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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Semana do Enem.

E tudo o que eu queria era descansar prá estar preparada para o final de semana de provas...

Segunda acabaram meus remédios, mas com as crianças em casa, decidi aproveitar o tempo com elas. Afinal, o q seria 1 diazinho ou 2 sem remédio, né?

Pois é, nada. A não ser pela insônia maldita q começou a tomar conta. Não conseguia descansar direito nem qndo conseguia cair no sono. Mas "vai passar",  logo vou poder pegar os medicamentos e voltar à vida normal...
...
Eis q a caçula amanhece na terça com otite. Controlei com os remédios q tenho em casa, mas na quarta a febre não baixava. Era hora de correr pro pronto-socorro! Meu pai me ajudou a levá-la, esperou por mim e depois nos levou à farmácia, prá comprar o antibiótico q minha filha precisava. Sabe a sensação de não ter dinheiro prá comprar um remédio prá um filho doente?? Pois é, eu conheço bem. Principalmente os pacientes psiquiátricos né?... E a sensação de q já está chegando a hora d'eu começar a cuidar dos meus pais, mas ainda dependendo deles de certa forma... Acho q era uma mistura de frustração, cansaço e falta de Litio. Mas logo passou, qndo vi a caçula melhorando a largos passos. Ela foi então prá casa do pai, onde voltaria à rotina.
...
Cheguei em casa já no pique de me preparar para a entrevista de emprego q faria no dia seguinte, uma quinta-feira. Separei as roupas - nada formal demais, mas sem informalidade. No dia seguinte, uma maquiagem bem leve, pego o ônibus, oração para conseguir não me perder e chegar no horário, prá me manter calma na hora de falar, sabedoria prá saber o q eu realmente devia contar... To mto enferrujada dessas coisas, sério. Mas não me amedrontei, enfrentei no jeito mais meu de ser: se é prá ser, q seja o melhor. Minha velha filosofia de pular de bungge-jump.


Tudo parecia ser ao meu favor, então aproveitei o retorno prá ver minha tia-avó e minha avó, q mto têm me apoiado nesse reerguimento, e com quem não tenho tido tempo de sentar e conversar das coisas da vida. Ri, contei da correria da semana, enfim, relaxei. Me despedi "vou lá q ainda vou tentar dar uma lida na matéria do Enem...", elas consentiram, felizes. Minha avó em particular, fica mto orgulhosa pelos estudos dos netos. Aliás, ela é como eu: busca conhecimento alheatório onde pode. "O que fica aqui (aponta prá têmpora) fica prá sempre!", ela sempre diz. Me identifico mto.

Ao entrar em casa, o susto: a luz não acendeu. "Será q queimou de novo?", relembrei semana anterior. Não, nada ligava. Cortaram, e algo me dizia q era por falta de pagamento. Como quem está por enquanto lidando com isso é Mr.G, tentei saber. No fim foi toda aquela discussão amargurada de um casamento rompido pela vontade de um só. Mas tudo se acertou. Houve, porém, uma falta de documentação q inviabilizou a religação. Já era noite de sexta. A empresa q me entrevistou não ligou. E certamente a Light não religaria a energia durante o fim de semana. "Meu D'us!!! Esse é o fim de semana do Enem!!!"


Até o primeiro dia de prova foi tranquilo. Cheguei cedo, relaxei bastante, orei bastante tbm, não prá um milagre, mas prá q eu ficasse calma e lembrasse do q estudei. Pq as vzs meu cérebro falha nos momentos em q mais preciso, e eu tive mto medo disso. Minha própria mão esquerda estava trêmula, às vzs eu a botava debaixo da coxa. Mas qualquer um q visse ia simplesmente achar q era nervosismo pela prova. Menos mal...
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Sábado à noite, sem energia na casa, cansada e tentando me recuperar prá prova de Matemática q tanto me amedrontava, mas sem sono. Q falta faz um Rivotril às vzs... Não peguei no posto durante a semana, agora eu estava uma pilha de nervos. Mas logo começou um baile funk em frente à minha casa, daí q não consegui dormir MESMO! Um inferno q "não tinha hora prá acabar" mas q acabou em torno das 5 da manhã. Às 9 fui acordada pelo despertador sem nem saber quem era eu.
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Terminei de jogar fora os últimos alimentos estragados da geladeira, fiz um café forte, tentei me concentrar. O q passou, passou, o negócio é levantar a cabeça e enfrentar a prova, né? Foram 4 horas e meia de prova - boa parte gasta com Matemática, pq Redação e Línguas foram surpreendentemente fáceis. Mas Matemática me deu vontade de bater a cabeça na mesa... Ah, não - eu BATI a cabeça na mesa. Haja lanchinho, água e banheiro, mas enfim, consegui... Ao chegar ao portão da faculdade onde fiz as provas, tive um desejo imenso de q inventassem um teletransporte, queria piscar e estar em casa. Não, em casa não, não aguentava mais aquela solidão à luz de velas. Peguei um ônibus prá casa da minha mãe: precisava ver gente, luz elétrica, internet! Mas antes precisava de um banho e descanso, pq cada fibra do meu ser doía...

Até q foi boa a temporada na minha mãe... Tinha tempo q eu não convivia com outras pessoas, e apesar de   gostar da minha solidão e mtas vzs me desentender com minha mãe, foi um início de semana agradável. Peguei meus remedinhos, to me sentindo mais leve. Agora q já tem eletricidade em casa, é reativar os sistemas de funcionamento... E hj resolvi dar uma olhadinha no gabarito do Enem (eu nem ia ver, mas é difícil esperar até janeiro sem idéia de como fui), daí fui relembrando as coisas q marquei, e se eu estiver certa, tive cerca de 75% de aproveitamento!!! Não é maravilhoso????? Diante dos dias tensos q eu tive, eu acho maravilhoso... Em Línguas tive o melhor desempenho: 90%. To mto feliz!!!!

Filhotas saudáveis vindo amanhã, notícia de q provavelmente terei uma boa pontuação no Enem, mais uma chamada para entrevista de emprego: é, ainda to cansada, mas tá valendo mto a pena... Fazia tempo q não tinha tanto orgulho de mim qnto agora!

Ainda falta melhorar algumas coisas, mas o importante é q AGORA EU TO FELIZ!


Ia'Orana!
Shalom!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sonhos Traiçoeiros

Eu entrava na tal rede social e me surpreendia com um belo desenho q não sei identificar ao certo, de azuis e lilases. Tinha pouco tempo em q havíamos voltado a nos encontrar e vc compartilhava na minha página aquela figura q trazia uma mensagem sobre a força do olhar e do seu afeto. Nem deu tempo de responder nada. Acordei do sonho achando-o bobo. Afinal, nem eu mais queria aquilo a essa altura do campeonato.

Com meu costumeiro café com leite, sentei mais uma vez no computador. A pressão de termos tantos amigos em comum já estava me incomodando e eu precisava virar a página. Mas antes abri o editor de textos e desandei a por prá fora todas as minhas reflexões sobre o começo, meio e fim, qualquer coisa q justificasse essa estória na qual me joguei, minhas atitudes e consequências. Não menti mais prá mim, nem falei de vc. No regrets, my darling. Só buscava entendimento. Entender prá deixar ir. Minha vida funciona assim. Meu coração funciona assim...

As dores nos membros do lado esquerdo do corpo voltaram a incomodar, e isso me deixa ainda mais irritada e deprimida. Os pensamentos e palavras começam a embaralhar e eu já perdia a linha de raciocínio. "Psicossomático", penso eu. Tem bem jeito mesmo. Cansada e incomodada, minimizo o editor de textos e encaro minha página na famosa rede social. Vc marcou uma amiga em comum numa foto q vc tinha acabado de tirar e lá estava eu, dando de cara com a foto. Q SACO! Até qndo?... Daí observei como vc estava abatido, olhos fundos, parecia ter envelhecido 20 anos. Fiquei meio minuto encarando tal foto. Não conseguia pensar em nada - já tinha gasto todo pensamento e sentimento nos textos anteriormente. Baixei a foto pro computador, nem sei bem pq. Já tinha me convencido a não me importar...

Empenhada em estudar, me gripando, dores neuropáticas: eu realmente tinha mto a me preocupar nesses dias seguintes, contanto q não entrasse na rede social. Não aguentava mais me censurar prá vc não ter q me ver. Não podia me privar de viver! Fiz o q devia ter feito desde o dia em q prometi - vc não mais ouviria falar de mim. Um peso sumiu das minhas costas, enfim livre!! Sem me preocupar se vc ia ler qualquer lamento, sem me deprimir com as coisas estúpidas q vc tem desenvolvido. Livre enfim!!! Tão leve q me dei um tempo para tirar um cochilo. Afinal a gripe estava pegando pesado - tava na hora de cuidar de mim!! Reencontrei o "Livro dos Espíritos" - tenho tido necessidade de reconectar com as idéias q sempre acreditei - e fui relaxar.

Não demorou mto prá eu cair no sono. Um monte de cenas desconexas se desenrolavam à minha frente, o q era natural diante da minha fraqueza física. Em sonho eu buscava um lugar prá passar a noite, mas como suas coisas estavam na minha mochila, vc me chamou prá te seguir até onde passaríamos a noite seguros, enquanto vc tocaria meu violão e eu escreveria. "Enfim, alguém q entende minha necessidade de escrever...", pensei comigo. Saltos temporais aconteceram, pouco mais me lembro, mas uma cena ficou: sobre uma cama simples de madeira marfim, vc deitado vendo TV, eu abraçada com a cabeça no seu peito. Sonhei outras coisas, um tanto confusas, um tanto reais - tudo com os arranjos de "Time" de Pink Floyd ao fundo. Versos do meu último poema tbm se repetiam enquanto eu me afastava, ao mesmo tempo em q ouvia seu pensamento: "pq não fiz tudo diferente desde o princípio?...". Enquanto eu atravessava a rua, já distante de vc, respondia tbm em pensamento: "tinha q ser assim...". Outras coisas aconteceram mas antes de acordar, a cena do abraço sobre a cama, mais uma vez. Não havia nada demais, somente aquele abraço, minha cabeça sobre seu peito, vc vendo TV... Mas era MUITO real.

Acordei na posição sonhada com o travesseiro, me perguntando pq aquele sonho tão bizarro vinha me assombrar logo naquele dia, em q eu estava tão livre de vc. Num letárgico piscar de olhos, revivi novamente a cena. Vc ESTAVA ali.

Abri com pressa os olhos prá acordar de vez. Já era meio-dia e meia. Pink Floyd ainda ressoava na minha mente enquanto a plenitude virava ausência e eu não conseguia segurar duas lágrimas. Raiva. Pq me fez relembrar qndo quis esquecer. Pq tudo tinha sido tão real. Ou talvez pq aquele abraço seria o último q eu te daria pro resto da vida.

De volta ao computador, buscava por outra coisa qndo encontrei a tal foto sua q baixei dias antes. Por puro tédio editei-a, pra melhorar a qualidade.

Q era aquilo q eu via em seu olhar na foto?... Lágrimas?

Suspiro.

"Tem certeza que deseja mover este arquivo para a lixeira?"


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Dia Mundial da Saúde Mental

Pois é. Depois de dar uma olhada rápida no Twitter, eu lembrei...
Hj é o DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL.
Será q nossa sociedade pode comemorar isso????

Infelizmente o preconceito mora mto mais perto do q imaginamos (mtas vzs dentro de nós mesmos), o q nos impede de enxergar q quem tem transtorno mental pode ter uma vida bacana e feliz, contanto q haja o tratamento adequado. 

Tenho vários casos entre parentes e amigos q têm um transtorno, sabem mtas vzs q têm, mas não o tratam por puro preconceito contra si mesmo. Preconceito contra o tratamento. Preconceito contra uma consulta psiquiátrica.

E escolhem sofrer pelo resto da vida...

Pessoas tratam diabetes, doenças auto-imunes, câncer e outras doenças crônicas pro resto da vida e conseguem viver bem. Pq NÓS, q temos transtorno mental, temos q carregar esse estigma????

Sim, EU TENHO TRANSTORNO MENTAL. Não tenho vergonha nenhuma disso, apesar das mtas besteiras q já ouvi. Mas, mais q isso, trato e vou tratar pro resto da vida. O q NÃO ME IMPEDE DE TER UMA VIDA NORMAL E FELIZ. Pelo contrário...

Se hj tenho uma vida normal e feliz, é pq eu me trato. Eu não tenho como mensurar o qnto minha qualidade de vida cresceu depois de estabelecidas as doses e medicações melhores prá mim...

Sim, tenho Transtorno Bipolar. Não é modinha nem um xingamento q me deram. É meu DIAGNÓSTICO DADO POR UM PSIQUIATRA. 

Só quem tem um transtorno sabe como é difícil, só quem tem o transtorno não consegue enxergar graça nas piadinhas. Tratar é mole, o difícil é tentar viver fingindo q não tem nada... Sei exatamente como é. Só busquei um psiquiatra pq o sofrimento já tinha tomado proporções gigantescas...

E hj, 3 anos e meio depois do diagnóstico, posso dizer: EU SOU FELIZ.

Claro q a vida de pacientes psiquiátricos nem sempre é fácil. Nosso sistema de saúde pública não ajuda mto... Eu nem to mais afim de tomar fluoxetina, mas a minha dra. mandou tomar. E eu não to tomando. Nem é por pirraça, é pq realmente ESTÁ EM FALTA NA FARMÁCIA DO POSTO HÁ MESES. E eu nem tenho como comprar. Se não fossem esses problemas, eu estaria obedecendo minha psiquiatra, mesmo contra vontade...

Espero q o sr. Eduardo Paes, atual prefeito da cidade do Rio de Janeiro, possa pensar mto bem sobre esse dia, e não apenas mostrar sua cara almofadinha em eventos, já q a assistência ao paciente psiquiátrico na cidade praticamente morreu depois q ele tomou posse...

Minha sincera gratidão à Dra. Valéria Damian, psiquiatra q me trata desde o diagnóstico, não na base do "saber-tudo", mas na base do diálogo, respeitando todos os meus relatos e queixas.

Ia'Orana!
Shalom!

sábado, 8 de outubro de 2011

Poemando...

"Sigo escrevendo doces versos em falsete,
O tom perfeito pra quem quase quer morrer.
É tão estranho teu silêncio no meu peito
que eu escrevo para não enlouquecer.


Ondas revoltas no seu lar de esquecimento,
Desperto mágoas por lembranças sem razão.
Busco em segredo teus porquês em meus lamentos,
sigo escrevendo pra livrar-me da emoção.


Que antes da morte haja arrependimento,
Dentro do orgulho ainda bata um coração,
Que padre-nosso, ave-Maria - teu refúgio -
revelem chave a nos livrar dessa prisão.


Que no abraço, laço que se fez presente
Remorso e culpa já não vejam mais porquê.
E assim, Destino, amigo que nos reagrupa
revele enfim motivo que nos fez nascer."

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Do arcanjo ao santo

Esse ano está me ensinando mto! Desapegar de pessoas, situações, e até coisas... Mas tbm me ensinando a abrir os olhos com as pessoas.

O fato é q as pessoas q são verdadeiras acham q todo mundo é tbm. Digo verdades escancaradas às pessoas, e o mínimo q espero é q aquilo q elas digam seja verdade tbm. Não quero q ninguém me diga q me acha incrível e q me ama se não é verdade. Não sou tão carente assim e sou bem grandinha. Mas a partir do momento q alguém diz, só espero q essa pessoa aja como se isso fosse verdade. Ou q no mínimo seja adulto o suficiente prá dizer o q há de errado. Aceito falhas das pessoas pq sou humana, e se as amo, aceitarei infinitamente pq sou assim, e meu coração é meio besta mesmo. Da mesma forma q se vejo algo errado, corro atrás prá saber o q acontece. Não acredito q desligar o telefone na minha cara vá lá ajudar mto...

Mas nem fiquei com raiva. Só achei infantil. Bobo mesmo. Na hora até pensei na palavra "covarde",  mas não posso esperar mto de pessoas q ainda têm visão limitada da vida. Aceito sua limitação e as lições q vc precisa aprender ainda... Amar é desapegar, não é? Como comentei em outro post... Resistir à tentação de proteger um filho q dá seus primeiros passos e cai toda hora. Mas, calma!, eles levantam de novo e continuam caminhando como se nada tivesse acontecido. Então? É assim q eu me sinto. Sem mais o peso de estar a postos prá levantá-lo sempre q cair. O "projeto Efeito Borboleta" virou contra a feiticeira, mas encontrou resistência. Não odeio ninguém.

Se eu estivesse apaixonada a decepção não doeria tanto. Os atos daqueles q eu considero amigos sempre me ferem mais profundamente... No começo doeu e mexeu particularmente com minha energia. Passei 2 dias tentando consertar todas as coisas q queimavam ou davam curto-circuito só d'eu passar por perto. Graças a uma amiga online, lembrei de "aterrar" essa energia toda em um lugar ligado à natureza. Como sempre me identifiquei com praia e tbm outra amiga estava de visita à zona sul carioca, resolvi "aterrar" nas areias de Copacabana.

Chegando lá, quase me arrependi. Dei de cara com centenas de fãs do Justin Bieber na porta do Copacabana Palace se esgoelando. Desviei de algumas rapidamente, sedenta pela reenergização q a praia sempre me dá. Pisar na areia, molhar os pés, ouvir o som das ondas, era tudo isso q eu precisava. Desliguei o player de músicas do celular e sentei na areia para pura contemplação e reintegração com o Universo.

Não demorou mto prá eu ser abordada por um cidadão alto, q aparentava a minha idade e tbm ter fugido das correrias do dia-a-dia na praia. Comentou sobre as meninas esgoelantes na porta do renomado hotel q davam prá ser ouvidas de uns 100 metros de distância. Sorri da situação pensando q seria mais uma daquelas pessoas q simplesmente levantam o assunto e depois se afastam. Prá minha surpresa, ele perguntou se podia sentar ao meu lado.

Respondi "fique à vontade", mas olhando em volta se eu não estava sozinha. É aquele negócio, né: depois de já ter lidado com psicopatas de várias espécies, melhor prevenir. Apesar do vento gelado e do tempo nublado, havia bastante transeuntes além de um grupo de garis limpando as areias. Blza, não havia perigo.

Acabamos conversando sobre uma infinidade de coisas e a conversa fluía tão bem q nem vi o tempo passar.  Só qndo minha amiga "estrangeira" ligou pra encontrar comigo q me dei conta do qnto tinha escurecido e do qnto a praia agora estava realmente ficando deserta. Ao caminhar de volta à calçada notei o qnto ele era  realmente alto, e acho q ele sentiu a proximidade do fim da conversa, à medida q eu ia ao encontro da minha amiga. Foi aí q ele se embananou. Tentou avançar o sinal verbalmente falando, indo para assuntos q podíamos conversar num outro dia - pq eu me interessei em continuar a conversa outro dia. Na calçada, enquanto eu voltava a calçar meu All Star, deixei claro isso. E tbm procurei deixar claro q comigo ele vai precisar dar um passo de cada vez. A última pessoa com quem eu estava me envolvendo em poucos dias mostrou quem realmente era, desisti do envolvimento. Foi até melhor, no entanto ainda estou escaldada. Isso sem falar no anjo de Olhos Mediterrâneos q anda fazendo pirracinhas como se eu mto ligasse. Mas ainda tenho dó dele, não vou mentir. Resumindo: ainda não tirei os pontos do meu coração partido.

Não sei pq, eu q já estava mto desiludida e de bem comigo mesma, acabei encontrando esperanças nesse adorável desconhecido. Se vai haver algo daqui prá frente, não sei. Vai depender se ele vai ligar, e PRÁ ONDE pretender me levar. Mas deve ter feito um bem à minha auto-estima, da qual eu já havia me esquecido... Quem sabe foi isso.

Trocamos telefones. "Sabia q hj é o dia do santo q tem seu nome?", eu disse, brincando.
Ele sorriu simpaticamente.

Ia'Orana!
Shalom!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"The Blower's Daughter" (Damien Rice)




"E então é isso 
como você disse que seria 
A vida corre fácil pra mim 
na maioria das vezes 
E então é isso 
A história mais curta 
Sem amor, sem glória, 
Sem herói no céu dela 


Não consigo tirar meus olhos de você... 
Não consigo tirar meus olhos... 


E então é isso 
Como você falou que deveria ser 
Nós dois esqueceremos a brisa 
na maioria das vezes 
E então é isso 
A água mais fria 
A filha do vento 
O pupilo em negação 


Não consigo tirar meus olhos de você... 
Não consigo tirar meus olhos... 


Eu disse que te detesto? 
Eu disse que quero deixar 
Tudo para trás? 


Não consigo parar de pensar em você... 
Não consigo parar de pensar em você... 
Meus pensamentos...Meus pensamentos... 
Até conhecer uma nova pessoa."

Poema de Rabindranath Tagore



‎"Pareço tê-lo amado de formas inúmeras, incontáveis vezes...
Vida após vida, idade após idade, para sempre.
Meu coração fascinado fez e refez o colar de canções,
Que você toma como presente, usa em volta do pescoço de suas várias formas,
Vida após vida, idade após idade, para sempre.
 Sempre que ouço antigas crônicas de amor, é a velha dor da idade
É o antigo conto sobre estar separados ou juntos.
Assim como fixo o olhar cada vez mais para o passado, no final você emerge,
Vestido na luz de uma estrela polar, perfurando a escuridão do tempo.
Você se torna uma imagem do que é lembrado para sempre.
 Você e eu temos flutuado até aqui na corrente que vem da fonte.
No coração do tempo, o amor um pelo outro.
Temos brincado em meio a milhões de amantes,
compartilhado a mesma doçura tímida dos encontros,
as lágrimas angustiantes de despedida.
 Amor antigo mas em formas que se renovam para sempre
Hoje está amontoado a seus pés, encontrou seu fim em você
O amor dos dias de todos os homens tanto no passado e no sempre
Alegria universal, tristeza universal, vida universal.
As memórias de todos os amores se fundindo a este único amor nosso -
 E as canções de todos os poetas do passado e para sempre."

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Diálogos


"- Mas sabe, quando estou com você eu sinto uma presença de uma parceira... Tipo braço direito ou da família... E eu tenho certeza mais que absoluta: estamos juntos desde muito tempo. Agora, o que aconteceu em vidas passadas eu morro de medo de descobrir...

- Também tenho essa certeza. Eu já te conhecia desde o princípio, só não sabia ao certo como... Eu só acho que você tem que ser feliz... O que espera? Minha bênção???

- Eu tenho um amor tão grande por você que eu seria capaz de não olhar pra mulher nenhuma, mas algo dentro de mim diz pra não te encostar... Você é atraente, eu me sinto super bem com você, mas tem algo que balança no meu peito e diz "não se aproxime!". É a pessoa mais fodona e incrível da minha vida, mas seria como minha mãe: eu amoooooo mais que tudo, mas não posso tocar.

- Acho que você não entendeu: EU QUERO VOCÊ FELIZ!!

- Eu também quero você feliz. Já falei q você é especial..."

Então me diz: o q foi q aconteceu????





sábado, 1 de outubro de 2011

Interior do Minho, Portugal, 1856.

Era uma vez uma moça simples e alegre, q vivia para trabalhar com a família nas suas terras, e tbm trabalhava voluntariamente na igreja do povoado. Sua família era mto amiga da de Eustáquio, q se ordenara padre e fora para Braga, estudar para se tornar bispo. Ambos, Eustáquio e Dália, tbm eram mto amigos, tinham longas conversas, Eustáquio sempre lhe dava valiosos conselhos baseados na tradição católica e em sua experiência, já q era um pouco mais velho q ela. Todos sabiam q qndo padre Eustáquio estava cuidando da pqna igreja dali Dália era seu braço direito, chamando outras moças para ajudar e liderando-as nos serviços. Talvez pela identificação, Eustáquio tinha um grande prazer na compania de Dália, e mtas vzs era difícil se despedir dela.

A verdade era q Dália não assumia, mas tbm amava padre Eustáquio. Estava sempre preocupada a estar bonita na presença dele, mas não gostava de pensar nisso pq precisava respeitar a posição dele. Dália não o via como importante como o resto do vilarejo. Ela respeitava a pessoa dele, mas o sentia como igual. E era isso q ela sempre tentava corrigir dentro dela. Pq padres deveriam ser inacessíveis, e ele não era.

Depois de um longo período em Braga, era anunciado q padre Eustáquio viria para uma das festividades locais. Dália, q já gostava de festas e de se enfeitar, adorou a oportunidade. Estava feliz por saber q padre Eustáquio estaria presente, mas não estava mais ansiosa. Se divertia e dançava alegre com suas amigas, todas com seus vestidos predominantemente vermelhos, q abriam-se em balão qndo giravam na dança. E foi uma de suas amigas q avisara q padre Eustáquio estava chegando. Dália virou-se e o viu ao longe, por trás de um muro de pedra, sendo festejado e cercado de familiares e vizinhos, felizes pela sua presença. Enquanto ele descia as escadas de pedra prá chegar até o pátio onde havia a festa, visualizou Dália ao longe. Ela acenou, e ele lhe acenou de volta, feliz. Dália sentia um misto de emoções q não sabia descrever ou entender, um bem estar no coração e uma chama consumindo-lhe o ventre ao mesmo tempo. Procurou ignorar e continuar se divertindo com as amigas. Ela e o padre mal se falaram durante a festa, pois as pessoas o cercavam em atenção, ora prá ter notícias da capital, ora prá se certificarem de q o ilustre convidado comia e bebia o suficiente.

Mta dança, mta bebida, e Dália se afastou do centro da festa, perto de um beco mais escuro para descansar. Fora surpreendia pelas costas, com um braço na cintura e uma mão tapando a boca, já prevendo q ela gritaria de susto. Eustáquio tratou logo de se identificar e ela respirou aliviada. Ele a soltou, explicando q queria mto lhe mostrar algo. Dália concordou feliz. Ambos seguiram aliviados por finalmente poder conversarem a sós como nos velhos tempos.

Eustáquio a levou a uma sala q parecia um escritório ou biblioteca, com parede de pedras, estantes de livros, iluminado pela luz de várias velas. Ela pôde observar alguns fios de cabelo branco em volta de seu  rosto em meio aos fios negros - a vida de estudos e oração em Braga realmente deveria estar sendo mais pesada do q parecia. Sentiu um misto de compaixão e admiração.

Enquanto ela olhava em volta, podia-se ouvir o som dos corações quase explodindo. Eustáquio aproximou-se de Dália e a abraçou de lado, carinhosamente. Talvez embalado pelo excesso de vinho, aproximou-se de seu ouvido e sussurrou algo como "vc está tão linda esta noite..." com seu forte sotaque português. A lógica parou de funcionar. Dália sentiu-se zonza, todos os sentimentos q ela quis ignorar durante a festa voltaram com força, seu corpo amolecera nos braços de Eustáquio, q naquele momento não era mais padre, apenas mais um homem comum.

Eustáquio trouxe o rosto de Dália diante do seu, e seus lábios tocaram-se produzindo efeito semelhante a uma droga poderosa. Talvez a mistura de vinho e sentimentos reprimidos por anos faziam-nos sentir girando com força. Rapidamente livraram-se do lenço q Dália trazia amarrado ao tronco, ele pode beijar seu colo. A carregou e deitou-a sobre o divã disposto ali perto, onde, com a ajuda dela, pode levantar sua saia e anáguas, tocando suas coxas tão brancas como se não acreditasse q as estava tocando.

Ele então ergueu a batina e se pôs por cima de Dália. As sensações eram tão extremamente intensas para ambos q nada poderia impedi-los de exercer os sentimentos reprimidos até aquele momento. Então, o êxtase não tardou a chegar. Aquilo tudo era novidade para Dália, e talvez fosse para Eustáquio tbm. Sentiam-se completos, unos. Ele descansou seu corpo sobre o dela, e o rosto em seu pescoço, ambos recuperando o fôlego.

Foi qndo num rompante, Eustáquio levantou-se e pôs-se a se recompor perto da porta. Se dera conta do q fizera e estava extremamente arrependido. D'us certamente não o perdoaria do pecado q acabara de cometer contra seu celibato e contra a integridade de uma moça q adorava tanto. Certamente, ele mesmo nunca se perdoaria. Enquanto prestava atenção se alguém passava do lado de fora daquela sala, mandava Dália se vestir rapidamente e ir prá casa, explicando rapidamente todo o prejuízo q causara. Ela não poderia se iludir: ele nunca ficaria com ela, pq sua vida era dedicada à igreja e a Cristo. Enquanto ele discursava, Dália caía em prantos pela decepção, por vergonha, e por não saber como explicar no futuro sua falta de virgindade à família.

Amavam-se, era fato. Mas haviam mtas coisas envolvidas. A fé de ambos, os costumes da época, as expectativas da família e vizinhos de Eustáquio. Ele tinha uma carreira promissora e não tardou a se tornar bispo, poucos anos depois do incidente. Os anos se seguiram, Dália continuou entregue à sua fé, trabalhando com sua família e ajudando na igreja do vilarejo. Às vzs, por terem famílias vizinhas e mto amigas, Dália e Eustáquio se encontravam durante reuniões e festividades. Sempre eram de Dália as honras de levar padre Eustáquio prá conhecer as novidades das cercanias. Porém, nunca mais foram capazes de olhar um nos olhos do outro. E qndo Dália se via involuntariamente sozinha com padre Eustáquio, sofria de calafrios da cabeça aos pés. Talvez vergonha, talvez culpa, talvez expectativa se talvez ele a tomaria novamente.

Eustáquio, por sua vez, desde o ocorrido passou a praticar autoflagelo sempre q se lembrava do erro, ou sempre q desejava Dália novamente. Certa vez, já como bispo, ao ver do alto do altar Dália com sua roupa de missa fôra tomado de um desejo por ela tão arrebatador q desandou a beliscar-se para esquecer e retomar o seu centro. Dália parecia estar casada e tinha um filho - só não se sabe se o filho era realmente de seu marido ou fruto do envolvimento com o padre.

Coisas q talvez nunca saberemos.

A não ser q Eustáquio tbm acorde e possa contar sua versão da estória...


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