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sábado, 4 de março de 2017

Quando o Segundo Sol chegar...

"Para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive."
(Fernando Pessoa)


http://essaminhaconversao.blogspot.com

domingo, 16 de outubro de 2016

C'est la vie, c'est fini

São 19:11 de um domingo quente e entediante, na entressafra inverno/primavera. Cupins alados perturbam a concentração - um tanto difusa, obviamente, já que não consigo me concentrar em apenas uma leitura por vez; menos ainda na internet. A luz do escritório parece ter vida própria e eu tento fingir indiferença quando ela me surpreende apagando e acendendo sozinha. Deve ser um mau-contato simples, mas a coluna dói e tudo que consigo fazer é apenas olhar um pouco frustrada para o alto na tentativa de identificar o tal defeito de longe.

Pages vão, pages vem, todas desfilando pelo scroll do mouse. Ainda distraída, me deparo com o clipe daquela música do Rubel - aquela que me apareceu recentemente embalando aquela saudade maldita que eu estava de você há algumas semanas, antes de minha total decepção. A música é linda e tals, não há quem não concorde. Mas eu já nem mais a queria ouvir, só de lembrar q ela me lembraria você. Mesmo diante da surpresa (ou por causa dela), não resisti e com um clique, a música ressoou pelo pequeno ambiente, parecendo contaminar e se gravar em todas as paredes da casa que você nunca visitou.

É fácil até pra mim mesma reconhecer o quanto essa canção muda até meu olhar sobre as coisas. Pelo menos não me angustio mais, porque a saudade, infelizmente, virou indiferença - mas só depois de uma boa fase de raiva descontrolada, daquelas q inspiram ideias de vingança duramente cruéis. Apesar de não serem do meu feitio, sou humana e sinto, também, uma vontade quase irrefreável de socar a sua cara, mesmo quando te puxo pela mão para um canto para conversar, como quem conversa pacientemente com uma criança de 5 anos, pra esclarecer nossas diferenças e as suas atitudes que me irritam. Pareço até uma pessoa equilibrada quando faço isso, né... E da última que você aprontou, não tive nem mesmo a oportunidade de lhe puxar pela mão, para um canto, e conversar com a voz serena, ainda que meus olhos pudessem liberar raios coléricos.

E isso quase me matou.
Mas não matou não, não se preocupe.

Aliás, nada disso ainda me matou nesses últimos anos, desde que te conheci. Nem matará - hoje eu sei. E mais uma vez, tirei uma lição: quem está comigo agora é porque quer, realmente. Porque contratempos acontecem sempre, mas a gente dá ainda mais força a eles quando não tá lá também tão a fim... E se a saudade dói em mim e não em você, é porque a falta que sinto é na verdade da pessoa que você foi, da relação que a gente teve, do carinho que você me deu e me tinha. A gente muda, né?... Não devia ser surpresa que você mudaria. Então eu decidi também mudar e querer ficar com quem quer ficar comigo. E pra quem não quer... Oxe! Liberdade! Liberdade pra todo mundo, pra você, e pra mim, que não sentirei mais essa necessidade de me preocupar com as suas necessidades: fica todo mundo feliz assim.

Claro, dizer que não sinto mais saudade, não sou capaz. Dizer que não amo mais, tanto menos... Até porque, se fosse verdade, não estaria eu aqui, escrevendo ao som de Rubel uma carta pra você, que provavelmente nunca lerá.

Pessoas vem e vão, entram e saem da nossa vida. Achei que com a gente ia ser diferente, mas to aprendendo que as coisas são assim mesmo... Só não entendo ainda porque, mesmo depois de tudo, seu espectro ainda reside aqui neste ar que respiro. Neste escritório solitário, me acompanhando na xícara de café. Nessas paredes dessa casa que você nunca visitou.

E, certamente, nunca visitará.

Shalom!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O que você quer saber de verdade

As mais belas palavras do mundo se extraem da tristeza.

Um bocado de tristeza não é requerido apenas pra fazer samba, como disse um dia o poetinha Vinicius de Moraes. A Língua Portuguesa se veste de gala pra exprimir a dor - talvez eu não devesse ter lido tanto Fernando Pessoa e Florbela Espanca.

A plenitude não combina com a bela escrita. A plenitude faz a inspiração do escritor escoar.

E nos últimos dias, não consigo ficar triste nem com a falta de inspiração.

A felicidade de aceitar a própria loucura me torna sã. Talvez eu demore ainda mais um tempo pra me adaptar e evoluir a ponto de extrair o melhor da escrita, mesmo enxergando pelos óculos cor-de-rosa da serenidade do ser.

"Mais louco é quem me diz..."

Será esse o encerramento, depois de 8 anos, da "Balada do Louco"?

"... Mas não é feliz..."

A vida é feita de ciclos, e pra um deles se abrir, é necessário fechar outro.

"... Eu sou feliz!!"

Shalom!
Namastê!



(...)


domingo, 27 de março de 2016

Spot

Nem lembro quanto tempo faz que te pedi que te afastasses - mas a lembrança desse dia, em que quase choramos juntos, ainda é muito viva dentro de mim, ainda que eu tenha me recuperado plenamente. Afinal, era difícil imaginarmo-nos sem as ligações diárias, as confissões e aconselhamentos, a diversão nos momentos de Velha Infância. Mas pra mim também era difícil te ver e não te querer, ou enxergar a agonia enquanto esfregavas nervosamente a cabeça, em crise. Se perguntasses tu, de novo, se era assim que eu seria feliz, hoje eu diria a verdade que menti pensando no melhor pra nós dois: não, não seria e não fui por um bom tempo. Mas podes dizer que sobrevivi e te ver bem também me ajudou a me recuperar.

Depois disso, o destino pareceu também me obedecer e nos encontramos em raras vezes numa infinidade de desencontros. E eu aceito tudo o que vier do Universo, só não consigo evitar de adoecer sem ter a ti pra andar do meu lado. Psicossomática, alguns diriam. Eu particularmente acho que foi algum pedaço de mim que deixei em ti e está fazendo falta. Será que também sentes a falta do pedaço teu que deixaste em mim?

Querido amigo, que hoje segue apenas como lembrança: ainda poderia eu contar com teu afeto e presença? Com as risadas e o entusiasmo que sempre me provocaste? Mais: me permitiria tu reencontrar teu equilíbrio?

Fica a mensagem covarde da tua escudeira que não sabe voltar atrás.

"Porque ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais..."

Minha alma (ainda) ama a sua.

Shalom!
Namastê!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Somewhere only we know

Era cansaço - meus olhos quase se fechavam antes mesmo que eu tivesse chegado à cama.

Já recostada na cama, o celular, ali ao lado, dá sinal de que havia chegado uma mensagem de texto. Tentando alcançar o aparelho, em muxoxo e com braços cambaleantes, finalmente li o recado enviado.

Não havia assinatura, mas eu bem sabia de quem era. Nada muito "relevante"; apenas algumas palavras que me deixaram feliz: "Eu sabia que voltaríamos a trabalhar juntos. Estou muito feliz. Está marcado para entre 10 e 11 horas.".

Satisfeita, na penumbra da sala, descansei finalmente minha cabeça sobre o travesseiro, e meus olhos, aos poucos se fechavam levemente...

Da "outra dimensão", vim direto para esta. Meus olhos imediatamente acordaram observando o sol suave que entrava pela janela neste feriado nublado.

Olhei para o relógio. Eram 7:30 da manhã. Por que eu acordava tão cedo??? Talvez a questão nem fosse realmente essa, mas sim o porquê daquela sensação de plenitude pelo sonho que eu acabara de ter. Quem era você? Que novo projeto seria esse? Será que aquele pessoal que me "sequestrou" meses atrás, me liberou finalmente??

Quem vai saber? - sei que eu saberei, um dia, num dia e momento certo, numa catarse repentina. Até lá, adiantará ficar me questionando?

Guardo então apenas a alegria do novo encontro, do novo projeto, do novo entusiasmo e a felicidade genuína que isso tudo me trouxe, mesmo depois de desperta.

Porque nada é por acaso.

Namastê!


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Eu sou

Vocês já se deram conta que, se o Universo está  em expansão, e nós fazemos parte deste, nós também estamos em expansão?

Nós, talvez sejamos nada além de pura poeira de estrelas e vácuo. Um punhado disso. Uma crescente amoeba de poeira de estrelas e vácuo pairando no absoluto não-existir.

Como foi que os cientistas descobriram que havia um não-existir?? Pelo simples fato do Universo estar em expansão e existir?? Porque a vida é feita de dualidades??

QUEM FOI QUE DISSE QUE EXISTE UM DEUS E UM DIABO????
Se na mais intrínseca Chama da Vida sabemos apenas que existimos. Nao há o não-existir, simplesmente porque nao há como não existir! Existimos. Somos. Apenas.

Não há batalha do bem e do mal porque eles simplesmente são apenas Um.

Não há feminino ou masculino porque são tão somente apenas Um.

Nao há cedo ou tarde, apenas o Agora. Não há sim ou não - tampouco espaço pr'um talvez; não há eu ou você, apenas nós.

Nao há espaço nem ao menos pro ódio ou paixão. Porque tudo somente É Amor.

Sim, não passamos de um punhado de poeira de estrelas e vácuo em expansão.
Poeira de estrelas, vácuo e Amor.

Shalom!
Namastê!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Meu Lugar


Eu posso reclamar de ser vizinha de uma quadra de escola de samba, d'uma igreja batista e de uma casa de festas (e delas estarem, muitas vezes, ativas ao mesmo tempo). Posso reclamar da estufa que vira minha casa quando o sol tá "trincando mulêras". Posso reclamar da bagunça que os gatos da minha avó fazem na minha porta, ou ainda das reformas que ainda não fiz. Mas sou grata por ter um teto próprio e não ter que pagar aluguel. Por poder deixar as roupas pra dobrar depois - esse que nunca chega. Posso deixar a louça por lavar até estar insuportavelmente cheia; e, mais que tudo: saber que, depois de um dia difícil (física, emocional, mental e/ou espiritual) tenho minha caminha macia me esperando (ainda que algumas molas já queiram ser notadas), meus mil travesseiros com os quais monto castelos ergonômicos que vão deixar minha coluna encaixadinha; meu café com leite e meu cantinho de acender velas, e principalmente, a tomada marota do lado da cama pra alimentar a luminária sobre minhas leituras e pra manter o celular carregando.


Reclamar a gente reclama, porque humano é bicho que gosta disso. E eu não escapo à sina. Mas hoje eu só queria ser grata, ou pelo menos perpetuar esse sentimento de gratidão que tenho nesse momento. Esse é o MEU MUNDINHO e, foda-se quem quiser botar defeito (além de mim). É meu canto e ninguém pode tirá-lo de mim - porque, ainda que tentem, ele é mais que um espaço físico: ele é a materialização do que sou.


E eu amo o que sou!


Shalom!
Namastê!

domingo, 29 de novembro de 2015

Fênix

Como as bruxas na Inquisição sobreviveram às torturas, meu coração segue firme. As reflexões da maturidade têm me feito cada vez mais forte, mas só uma coisa ainda me marca: a inspiração que fui pra você.

Mais feliz do que nunca, redescubro a divindade em mim - e só pude chegar até aqui por sua causa.

Basta fechar os olhos e respirar fundo para sentir o cheiro de nossos suores misturados, enquanto seguimos o som de nossa valsa interna em êxtase. Basta fechar os olhos e um filme passa à minha frente, sobre a época em que mais vivo, porque sua luz me guia.

Me faz ainda renascer, porque só você, nesse mundo, pode me soprar de volta a vida.


Meu guerreiro-menino: pra onde foi o seu sorriso de espremer os olhos? Vem: quero devolver o equilíbrio que roubei de você! Me puxa mais forte pra não me deixar ir; me aperta ligeiro pra tocar seu coração no meu!


Vem, Pedaço de Mim, e encaixa seu corpo no meu, como um quebra-cabeças. Saúdo sua boca, por onde me devolve as forças. Deixe-me curar suas feridas. Você sabe que sempre estive aqui. Me deixe salvar-lhe da própria amargura. Conto-lhe a mágica que aprendi no caminho.

Dê-me seu beijo de boa noite e, como anjos, salvamos o mundo.

Da sempre sua.


Shalom!
Namastê!



domingo, 2 de agosto de 2015

O Chamado

"Não posso! Preciso ir!" 

Estava tudo deserto e escuro. Por trás de mim, a uns 5 metros do chão, havia uma luz muito forte e de cada lado dessa fonte de luz, um casal de roupas brancas que estendiam as mãos para que a energia emanada me erguesse até eles. Eles me apressavam: "venha! Você precisa vir conosco! Já é hora!".

Quando comecei a sentir meus pés fora do chão, você se jogou e agarrou minha cintura, como se tentasse subir comigo: "Por favor! Só um beijo de boa noite... Só isso!". Lentamente fechou os olhos e tentou alcançar a minha boca com seus lábios contritos como se beijasse o ar. Eu, mais acima, sentindo afeição grande demais pra descrever, estiquei meu pescoço pra baixo, e toquei sua testa com a minha. Minhas mãos afagavam seus cabelos negros e senti o toque da tua pele, os cílios dos teus olhos fechados, passei minha maçã do rosto na sua bochecha e nariz. Ficamos assim por instantes - eu não sabia se era certo - mas sentia uma energia muito forte. Não, não era paixão: paixão desestabiliza, faz o coração bater na garganta. Não era isso que eu sentia... Sentia paz, muita paz... Paz assim que só senti quando vi D'us em 2011.

Os irmãos de branco - mesma cor do meu longo vestido - ainda içavam-nos. Me senti meio leve, meio zonza, e finalmente toquei minha boca na sua, com a singeleza de uma criança.

Neste momento pude sentir vários raios em torno de nós, de cores branca, rosa e azul-bebê, girando à nossa volta, enquanto flutuávamos. Desses mesmos lábios que se tocavam com delicadeza, uma grande luz crescia e se expandia até alcançar os raios coloridos; e daí então, fechei os olhos pra proteger as vistas da enorme luz que saturava. Ainda no ar, nos desconstruímos e nos tornávamos UM, enquanto em meu peito, senti, como nunca antes, a tão falada Chama Trina.

Acordei no meu quarto completamente escuro. Era madrugada e ainda sentia muito sono. Virei para o outro lado da cama e abracei o travesseiro - era como se você ainda estivesse ali. Mas eu não mais sentia o toque da sua pele.

Seja o que for, onde você for, quero ser seu anjo.
Mesmo que eu tenha que esperar pela eternidade para isso.

Mas, por enquanto, entendi que temos estradas diferentes. Que sejamos felizes, de qualquer forma.

Até qualquer dia.

Shalom! 
Namastê!


sábado, 4 de julho de 2015

Mesmo que tu deletes

Mesmo que tudo deletes, preciso trazer a ti uma questão: haverá diálogo? Infelizmente não há nenhum relacionamento que sobreviva de monólogos...


Mesmo que tu deletes, preciso dizer-te que não há mais espaço para sua ausência na minha vida. É totalmente incompreensível para todos que sempre nos viram como dupla dinâmica. É incompreensível pra mim que tu deslegitime uma opinião minha por causa de qualquer outra pessoa de fora. É incompreensível pra mim chegar em casa e não receber uma mensagem louca àquela hora da noite e rirmos feito boçais até a hora de dormir.


É incompreensível ao meu coração acordar pela manhã e não contar contigo para interpretar o sonho bizarro que eu tive. Ou contar do último mico que paguei na rua e te fazer rir loucamente. Ter te contado em primeira mão que cortei os cabelos (e que não gostei), ou que aqueles planos que eu tinha terão de sofrer ajustes. Não te contar da minha dor e da minha vergonha de ter vivido pela primeira vez a prova de que assusto as pessoas na rua - dentro de um ônibus uma moça veio me perguntar por que eu tremia tanto, sabe? Ah: E contar dos dois quilos que perdi.


Te contar das dores e das delicias de ser eu, enfim.


"Mas só contar?", diriam alguns. Mas alguém mais te ouve com tamanha paciência?? Assuma!!


Só queria então dizer que to triste mas joguei pra D'us. Na vida pessoas especiais entram e saem o tempo inteiro e só nos resta aceitar. Posso com certeza viver sem sua presença, mas escolhi que eu prefiro que seja com você. Mas pra isso preciso que tu me ouças também.


Ainda te amo. E pra sempre será.


Shalom!

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