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terça-feira, 19 de março de 2013

O Velho Karma e o Charmoso Gentleman

"Eu te amo", ele sussurrou com a boca em seus cabelos.
Era ele, seu Velho Karma. Tinha chegado afobado, saiu do carro ainda elétrico mas com sorriso de vitória de quem conseguiu encontrar um lugar que nunca tinha ido antes.
Conversaram rapidamente trocando palavras atropeladas, então ele a abraçou. Ela acomodou o rosto em seu pescoço; ele beijou seus cabelos, falou um monte de coisas, mas ela só lembrava do "eu te amo" -  por afetuosidade ou raiva.
Na mesma pressa, ele entrou no carro e saiu buzinando impacientemente. Ela achou engraçado o jeito dele dirigir, mas não podia se concentrar naquilo agora. Tinha um evento para cobrir.

Estava tão cansada e atarefada que ao chegar ao seu próprio evento mal pôde dar atenção aos convidados. Era tanta coisa prá resolver... Mas havia aquela figura que havia tempos chamava sua atenção. Tantos tempos que ela já nem acreditava que poderia acontecer algo...

Foi botando as coisas em ordem, aos poucos relaxando. Conversando com um ou outro, dançando, bebendo até. Não conseguiu encher a cara como queria, mas bebeu o suficiente para relaxar. Ou para provocar várias idas ao banheiro.

Numa delas, sentiu-se seguida. Ela subia as escadas de volta para o salão e o Charmoso Gentleman estava lá, de pé, parado no topo. Pediu-lhe a mão com seu charme peculiar. Mesmo que ela não sentisse nada, era improvável recusar. Continuou subindo os degraus e o abraçou. Trocaram palavras simpáticas e cada um seguiu seu trajeto em direções divergentes.

Mas tinha a despedida. Ahhh, as despedidas... São sempre situações limítrofes que testam nossa capacidade de decidir se "vai ou racha". Abraçaram-se afetuosamente, ela ainda com um dos docinhos da festa na boca. Indiretas, duplos sentidos, até o momento em que se encararam. Dali foi irresistível, e todos os outros em volta pareciam ter sumido. Um beijo que começou timidamente com um selinho. Mas ela queria mais. E buscou. Envolveram-se então em um beijo intenso, as línguas compartilhavam o sabor e a textura do doce que ela nem tinha conseguido engolir. Mas ele tinha que ir. Ela tinha que ficar. Ficar e processar o que tinha acabado de ocorrer. O que parecia improvável por anos, aconteceu. E tão inesperadamente... Ela agora tinha muitos motivos para não ficar pensando no "eu te amo" do Velho Karma. Ele apenas disse - quem disse que faria algo sobre isso? Talvez fosse a hora de virar a página e escrever uma nova estória, com um novo protagonista...

Depois da noite que ela passou no apartamento do Charmoso Gentleman que conquistou seu beijo na festa, ela caminhava pela noite chuvosa refletindo.
Por que não? Não é?

Shalom!

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