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domingo, 6 de setembro de 2026

O Banquete de Signos (ou O Carrossel de Déjà Vus)

"Será que eu já posso enlouquecer, ou devo apenas sorrir?..." (Pitty)

Sim, eu entendi... Ou eu acho. Na verdade eu ainda tenho muito medo, mas ele agora mudou de lugar: esse déjà vu intenso me remete ao tempo em que, por muito menos, passei 2 meses em internação psiquiátrica e mais 2 anos ao menos tomando antipsicóticos. Sim, é difícil pra mim dissociar o amor da loucura e vice-versa, mesmo que dessa vez pareça ter muita lógica (bem, quando em surto psicótico, tudo também me fazia um sentido assustador...).

Talvez os acontecimentos do passado realmente estivessem me preparando para esse momento de agora. Na verdade, é uma sensação que tenho tido não só em relação a você, mas a todo o resto também. Talvez essa seja a chance de rever meus primeiros erros. Talvez eu não tenha sido tão culpada das outras vezes. Ou talvez seja. De qualquer forma, este é o momento de me redefinir de dentro pra fora e não haveria outra forma de me desbloquear emocionalmente se não fosse através do reconfronto com essas memórias.

Estou revendo sonhos antigos e recentes, revendo anotações, padrões de comportamento e relacionamento que não quero mais repetir. E confesso que é extremamente difícil me encontrar novamente nesse turbilhão de emoções sem sentir medo. 

"Medo, medo, medo, medo... Cada um guarda mais o seu segredo...." (Belchior)

Eu acho que já projetei tanto as minhas expectativas em outrem que agora é difícil ler alguém que seja tão parecido comigo. Alguém que seja exatamente da forma que eu já senti um dia que seria. É difícil acreditar que, dessa vez, a Vida quer me entregar a mágica que um dia me prometeu. 

É um pouco difícil (e até um pouquinho constrangedor, confesso mais uma vez) me dar conta que alguém me observa muito mais do que eu imaginava. Que eu não sou mais um velho diário escondido na areia esperando que alguém me leia, porque – hoje entendo – alguém me lê faz tempo. Sim! Eu me achava esperta demais te lendo em silêncio, como se ninguém estivesse percebendo – porque sempre foi assim, sempre trabalhei nas sombras, e mesmo se alguém realmente tivesse me percebido, fez questão de me fazer passar por louca.

Pelo menos agora eu entendo que não preciso me explicar muito: você talvez me entenda – e talvez por isso mesmo tenha escolhido um caminho tão alternativo, ou talvez porque simplesmente seja alternativo como eu. Difícil pôr em palavras – eu sei bem como é e por isso prefiro que as músicas falem por mim. Mas se essa telepatia que eu sinto que acontece for real, eu sei que você sente o que eu sinto, que você sabe do que estou falando, e isso me basta.    

Já entendi tudo. Ao menos acho que entendi. Estou bem, estou em paz (não que eu não deseje futuramente algumas explicações que confirmem que eu realmente não to precisando voltar a tomar risperidona 🤡). Estou cuidando bem de mim (ou ao menos, tentando dicunforça – faz parte do meu dialeto particular, acostume-se). Até porque entendo que toda semente precisa de tempo pra brotar e florescer. 

"O amor da gente é como um grão" – colherei pelo caminho os girassóis que plantei em sonho pouco antes de te conhecer, pra enfeitar o meu vestido e com ele te esperançar da sacada (que é um "esperar vivendo", continuando a dar o meu melhor, porque não sou de oferecer o mínimo à vida).
O bom é que, desta vez, não estou mais no escuro. 

"Basta ser louco o suficiente que qualquer coisa vira sinal de alguma coisa". (Dito popular)

Esse é o seu primeiro selo.

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