentava reconstruir tudo da maneira que era antes. Devo ter aprendido algo enfim, pois a Torre deu lugar a outro arcano em sua presença constante em meus últimos jogos pessoais: O Louco.

Essa costumava ser uma das cartas que mais me "irritavam" pois sua interpretação é mais complexa, impossível de se resumir em uma palavra-chave - base do meu processo de interpretação de cada carta do tarot. O Louco é daquelas cartas que eu olhava, examinava, contemplava... E não sabia bem do que ela estava falando. Se o arcano menor que o acompanhasse não fosse mais objetivo, ficava numa sinuca-de-bico dependendo de todo o resto do jogo, sempre com aquela pontinha de insegurança no meu coração ao interpretá-lo, o que me fazia refletir por dias, fosse o jogo pra mim mesma ou pra algumx consulente.

Em sua imagem, o Louco traz uma sacolinha nas costas e ruma pra algum lugar - nunca se sabe se ele está indo ou chegando, mas é fácil perceber que ele vislumbra muitas possibilidades à frente. Um cão pula-lhe nas pernas, não se sabe se pra fazer festa ou atacá-lo, se pra expulsá-lo dali ou pra impedi-lo de seguir viagem. Mas o Louco pouco se importa com este cão: ele segue adiante, com o horizonte no olhar mesmo que ainda tenha o precipício sob os pés. Há tantas terras, pessoas, cenários, coisas pra ver e fazer, universos inteiros pra conhecer... Tudo ali, ao alcance dos sonhos, não importa mais se o pé vai doer.

Acho que só agora entendi de verdade o grande e verdadeiro significado desta carta, porque percebo para quê exatamente o Tarot queria me abrir os olhos: para as possibilidades que a Vida tem trazido, as novidades, os pequenos sortilégios do Destino, o suficiente pra voltar a trazer o horizonte aos olhos e essa vontade louca de me jogar no precipício mais uma vez. Apesar de tudo ter acontecido nos últimos tempos de forma muito conturbada, ainda assim trouxe o benefício de me fazer evitar pensar nas velhas estruturas e me desagarrar emocionalmente delas, construindo novas pontes pra futuros bons. Porque, por mais que eu não quisesse, é inevitável: nada mais será como antes, por mais que eu tente lutar contra. A diferença é que dei as costas à velha Torre em ruínas e voltei a encontrar a coragem do Louco do Tarot, a encontrar o horizonte nos olhos, as borboletas no coração, sem mais o medo de seguir com o precipício sob os pés.

Bjas de Lux!
(Porque hoje estou com humor surpreendentemente muito bom. ^_^)



Sou apaixonada por Mutantes e todas as versões possíveis dessa música (inclusive a versão de Ney Matogrosso que usei em "Dizem que sou Louco... (A Gênese)"), mas quem conhece a história de Arnaldo Batista - o Lóki - sabe como esse vídeo é significativo. Conheçam essa cinebiografia!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A Esperança

A Vida é boa. A Vida pode ser surpreendentemente boa.

Depois de tantas quedas, tantas perdas, tantas coisas que eu percebi que foram ficando pelo caminho ainda que eu as quisesse agarrar, eu já estava um tanto sem esperanças. Tantos sonhos, tanto investimento de tempo e energia aparentemente em vão, tantas frustrações em forçar os mesmos caminhos... Eis aí o problema: FORÇAR os MESMOS caminhos. A mesma forma velha de fazer as coisas, de perceber o mundo, de fazer a própria Vida acontecer. Se a Velha Estrutura estava ruindo bem diante dos meus olhos, porque é que eu ainda insistia em reconstruir a mesma Torre?

Lembro da primeira vez que toquei num baralho de tarot na minha vida. Eu tinha 14 anos e fugia das aulas do que hoje chamam de Ensino Médio para me esconder, com minhas amigas, na própria biblioteca da escola. Sempre achei bibliotecas fascinantes - certamente pelo meu fascínio pelas letras já desde muito nova, o que obrigou minha mãe a me alfabetizar em casa, antes mesmo da pré-escola - e aquela biblioteca em particular, naquela construção histórica que ainda se mantém em meio às modernas construções de Vila Isabel, parecia abrigar algo ainda mais mágico. Não por acaso o bibliotecário que nos assistia em nossas tardes era assim, meio "mago": foi ele que começou a trazer assuntos místicos às nossas conversas naquele lugar que ninguém mais da escola explorava. Aproveitávamos então a liberdade da biblioteca vazia para conversar animadamente sobre os mais bizarros livros que encontrávamos no fundo das prateleiras.

Nosso interesse pelo místico sempre foi muito grande, mas não tínhamos base para nos aprofundarmos. André, o nosso amigo bibliotecário, então começou a nos contar coisas sobre "a terra, a água e o ar" de forma fascinante. Tanto que uma das minhas amigas se empolgou em trazer de casa seu baralho de Marselha, já que ele tinha prometido nos ensinar a jogar.

Ele nos fez, uma a uma, tirar uma carta do baralho, e com esta falar um pouco sobre nós e o nosso futuro. Foi quando toquei pela primeira vez num baralho como aquele, totalmente fascinada e tremendo por dentro, já que eu não fazia ideia do que ele iria "ler" sobre mim naquele momento - como se todo o meu destino dependesse daquilo.

E foi então que eu retirei A Estrela. Nem deu muito tempo d'eu admirar aquela belíssima ilustração na minha cor favorita na época (azul), ele desandou a falar sobre a carta e, mais do que tudo, sobre o futuro brilhante que eu teria quando fosse adulta. Isso por si só já marcaria qualquer adolescente sonhadora (assim como também indicava a carta), mas a mim marcou ainda mais, pois era um alento em meio a uma vida já tão cheia de depressão, transtornos mentais (os meus começaram a dar o "ar da graça" nessa época), conflitos verbais e físicos e certa negligência. Me confortava saber que um dia eu poderia viver algo diferente daquilo tudo que tanto me angustiava. Era, realmente, mais do que uma carta: A Estrela me trazia luz em meio a um tanto de escuridão.

Anos depois descobri que a soma da minha data de nascimento dá 17 - exatamente o número que identifica este arcano. "Maktub", talvez seria isso mesmo.

Anos se passaram, muita coisa aconteceu, e nada mudou assim, de forma mágica. Mesmo assim, a esperança e a , as palavras-chave desta carta, me acompanharam e me fortaleceram até aqui. Sou grata aos Céus por isso. De qualquer forma, hoje sou eu quem tenta levar um pouco dessa luz a outras pessoas angustiadas, que têm me dado muito mais do que peço, não só materialmente mas, principalmente, emocionalmente: o mais lindo e importante que tenho ganhado dessas pessoas, além do carinho e respeito, é a conexão de almas empáticas, que encontram algum alívio na habilidade que lapidei nos últimos 23 anos - e isso não tem preço.

Mesmo assim, custei muito a "ser taróloga" - ou me assumir profissionalmente como tal. E pra além da tarefa espiritual, busco assumir esse compromisso com seriedade e responsabilidade em cada palavra proferida, mesmo que o que eu veja no jogo não seja tão bom assim. É o respeito por outra alma que se preocupa, já que eu mesma busquei e busco tantas vezes o tarot quando eu mesma estou preocupada. E isso também parece não ter preço.

A paz que isso tudo me dá hoje, com certeza, não há valor nenhum que pague. E sou grata à Espiritualidade por me dar essa oportunidade de evoluir.

Paz é o que desejo, hoje e sempre. A mim mesma e a todos os que me buscam. Tanto nas mesas de tarot quanto aqui.

Ia'Orana!


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Peito de aço e Coração de Sabiá

Dei-me conta de que, por amar demais, estou sempre sendo forte por 2. Mas quando olho em volta, parece nunca haver alguém que me ame o suficiente pra ser forte por mim também.

Já nasci com esta carga; talvez tenha aprendido a ser forte por 2 por questão de sobrevivência. De qualquer maneira, talvez eu tenha levado esse fardo longe demais... E certamente, não havia necessidade: estive sempre dando o melhor de mim enquanto permaneço de mãos vazias - às vezes até com feridas abertas, por terem me jogado pedras. Estou sempre me esforçando a dar passos à frente mesmo quando a dor e o desprezo me puxam pra trás. E o que tenho recebido, enfim?

Sinto como se tivesse corrido a São Silvestre carregando o planeta nas costas - parei, me isolei pra tomar ar e perceber. E quero voltar a correr mas... Será que ainda me resta algum resquício de força?

Estou serena, na verdade. Lutando pra ainda manter esse resto de serenidade. E é por tentar manter essa paz que preciso não ser mais forte por outrem, seja quem for - reunirei essas forças por mim mesma a partir de agora.

Preciso, enfim, me firmar nessa decisão - mais do que amor-próprio, se tornou também questão de sobrevivência (ou talvez meu coração, tão fraco agora pelos golpes da Vida e dos hormônios, possa não aguentar e sucumbir de vez - é a sensação que a fraqueza tem me dado).

Seguirei ao menos amando aos que se propõe a serem fortes comigo. Porque o Amor ainda é parte de mim e é o que ainda alimenta minha Alma.

Que D'us me ajude!

Ia'Orana!