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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Eu e TB, TB e eu


Sinceramente, não me ofendem as piadas e termos jocosos com as quais as pessoas se divertem em relação ao Transtorno Bipolar. Seu nome, inclusive, virou moda, e as vzs até xingamento. Não me incomodam mesmo, às vzs até entro na brincadeira tbm, mas o q me incomoda é q as pessoas q comentam realmente não sabem NADA sobre o Transtorno Bipolar. É o q as pessoas chamam de "pré-conceito".

Então, como real portadora deste com o qual eu tenho intimidade desde q me conheço por gente (mas q só tomei conhecimento de ser portadora há 3 anos e meio), me sinto não só no direito, como na obrigação de dizer o q realmente ocorre nesta doença.

Primeiro erro: as pessoas acham q os bipolares mudam de ideia a cada segundo. Isso na verdade não se trata de uma característica do transtorno, mas sim uma característica de uma personalidade insegura. Pessoas podem mudar de ideia como quem muda de roupa sendo OU NÃO bipolares. Então o q, afinal, retrata um possível Transtorno Bipolar????

Por tudo q já li, por tudo q já vivi, e por tudo q vejo em outras pessoas tbm diagnosticadas, posso dizer q o maior perigo do Transtorno Bipolar é a INTENSIDADE. A alegria é sem limites, a depressão é sem limites, NÃO HÁ MEIO TERMO. Pessoas saudáveis têm seus momentos de alegria, têm seus momentos de tristeza, mas todos têm razão de acontecer, e na maior parte do tempo essas pessoas vivem a EUTIMIA (humor normal). As bipolares podem tomar decisões errôneas na euforia, acreditando q tudo vai dar certo no fim, podem iniciar um processo de alcoolismo ou de uso de drogas durante essa fase sem medir as consequências. Da mesma forma q a depressão é tão intensa q, na intenção de matar a dor e não a si mesmo, mtos bipolares tentam suicídio ou usam de automutilação. Uso de drogas e álcool nessa fase tbm é comum.

O nosso humor muda "de uma hora prá outra" no sentido de q não há fator externo q faça nosso humor mudar. Como disse uma psiquiatra minha certa vez, "é tudo química do cérebro". A química muda, o humor muda. Mas não é o tempo todo: há euforias q duram meses, há depressões q duram meses, até anos. Pessoas deprimidas por anos q tiveram apenas um episódio de euforia sem motivação externa podem ser diagnosticadas como bipolares. É por isso q o diagnóstico é tão difícil, pq depende da observação do paciente durante anos.

Em mtos casos - como aconteceu comigo - uma pessoa é considerada deprimida ou ansiosa demais (TAG, assunto prá outro post), passa a fazer tratamento com antidepressivos e daí a "bagunça" começa. Tudo pq os antidepressivos em bipolares não surtem o efeito desejado se usados sem um moderador de humor. Durante meu tratamento para ansiedade, eu tinha picos de euforia, e dias de depressões cada vez mais profundas, coisa q eu não entendia. Portanto, me sinto na obrigação de alertar: PAREM DE ACHAR QUE ANTIDEPRESSIVO É PÍLULA DA FELICIDADE!! Ela precisa ser receitada por um psiquiatra competente, q observará o seu comportamento ao longo do tratamento.

O Transtorno Bipolar tem grande fator genético, assim como outros Transtornos Mentais. Geralmente quem tem TB tem algum parente q tem ou já teve episódios depressivos ou psicóticos (mania de perseguição). No meu caso, meu avô paterno teve depressão, minha mãe tem esquizofrenia, eu tenho TB e comorbidades (doenças q acompanham o transtorno), a minha filha caçula tbm teve o diagnóstico de TB. O mais importante, tanto para o paciente qnto para os parentes e amigos é compreender a situação e aceitar q uma qualidade de vida é possível com o tratamento correto. A psicoterapia tbm ajuda mto. No começo, foi difícil prá mim pensar q eu teria q tomar remédio prá sempre, remédios q "modificariam meu comportamento" - houve certa crise de identidade. Com ajuda de uma psicóloga, aprendi exercícios prá compreender quem eu sou de verdade, o q o transtorno faz na minha vida, ou os medicamentos. Hj não faço mais terapia psicológica, mas foi 1 ano e meio de mto aprendizado.

Hj eu me trato com a  mesma psiquiatra de 3 anos e meio atrás, com quem me entendo mto bem. Há abertura de diálogo dos dois lados, e toda mudança de medicação é discutida de igual prá igual. Acho isso importante. Pq a gente muda mtas vzs até encontrar a medicação certa... Agora o foco é controlar uma das minhas comorbidades, a tricotilomania - eu e a dr. Valéria temos discutido possíveis soluções há cerca de 1 ano. Me sinto tão estável com o lítio+fluoxetina+rivotril+haloperidol q as vzs tenho medo sim de mudar isso... Mas talvez o topiramato seja uma solução melhor. Enfim, a intenção da psiquiatra é tornar minha vida melhor, e realmente, desde q comecei o tratamento prá cá, pude notar uma melhora na condição mental, concentração, ansiedade e relacionamentos interpesssoais. Mas, mais q tudo, ME SINTO EM PAZ, CAPAZ DE LEVAR UMA VIDA NORMAL.

Afinal eu TENHO UM TRANSTORNO, eu NÃO SOU o transtorno.


Bipolares podem ter uma vida normal e feliz, como eu tenho hj. Se vc acha q pode ter algum transtorno ansioso ou de humor, busque um psiquiatra!! A rede pública tem ótimos profissionais, eu mesma me trato na rede pública... Só não viva tentando tapar o sol com a peneira. Pq o maior sofrimento do bipolar não aparece prá sociedade: são os tormentos mentais q nos tomam, sentimentos e pensamentos q tomam vida dentro da mente e perturbam e deixam-nos perturbados. A PAZ NÃO TEM PREÇO.

Espero que eu tenha conseguido resumir esse complexo transtorno. Comentem à vontade, e se quiserem, usem o texto com a mesma liberdade!

Ia'Orana!
Shalom!

2 comentários:

Diário insano de uma bipolar disse...

Realmente esta é uma doença muito difícil
Mas quero agradecer seu depoimento, estou apredendo com o exemplo de muitos blogueiros bipolares que viver normalmente é possível mesmo com essa doença...
Fui diagnosticada de vez há menos de seis meses, num surto, que me deixou bem traumatizada.
Atualmente tomo o Lítio com Riss, o Riss para euforia mesmo é excelente, te acalma, faz dormir:-)

Só que não conto para ninguém que tenho essa doença, atualmente estou desempregada, acho que surtei pois tive uma demissão semestre passado, acho que a doença pode atrapalhar para eu arrumar emprego, não sei...

O que mais sinto nesta doença é o sono causado pelos remédios, sempre fui de dormir pouco, agora durmo se deixar mais de 12 horas numa noite...

Mas vamos seguindo né? Se Deus quiser, as coisas se ajeitam

bjs e obrigada

Dannie Machado disse...

Realmente, a gente não pode sair contando prá todo mundo... A coragem do depoimento é pela proteção de pseudonimo e foto modificada, senão ia ser difícil encontrar emprego (eu q tbm estou procurando).

Mas, ó: é possível ser feliz sim! Eu no começo tbm dormia mto, hj durmo normal, 8 a 9 horas e fico bem. Seu diagnóstico é mto recente, eu demorei a aceitar tbm... Mas tem luz no fim do túnel. Aliás, não no fim, pq temos mto o q viver!

Tudo de bom!!

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