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domingo, 22 de setembro de 2013

Mais do mesmo

À beira mar tudo parece ficar mais mágico. Havia tempo que ela sonhava com mar e com Iemanjá, como se tivesse algo a lhe dar. Ela então foi à praia com os outros, desejando estar mais perto do mar e talvez entender seus próprios sonhos.

Já estava mais que resolvida sobre aquela situação. Pensou em fugir, mas iria fugir até quando? Resolveu encarar seu maior medo e foi surpreendida. Confissões tão estranhas que se pareciam e que surgiam do nada quase a assustavam. Todo mundo tem assim uma espécie de abismo temporal em sua própria adolescência? Quantas outras pessoas podiam dizer o mesmo, não rir dos seus traumas porque também viveram algo parecido? Era tudo tão estranhamente divino que ela quase deixou escapar "Você é um anjo!", como se ele fosse mesmo um enviado dos céus. Ele sabia que não era nada disso, mas simplesmente se sentia confortável ao contar aquelas coisas que não contava prá ninguém.

Mas ela ainda tinha medo. Cada passo que ele dava a frente ela dava um passo atrás. Queria evitar qualquer situação que pudesse levar à sua própria perdição... E achou que estava conseguindo até o momento em que ambos admiravam a lua, e ele simulou pegá-la entre os dedos e colocar em sua mão. Ela fingiu que não entendeu. Mas ele confirmou: era a lua que ele lhe entregava nas mãos. Ela olhou prá areia a seus pés prá não deixar que o olhar brilhasse. Essas pequenas coisas ainda a tocavam da forma que não devia, da forma que ela evitava.

Ele segurou-lhe as mãos e não soube explicar o porquê. Certamente não estavam em sã consciência, talvez um pouco de cerveja demais. E isso a ajudava a não chorar diante das emoções tão violentamente reprimidas. Não queria mais sentir aquilo, simplesmente queria deixar que o mar levasse tudo embora... Mas já era tarde, ela já estava mais próxima de casa. Só lhe restava tentar dormir prá deixar aquela sensação ir embora, aquela presença que ele sempre deixava nela como marca de fogo; aquela sensação de completude, e a sensação da falta de algo quando ele a deixava.

Então ela chorou. Água salgada sempre limpa - seja a do mar, seja a das lágrimas. Pediu a Iemanjá que limpasse seu coração. Era preciso um ponto final.

Shalom!


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Sutilmente" - Skank

Pois é, não estou muito bem. Mas me deixe aqui no meu cantinho - talvez eu melhore amanhã.

É estranho passar tanto tempo fingindo que eu sou normal. "Só tomo uns remedinhos de vez em quando", penso eu, nada de extraordinário. Mesmo que esses remédios deem tremores como efeito colateral, a ponto de causar curiosidade nas pessoas mais corajosas, e de provocar os mais diversos pensamentos em quem não tem nem a coragem de perguntar. Mesmo que esses medicamentos às vezes me deixem sonolenta a ponto de dormir 14 horas seguidas e acordar querendo dormir mais. Mas o pior é que às vezes o Transtorno Bipolar encontra uma brecha - como um predador à espreita - porque ele quer aparecer mais do que eu.

Já briguei com ele, já me reconciliei, mas ele sempre me apunhala quando eu menos espero. Me dá um sentimento enorme e injustificado de inadequação, assim, do nada; o sangue parece subir todo pro rosto e os olhos insistem em lacrimejar. Respiro fundo e mordo os lábios prá ninguém notá-los contritos. Tento acompanhar a conversa divertida, e me sinto ainda mais inadequada quando eu simplesmente não consigo. A alegria alheia nesse momento parece me incomodar, como se gritasse na minha cara que não, eu não sou normal. Que enquanto as galhofas fluem pelo ar, eu quero simplesmente chorar. E chorar muito. Não, eu não tenho motivos prá isso - bem, se eu parar prá pensar, até tenho motivos, mas não é por isso que sinto esse nó na garganta. Meu choro não tem motivo, não tem razão de ser. Ou melhor, tem: é o maldito Transtorno Bipolar, essa maldita sombra que vai me amaldiçoar e amaldiçoar todas as minhas relações pro resto da minha vida. E não adianta tomar os remedinhos todos direitinho: de vez em quando eles vão falhar. E eu vou me sentir, novamente, um ET.

Portanto, me deixe aqui, no meu cantinho, com meus pensamentos ao longe. Com as lágrimas que insistem em driblar minhas defesas. Vou chegar em casa, tomar meu café com leite, engolir mais meia dúzia de comprimidos e amanhã, talvez, tudo será diferente. Talvez não seja como hoje, dia em que eu acordei tão otimista prá depois descer violentamente nessa montanha-russa emocional. Talvez amanhã eu ainda acorde melancólica, querendo dormir um pouco mais, e talvez - quem sabe - meu humor melhore consideravelmente pela noitinha. Minha vida é um eterno talvez, por isso não me pergunte nada porque nem eu sei de mim. Talvez um dia eu me conheça o suficiente para encontrar subterfúgios para esses momentos de tristeza repentina. Talvez. Mas no momento, simplesmente não me pergunte nada. Deixe prá amanhã.

Que o amanhã seja doce. Ou que eu esteja doce. Ou simplesmente não tão amarga.

Shalom!



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