Se eu te perder é pra ter que encontrar
Quem sabe eu te encontre lá em Salvador
No carnaval quando você for lá
"...Por eu ser assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz... Eu sou feliz!"
Mistura de vida, ficção, música e loucura.
Nas últimas semanas andei tendo 2 sonhos curiosos com Sílvio Santos (pois é, também não entendi nada). No primeiro deles, eu estava toda apressada, me preparando pra me casar, ele então me chamou num dos quartos da casa da minha avó (onde eu estava me preparando) e começou a me dar muitos conselhos, olhou bem dentro dos meus olhos, apontando pra mim com a mão na qual brincava com uma espécie de japamala, e não parava de repetir: "você precisa seguir o caminho de Salomão... Não abandone o caminho de Salomão... Não se esqueça do caminho de Salomão..." até eu acordar.
Passei o dia pensativa, até porque parecia um sonho muito real. Fui então buscar na internet mais informações sobre Salomão - talvez fosse a solução pras diversas questões que me propus a resolver na minha vida. Primeiro, encontrei um livro de Saramago chamado "O caminho de Salomão", mas pela sinopse que li, não vi muito sentido. Depois de muita busca sem sucesso, deixei isso um pouco de lado - foi quando meu cérebro deu um "clique" e lembrei de 2011, quando eu conversava madrugada a dentro pelo falecido MSN com um carinha sobre as coisas que acreditávamos - eu o apresentei à Kabbalah e ele me apresentou livros de magia, inclusive tava fascinado por sua última aquisição: um livro chamado "A clavícula de Salomão" (que reúne vários conhecimentos da cultura judaica - inclusive kabbalística - que Salomão teria usado pra se tornar o rei poderoso que se tornou). Fui pesquisar o livro na internet e, infelizmente, ainda continua bem caro... Mas provavelmente eu não precisaria ir tão longe: tenho alguns livros sobre Kabbalah (inclusive com anotações que fiz durante minha internação em hospitais psiquiátricos - era o que fazia companhia e não deixava eu enlouquecer de vez) que eu me dei conta de que precisava me reconectar antes de me envolver em qualquer outra coisa maior.
Só que eu fui deixando o tempo passar e fui deixando pra lá. Adivinhem o que aconteceu? O "próprio" Sílvio Santos (ou Senor Abravanel) veio de novo através de sonho pra me recordar de que eu não podia abandonar o caminho (pois é, costumo ser muito bem cotada no mundo onírico...). Fui então reunir meus livros com esse tema e, não vou mentir: as tentações do mundo cibernético muitas vezes me dominam... Até que caí num site falando sobre Kabbalah e entendi o recado: mãos à obra e livros nas mãos!
Não há nenhuma novidade nesses livros, eu já os tenho há mais de 1 década, os li diversas vezes, e até já fiz minhas próprias anotações, como comentei (aliás, anotações deveras lúcidas pra alguém que estava internada em hospícios). Mas algo me deixou, não surpresa, mas de certa forma, tocada: muito dos princípios da prática da Kabbalah no dia a dia condizem muito com minha linha de pensamento pela qual percorri no último texto deste blog: desde a decisão de me esforçar em deixar de ser reativa (por essas e outras, com certeza, os resultados evoluem cada vez melhores), a prática do não-julgamento e me retirar do local de vítima, assumindo minha responsabilidade até mesmo nas vezes que me decepcionei. Claro que não sou um ser perfeito e continuarei não só estudando nos livros que já tenho aqui (até porque, a cada vez que lemos um livro, somos uma pessoa diferente), mas também em sites novos que descobri - isso até poder juntar dinheiro suficiente pra poder comprar "A clavícula de Salomão", mesmo sabendo que o conhecimento que já tenho em mãos já é suficiente pra mudar minha vida como já mudou de forma determinante, anos atrás.
"Ama o próximo como a ti mesmo. Todo o resto é comentário. Agora Vai e Estuda." (Yehuda Berg)
Que Elohim me ajude...
Axé-Shalom-Amen!
(P.S.: Vocês conhecem a história de Don Yitzchak ben Yehuda, antepassado português de Sílvio Santos?...)
Nesta necessidade de me curar das feridas que têm me impedido de voltar a amar plenamente, tenho mergulhado nas minhas anotações feitas baseadas nas sessões de terapia e artigos sobre psicologia, filosofia e outras formas de autoconhecimento - o que acaba gerando ainda mais anotações de novos insights que tenho tido.
É fato que a primeira forma que todos nós vivenciamos o amor na vida é através de nossa família - e como já citei aqui, um dos maiores problemas que tive desde criança foi a relação com minha mãe. Olhando pra trás, todos os atalhos que busquei pra tomar distância física dela falharam, e cá estou eu, depois de idas e vindas, de volta ao lar dos meus pais. Eu sempre costumo agregar um olhar espiritualista a tudo, a partir daí, desisti de me revoltar com o fato e comecei a tentar compreendê-lo para, de fato, conseguir fechar esse ciclo rumo a um novo nível de amadurecimento. E para isso, passei a observar o comportamento dos meus pais de forma mais "clínica", sem me deixar envolver com as crises diárias que surgem. Foi aí que comecei a reparar nos traços narcísicos da minha mãe e aprendi a lidar de uma forma muito mais inteligente com eles - ao invés de me deixar aborrecer com as provocações, por exemplo, simplesmente deixei de dar atenção. Deixei também de conversar sobre coisas da minha vida porque, eu sei, uma hora ou outra essas mesmas coisas seriam distorcidas para me magoar ou atingir minha autoestima. Os resultados logo surtiram efeito mas não me iludi de cara, até porque eu mesma não sabia até onde eu conseguiria seguir com a dinâmica, mas eu acho que eu já estava tão cansada e passei a ter uma paz e uma sensação de respeito tão substanciais que, pra minha própria surpresa, estou conseguindo manter uma boa relação familiar (não só entre minha mãe e eu, mas também minha com meu pai e meus pais entre si).
A relação da minha mãe com o Transtorno de Personalidade Narcisista não é uma tentativa minha de diagnosticá-la (até porque eu nem tenho esse respaldo), mas justamente o de compreendê-la e, consequentemente, compreender a mim mesma (já que entendi que começou na minha relação com minha mãe a minha sensação de "não ser digna de ser amada", retornando a um dos questionários que a psicóloga me aplicou). Eu também cansei de julgá-la: certamente minha mãe deu o que podia, dentro do que ela tem por dentro. E NÃO É DISSO QUE AS RELAÇÕES SÃO FEITAS? As pessoas dão o que conseguem, não é? E foi provavelmente isso também o que recebi de pessoas que me decepcionaram, e simplesmente decidi voltar a dar às pessoas o melhor que eu posso dar. SEM JULGAMENTOS. Assim como sofri com todo tipo de julgamento a vida inteira, quem sou eu pra julgar outrem? Claro que eu também recebi o que eu permiti que me entregassem: mais um motivo pra eu não julgar - e nem a mim mesma, porque aquela que eu era não é a mesma pessoa que sou hoje.
A verdade é que tem que haver muito Autoconhecimento e Coragem pra saber amar alguém conhecendo tanto seu Lado Luz quanto seu Lado Sombra, reconhecendo que também temos ambos - o que é extremamente importante pra não nos deixarmos nos colocar no lugar de vítimas. Porque fácil é "amar" alguém sob uma ótica totalmente romantizada - o verdadeiro Amor na verdade sobrevive ao desafio de conhecer o lado humano de outro ser humano, com todas as suas imperfeições, "derrapadas" e sem máscaras.
E se é dessa forma que quero ser amada, de que outra maneira devo amar, não é?... SEM JULGAMENTOS.
Axé-Shalom-Amém!
P.S.: Eu estava quase desistindo da ideia de cursar Psicologia, porque, afinal, "como eu conseguiria lidar com os problemas dos outros sendo eu tão problemática?". Mas diante de tantas leituras e resultados práticos nas últimas semanas, tenho percebido que eu mesma estava me julgando duramente...
Essa noite, tive a certeza de que não há distância entre Tempo e Espaço, de que o tempo não é linear e que presente, passado e futuro acontecem ao mesmo tempo, no Aqui e Agora.
Nas últimas semanas eu pensei que talvez eu já estaria pronta pra voltar a me abrir para o Amor, mas repensei, porque lembrei de tanta coisa que ainda tenho que resolver na minha vida antes de pensar nisso... Não tenho mais idade pra brincadeira, quero que quando for pra ser, seja DE VERDADE, sabe? (Ou, se não for pra ser, que não seja.) E foi enumerando questão por questão a ser resolvida por mim a mim mesma que acabei adormecendo ontem à noite...
Sonhei que toda vez que eu ia dormir (dentro do sonho), chegava a uma espécie de "céu" cristão (onde podia me ver até entre nuvens), então eu era encaminhada à Terra onde eu tinha uma vivência muito diferente da atual (status, roupas, cultura, etc), e nessa vivência havia sempre um companheiro (com quem eu enfrentava muitos desafios pra ficar juntos), e toda vez que essa vivência na Terra era finalizada, eu voltava pro "céu", onde encontrava uma Ordem de Entidades Espirituais, e eu esperava pela subida do meu companheiro, e era quando algo extraordinário acontecia (e eu nem sei se vou conseguir descrever): meu espírito perdia a forma humana e se tornava um rastro de luz, da mesma forma que acontecia com o espírito dele, então nossas almas quase se abraçavam dançando em forma de uma BELÍSSIMA espiral de luz, trazendo um enorme sentimento de paz. E toda noite que eu ia dormir, todo esse processo se repetia: era como se eu revivesse experiências encarnatórias com o mesmo companheiro todas as vezes que eu ia dormir e sempre me reencontrava no "céu" com ele, causando a mesma espiral de luz, e ao acordar, nos separássemos.
Numa dessas "idas e vindas" à Terra (a última tinha sido uma vivência numa antiga comunidade judaica), quando cheguei ao "céu", eu questionei o que eram todas aquelas "viagens" de todas as noites e porque eu reencontrava sempre a mesma pessoa, então me explicaram que eram realmente retornos a experiências que eu já tinha tido na Terra em outras encarnações e que eu precisava reviver por ainda ter que aprender com elas, e que aquela pessoa que eu sempre reencontrava era a minha Alma Gêmea. "Ah, então por isso a experiência de espiral de luz toda vez que retornamos pra cá?..." Apenas sorriram pra mim como quem têm a missão cumprida.
Acordei meio atordoada, afinal vivi muitas experiências ao mesmo tempo numa noite só. Só não consegui ver o rosto da pessoa que foi indicada como minha Alma Gêmea, só senti sua energia. E de alguma forma, eu tive muita certeza de que esta pessoa já passou pela minha vida nesta encarnação, pela identificação de energia... Péra: certeza mesmo, não tenho – e ultimamente ando evitando me iludir com certezas que eu mesma crio.
Bem, se este sinal chegou esta noite, teve um motivo certo: responder meus questionamentos sobre a minha própria forma de amar e provavelmente ajudar a me preparar para viver o tipo de história que tanto anseio... Só me resta continuar a confiar na Espiritualidade porque sei que, na hora certa, minhas tão desejadas certezas chegarão.
Axé-Amém-Shalom!
Eu realmente tenho sido, de fato, uma guerreira: desde a descoberta de novas intolerâncias alimentares (eu já convivia com intolerância à lactose há mais de 10 anos e sob suspeita recente sensibilidade ao glúten), meus dias têm sido muito cansativos: buscar na internet sugestões de receitas práticas (e, claro, baratas), passar horas na cozinha pra prepará-las (inclusive pra acondicionar no congelador), anotar todos os dias o que como pra saber o que pode ainda me fazer mal ou não... E agora tá pior ainda, pois estou vivendo o "desafio do glúten": retomar o glúten à dieta pra observar os sintomas. O que posso dizer??? É que estou PÉSSIMA! Mas tenho ainda que aguentar algumas semanas até a data marcada dos exames pra confirmar a alteração no meu fígado, constatado pelo médico no último exame clínico.
Isso é chato? Com certeza é, porque minha vida ainda está limitada pela lactose e algo mais que me tem feito mal e não identifiquei, mas tenho me sentido muito mal, com sintomas dos mais diversos, desde gastrointestinais a articulares, passando por inchaços e urticária. Tem dias que mal consigo sair da cama... Mas o pior de tudo é ouvir de todo mundo que o que tenho é "frescura". Já tive cólicas homéricas, já tive crise de vômitos, mas quando "a poeira baixa", minha mãe fica o tempo todo me jogando na cara que não faço mais nada e quando faço, é minha comida separada do resto da família (como se isso fosse um privilégio!). Isso me deixa triste e me sentindo cada vez mais solitária, sabe?... Ao menos agora, tenho de volta meu cantinho na varanda pra não ter que aturar ninguém.
A verdade é que, desde sempre, minha mãe sempre demonstrou ter esse sentimento esquisito em relação a mim: uma espécie de inveja, sempre tentando diminuir tudo que faço ao mesmo tempo que tentando exigir de mim lealdade. Até pra eu admitir isso pra mim mesma é difícil, porque certa vez, ainda na adolescência, tentei desabafar com uma amiga da época, e ela me repreendeu: "Não fala assim que Nossa Senhora não gosta!...". Meu Deus, como as relações maternas sempre foram romantizada, né? Demorou pra eu sentir segurança, depois de quase 30 anos, pra falar abertamente sobre essa minha relação doentia com minha mãe, e só porque foi com minha psicóloga. Achei que ninguém melhor pra entender essa situação do que uma profissional da saúde mental (a única que ficou ao meu lado e levantou minha autoestima quando contei da minha nova rotina cansativa em prol da minha saúde)... Inclusive, foi num questionário de personalidade que minha psicóloga quis entender o porquê d'eu não me sentir digna de ser amada. Travamos nessa questão porque eu não soube o que responder e acabou o tempo da consulta. Ficou pra próxima.
Mas retornando à outra questão, o ponto não é só a esquizofrenia da minha mãe, mas também algum tipo de transtorno de personalidade não-diagnosticado, porque, observando-a melhor no dia a dia, ela muda de "personagens" (com posturas, olhares, tons de voz, TUDO) completamente pra ter exatamente o que quer, tudo de forma muito bem orquestrada. Eu acho que nunca tinha observado minha mãe por um olhar tão clínico e até frio. Minha mãe se incomoda muito de me ver na cozinha por me ver sendo mais ágil e criativa que ela nas panelas (até com as minhas restrições alimentares) e quando eu entro, ela logo se ausenta. Punha defeito em qualquer tempero diferente que uso, até que viu ser inútil, porque esse mesmo tempero agradou aos outros. Então começou a querer comer da comida que eu fazia separada pra mim (já que eu não podia comer pães, queijos, etc) - quis fazer escândalos EXATAMENTE como criança pequena fazendo birra. Meu pai teve que intervir e eu passar a deixar tudo meu fora do alcance dela. Comecei a reparar a "tática de retaliação": fazer comida só pro meu irmão (que, convenhamos, não ajuda em NADA em casa). E não adianta tentar sentar e conversar com ela: ela já responde aos gritos, dizendo que não quer saber, etc e tal. Nessas horas ela esquece quem é que faz e carrega o peso das compras que ela gasta, quem limpa a casa que ela bate no peito que é dela na primeira oportunidade, até mesmo quem lhe dá o braço como apoio pra levá-la ao médico. A verdade é que, não importa o que eu faça de bom, pra minha mãe eu nunca prestei e nunca vou prestar. E foi assim a vida toda: toda a minha alegria em levar pra ela minhas notas altas, premiações da escola e fora dela, realizações acadêmicas e literárias sempre, sempre, SEMPRE levaram um balde de água fria porque, pra ela, nada daquilo me daria futuro (só um marido que talvez me desse um "jeito"). Mesmo que esse marido fosse abusivo e me levasse à depressão ("ainda acho que você devia voltar à 'sua família'", ainda diz ela sobre o "ex-encosto", mesmo depois de mais de 12 anos que pedi a separação, com os filhos já maiores de idade e morando sozinhos).
A terapia pra mim tem sido muito importante: mais do que apenas ter a oportunidade de ser ouvida, também por ter a orientação de como ME ouvir melhor. Eu estava na cozinha, tentando preparar um lanche rápido que não me fizesse passar tão mal, enquanto minha mãe estava preocupada em fazer algo para meu irmão - eu me sentindo embrulhada, esgotada e lembrando que eu ainda tinha que estender minha roupa no varal (porque até isso já tinha virado discussão e hoje lavo e estendo minhas roupas separadas dos demais). Pude sentir de novo aquela solidão imensa brotar de dentro do peito e enrubecer minha face. Lembrei então da mais tenra infância: "É... Isso sempre foi assim mesmo...". Em seguida, um lampejo me trouxe à memória o questionamento da psicóloga:
- Mas por que você não se acha digna de ser amada???...
"Mama, ohhh
I don't wanna die,
I sometimes wish I'd never been born at all..."
Às vezes as fichas demoram a cair, não por falta de esperteza nossa. Mas simplesmente porque tem muita gente manipuladora no mundo... Mesmo onde a gente menos espera (e deseja).
Nunca mais, "mamãe"... Nunca mais.
"Anyway the wind blows..."
Confesso que me espantei com sua presença, assim, depois de tantos anos. Eu já tinha aberto mão da ideia de que precisávamos conversar, só não imaginava que você ainda pensava nisso. Por isso aceitei te ouvir sem sequer retrucar. Afinal, tudo que eu dissesse seria mais do mesmo e talvez até te machucasse mais. Era a sua vez de falar, e não me arrependi.
Em primeiro lugar, porque não só era importante que você falasse, mas porque eu esperei muito tempo pra ouvir. De todas as certezas que eu tinha, eu precisei duvidar pra ter a confirmação. Uma coisa foi eu ter sentido os seus sentimentos, outra coisa foi ter ouvido de você. Foi bom ter ouvido você dar nome a eles, sem mais medos ou orgulho - afinal estávamos num espaço em que tudo era transparência. Pra mim, acostumada a ouvir seus desabafos, até que foi fácil simplesmente te ouvir, apesar do meu espanto com a sua passionabilidade inédita. Me parecia que só agora você se dava conta (por si só ou por algum aviso espiritual) de tudo que havia acontecido entre nós e o que ocorre agora. E era como se você quisesse me avisar de coisas que eu já sei.
Sim, meu amor, eu sei que não é pra ser. Que cada um tem seu caminho e tem suas próprias coisas a resolver. Afinal, pra viver o NOSSO AMOR (como você mesmo nomeou) não basta só o sentimento: há muitas questões práticas que precisariam também se encaixar. E eu sinceramente já aceitei que isso talvez nem aconteça nessa existência - o que preferi nem citar pois você já se mostrava angustiado o suficiente: era como se você esperasse de mim respostas que só o Tempo pode dar. Troca injusta, né? Você me trouxe certezas pro que eu já não sabia mais, mas eu infelizmente não tenho as respostas pras questões que você queria. Mas dizem que esse mundo não é mesmo justo, não é? Saiba que "quando?" também é uma coisa que eu sempre quis saber... A questão é que não depende só de mim: depende de nós dois.
Mas eu precisei me despedir antes de dizer tudo o que eu gostaria: primeiramente obrigada por tudo que tentou me explicar, mas eu não só já sabia como já tinha aceitado todas as condições pra um dia estarmos juntos (porque eu sempre soube que um dia ficaríamos, mesmo que tenhamos que nascer de novo). E sim, foi muito bom ter sua presença mais uma vez, aquela sensação de "estar em casa" que permaneceu em mim por horas como alfazema na roupa, mesmo depois que você se foi.
Sim, amor, eu também sinto saudade, mesmo tentando me enganar por todos esses anos, justamente como você. E eu me emocionei por ter te ouvido abrir o coração pela primeira vez e "dar nome aos bois" com todas as letras ao sentimento que nos uniu ("AMOR", aquilo que você negou por tanto tempo). E, por último: não, não se angustie por aquilo que não podemos controlar - apenas seja feliz, viva a vida da melhor forma e deixe o resto nas mãos do Destino, como eu já fiz. O que é de verdade sempre resiste, de uma forma ou de outra (acho que disso você já teve prova).
Torço por ti e volte sempre: a casa estará sempre aberta pra uma visita sua.
Axé! Shalom! Amém!
(P.S.: Me desculpe pela demora em responder - é que tive problemas de saúde.)
Pois foi na véspera de Natal que meu filho mais velho, Luke, trouxe essa questão à família: sua terapeuta, analisando-o aos 21 anos, levantou a hipótese dele ter "autismo leve". Na hora eu refutei, achei exagero, porque ele sempre foi uma criança extremamente comunicativa, e hoje, como profissional, continua sendo (o que é necessário pra trabalhar na área artística, como ele trabalha - aliás, depois me aprofundo sobre a questão de identidade de gênero dele que eu não tinha contado aqui). Meu filho então explicou que o autismo não é assim como geralmente é apresentado nas mídias, que há vários níveis, etc. Como estávamos todos meio bêbados e festejando, cada um com um assunto aleatório, acabei esquecendo desse assunto.
Semanas depois, lembrei do assunto e resolvi pesquisar sobre o autismo - encontrei muito material sobre os sintomas na infância, então me desanimei e deixei o assunto de lado um pouco. Recentemente, tive que ir à Clínica da Família com meu pai e ele sugeriu que eu sentasse num banco ali, perto da entrada, enquanto ele aguardava na fila da farmácia. Foi quando fiquei reparando no trânsito das pessoas no prédio: as pessoas que entravam quase sempre davam "bom dia" pro segurança que fica sentado bem de cara pra porta. Me dei conta que eu, quando adentro ao prédio, simplesmente entro e passo direto pelo segurança, até evitando encará-lo - a não ser quando eu precisava de uma informação, aí eu dava "bom dia/boa tarde", pedia a informação, então agradecia e me afastava, mas sempre evitando encará-lo, como se eu tivesse medo por ter feito algo errado.
- MEU DEUS!! - me choquei com minhas constatações - As pessoas devem pensar que eu sou metida ou mal educada!!! Eu nunca fiz por querer...
Foi aí que "virou uma chavinha" na minha cabeça. Cheguei em casa e foquei a pesquisa em "autismo em adultos". Foi então que entendi vários aspectos do meu filho, muita coisa começou a me fazer sentido, e não só em relação a ele, mas EM RELAÇÃO A MIM TAMBÉM, o que mais me chocou. Entrei em grupos do Facebook sobre o assunto, tanto pra quem tem o diagnóstico quanto para pais e mães de autistas, e fui catando ainda mais peças que se encaixam como um quebra-cabeça! Num desses grupos, havia um link para um teste para ajudar no diagnóstico de autismo (era bem enfatizado: o teste não é o diagnóstico em si, mas pode ajudar a discutirmos com o médico esse diagnóstico). Resolvi fazer por fazer. O site recomendava que quem fizesse mais de 32 pontos, buscasse um neurologista ou psiquiatra. Pro meu espanto, fiz 44 PONTOS!!
Entrei em contato com meu filho e comentei por alto que estava pesquisando sobre autismo em adultos e que encontrei um link com um teste que ajudava a rastrear a possibilidade do diagnóstico pra talvez ajudar a terapeuta dele - sem comentar a minha pontuação. Confessei que também estava me reconhecendo em muita coisa que não se encaixava no Transtorno Bipolar e nem no TAG, por isso também fiz o teste e ele ficou de me mandar o link do teste de um site americano que ele tinha feito. Passamos as últimas horas falando sobre isso. Foram só as pausas pra cada um fazer seus testes e ele me mandar o link do teste americano. No teste que mandei pra ele (em que fiz 44 pontos), ele fez 45 - e só então contei minha pontuação. No teste que ele me mandou, que indicava autismo a quem fizesse mais de 65 pontos, ele fez 195 e eu 197!! Ele também pediu pra mim algumas lembranças de infância como a terapeuta pediu, sobre seu comportamento e tals... E a princípio eu o achava uma criança tão normal, fui verificando muitas particularidades que começaram a fazer sentido, como o fato dele não ser fisicamente carinhoso (era até meio arredio, pra irritação do pai dele, que era grudento) e a alta sensibilidade a alguns tecidos - que ele afirmou que tem até hoje, não veste roupa passada de jeito nenhum, por exemplo.
Quando resolvi comentar com minha mãe sobre isso, ela veio com aquele "ahhh, não!! Não me inventa mais doença não!", mas quando comecei a comentar os sintomas que eu e o Luke estávamos compartilhando por WhatsApp e toquei no assunto dos tecidos, minha mãe arregalou os olhos na hora, como se dessa vez, "a chavinha" tivesse virado na cabeça dela:
- Você era igualzinha quando era criança!!!
Hoje sou muito mais tolerante à maior parte dos tecidos, mas acabo de me dar conta de que não suporto cobertores, por exemplo: tô usando um mas com uma coberta por baixo, pra não encostar em mim. E eu já cheguei a ficar tão agoniada com etiquetas de roupas que já cheguei a danificar algumas peças arrancando as etiquetas impulsivamente.
Só sei que a minha relação com meu filho, que andava um pouco distante por causa de diferença de horários, o fato dele já estar planejando uma nova vida com seu companheiro, sua vida ocupada com a profissão e o aproveitamento de sua juventude (e a minha, ocupada cuidando dos meus pais), agora tem sido cada vez mais próxima por finalmente nos reconhecermos um no outro, trocarmos informações (e eu que tô aprendendo mais com ele, acreditem!), entendermos que entre mãe e filho com tendência tão grande não só ao autismo mas também a outros transtornos, existe amor sim, mas um amor mais contido, que sente saudade mas não sabe como vai dizer, e que eu não preciso mais me sentir tão culpada achando que, por ter supostamente sido uma péssima mãe, meus filhos ainda guardariam mágoas de mim - o que foi o mais importante nessa época em que se aproxima o Dia das Mães.
Autista ama sim. Bipolar ama sim. Borderline ama sim. A gente só ama um pouquinho diferente...
Obrigada, Deus e Orixás, pelos meus filhos do jeitinho que são!
Amém! Shalom! Axé!
Eu tinha ficado confusa em relação ao Geminiano, afinal ele tava sendo bem carinhoso comigo, então resolvi retribuir o carinho. Mas em certa madrugada relembrei da noite que passamos juntos, dos padrões de comportamento, das coisas que ele falou da vida dele, e isso tudo me fez questionar: será que daria certo um relacionamento, como ele estava propondo, entre mim, com todas as minhas questões pessoais e ele com todas as suas questões pessoais (ele citou até depressão).
Mandei então uma mensagem pra ele com todos esses meus questionamentos, da forma mais delicada possível, esperando que ele compreendesse. O que recebi foi um longo áudio dele num tom totalmente alterado, me acusando de ser negativista (já que o que ele esperava era outra mensagem carinhosa), levantando a hipótese d'eu ter consultado oráculos, me acusou até de MACUMBEIRA (sendo que nunca neguei que era, mas ele tornou isso uma palavra pejorativa), enfim, tudo isso ao invés de conversar sobre essas questões de forma adulta e madura. Algo dentro de mim já me dizia que isso não ia dar certo (eu e minha mania de não confiar na minha intuição), além do mais, ninguém muda assim, em 2 meses. Pensei que minha ausência o tinha feito repensar, mas a verdade é que o problema de fato não era meu: ele tem todos os padrões de ser narcisista (odeio essa palavra, mas todos os sinais indicam).
Respondi que quem fala tanto de "depressão" é ele, e falei mais uma vez pra procurar ajuda profissional. Todos nós somos feitos de Luz e Sombra, e precisamos lidar com a Luz e Sombra tanto nossas quanto das outras pessoas. E que eu sou assim mesmo: questiono mesmo, interna e externamente; relacionamento não é mar de rosas - já fui casada por mais de 11 anos, PELAMORDEDEUS, eu sei bem como é! Se ele prefere se iludir de que sua "depressão" só vai ser curada quando encontrar uma mulher "maneira/legal/companheira", é nítido que ele busca uma substituta pra falecida mãe dele. Ele quer ser cuidado, mas o quanto está disposto a cuidar? Enfim, disse isso tudo e confirmei no final que, não que tenha a ver com tudo isso, EU SOU MACUMBEIRA SIM!!! E COM MUITO ORGULHO!!
Antes meus guias, que me protegem de embustes como este, do que virar dependente emocional de um narcisista (já passei por isso, já chega)!
Ele não respondeu mais nada e espero que agora ele tenha entendido de vez. Agora sim, livre deste e de outras pessoas controladoras e que nos fazem nos sentir culpadas por sermos nós mesmas, estou com o coração aberto para um novo e sincero amor. Com os pés no chão, sem pressa.
2023 será um ano fantástico! E ninguém vai me fazer me sentir mal por quem sou de verdade.
E tenho dito!
Axé-Shalom!
(P.S. de 06/04/2023: o Geminiano me procurou de novo, aff... Dessa vez descasquei ele num esporro federal, bloqueei ele de todas as redes sociais e bloqueei até pra ligação e SMS seu número pessoal e o de trabalho, de onde ele entrava em contato quando eu bloqueava o pessoal. CHEGA!!!)