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sábado, 14 de abril de 2012

A roda da fortuna

Não, não era amor. Era um fascínio idealizado, dentro das circunstâncias que me eram instigantes. Eu sabia disso, mas acabei me envolvendo demais. Meus dias agora eram gastos nas formas de fugir, mas a verdade parecia me perseguir - como se tudo já não fosse torturante demais.

Soube do evento que ocorreria na faculdade, e achei q seria interessante dar uma circulada - quem sabe, conhecer gente nova? Não demorou muito para que eu e minha amiga déssemos de cara com o casal recém-formado - do qual eu fugia. Minha amiga estava interessada em uma outra pessoa presente e sugeriu dar uma volta. Concordei prontamente.

Foi fácil encontrá-lo. Ele é figura carimbada nos eventos - pelo menos nos poucos no qual estive presente. Estranhamente, quando nos aproximamos e ele veio em minha direção para os costumazes beijinhos no rosto, meu coração deu um pulo. Uma das mãos segurou firmemente meu rosto, o olhar semicerrado quase se aproximando da minha boca. O abraço terno que ocorreu logo em seguida me deixou ainda mais confusa. Eu nem tinha bebido ainda, mas será que ele já? Certamente, nesse caso, minha amiga teria sentido alguma alteração também. Não, ela não notara nada.

Sabe quando você conhece alguém que acha muita areia pro próprio caminhão? Pois é, foi assim no primeiro dia de aula. Um cara super interessante, carismático, mas além de tudo, era meu momento de estudar e não pensar nessas coisas... Quem diria! Enfim: todas as vezes q nos encontrávamos, formei uma barreira. Bloqueei mesmo. E acabou que apareceu uma outra pessoa q me distrairia... E da qual eu passei a fugir.

Quando eu voltava depois da minha saga prá conseguir um banheiro, essa minha amiga me alertou que ele tinha se espantado com minha ausência, parando em meio de seus compromissos para perguntar se eu já tinha ido embora. Não acreditei a princípio, ou não quis acreditar. Ele lembrava do meu nome???... Lembra a estória da barreira? Pois é... Momentos depois ele reapareceu com outra camisa. Dizia que agora podia abraçar, e assim se aproximou de mim, me envolvendo firme e calorosamente. Senti o corpo amolecer em seus braços, apoiei meu queixo no seu ombro, e ele começou a se movimentar levemente ao som da música, eu seguindo seu balançar. Depois de segundos que pareceram anos, de forma igualmente lenta, ele foi me soltando e eu pensei que, por simpatia ia abraçar minha amiga também. Se desculpou mas tinha que resolver algo. Olhei para minha amiga, e ela estava com olhos esbugalhados me olhando com um sorriso cínico no rosto. Ruborizei estranhando a reação daquele abraço em mim.

O resto da noite seguiu sem ele, mas foi mto agradável, conhecendo novas pessoas, me aproximando mais de amigos já presentes na minha vida, lembrando do abraço quente que me deixou tonta... Depois de algumas cervejas, verdades saem, gargalhadas tbm.

Fui me despedir de um amigo, e aproveitei que ele estava perto. Dessa vez foi difícil, prá mim, desgrudar. Desejei muito que as cervejas na mente não me fizessem entregar o ouro - ou qualquer coisa, a desculpa eram as cervejas. Como o evento estava acabando, resolvemos aguardar o resto do pessoal prá comer algo por aí. Nisso, papo vai, papo vem, olhares aqui e ali, um novo abraço aparentemente sem motivo. Olhei prá minha amiga como que para confirmar: será que eu estava me enganando de novo??? O mesmo sorriso cínico que recebi me dizia que não, eu não estava louca. Pelo menos, não dessa vez. Taquicárdica como uma adolescente, me despedi mais uma vez, pq infelizmente ele não nos acompanharia no lanche. Será que eu ia me machucar de novo com esses meus achismos? Lembrei do primeiro dia, das conversas no ônibus sobre peixes, exames, biscoitos e prá onde eu ia do centro da cidade... Meu D'us!! Eu tava distraída da minha própria verdade! Tudo porque eu achava areia demais... Ai, ai, até onde essa minha baixa autoestima ia me levar? Parece que gosto de sofrer e escolhi a estória errada de propósito! Por isso gosto de escrever: as fichas finalmente caem.

Como sou boba... Comecei a noite melancólica, agora eu tremo em lembrar da agradável surpresa. A situação inusitada me fez repensar toda minha estória afetiva até aqui. Me dei conta q sempre busquei a estória mais difícil por ser mais instigante. Quanta gente interessante já posso ter deixado passar...

Bem, prá onde a estória vai, não sei. Eu nem sabia q ia dar nisso! Se vai, se fica por aqui - aprendi a não contar com nada, porque a roda da fortuna gira. Ora de forma mais lenta, ora de forma mais rápida, mas gira sempre. Mas a segunda-feira nunca me foi tão interessante quanto agora...


Ia'Orana!
Shalom!



Um comentário:

Dilmar Gomes disse...

Danie, passando por aqui para apreciar teu post.
Um abraço. Tenhas um lindo fim de semana.

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