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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Sutilmente" - Skank

Pois é, não estou muito bem. Mas me deixe aqui no meu cantinho - talvez eu melhore amanhã.

É estranho passar tanto tempo fingindo que eu sou normal. "Só tomo uns remedinhos de vez em quando", penso eu, nada de extraordinário. Mesmo que esses remédios deem tremores como efeito colateral, a ponto de causar curiosidade nas pessoas mais corajosas, e de provocar os mais diversos pensamentos em quem não tem nem a coragem de perguntar. Mesmo que esses medicamentos às vezes me deixem sonolenta a ponto de dormir 14 horas seguidas e acordar querendo dormir mais. Mas o pior é que às vezes o Transtorno Bipolar encontra uma brecha - como um predador à espreita - porque ele quer aparecer mais do que eu.

Já briguei com ele, já me reconciliei, mas ele sempre me apunhala quando eu menos espero. Me dá um sentimento enorme e injustificado de inadequação, assim, do nada; o sangue parece subir todo pro rosto e os olhos insistem em lacrimejar. Respiro fundo e mordo os lábios prá ninguém notá-los contritos. Tento acompanhar a conversa divertida, e me sinto ainda mais inadequada quando eu simplesmente não consigo. A alegria alheia nesse momento parece me incomodar, como se gritasse na minha cara que não, eu não sou normal. Que enquanto as galhofas fluem pelo ar, eu quero simplesmente chorar. E chorar muito. Não, eu não tenho motivos prá isso - bem, se eu parar prá pensar, até tenho motivos, mas não é por isso que sinto esse nó na garganta. Meu choro não tem motivo, não tem razão de ser. Ou melhor, tem: é o maldito Transtorno Bipolar, essa maldita sombra que vai me amaldiçoar e amaldiçoar todas as minhas relações pro resto da minha vida. E não adianta tomar os remedinhos todos direitinho: de vez em quando eles vão falhar. E eu vou me sentir, novamente, um ET.

Portanto, me deixe aqui, no meu cantinho, com meus pensamentos ao longe. Com as lágrimas que insistem em driblar minhas defesas. Vou chegar em casa, tomar meu café com leite, engolir mais meia dúzia de comprimidos e amanhã, talvez, tudo será diferente. Talvez não seja como hoje, dia em que eu acordei tão otimista prá depois descer violentamente nessa montanha-russa emocional. Talvez amanhã eu ainda acorde melancólica, querendo dormir um pouco mais, e talvez - quem sabe - meu humor melhore consideravelmente pela noitinha. Minha vida é um eterno talvez, por isso não me pergunte nada porque nem eu sei de mim. Talvez um dia eu me conheça o suficiente para encontrar subterfúgios para esses momentos de tristeza repentina. Talvez. Mas no momento, simplesmente não me pergunte nada. Deixe prá amanhã.

Que o amanhã seja doce. Ou que eu esteja doce. Ou simplesmente não tão amarga.

Shalom!



2 comentários:

Iara Maria Carvalho disse...

não te pergunto nada. só te desejo um pouco de paz.

Iara Carvalho

www.ursa-bipolar.blogspot.com.br

Anônimo disse...

Suas palavras condizem muito com a minha realidade. É muito bom encontrar pessoas com quem podemos nos identificar. Força na sua jornada!

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