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segunda-feira, 16 de março de 2009

Quem de nós dois - Ana Carolina

"Eu e você
Não é assim tão complicado
Não é difícil perceber...

Quem de nós dois
Vai dizer que é impossível
O amor acontecer...

Se eu disser
Que já nem sinto nada
Que a estrada sem você
É mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara
Eu já conheço o teu sorriso
Leio o teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
O que eu já nem preciso...

Sinto dizer que amo mesmo
Tá ruim prá disfarçar
Entre nós dois
Não cabe mais nenhum segredo
Além do que já combinamos

No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso
Meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada....

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro...
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida

Eu procurei qualquer desculpa pra não te encarar
Pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar
Que eu já não tô nem aí pra essa conversa
Que a história de nós dois não me interessa...
Se eu tento esconder meias verdades
Você conhece o meu sorriso
Lê o meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
O que eu já nem preciso...

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro...
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida"

Encostar na tua - Ana Carolina

"Eu quero te roubar pra mim
Eu que não sei pedir nada
Meu caminho é meio perdido
Mas que perder seja o melhor destino...

Agora não vou mais mudar
Minha procura por si só
Já era o que eu queria achar
Quando você chama meu nome
Eu que também não sei aonde estou
Pra mim que tudo era saudade
Agora seja lá o que for...

Eu só quero saber
Em qual rua a minha vida
Vai encostar na tua...
(2x)

E saiba que forte eu sei chegar
Mesmo se eu perder o rumo

E saiba que forte eu sei chegar
Se for preciso eu sumo...

Eu só quero saber
Em qual rua a minha vida
Vai encostar na tua...
(2x)

Eu quero te roubar pra mim!"

terça-feira, 10 de março de 2009

Almas Expostas - Paulo Roberto Gaefke

"Chega um dia em que,
cansados de tanta repetição,
observamos os nossos olhos e acabamos
enxergando a alma,
e você sabe, a alma não mente,
não se esconde atrás da maquiagem,
nem do sorriso quase
que decorado...

A alma é uma fotografia exposta
de nossos medos,
retrato real dos desejos escondidos,
das perdas,
daquele velho sonho aprisionado,
e as vezes clama por atenção,
pede verdades que você insiste em
não querer ver,
pede atitudes que você não quer tomar,
pede decisões que lhe são
muito caras,
e por comodismo ou medo,
vai deixando de lado,
e a sua vida também vai
ficando de lado,
meia-vida, meios-sonhos,
meia-esperanç a,
vida passando,
simplesmente passando...

Eu desejo,
que neste dia a sua alma se revele,
que você escute o seu "eu"
mais profundo,
que tire os sapatos dos compromissos
formais,
e se mostre de verdade,
revelando essa pessoa especial,
que como todo mundo,
tem defeitos e qualidades,
que precisa amar e receber amor
para que a alma seja preenchida,
e seu rosto reflita,
um brilho sem igual,
de quem encontrou a chave perdida,
que abre as portas da vida,
vida que se renova,
vida que nos aproxima,
nos torna iguais,
capazes de seguir adiante,
como quem diz,
eu mereço o melhor,
eu quero um novo despertar,
recomeçar,
sem medo de ser feliz.

Eu acredito em você"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ciclos

Nesses ciclos q vão e vem, no vendaval q eles deixam pelo caminho, vou esperando me resolver prá poder me manifestar. É complicado escancarar o coração qndo há outras pessoas envolvidas... Já fiz esta bobagem e aprendi deveras!

Enquanto isso, deixo aqui mais um texto q não meu (como tenho feito), mas com o qual me identifiquei mto - talvez por ser "tão bipolar". E, melhor ainda: é de Fernando Pessoa!

"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu. "

Ia'Orana!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O Louco e o Sonho - Thiago de Rezende

"O louco acordou
Chorou, riu e sonhou
E viu no céu um brilho intenso
Da cor que ele sempre sentiu
No seu intimo vendo o mundo que penso
Sim, mas era noite, noite escura
Mas jura o louco que sabia a verdade
Pois quando perdeu-se na sua vaidade
De ter o mundo falso aos seus pés
O louco então voltou a sonhar
Mesmo acordado começou a pensar
Na vida vadia que um dia ele tinha
De passado passado em panos tardios
Assim o louco lembrou que era louco
E voltou a se perder no mundo que criou
O louco assim de repente voltou
As horas passaram, ninguém o viu
O louco parado no canto partiu
Em mais uma nova e inédita viagem
Sem ter que precisar um dia passagem
Para ir além das fronteiras da vida
O louco simplesmente seguiu sua partida
E foi embora o louco dali
Sem sair do lugar ninguém mais pode ver
O que existia no louco pra se ver
O mundo que ele pintava assim
De cores e dores que cantava pra mim
O louco simplesmente se silenciou
E nunca mais o louco acordou"

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Aos Nossos Filhos



"Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...
Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...
Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...
E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...
E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...
Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...
Digam o gosto pra mim..."

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Meu dia de Virginia Woolf

“A beleza do mundo tem duas margens; uma do riso e outra da angústia, que cortam o coração em duas metades.” - V. W.
Deito na cama, ponho no canal de música clássica da tv a cabo, e olho a linda lua crescente pela janela. Meus olhos sonolentos quase fecham, multiplicando a imagem da lua na minhas pupilas. Talvez isso tenha me feito despertar para mim mesma, principalmente nos últimos dias. Tenho tido uma sensação q há mto já não tinha: a de ser duas pessoas num corpo só. E essas pessoas são tão distintas q a consciência delas me faz me perguntar se não enlouqueci de vez.
Ora sou só otimismo, tão cheia de garra, pronta pro q der e vier. Logo essa mulher dá lugar a outra, autodestrutiva e melancólica, cujo maior desejo é fazer o máximo para conseguir não acordar dos sonhos - q têm sido mais emocionantes q minha vida real, diga-se de passagem.
É um esforço enorme tentar me manter na primeira - ainda q com certa moderação, pq no bipolar, tudo q é demais estraga - ainda mais sem os apoios mais próximos da psiquiatra e da psicóloga. A psiquiatra só tem horário prá maio, a psicóloga pelo menos vai voltar ao trabalho nessa semana... Talvez isso alivie minhas angústias, ou talvez ela me encaminhe à uma emergência de vez...
Por outro lado hj dei início a uma atividade agradável: a dança. Entrei na ala coreografada da escola de samba daqui do bairro e hj foi meu primeiro dia de ensaio. Suei prá caramba nesse calor de rachar, com a esperança de perder algum peso até o carnaval (bipolar tbm tem suas vaidades, ué, rs), sem falar q dançar é divertido e um exercício aeróbico. O problema só foi depois, qndo senti um estranho ataque de pânico. Pensei q era a má condição física q essa vida sedentária me proporcionou, mas quase ao final do ensaio comecei a sentir algo no meio do peito, uma angústia, uma ansiedade inexplicável e indescritível... Tudo pareceu distante por um momento, até q alguém mto abençoado se aproximou prá me oferecer água... Foi qndo consegui me distrair daquela sensação. Já até sei q vou ter q levar meu rivotril pra avenida como fiz no ano passado...
Queria ter o poder de Virginia Woolf de descrever sua sensação de dubiedade. Queria ter a força q ela teve de se despreender do marido q tanto amava prá q sua doença não mais o prejudicasse. Mas não, não queria ter coragem de cometer suicídio. Tem q ter mta coragem mesmo... Assim como a tentadora coragem de dar o passo em falso em direção ao buraco da depressão. A depressão às vzs parece tão bonita, e poética, e até preenchedora em algumas situações... Mas minha luta atual é criar forças para me livrar dessa tentação e tomar as rédeas da minha própria vida. Afinal, não posso deixar isso tomar conta de mim prá sempre! Não quero ter o fim de Virginia...
Aff, deixa eu parar por aqui, pq a sonolência priva-me de todos os limites...
Ia'Orana!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O LOUCO - de Reinaldo Simões

"Então o louco
Depois de ter insultado meio mundo
De ter sido esbofeteado
Massacrado
Descobriu pouco a pouco
O que poderia saber em 1 segundo.
Que seu cérebro era de ferro
Marcado por dentro e por fora.
Toda hora o berro da sanidade
Escapava pelos parafusos mal atarrachados
E saía pela boca como fosse iniquidade
Jamais aceitariam
Os figurões da moral
Aqueles de sentimentos agachados
Mas de olhar torto e boçal
Que um louco daquela idade
Pudesse em alguma coisa ter razão.
Seria o mesmo se os mudos falassem
Se os gatos pensassem!
Seria a loucura então."

http://www.freewebs.com/blogdorei

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Insônia

Na vida, todos nós temos demônios a expurgar ou conviver. Alguns têm mais resistência, outros têm menos, mas todos nós carregamos esses demônios conosco. Um dos meus demônios se encontra no sono. Nunca tive um sono realmente reparador, o q sempre me fez dormir mais q a média das pessoas. E parece q ao longo dos anos tem piorado.

Com tantos medicamentos, é natural prá q eu vire um zumbi, mas já passou da hora desse efeito passar! É isso q não entendo: se em novembro e dezembro eu tava tão melhor, com mais energia, até o humor tava melhor... Viajamos, com uma p*** semana de férias, para um verdadeiro paraíso, com amigos agradabilíssimos, ri demais, daí volto e - tá bem, confrontei alguns probleminhas, mas é a vida, né? Nada q me perturbasse realmente, pelo contrário, foi um desabafo. Agora tudo q eu queria era manter o bom humor e a vitalidade do fim do ano passado prá curtir esse fim de férias escolares e me preparar para o início das aulas. Só isso q eu queria, seria pedir demais???

Mas não: volto a dormir mal, com sono superficial e me perseguindo o dia inteiro!!! Já não levanto da cama, mas me rastejo. Rastejo até a cozinha, ligo a tv num canal de desenho prás crianças, faço seu leite matinal, faço o meu (prá iniciar a sessão de remédios do dia) e volto prá cama. E se deixar, é lá q eu vou passando o dia. E não é de hj, pois na sexta-feira passada eu já tava pensando em me alimentar melhor pensando nisso, parar de comer besteira, e enchi a geladeira de vegetais, frutas, etc. Não era prá eu estar mais bem disposta??? O q eu tô fazendo de errado??

Pior de tudo é q uma coisa leva a outra. 3 dias inteiros na cama só pode trazer mais desânimo, prá não dizer uma "pontica" de depressão (q tento espantar a qualquer custo). De vez em qndo eu tentava levantar, ajustar uma coisa ou outra q eu tava precisando prá mudar os móveis de lugar, principalmente despachar coisas q já não interessam mais, mas chega uma hora... Q não páro de bocejar, e tudo q eu quero é um lugar prá recostar. Hj o Discovery Channel agradeceu mto minha audiência. Cada vez q eu abria os olhos era um programa completamente diferente. E o pior: a certeza de q essas "sonecas" vão atrapalhar ainda mais meu sono noturno, mas não sei mais o q fazer. Já tentei um pouco de álcool, já tentei dobrar a dose noturna do clonazepam, já tentei fazer uso do álcool com o clonazepam - o q nem recomendo, até pq não tive sucesso. Agora tô numa fase "natureba" (como se eu já não fosse meio assim): o clonazepam continua em sua dose costumeira, mas agora estou usando passiflora tbm. Hj é o segundo dia. Vamos ver no q vai dar...

Saudações sonolentas (antes q eu apague com a cara no teclado)...
Ia'Orana!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Mais uma vez, Maysa

Férias longe do continente, em outro "mundo", quase pensei tbm ser outra pessoa tbm. Ser mais eu. E fui. E foi mto bom.

Mas a gente tem q voltar pro mundo real, ... E no mundo real, os problemas continuam lá, e com tanta auto-confiança, as vzs podemos lidar com isso de forma menos irracional do q outrora. Bom, mas enfim, talvez seja o primeiro passo para as mudanças q 2009 talvez esteja preparando para nós. Acho q baixar a cabeça tem um limite, e qndo passa desse limite, temos de cortar o mal pela raiz, nem q seja para sacrificarmos a nós mesmo. Um sacrifício hoje, um pouco de paz amanhã.

O problema nem foi esse, pq o "tal purgante" já estávamos tomando havia tempos. Não desce mais. O problema foi q - falando de medicamentos - um dos meus estava em falta no posto na semana passada: a fluoxetina. Até aí tudo bem, só poucos dias mesmo sem medicamento, e continuando com o ácido valpróico, com o rivotril... Não ia me matar, ? Até q ontem, assim, sem mais nem menos, saí do banho, sentei na cama ainda envolvida pela toalha, e me pus a chorar. Chorar mto. Soluçar e quase gritar, se eu pudesse. Sorte das crianças eu tê-las mandado pro banho para não ter q assistir àquela cena deplorável. Não sabia o q fazer, até q alcancei o celular na mesinha de cabeceira e sem pensar mto, liguei pro Mr. G - eu precisava conversar com alguém, e na hora eu nem pensava mto, pq geralmente nesses casos não gosto de preocupá-lo enquanto está trabalhando até pq ele não tem mto o q fazer por mim mas... Sei lá, eu só precisava conversar com alguém!!

Tá bom, ele atendeu. Mas conversar sobre o q?? Eu não tinha motivos para chorar tão intensamente, nem de alegria nem de tristeza; não me sentia deprimida; tudo q eu via qndo olhava prá dentro de mim era nada! A razão prá eu chorar daquele jeito era NADA! Vai fazer Mr. G (ou qualquer pessoa normal) entender isso!...

Vi q a abstinência da fluoxetina estava realmente fazendo o efeito q eu renegara. Decidi sair com as crianças, fui no posto e peguei as benditas cápsulas verde-amarelas...

Minha noite foi um inferno. Aliás, vou ter q penas alguns dias prá voltar tudo ao normal... Não dormi, arranquei mto cabelo e pensei com certa obsessão no certo prazer q a dor as vzs é capaz de provocar... Lembrei de qndo eu ainda podia doar sangue, e aquela agulha finalmente encontrava minha veia, aquele arrepio gelado, a sensação de quase sair do corpo... Como qndo "tatuei" símbolos na minha pele com agulha comum, em casa. Vai tentar explicar a alguém o pq de vc ter feito isso!... Ninguém entende, nem entenderá. A não ser q seja mais um irmão q se contorce por dentro como nós.

Mudando totalmente: estou assistindo à série "Maysa - quando fala o coração". Produção impecável e extremamente interessante. Se tudo correu do jeito contado, certamente Maysa foi mais uma maníaca-depressiva incompreendida. Qntos alcólatras, suicidas, narcômanos tbm não passam de bipolares ou de outros doentes do sentimento incompreendidos? Acho q hj, em quase 2010, já passou da hora do nosso preconceito global parar de provocar finais trágicos como o da cantora - ou vidas traumatizadas por tratamentos desumanos em "clínicas psiquiátricas".

Xô, uruca!! Q 2009 venha com toda sua luz!! Prá todos nós!!

Ia'Orana!