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sábado, 12 de janeiro de 2013

A recaída

De vez em quando - só de vez em quando - eu acordo querendo ser normal. Queria ser como as outras pessoas que ficam tristes quando algo as aborrece e felizes quando algo as alegra. Queria poder me preocupar com o que tenho que me preocupar e poder ignorar o que deveria ser ignorado. Assim, exatamente como as pessoas normais fazem. Rir e chorar com um porquê. Porque essa vida de bipolar cansa, e cansa muito!

Não consegui ir ao posto pegar meus remédios no fim de ano, e eu tava me sentindo bem... Mas assim que deu, fui lá retomar o tratamento. Obviamente eu não poderia passar por isso sem sofrer as consequências, né? Pois é.

As pessoas mais próximas já haviam notado que eu ando meio distante, e eu mesma não tenho me reconhecido nos ambientes que sempre frequentei. Perdi meu mojo, minha energia, meu Ki. E eu simplesmente não consigo encontrar nada que possa me devolvê-lo... Algo que me alegre e ao menos amenize esse rombo no meio do peito, essa falta de propósito. Veja bem: não é que não haja nada que me alegre, pelo contrário, tenho muito com o que me alegrar. Essas coisas simplesmente não conseguem afetar meu coração como afetaria as pessoas normais. E é aí que eu retorno à minha simples vontade de ser normal...

Essa coisa de rir quando tem que chorar e chorar quando tem que rir é muito difícil prá nós, bipolares. É cansativo. É chato. É desgastante. Não há nada de cool nisso como as pessoas pensam. Essa pessoas normais. Nada é raso, é tudo muito profundo - inclusive a dor, mesmo que ela não tenha razão de ser. Mesmo que essa dor tenha brotado do nada, ou da química do nosso cérebro, como dizem os médicos. O cérebro enlouquece e quem padece é o coração. Quase sangra. É quase palpável. Mas não é real. Como explicar a algum "normal" que no peito rasga uma dor que não tem razão de ser? E é aí que eu fico na minha, me recolho à minha insignificância - que não existe quando estou eufórica.

Agora eu sinto muita raiva. Raiva de mim mesma e dessa doença estúpida. Eu só queria viver, sentir como todo mundo, passar pelas experiências que todo mundo passa. Mas não: o caminho mais difícil está prá mim. Fazer o quê, né?... Manter a fé, essa chama que fica por um fio quando estou assim.

Fazer o quê?...

Shalom!

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