"...Por eu ser assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz... Eu sou feliz!"
Mistura de vida, ficção, música e loucura.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
O Louco e o Sonho - Thiago de Rezende
Chorou, riu e sonhou
E viu no céu um brilho intenso
Da cor que ele sempre sentiu
No seu intimo vendo o mundo que penso
Sim, mas era noite, noite escura
Mas jura o louco que sabia a verdade
Pois quando perdeu-se na sua vaidade
De ter o mundo falso aos seus pés
O louco então voltou a sonhar
Mesmo acordado começou a pensar
Na vida vadia que um dia ele tinha
De passado passado em panos tardios
Assim o louco lembrou que era louco
E voltou a se perder no mundo que criou
O louco assim de repente voltou
As horas passaram, ninguém o viu
O louco parado no canto partiu
Em mais uma nova e inédita viagem
Sem ter que precisar um dia passagem
Para ir além das fronteiras da vida
O louco simplesmente seguiu sua partida
E foi embora o louco dali
Sem sair do lugar ninguém mais pode ver
O que existia no louco pra se ver
O mundo que ele pintava assim
De cores e dores que cantava pra mim
O louco simplesmente se silenciou
E nunca mais o louco acordou"
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Aos Nossos Filhos
"Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...
Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...
Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...
E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...
E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...
Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...
Digam o gosto pra mim..."
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Meu dia de Virginia Woolf
Deito na cama, ponho no canal de música clássica da tv a cabo, e olho a linda lua crescente pela janela. Meus olhos sonolentos quase fecham, multiplicando a imagem da lua na minhas pupilas. Talvez isso tenha me feito despertar para mim mesma, principalmente nos últimos dias. Tenho tido uma sensação q há mto já não tinha: a de ser duas pessoas num corpo só. E essas pessoas são tão distintas q a consciência delas me faz me perguntar se não enlouqueci de vez.
Ora sou só otimismo, tão cheia de garra, pronta pro q der e vier. Logo essa mulher dá lugar a outra, autodestrutiva e melancólica, cujo maior desejo é fazer o máximo para conseguir não acordar dos sonhos - q têm sido mais emocionantes q minha vida real, diga-se de passagem.
É um esforço enorme tentar me manter na primeira - ainda q com certa moderação, pq no bipolar, tudo q é demais estraga - ainda mais sem os apoios mais próximos da psiquiatra e da psicóloga. A psiquiatra só tem horário prá maio, a psicóloga pelo menos vai voltar ao trabalho nessa semana... Talvez isso alivie minhas angústias, ou talvez ela me encaminhe à uma emergência de vez...
Por outro lado hj dei início a uma atividade agradável: a dança. Entrei na ala coreografada da escola de samba daqui do bairro e hj foi meu primeiro dia de ensaio. Suei prá caramba nesse calor de rachar, com a esperança de perder algum peso até o carnaval (bipolar tbm tem suas vaidades, ué, rs), sem falar q dançar é divertido e um exercício aeróbico. O problema só foi depois, qndo senti um estranho ataque de pânico. Pensei q era a má condição física q essa vida sedentária me proporcionou, mas quase ao final do ensaio comecei a sentir algo no meio do peito, uma angústia, uma ansiedade inexplicável e indescritível... Tudo pareceu distante por um momento, até q alguém mto abençoado se aproximou prá me oferecer água... Foi qndo consegui me distrair daquela sensação. Já até sei q vou ter q levar meu rivotril pra avenida como fiz no ano passado...
Queria ter o poder de Virginia Woolf de descrever sua sensação de dubiedade. Queria ter a força q ela teve de se despreender do marido q tanto amava prá q sua doença não mais o prejudicasse. Mas não, não queria ter coragem de cometer suicídio. Tem q ter mta coragem mesmo... Assim como a tentadora coragem de dar o passo em falso em direção ao buraco da depressão. A depressão às vzs parece tão bonita, e poética, e até preenchedora em algumas situações... Mas minha luta atual é criar forças para me livrar dessa tentação e tomar as rédeas da minha própria vida. Afinal, não posso deixar isso tomar conta de mim prá sempre! Não quero ter o fim de Virginia...
Aff, deixa eu parar por aqui, pq a sonolência priva-me de todos os limites...
Ia'Orana!
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
O LOUCO - de Reinaldo Simões
"Então o louco
Depois de ter insultado meio mundo
De ter sido esbofeteado
Massacrado
Descobriu pouco a pouco
O que poderia saber em 1 segundo.
Que seu cérebro era de ferro
Marcado por dentro e por fora.
Toda hora o berro da sanidade
Escapava pelos parafusos mal atarrachados
E saía pela boca como fosse iniquidade
Jamais aceitariam
Os figurões da moral
Aqueles de sentimentos agachados
Mas de olhar torto e boçal
Que um louco daquela idade
Pudesse em alguma coisa ter razão.
Seria o mesmo se os mudos falassem
Se os gatos pensassem!
Seria a loucura então."
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Insônia
Com tantos medicamentos, é natural prá q eu vire um zumbi, mas já passou da hora desse efeito passar! É isso q não entendo: se em novembro e dezembro eu tava tão melhor, com mais energia, até o humor tava melhor... Viajamos, com uma p*** semana de férias, para um verdadeiro paraíso, com amigos agradabilíssimos, ri demais, daí volto e - tá bem, confrontei alguns probleminhas, mas é a vida, né? Nada q me perturbasse realmente, pelo contrário, foi um desabafo. Agora tudo q eu queria era manter o bom humor e a vitalidade do fim do ano passado prá curtir esse fim de férias escolares e me preparar para o início das aulas. Só isso q eu queria, seria pedir demais???
Mas não: volto a dormir mal, com sono superficial e me perseguindo o dia inteiro!!! Já não levanto da cama, mas me rastejo. Rastejo até a cozinha, ligo a tv num canal de desenho prás crianças, faço seu leite matinal, faço o meu (prá iniciar a sessão de remédios do dia) e volto prá cama. E se deixar, é lá q eu vou passando o dia. E não é de hj, pois na sexta-feira passada eu já tava pensando em me alimentar melhor pensando nisso, parar de comer besteira, e enchi a geladeira de vegetais, frutas, etc. Não era prá eu estar mais bem disposta??? O q eu tô fazendo de errado??
Pior de tudo é q uma coisa leva a outra. 3 dias inteiros na cama só pode trazer mais desânimo, prá não dizer uma "pontica" de depressão (q tento espantar a qualquer custo). De vez em qndo eu tentava levantar, ajustar uma coisa ou outra q eu tava precisando prá mudar os móveis de lugar, principalmente despachar coisas q já não interessam mais, mas chega uma hora... Q não páro de bocejar, e tudo q eu quero é um lugar prá recostar. Hj o Discovery Channel agradeceu mto minha audiência. Cada vez q eu abria os olhos era um programa completamente diferente. E o pior: a certeza de q essas "sonecas" vão atrapalhar ainda mais meu sono noturno, mas não sei mais o q fazer. Já tentei um pouco de álcool, já tentei dobrar a dose noturna do clonazepam, já tentei fazer uso do álcool com o clonazepam - o q nem recomendo, até pq não tive sucesso. Agora tô numa fase "natureba" (como se eu já não fosse meio assim): o clonazepam continua em sua dose costumeira, mas agora estou usando passiflora tbm. Hj é o segundo dia. Vamos ver no q vai dar...
Saudações sonolentas (antes q eu apague com a cara no teclado)...
Ia'Orana!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Mais uma vez, Maysa
Férias longe do continente, em outro "mundo", quase pensei tbm ser outra pessoa tbm. Ser mais eu. E fui. E foi mto bom.
Mas a gente tem q voltar pro mundo real, né... E no mundo real, os problemas continuam lá, e com tanta auto-confiança, as vzs podemos lidar com isso de forma menos irracional do q outrora. Bom, mas enfim, talvez seja o primeiro passo para as mudanças q 2009 talvez esteja preparando para nós. Acho q baixar a cabeça tem um limite, e qndo passa desse limite, temos de cortar o mal pela raiz, nem q seja para sacrificarmos a nós mesmo. Um sacrifício hoje, um pouco de paz amanhã.
O problema nem foi esse, pq o "tal purgante" já estávamos tomando havia tempos. Não desce mais. O problema foi q - falando de medicamentos - um dos meus estava em falta no posto na semana passada: a fluoxetina. Até aí tudo bem, só poucos dias mesmo sem medicamento, e continuando com o ácido valpróico, com o rivotril... Não ia me matar, né? Até q ontem, assim, sem mais nem menos, saí do banho, sentei na cama ainda envolvida pela toalha, e me pus a chorar. Chorar mto. Soluçar e quase gritar, se eu pudesse. Sorte das crianças eu tê-las mandado pro banho para não ter q assistir àquela cena deplorável. Não sabia o q fazer, até q alcancei o celular na mesinha de cabeceira e sem pensar mto, liguei pro Mr. G - eu precisava conversar com alguém, e na hora eu nem pensava mto, pq geralmente nesses casos não gosto de preocupá-lo enquanto está trabalhando até pq ele não tem mto o q fazer por mim mas... Sei lá, eu só precisava conversar com alguém!!
Tá bom, ele atendeu. Mas conversar sobre o q?? Eu não tinha motivos para chorar tão intensamente, nem de alegria nem de tristeza; não me sentia deprimida; tudo q eu via qndo olhava prá dentro de mim era nada! A razão prá eu chorar daquele jeito era NADA! Vai fazer Mr. G (ou qualquer pessoa normal) entender isso!...
Vi q a abstinência da fluoxetina estava realmente fazendo o efeito q eu renegara. Decidi sair com as crianças, fui no posto e peguei as benditas cápsulas verde-amarelas...
Minha noite foi um inferno. Aliás, vou ter q penas alguns dias prá voltar tudo ao normal... Não dormi, arranquei mto cabelo e pensei com certa obsessão no certo prazer q a dor as vzs é capaz de provocar... Lembrei de qndo eu ainda podia doar sangue, e aquela agulha finalmente encontrava minha veia, aquele arrepio gelado, a sensação de quase sair do corpo... Como qndo "tatuei" símbolos na minha pele com agulha comum, em casa. Vai tentar explicar a alguém o pq de vc ter feito isso!... Ninguém entende, nem entenderá. A não ser q seja mais um irmão q se contorce por dentro como nós.
Mudando totalmente: estou assistindo à série "Maysa - quando fala o coração". Produção impecável e extremamente interessante. Se tudo correu do jeito contado, certamente Maysa foi mais uma maníaca-depressiva incompreendida. Qntos alcólatras, suicidas, narcômanos tbm não passam de bipolares ou de outros doentes do sentimento incompreendidos? Acho q hj, em quase 2010, já passou da hora do nosso preconceito global parar de provocar finais trágicos como o da cantora - ou vidas traumatizadas por tratamentos desumanos em "clínicas psiquiátricas".
Xô, uruca!! Q 2009 venha com toda sua luz!! Prá todos nós!!
Ia'Orana!
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Fechando mais um ciclo
Não estou mais apreensiva de como será o futuro. O futuro sou eu quem faço. Assim como fui eu q fiz minha própria vida até aqui. E a gente fica pensando tanta besteira, tanta superstição...
Meu 2009 já está sendo bom desde agora! Pq sou EU q faço meu estado de espírito!! Minha mente é a força q faz a minha vida, e não posso esperar pelo contrário, senão, dá no q deu... Eu apagando a mim mesma cada vez mais, prá dar espaço a uma ficha médica. Eu não sou um diagnóstico! Mas aceito q o diagnóstico faz parte de mim. Só isso!!!
Agora, com as crianças de férias, vou aproveitar prá curtir meu novo estado de espírito com elas...
Ia'Orana!!
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Back to Black (or White, or Grey)
A vida tá corrida, o q me dá pouco tempo para me desanimar da vida. Mas tem sintomas q são bem visíveis dos contrastes q ainda tenho vivido. A depressão não se deixa esquecer pela falta de apetite. Ainda q eu me force a comer, ânsias de vômito me obrigam a parar e tomar fôlego, seja lá o q eu esteja fazendo.
Já a ansiedade chega cheia de volúpia, com seus impulsos físicos, gastronômicos, insones... Nunca consigo achar meu limite no comer, na agressividade, e mto menos consigo dormir. Tento então tirar o melhor dela, pq nem sempre a ansiedade agita - ela tbm paralisa. Então qndo não paralisa, eu a tomo com todas as forças e reviro a casa atrás de coisas q não fazem mais sentido prá mim, mas podem fazer prá outro alguém. É bom "aliviar a bagagem", abrir caminho para novas coisas q não deixam de ser apenas materiais, mas q ainda assim fazem parte do caminho do espírito.
2008 foi um ano complicado prá mim. Deixei cair a mulher forte e confiante q eu era em algum lugar e me rendi a um diagnóstico. Parafraseando Maísa, "meu mundo caiu", não sabia mais quem era e vivi um tornado, um terremoto interno q me tornou frágil como a estrutura de um edifício. Essa coisa de 8 ou 80 tá me cansando à medida q vou chegando aos 30. Não sou mais uma adolescente - ainda q me veja dessa forma ainda - tá na hora de encontrar meu equilíbrio. Não preciso ser essa explosão q todos esperam de mim o tempo todo: posso ser uma lanterna, de luz constante e tranquila, não mais um pisca-pisca de Natal... Q droga, já to caindo no ridículo. Mas fazer o q se os sentimentos mais profundos - assim como as cartas de amor - são todas ridículas? Tem coisa mais ridícula q um revival de fim de ano? Mas, continuando com Álvaro de Campos: "Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas."
Se não vê-los até lá, feliz Natal!
Ia'Orana!
domingo, 23 de novembro de 2008
Roda Viva
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...(4x)
E num tem dia mesmo assim?...
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Meus Contrastes
Voltei a me dedicar à minha espiritualidade. Estou relendo - conforme a ansiedade permite - livros q eu já tinha lido e voltei a frequentar as sessões de educação mediúnica no meu CE, além dos estudos e trabalhos q eu já fazia lá. Havia abandonado justamente por estar me sentindo perturbada, frágil demais. E pq o exercício da mediunidade exige uma responsabilidade q eu tinha medo de entregar. Resultado: 2 meses depois, surtei de vez. Mas agora q voltei, me ajuda a me concentrar e oração tbm nunca é demais. Estranho foi conversar sobre isso com minha terapeuta. Sei lá, as vzs pra maioria das pessoas uma coisa nada tem a ver com a outra, e até mesmo eu q acho q tem a ver, me confundo com os pontos de intersecção. Prá isso eu leio mto. E divago mto. Até conseguir minhas próprias respostas...
Ótimo fim de semana! Ia'Orana!